Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Mortos vivos, mas vitoriosos.

por António Canavarro, em 20.06.18

douglas-124497.jpg

 

Ver Portugal a jogar à bola é um sofrimento atroz. Não é possível ver tantos "zoobies" a tentarem jogar à bola. Faz mesmo lembrar um sucesso televisivo: The Walking Dead.

Não fora, o Cristiano Ronaldo a marcar e o Rui Patrício com uma defesa fenomenal, o caldo estava entornado e, para mim, o resultado é bom mas injusto!

Assim não vamos longe.

 

P.S. - A primeira fase de qualificação no Europeu de França, que acabaríamos por ganhar, também não foi famosa.

Será isto um prenuncio que o país, lá para Julho, entrará em euforia?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:28

Da eutanásia

por António Canavarro, em 29.05.18

800.jpg

 

Neste blog as questões ditas fracturantes têm sempre a mesma resposta: somos do contra. Contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, adopção por casais homossexuais, o aborto, etc.

Regra geral, e embora de forma mais moderada, alinho com este estar. O mesmo, creio bem, tipo de pensamento aplica-se à eutanásia, mesmo existam excepções (pois bem sei que sim). Ora, é precisamente a este nível que tenho muitas dúvidas sobre este procedimento, que a ser aceite, médico. Ora, as pessoas que estudam para serem médicos estudam para salvarem vida, e não o contrário. Ou será que, doravante, eles também irão aprender a como matar alguém?

A fazer fé no que Henrique Raposo escreve, a eutanásia serve para purificar a sociedade de pessoas indesejáveis, como os dementes, os ideosos, etc: “A eutanásia e o suicídio assistido entram no campo do mal absoluto quando abrem a porta à dor ou incapacidade psíquica. É uma rampa deslizante sem fim à vista mas que está à vista de todos na Bélgica e na Holanda. Na Holanda, só no ano passado foram mortas 166 pessoas com demência. Como é que esta barbaridade já é possível na realidade? Como é que esta atrocidade foi concebível no campo das ideias morais? Como é que se pode aplicar a eutanásia a pessoas que por definição são incapazes de tomar decisões conscientes e racionais, como são os casos dos doentes com demência (Alzheimer), autismo, esquizofrenia?”

Não conheço no pormenor a lei que irá ser votada, nem me parece nada bem que uma lei como esta – como deveria ter acontecido com as questões fracturantes – passe num parlamento, com os mesmos procedimentos, com que são votados assuntos de menor relevância. Deveria de existir, para casos como este, um referendo. Por outro lado, e imaginando que a lei é aprovada, como irá reagir a classe médica perante uma questão que no mínimo é contra-natura? Terão eles direito à objecção de consciência?

E no meu caso, ou seja, em que me detectada uma doença incurável terei direito a um suicido médico assistido, não me tornando o peso para os meus filhos e para sociedade?

Ficam estas questões. Porém, por princípio sou contra a eutanásia!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:03

Escrito na pedra

por António Canavarro, em 25.05.18

passos manuel.jpg

 

Não é pelo facto de ser seu descendente, mas este seu Despacho mostra competência, o que é uma raridade na política portuguesa!

Manuel da Silva Passos, Passos Manuel (1805-1862) era um defensor da Res Pública, ou seja: uma qualidade que teima em faltar aqueles que deveriam defender a "coisa pública"!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:34

Pintor dos domingos

por António Canavarro, em 25.05.18

20180524_212329.jpg

 Sem título. técnica mista, Maio 2018

Fernando Namora, que no próximo ano celebra-se o centenário do seu nascimento, foi médico, escritor e, como escreveu ele, “um pintor dos domingos” [in “Encontros”; Publicações Europa-América, 1998, p.26 ]. É uma ideia interessante, e por duas razões: em primeiro lugar a sua vertente pictórica é pouco conhecida – eu próprio só o soube, quando há uns anos, visitei a casa onde nasceu, em 1919, em Condeixa-a-Nova. E por outro, porque regra geral a maioria dos pintores são “pintores dos domingos”, ou seja, a prática da “artiscidade” que justifica o próprio ofício de pintor é hoje uma raridade. Ninguém, ou quase ninguém vive da pintura ou da escrita, ou até da música. Por outras palavras, são necessário outros ofícios que nos façam sobreviver; de “ter os pés na terra”.

Porém, nem sempre foi assim. O conceito de “artiscidade” é fruto do renascimento onde eles, sejam pintores, escultores ou até arquitectos, estavam como que “obrigados” a pintar ou a esculpir. Eram na sua essência artesãos, e nesse sentido, mesmo que fazendo coisas belas – veja-se o tecto da Capela Sistina ou qualquer outro trabalho de Miguel Ângelo, como as obras de Leonardo da Vinci – estas foram feitas por compromisso: entre o artesão e quem o contratou.

De facto foram feitas coisas lindíssimas que ilustram qualquer livro da História da Arte, porém estou convencido que ainda não existia neles uma consciência estética. Havia sim a obrigação pelo belo e pela funcionalidade, caso contrário “morreriam à fome”.

A meu ver a estética ou a consciência estética da arte surge quando os artistas se revoltam com o real, quando a arte perde o sentido aristotélico de “imitação da vida”. Ou seja, a arte como discurso, e é nestes moldes que entendo a estética, surge no século XX, quando e à boleia de Oscar Wilde, ele escreveu que a “vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida”, assumindo o “lado da mentira” bem patente em movimentos artísticos da passada centúria: surrealismo, cubismo, abstraccionismo, etc.

