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Marcelo foi infantil, superficial, soberbo e absurdo. Foi superficial quando trouxe o tema do vinho da Madeira para a conversa, como que a querer situar o seu interlocutor na importância de Portugal na história dos Estados Unidos. Foi infantil quando trouxe o tema Ronaldo para a conversa, como quem traz na lapela uma medalha de honra. Foi soberbo quando reagiu à piada de Trump (que esteve bem em entrar no tom jocoso, uma vez que Marcelo não levou temas sérios para a conferência de imprensa) querendo insinuar que a política portuguesa é que é a sério ao contrário da norte-americana, e foi absurdo (e isto foi mesmo o pior) quando fez questão de dizer em conferência de imprensa que tinha estado com Putin e que este lhe mandara cumprimentos (como se o presidente russo precisasse de Marcelo para enviar cumprimentos a Trump), claramente a pôr-se em bicos de pés entre dois gigantes mundiais.

Via-se claramente que Marcelo se esforçou para se tornar importante aos olhos Trump, o que é uma reação típica de quem não é. 

Resta a  Marcelo a interpretação favorável que se fez cá no burgo. Marcelo em Portugal foi aplaudido e elevado em ombros pela sua prestação na conferência de imprensa com Trump (o que é um sinal de como Portugal vive numa espécie de Caverna de Platão, que toma as sombras pela realidade). 

Vejam a conferência de imprensa do Primeiro-Ministro holandês Mark Rutte com Trump que se seguiu e comparem a postura e maturidade do chefe de Governo da Holanda com a do nosso chefe de Estado.

P.S. Só o penteado de Trump (o que é que o senhor fez ao cabelo?) no encontro com Mark Rutte retira seriedade ao momento. 

 

 

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publicado às 00:39

Bruno de Carvalho e o paradigma de como a vaidade mata

por Maria Teixeira Alves, em 27.06.18

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A Agustina disse uma vez que o reconhecimento social deve começar com um duelo. Bruno de Carvalho começou a sua presidência do Sporting com um duelo: contratou o treinador estrela do clube rival: Jorge Jesus. Enfrentando ventos e marés (vindo mesmo dos sportinguistas, o que não se compreende).

Começou bem e foi um presidente bom para o clube quando com coragem denunciou o caso dos vouchers do Benfica aos árbitros. Foi uma pedrada no charco num clube de meias tintas que já ia em sétimo lugar.

Com a ajuda de José Maria Ricciardi reestruturou a dívida do clube e conseguiu meios para construir um plantel de primeira água.

Fez muitas outras coisas excelentes que agora não vou enumerar (ao nível das outras modalidades e não só), e apesar de tudo quando saiu deixa o Sporting num honroso 3º lugar que podia ter sido um segundo lugar ou mesmo um primeiro.

Mas, a vaidade assolou-o e a coragem que foi crucial para pôr o Sporting nos lugares cimeiros, acabou por o levar à morte e à ruina do clube. A coragem transformou-se em agressividade, virou um pistoleiro sem lei, sucumbiu à luta de classes, e a luta de classes é sempre a revelação de certo ressabiamento desagaradável (seja em que direção for essa luta de classes). 

Não foi sensato, punha-se em desabafos infantis no Facebook. atacou jogadores (mesmo que tivesse razões de queixa, a roupa suja lava-se em casa), com isto faltou ao respeito ao melhor ativo do clube.

Bruno de Carvalho demonstrou não ser inteligente, nem ter maturidade para lidar com as adversidades. Não se pode ser presidente de um clube sem estar preparado para ataques vindos às vezes da própria família. A mágoa não pode toldar o pensamento. Faltou-lhe a inteligência emocional (na definição de Daniel Goleman). Atacou de forma grosseira os jornalistas, mas depois não vive sem eles.

