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Escrito na pedra

por António Canavarro, em 25.10.18

Liberdade não é poder escolher entre preto e branco mas sim abominar este tipo de propostas de escolha.”

Theodor Adorno

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publicado às 14:52

Nós, europeus, hoje!

por António Canavarro, em 24.10.18

No ensaio a “Ideia de Europa”,George Steiner, escreveu ["A Ideia de Europa", Lisboa, Gradiva, 2005]: “A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados pelos gangsteres de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkgaard passava nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo. Não há cafés antigos ou definidores em Moscovo, que é já um subúrbio da Ásia. Poucos em Inglaterra, após um breve período em que estiveram na moda, no século XVIII. Nenhuns na América do Norte, para lá do posto avançado galicano de Nova Orleães. Desenhe-se o mapa das cafetarias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da ideia de Europa”(p.26). Adiante acrescenta: “Mas a Europa é também o espaço que se pode percorrer a pé, sem acidentes geográficos ou distâncias que nos derrotem, solidificando uma ‘uma relação essencial entre a humanidade europeia e a sua paisagem:

Metaforicamente, mas também materialmente, esta paisagem foi moldada, humanizada, por pés e mãos. Como em nenhuma outra parte do globo, as costas, os campos, as florestas e os montes da Europa, de La Coruña a S. Petersburgo, de Estocolmo a Messina, tomaram forma, não tanto devido ao tempo geológico como ao tempo histórico-humano’ (p.28)

No comentário que fez a esta obra, José Henrique Dias, do Instituto Superior Miguel Torga, conclui que este ensaio de Steiner é “ fundamentalmente um alerta para que a ideia de Europa não caia “naquele grande museu de sonhos passados a que chamamos História”.

O problema da Europa, ou se preferirem da crise da Europa – e note-se que faz parte da nossa genética, desde as calendas gregas, estar em crise: de estar e sair da crise, construindo o que fomos – é a incapacidade de nos adaptamos à actualidade, i.e., ao real, num tempo em que o virtual domina.

Aquilo que são as características marcantes do “ser europeu”, os cafés e a mobilidade foram sequestrados pela modernidade tecnológica, onde as pessoas não necessitam disto – ou seja, de estar num café ou caminhar para existir – porque tudo se dilui na virtualidade, na alteração profunda do conceito de contacto: na necessidade de estar num café para dialogar ou de ir, caminhando, para contactar a diferença e conhecer o outro.

Aquilo que marcou o lugar do europeu no mundo, e estou a falar da ideia/necessidade da descoberta, só foi e é possível num continente como um nosso, que geograficamente está mal definido: a Eurásia!

Hoje, e sobretudo pelas suas consequências político-económicas, procuramos medir as consequências do Brexit. Da saída da Grã-Bretanha do “sonho/projecto” europeu. Acontece que eles – que são ilhéus e onde “não há cafés” – na realidade não são “verdadeiramente” europeus, mesmo até quando se inventou uma prótese – o túnel da Mancha – para suprir essa falta de pertença!

Por outro lado, e fruto da globalidade vigente, onde vigora a lei da “fast food” e dos Starbucks, ou seja, a maior cadeia de cafeterias do mundo, que impede pela natureza destes estabelecimentos o contacto directo e a demora, fundamentais para conhecer e se fazer conhecer, perdemos o prazer da aventura que sempre foi razão intelectual da nossa existência: Se a Agora socrática se transformasse num balcão de um “fast food” ou  Starbucks, nunca seríamos o que ao longo de século fomos: sem conhecer, sem a troca de ideias, por mais adversas que tenham sido, mas que condimentaram o nosso devir, a Europa era algo de falhado, ou melhor nem existia…! Seríamos a continuidade do continente asiático. E mais: nem teríamos uma religião unificadora, o que não acontece na Ásia, como o cristianismo. O sucesso da nossa religião é também ela fruto da nossa particularidade geográfica e dialogante!

Hoje na Europa, porque nos esquecemos dos nossos contactos de proximidade, já que graças à tecnologia estamos a milhas daqui, estamos condicionados “à vida dos outros”. Ou seja, estamos mais preocupados com as eleições brasileiras, como o que pensa Trump ou como os efeitos da nova “maluquice” inventada pelo regime norte-coreano do que com os nossos problemas. Com os problemas que estão à nossa porta!

 

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publicado às 10:45

Sem duvida...

por António Canavarro, em 23.10.18

"O riso é a sabedoria, e filosofar é aprender
a rir.
Sem a liberdade de rir, de caçoar e fazer
humor, não há progresso da razão."


Georges Minois in "História do riso e do escárnio"

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publicado às 11:00

Da novela Tancos à agenda de Cravinho

por António Canavarro, em 18.10.18

 

Ontem o general Rovisco Duarte, o chefe do Estado-Maior do Exército demitiu-se porque soube ler as entrelinhas das palavras de João Gomes Cravinho, o actual ministro da defesa que, como anuncia o Observador ,"empurrou" o militar para a saída. Efectivamente, a novela de Tancos não poderia ter só consequências políticas, e a forma amadora com o anterior ministro da tutela, Azeredo Lopes,  geriu essa novela, merecia este desfecho - inclusive o seu ex-chefe de gabinete, Tenente-general Martins Pereira, foi constituído arguido no caso do roubo das armas

Este é um assunto que ele terá que resolver, e no mais breve trecho!