Acontece que nos últimos tempos tem surgido obras hiper-realistas, onde o primor técnico é a todos os níveis louvável. Porém será isso arte? Mimi Fogt – cuja parte significativa da sua obra está patente na Casa-Museu Passos Canavarro – que era uma pintora figurativa, e por vezes desacreditada pelo sistema – afirmava que um dia haveria um retorno, que haveria um regresso ao figurativo, e, por assim dizer ao real. Creio que ela teve razão, porém esta inversão no discurso artístico é mais fruto dos tempos que se vivem, em que as pessoas necessitam do real, de terem os pés na terra, do que de uma tendência artística propriamente dita. As pessoas – veja-se como se olha a política actual – estão fartas da mentira, da mentira que foi terreno artístico muito fértil.

A situação tem para mim,  um pintor dos domingos por excelência, uma outra leitura e que de certa forma sugere um confronto entre o pintor encartado, com currículo académico, dos demais aventureiros dominicais. Efectivamente se um zé-ninguém não pode fingir o que não é, i.e., só pode fazer actos médicos quem tiver habilitações, por que razão pode esse mesmo zé-ninguém pintar? A resposta está no outro. Não está naquele que pinta. Porque para pintar basta ter umas telas, uns pincéis e umas tintas. Está sobretudo na sua exposição, e existência. Em suma, um pintor nunca depende de si. Depende de quem lhe dá existência. Ou sejam: os galeristas, os leiloeiros, etc. Até lá, e falo por mim, sinto-me feliz – embora já tenha exposto – em pintar os domingos, e quiçá os outros dias da semana. Se assim for um dia ainda poderei ser conhecido como tal, pondo o amadorismo na gaveta!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:52

No adeus ao Pomar que deu tantos frutos!

por António Canavarro, em 23.05.18

 

correio-da-manha-2018-05-23-6b86b2.jpg

 

Reduzir a morte de um dos maiores artistas plásticos à "do autor do retrato de Mário Soares" é lamentável.

Júlio Pomar, como Resende e tantos outros grandes das artes plásticas, teve o azar de aqui ter nascido. É uma frase feita, e no entanto justa, pois prova o pouco interesse que desde sempre é dado aos nossos artistas.

Espelhando os vários tempos que viveu, e as suas diversas fazes, ele foi grande, grande demais para um país como o nosso!

Foi por causa dele, mas também por causa de outros pintores e artistas plásticos, que encontrei nas telas,nas tintas e na imaginação, a vontade de fugir à norma, de pintar e procurar uma nova existência. 

Obrigado pela tua arte inspiradora!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:04

Cartoon à americana

por António Canavarro, em 17.04.18

Maravilhoso e incisivo este cartoon de Brendan Loper na edição de hoje do New Yorker!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:47

Visões

por António Canavarro, em 16.04.18

“Por vezes basta olhar de outra maneira para ver melhor”

Paul Virilio

 

Vem a propósito das leituras, sempre divergentes, a respeito da acção militar contra o regime de Damasco.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:48

Momento Greenpeace

por António Canavarro, em 09.04.18

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:42

Ele merece o nome de uma rua...

por António Canavarro, em 26.03.18

 

Morreu o Manuel Reis, e com a sua morte morreu uma certa forma de se estar e de sentir a cidade de Lisboa. Foi graças à sua visão que ele tornou um bairro decrépito, o velho Bairro Alto, num dos locais “in” da Lisboa dos anos 80.

O Frágil por ele criado, era um marco desta cidade que, após a queda do velho império, abraçava o seu novo destino, a Europa.

Mais tarde, e como o “Bairro” havia cumprido a sua função, Manel Reis abraça um novo desafio, tornado uma zona de chegadas e de partidas, condenada ao esquecimento e à estiva, Santa Apolónia, num dos locais sagrados da noite alfacinha na viragem do século. O Lux Frágil e a Bica do Sapato são criações absolutamente únicas, e que ajudaram Lisboa a ganhar um “certo” cosmopolitismo, tornando-a numa cidade referência na velha Europa.

O Manel, como um universo perfeitamente único, e exclusivo, bem que merece o nome de uma rua.

Se fizerem uma petição eu serei um dos signatários.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:15

A caminho da prisão

por António Canavarro, em 25.03.18

 

Já sabem o que escrevi aqui sobre a independência da Catalunha, da reacção de Madrid e o que penso sobre tudo isto, sublinhando a ideia que o futuro da Europa tem que passar por um modelo federalista, baseado numa Europa de Nações. No entanto, e como devo ser realista, este cenário é na actual conjuntura inexequível. O modelo europeu é o inverso, é o modelo que agrada a Madrid como aos demais países compósitos que ganharam forma no século XIX.

Hoje, Carles Puigdemont, acusado de rebelião pela justiça espanhola e alvo de um mandado de captura europeu, foi preso na Alemanha. Se é certo que este foragido tem conseguido não ser entregue à justiça espanhola, estou convencido, e pelas razões supra referidas, que brevemente ele irá para o cárcere, como reclamam os madrilenos.  

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:17



Bloggers convidados

António Canavarro

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D




Links

Blogs e Jornais que sigo

  •