Depois há palavras que matam e uma vez proferidas são irreversíveis. Bruno de Carvalho não sabe isso. Foi pena. Tenho a certeza que não faltou quem tivesse tentado refrear a testoterona, e travar as considerações ridiculas (com desabafos e referências à sua vida pessoal, mas quem é que queria saber disso?) e ressabiadas. Mas não se pode pedir o que não está na sua natureza dar. 

Muitas vezes apetecia dizer-lhe "Bruno, menos, menos".

Sai derrotado e perde até os créditos para no futuro, quando for mais velho, voltar à carga. 

Espero que o Sporting volte um dia à ribalta, mas desta vez com alguém que consiga liderar com coragem sem sucumbir à vaidade.

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publicado às 01:40

Ricardo Paes Mamede não gosta de Juncker e eu também não

por Maria Teixeira Alves, em 01.06.18

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Ricardo Paes Mamede, falava no programa 360º da RTP 3: "Itália é o único país da União Europeia que teve saldos primários positivos nos últimos 23 anos, desde 1995 (com excepção de 2009 quando houve a grande crise, mas mesmo assim teve saldos primários mais elevados). Os saldos primários (receitas-despesa (sem juros)) de Itália são 5 vezes acima da média da UE. Se há país que fez um esforço hercúleo para reduzir a sua dívida foi a Itália, à custa do crescimento do PIB. Itália tem o PIB praticamente estagnado. É o único país da UE que reduziu o PIB per capita em termos reais, desde a entrada em vigor do euro (Portugal ficou praticamente ela por ela)".

Jean-Claude Juncker, Presidente da Comissão Europeia, disse hoje um disparate, lembrou o economista: "o problema é de itália, acabem com corrupão".A frase foi: "Mais trabalho, seriedade e menos corrupção". Isto apesar Juncker ter estado envolvido com o escândalo dos acordos fiscais secretos no Luxemburgo,quando era primeiro-ministro, que permitiram a várias multinacionais poupar milhões em impostos.Mas, lembra Paes Mamede, Itália cumpriu o que a UE lhe pediu, e o resultado está à vista: tem um terço da juventude desempregada; tem uma taxa de desemprego de 10% há muitos anos. Isto apesar da industria ter sido toda privatizada em Itália. 

O Itália beneficou de juros mais baixos, mas é um país que não tem onde investir e a procura interna está a comprimir-se.

O problema está na arquitetura do funcionamento da União Europeia, disse Paes Mamede.

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publicado às 22:34

António Costa entre a alquimia e a utopia

por Maria Teixeira Alves, em 26.05.18

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O secretário-geral do PS, que é também primeiro-ministro do país, fez um discurso triunfalista no 22º Congresso do PS. Um discurso marcadamente ideológico de 42 minutos a fazer lembrar outros líderes duradoiros da história. Claramente está para ficar. 

António Costa tem orgulho em ter aprovado o casamento gay e adopção, a liberalização do aborto, e prepara-se agora para aprovar a eutanásia (mais uma medida na cultura da morte).

Do seu discurso saliento alguns paradoxos: António Costa quer familias gay e abortos e ao mesmo tempo quer familias a procriar para inverter o saldo demográfico.  

Isto é, em nome das liberdades individuais defendeu o casamento gay e a adopção de crianças, e a liberalização do aborto. Mas alertou para o grave problema demográfico que faz com que “em 2060 não seremos 10 milhões, mas sim 7 milhões”. Ora alguma vez Costa pensou no efeito pedagógico das leis que defende? 

Se uma coisa está na lei, no limite é o mesmo que dizer que é a regra, ou seja é o comportamento a seguir. Mas se todos o fizerem lá se vai a demografia. 

Mais à frente no discurso defendeu a família. António Costa disse que é preciso “criar condições de estabilidade do emprego, do acesso à habitação para que as pessoas possam constituir família e terem bons serviços de apoio social que lhes permitam ter filhos”. 

Costa garantiu querer criar condições para aumentar a natalidade. No entanto as políticas que vão promover a natalidade são apenas ideias, e as políticas que o PS aprovou em primeiro lugar são as que vão pedagógicamente em sentido contrário, em nome das "liberdades individuais", que são soberanas.