Mas há mais! Não é por acaso que António Costa tirou este coelho da cartola. O primeiro-ministro, como a maioria das pessoas informadas, sabe que o nosso modelo de defesa nacional chegou ao prazo da validade, e Tancos só acontece graças ao estado a que ela chegou - fecho de quartéis, fim do serviço militar etc.

Neste contexto, Gomes Cravinho tem o currículo para assumir a pasta da defesa internacional.

Faz bastante tempo que sigo a vida académica. Tenho formação em relações internacionais, e grande parte dos seus estudos académicos do actual ministro são nesta área. Ele conhece bem o meandros da política internacional, pelo que ele parece ser o Homem certo para assumir esta pasta. Uma pasta cuja  agenda terá obrigatoriamente como objectivo principal a "renovação" da política de defesa nacional. Como seja, entre outras decisões, a reinstauração do serviço militar obrigatório.

Por vezes é preciso pensar em guerra para se manter a paz, algo que de há muito foi esquecido por estas bandas! 

 

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publicado às 10:29

Por causa do Orçamento de Estado...

por António Canavarro, em 16.10.18

DP Pif Paf 71.jpg

 ... o que me salva é o humor!

Obrigado Millôr Fernandes (1923 — 2012)

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publicado às 17:27

Fibra lusa

por António Canavarro, em 08.10.18

PADEIRA-DE_ALJUBARROTA.jpg

 

Será que as mulheres portuguesas são ingénuas? Será que não fazem ideia do meio onde coabitam e circulam as pessoas ligadas ao futebol, desde os dirigentes aos jogadores?

Eu já escrevi aqui o que penso sobre o caso Ronaldo, e a sua suposta violação de uma ex-modelo em Las Vegas.

No entanto este movimento feminino que circula no Facebook, a favor da inocência do “melhor do mundo” não lembra a ninguém.

Cito-o: “vamos mostrar ao mundo que somos Portuguesas e estamos ao lado de CR7 e contra mulheres oportunistas. Ele defende a nossa nação. Vamos apoia-lo com o coração. Se concordasse partilha com as tuas amigas do Facebook”.

 

Nunca vi nada igual desde que a Brites de Almeida, a Padeira de Aljubarrota , andou à traulitada aos castelhanos.

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publicado às 18:53

Samba triste.

por António Canavarro, em 08.10.18

 

Os resultados da primeira-volta das eleições brasileiras, e um pouco como tem acontecido um pouco por todo o lado, provam que a sociedade está fragilizada, que a democracia está fortemente ameaçada por cenários políticos cada vez mais “bicolor”. Preto e branco!

As forças políticas mais centrais e de continuidade perderam a sua influência, vendo os seus eleitores a migrarem para outras paragens ideologicamente mais vincadas. A segunda-volta entre um candidato da extrema-direita e um da extrema-esquerda é um bom reflexo disto mesmo. E seja qual for o resultado será sempre mau para um país com a dimensão e importância do Brasil.

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publicado às 12:25

Do justo Nobel a CR7

por António Canavarro, em 06.10.18

 

A entrega do Nobel da Paz a uma escrava sexual e ao congolês Denis Mukwege está bem entregue, e ainda por cima quando o sexo, ou melhor os abusos sexuais estão na moda graças os avanços do movimento #Me Too, até porque, como bem escreve o editorialista do Público, “numa altura em que o mundo desenvolvido se debate com os avanços do movimento #Me Too, esta atribuição é um incisivo alerta para que tenhamos presente que a afirmação do poder através do sexo é milenar, universal e um abismo de horrores que deve passar a ser intolerável para a Humanidade.”

Neste sentido, e como costuma ser o seu apanágio, a entrega do Prémio Nobel da Paz a Denis Mukwege e a Nadia Murad é um lição ao mundo que ainda respeita os valores. E uma chapada a quem acha que através da violência sexual tudo consegue.

Há depois o caso Cristiano Ronaldo e as suas diversas consequências.

Se lermos as acusações, tal como são feitas na imprensa, já que os jornalistas surgem como os guardiões da moralidade no século XXI, CR7 parece estar condenado, moral e civilmente. Pode estar feito ao bife, passando o seu “momento de nojo” atrás das grades em Las Vegas. Se for verdade ele que se lixe. Porém não acredito. É uma conspiração bem urdida contra o nosso grande jogador, a pagar (porventura) as favas por ter saído do Real de Madrid. De facto, e do meu ponto de vista, a história parece estar mal contada, até porque só conhecemos uma versão da mesma: da suposta vítima.

A violação é depressível. É feita mediante a força, numa atitude unilateral. Não estou a ver o jogador de futebol numa atitude semelhante, a fazer sexo à força. A cachopa à boleia do #Me Too tenta a sua sorte, procurando através de uma história com 9 anos, ganhar o “seu” euromilhões.

Shame on you!

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publicado às 13:01

Há músicos e músicos. Ele era formidável.

por António Canavarro, em 01.10.18

Charles Aznavour - 1924-2018

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publicado às 21:34

Google it

por António Canavarro, em 27.09.18

No teatro da existência, vinte anos é já uma vida.

São 20 anos a googlar

 

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publicado às 14:25



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