Penso que a crise das familias não é apenas fruto da falta de dinheiro, é também fruto da crescente e gradual destruição da instituição, é fruto de uma mudança de mentalidades no sentido do individualismo e da misantropia.

Depois não posso deixar de realçar o paradoxo deste país e desta ideologia. Pois a única medida fraturante aprovada, que gerava natalidade (reprodução medicamente assistida) é barrada com a estupida regra de dar o direito às crianças de conhecer os pais-doadores. O que inviabiliza a medida imediatamente. Para já no falar do custo de tal medida.

 

Mais à frente no seu discurso no Congresso Costa adianta que é preciso criar condições para as pessoas formarem família (referindo-se, imagino eu, ao conceito de família de direita: pai, mãe e filhos), mas diz que isso não chega para inverter o saldo demográfico e por isso defende políticas ativas de migração para que os portugueses não partam (o que é curioso num assumido europeísta) e criar também condições para atrair imigrantes, para ter um saldo demográfico mais equilibrado. Até aí tudo muito bem. De facto é preciso criar condições para recebermos estrangeiros que queiram viver em Portugal. Mas lá está, a seguir cai noutro paradoxo. Ao dizer que essa política ativa de imigração se faz “combatendo um discurso xenófobo e racista” está a situar o tipo de imigração que defende.

Mas afinal Costa quer a imigração para aumentar a natalidade num contexto de empregos sólidos e adequadamente remunerados, como defendeu ao longo de todo o discurso, ou quer a imigração como bandeira de solidaridade social e quer imigrantes sem trabalho e que em vez de melhorar a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde do país e o desenvolvimento económico o vai degradar?

Reparem na diferença do que disse Costa para o que disse uma vez António Horta Osório. O banqueiro disse "é preciso criar políticas de imigração inteligentes" e citou os casos de Singapura, Canadá e Austrália, que promoveram a recepção de imigrantes nas áreas em que mais precisavam. A população dobrou em 20 anos e a economia cresceu. "Se não fizermos isso estaremos dependentes do rácio reformados versus pessoas ativas", disse referindo-se à relação entre população ativa e o crescimento da população.

António Horta Osório não falou em combate à xenofobia, falou em abrir a porta a políticas de imigração inteligentes, seletivas e confinada a áreas em que o país precisa, para fomentar o crescimento económico. O que António Costa propõe ou parece defender em termos de imigração só em sonhos cria crescimento económico.

Costa não quer apenas essa política para Portugal defendeu também uma Europa solidária com os refugiados e que saiba “partilhar esse encargo entre todos”. Como é que se compatibiliza isso com mais e melhor emprego, e mais remunerado? Não sabemos.

Analisemos o outro argumento. É óbviamente desejável manter os portugueses em Portugal, porque é um sinal que o país cria oportunidades de realização profissional. Mas um país que tem quatro ou cinco bancos e meia dúzia de empresas, onde os salários mínimos sobem, para gáudio do líder socialista, mas os salários médios estagnam ou descem face à inflação, que condições é que existem para os portugueses se manterem em Portugal? Quando os ordenados não chegam sequer para alugar uma casa, ou comprar.

Admitiu também que é preciso manter as novas gerações em Portugal e para isso é preciso que as empresas paguem melhores salários. Maiores salários e mais salários para as mulheres para combater a desiguladade. Mas também quer aumentar a produtividade das empresas. Mas como? Não disse. Outra alquimia de Costa é o querer a revolução digital [que serve para melhorar o desenvolvimento do país, mas que irá fazer desaparecer muitos empregos] e querer ao mesmo tempo quer manter os atuais empregos e mais bem remunerados. 

“Honramos-nos  de ter criado o Rendimento Social de Inserção",disse. Vangloriou-se de ter aumentado as pensões, o salário mínimo. Depois anunciou a política de modernização das infraestruturas e o investimento nas Ferrovias. “Queremos fazer na ferrovia o esforço que no passado fizemos na Rodovia e nas infraestrutura de telecomunicações”. António Costa disse mesmo que “temos o maior programa de investimento na ferrovia dos últimos 100 anos”.

Disse também que "não basta que a lei diga que somos todos iguais, temos de ter as mesmas oportunidades” e adiantou ser um desígnio “que o Estado assegure condições de igualdade de acesso a todos os bens públicos essenciais”. 

“Temos de continuar a trabalhar para defender o Serviço Nacional de Saúde”, foi uma das mensagens deixadas por Costa. Ora a realidade é que os portugueses pagam para o Serviço Nacional de Saúde e depois pagam os seguros privados se querem ter bons médicos e rapidez de atendimento, e com isso resta-lhes ainda menos dinheiro disponível para formar família e inverter a demografia. Mas para o socialismo o que importa é a igualdade. 

Todos estes gastos do Estado e ainda assim Costa garante que “enfrentámos a dívida com uma gestão rigorosa das finanças públicas dando ao país o menor défice da nossa democracia, e começando a reduzir a dívida e juros e mobilizando o dinheiro na edução, saúde, transportes públicos e serviços públicos”.

O líder do PS conclui que se há algo que se podia orgulhar é que “com o seu governo” tinha acabado o mito que só a direita é que consegue gerir a economia e as finanças públicas, numa retórica abertamente triunfalista.Mas Costa camufla o aumento da carga fiscal em tudo o que compramos (por exemplo na gasolina, mas não só, nas roupas, na comida, nos impostos imobiliários, etc) e que acaba com o poder de compra das classes médias. Mas para Costa “o PS é o partido que melhor governa a economia e as finanças públicas”. 

E lá diz o slogan: "foi possível virar a página da austeridade sem sair do euro”.

A ideia mais coerente que lhe saiu foi quando citou o socialista francês Mitterand: “O socialismo continua a ser a ideia mais jovem do mundo”. 

 

 

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publicado às 02:51

Philip dear, it´s not Merkel, it´s Markle

por Maria Teixeira Alves, em 19.05.18

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publicado às 21:07

EDP: Uma OPA mais do que esperada

por Maria Teixeira Alves, em 11.05.18

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A China Three Gorges lançou hoje uma OPA - Oferta Pública de Aquisição - à EDP para ficar com pelo menos 50% mais uma ação.  Entre muitas outras condições, os chineses, que já têm (directa e indirectamente) 28,25% disseram no anúncio preliminar divulgado ao mercado, que a OPA sobre a EDP está condicionada à não oposição do Governo de Portugal. Tratando-se a EDP de uma empresa privada, esta condição dá algumas pistas sobre esta operação.

Ainda estamos longe do desfecho desta operação que foi hoje preliminarmente anunciada, mas parece bastante óbvio que está a ser preparada nos bastidores há meses. Há mais de um mês o Jornal Económico escreveu que os Chineses iam reforçar na EDP até ao fim do ano, para enfrentar a vaga de fusões que se estava a desenvolver na Europa. Isso teria ser feito através de uma OPA (até porque os chineses já estão perto do limiar mínimo de 33,3% da OPA obrigatória). Os chineses podiam ter comprado em bolsa até ultrapassarem os 33,3% e a OPA nessa circunstância surgiria por imposição da CMVM, mas isso não estava nos planos dos chineses. Os chineses não iam lançar uma OPA em confronto com o Governo, ou não fossem os chineses por ADN reverentes ao seu Governo.

É mais do que expectável que as conversas com o Governo português não começaram há dois dias. Os chineses nunca avançariam para esta OPA sem o conforto do primeiro-ministro.

Isso explica a rapidez de reação à Reuters de António Costa: "O Governo não tem nada a opor", disse António Costa e adiantou mesmo que os chineses "têm sido bons investidores em Portugal".

Agora o que se  vai passar?

Há uma bateria de autorizações a serem concedidas (incluindo a DG Comp europeia, que não morre de amores por acionistas chineses em empresas europeias) para que a OPA seja registada. Há uma Assembleia Geral a ser convocada para alterar os estatutos (os votos da EDP estão blindados a 25%). Falta ainda a posição formal da administração da EDP (a posição de António Mexia é uma incógnita porque pode não se manter como presidente se a OPA tiver sucesso). Há os fundos internacionais que são acionistas da EDP (o BCP que tem 2,44% está com os chineses, pois é o intermediário financeiro) e que os chineses têm de convencer a vender na OPA (o prémio oferecido é baixo, 4,82%, devemos assistir no futuro a uma revisão do preço). 

Esta OPA tem uma caracteristica que em tempos vimos na OPA da Sonae sobre a PT. É que se vai decidir numa Assembleia Geral para votar a mudança de estatutos. 

Depois esta é uma OPA transformacional. Vai mudar a sociedade portuguesa e vai ser o tema dos debates políticos e dos jornais durante largos meses.

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publicado às 22:51

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Estava eu a ouvir a Graça Franco, diretora de informação da RR, que comentava o salário mínimo numa altura em que a CGTP exige uma nova subida para os 650 euros (mais 70 euros face ao valor atual), quando achei que devia ficar registada uma análise verdadeiramente inteligente. É pouco comum um comentário jornalistico tão elucidativo.

Graça Franco começou por dizer que a proposta da CGTP não deve passar na Concertação Social. Mas, acredita Graça Franco, o salário mínimo alguma coisa vai aumentar, lembrando que o Governo pode impor o valor do salário mínimo da economia, legislando, mesmo apesar da Concertação Social. A comentadora acredita que ficará um salário mínimo entre a proposta da CGTP e a da UGT.

Mas quando falou do impacto na economia é que se revelou verdadeiramente elucidativo. "Nesta altura já cerca de 750 mil trabalhadores com o salário mínimo (mais de um quinto da população)", disse a comentadora. Portanto a subida do salário mínimo afecta hoje mais as finanças públicas do que no passado, pois há mais trabalhadores da função pública com o salário mínimo, disse.

Depois recorda que Centeno (no seu livro) defendia que um salário minimo demasiado elevado é desincentivador do emprego. O nosso salário mínimo é baixo. 

"O que existe na economia portuguesa é uma contração dos salários médios", disse Graça Franco. "Estamos a subir o salário mínimo, mas os outros salários não sobem na mesma proporção". Isto é, estamos a descer o salário médio da economia. Isso tem um efeito desincentivador do trabalho do ponto de vista dos quadros médios. Graça Franco diz que temos investigadores, engenheiros, jovens licenciados a ganhar pouco mais do que o salário mínimo, o que leva à emigração dos jovens. 

Do ponto de vista do consumo a subida do salário mínimo até teve um impacto positivo no crescimento económico, admitiu Graça Franco.

"No entanto hoje vieram más notícias da Europa, a primeira proposta de quadro orçamental é de redução de 6% dos fundos de coesão e de 5% da PAC. Portugal é muito beneficiado pelos fundos de coesão", lembrou.

A Comissão Europeia apresentou a proposta de orçamento para 2021/ 2027, que vai obrigar a uma maior contribuição dos Estados devido à saída do Reino Unido da UE e a cortes em políticas que favorecem Portugal, como os Fundos de Coesão e a Política Agrícola Comum.

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publicado às 00:35

Eis a questão

por Maria Teixeira Alves, em 24.04.18

We shape the destiny or the destiny shape us?

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publicado às 04:16

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Novela 1 - Lula

Os portugueses estão a viver intensamente a evolução do processo judicial do Lula da Silva. Os telejornais acompanham ao minuto, choram com os apoiantes do Partido Trabalhista (de esquerda, claro). Os comentadores nem tentam disfarçar que são independentes na análise. São verdadeiros activistas contra os tribunais e a favor da libertação de Lula. A maioria da esquerda (UGT até fez um comunicado) portuguesa sofre genuinamente com a condenação do ex-presidente do Brasil, membro do partido trabalhista (de esquerda, claro). Pedem que a lei não seja cumprida. Isto é, que Lula da Silva não seja preso após o julgamento de todos os recursos na segunda instância. Estão revoltados contra a decisão do juiz federal Sérgio Moro que deu um prazo até as 17 horas desta sexta-feira, dia 6, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para se apresentar "voluntariamente" à Polícia Federal em Curitiba, que é a polícia encarregue da investigação da Operação Lava Jato.

Tudo porque o Luiz Inácio Lula da Silva alegadamente "tirou milhões de pessoas da pobreza durante seus dois mandatos como presidente do Brasil" (esquecem-se de dizer que foi tudo a crédito bancário). Mas Lula é o herói dos trabalhadores. No entanto também comandou um dos governos mais corruptos na história do país. Mas isso a esquerda prefere não acreditar.

Lula foi condenado (e bem) a 12 anos e um mês de prisão no processo do caso triplex do Guarujá. Ou seja, a justiça provou que Lula recebeu cerca de 3,7 milhões de reais em subornos da construtora OAS, num triplex do Guarujá, num esquema relacionado com a empresa brasileira Petrobrás, sendo a primeira condenação do ex-presidente no processo Lava Jato.

Os portugueses gostam muito de sofrer com os heróis dos descamisados, mesmo que sejam bandidos. Roubar aos ricos, nem lhes parece mal.

 

Novela 2 - Letizia

A outra novela que move os portugueses é o vídeo de Espanha em que se vê a Rainha Letizia a impedir (de forma irritante) que as suas filhas tirem uma fotografia com a avó, a Rainha emérita Dona Sofia. Os espanhóis não gostaram da forma como a Rainha de Espanha tratou Dona Sofia, a monarca emérita, à saída da Missa de Páscoa, em Palma de Maiorca. Mas não são só os espanhóis, não há português que não esteja irritado com a Rainha de Espanha por causa da sua pouca educada atitude para com uma Senhora mais velha.

Aquilo pareceu-me uma ciumeira da Rainha Letizia face à sogra. Claro que se os espanhóis dizem mata, os portugueses dizem esfola. Vivem a novela como se Letizia fosse Rainha também de Portugal (os portugueses não ligam nenhuma à família real portuguesa, mas vibram com a espanhola). Claro que sendo a Letizia plebeia e tendo vindo de uma família mais pobre, o seu gesto é aproveitado para a menorizar.

É para mim mais do que óbvio que aquela cena de Letizia a pôr-se à frente das filhas para não deixar a avó tirar uma fotografia com as netas, não tem nada a ver com o seu background social. Já vi cenas de igual nível em pessoas de todos os meios. Mas claro as pessoas  aproveitam as suas circunstâncias para a menorizar. Foi malcriada? Foi. Mas quem diz que se tivesse nascido condessa, não podia perfeitamente, em situação de irritação, fazer o mesmo? O que não falta para aí são pessoas a perder as estribeiras e a ter atitudes grotescas com outras que não gostam, não querem gostar ou deixaram de gostar. Nem tudo é determinado pelo estatuto social.

Ironia: os portugueses adoram o filho do povo Lula, mas odeiam a filha do povo Letizia. Conclusão. Uma mulher que ascende socialmente é imperdoável. Um homem que ascende socialmente é um herói. Pode até dar-se ao luxo de ser corrupto. "Rouba mas faz", diz a voz popular.

E ainda vêm com igualdade de género e outras ideias feministas. Poupem-me.

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publicado às 00:54

Ouvido de relance

por Maria Teixeira Alves, em 01.04.18

Oh que mundo este que o mérito envenena quem o detém

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publicado às 21:00



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