Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Pedro-Cabrita-Reis-1280x640.jpg

Pedro Cabrita Reis é o entrevistado desta semana do Jornal Económico. Partilho aqui algumas das suas frases mais interessantes, na minha opinião.

 

"Aquilo que mais me horroriza é o bom senso – aquela papa indefinida em que a maioria silenciosa da alma e da política e da inteligência se atola e na qual se esconde para se defender. Ao artista compete-lhe estilhaçar o bom senso, sob todas as formas ao seu alcance!"

 

O MAAT "é um desses muitos espaços que, infelizmente, a meu ver, existem em demasia. São espaços de celebração egomaníaca dos seus arquitetos-autores e não da celebração da arte, que é para isso que os museus deveriam servir. A tal ponto que sabemos que não é um nem dois, mas sim muitos arquitetos que insistem em querer abrir os museus com eles vazios para expor-se a si e à sua própria arquitetura aos olhares do público. Há outras maneiras de mostrar a arquitetura. Um museu deve abrir com arte. Provavelmente, estarei a ser um pouco antiquado ou reacionário, mas estou firmemente convicto, e dificilmente me convencerão do contrário, que a função do museu é ser invisível enquanto arquitetura e servir, sob todas as formas possíveis e imaginárias, a revelação e a exposição da arte".

 

"Apesar do Trump dizer que hoje em dia a economia americana está mais sólida – e é um facto –, são os chineses que mandam na economia americana porque são eles os detentores da dívida externa. E a economia chinesa ainda está mais sólida do que a americana. Apesar disso tudo, a bolha de 2008, do Lehman Brothers e outros, foi apenas um sintoma de uma crise que já se avolumava desde o princípio dos anos 80, desde que os yuppies começaram a mandar na economia. Ou seja, vivemos em crise há 30 anos! Dessa crise permanente inferem-se muitas coisas e uma delas é que a arte é um valor de refúgio, e cada vez mais". 

 

"Não quero, de forma alguma, criar ruturas. Uma vez a cada cem anos aparece um Marcel Duchamp, põe um urinol na parede e ficamos todos satisfeitos. Porreiro, já nos livrámos do problema dos urinóis, agora vamos continuar a pintar uns quadros. Sou um artista clássico. Gosto muito de Marcel Duchamp, mas não tenho interesse em fazer de Marcel Duchamp. Há muitos jovens que, infelizmente, não tiveram ainda a oportunidade – não têm tempo de vida ou de acumulação de experiências suficientes – para perceber que a busca da novidade, por si, não leva a lado nenhum. O que é preciso buscar, de facto, é um lugar interior a partir do qual se possa projetar um pensamento, um desejo, um olhar. Os artistas clássicos reconstroem, enquanto os artistas que ambicionam ser contemporâneos propõem-se destruir porque acham que vão inventar uma coisa nova". 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:16

A esquerda portuguesa é uma espécie de Stasi

por Maria Teixeira Alves, em 14.08.18

op_57507_web_summit.jpg

Ao ver a indignação da esquerda portuguesa ao convite de Marine Le Pen para oradora da Web Summit, e a pressão da imprensa portuguesa  sobre o governo para pedir explicações, lembrei-me daqueles tempos em que a Stasi queimava livros e proibia a publicação de outros. Tudo em nome de uma higiene cultural que tomavam como certa e justa.

A esquerda portuguesa está a fazer o mesmo quando quer proibir a presidente do partido francês Frente Nacional de ser oradora da Web Summit. Isto apesar da organização, em nome da defesa da pluralidade de opinião, ter defendido a sua presença. A pressão da esquerda levou Paddy Cosgrave a passar a batata quente da decisão tirana de proibição para o Governo português.

Caminhamos para um mundo onde os Republicanos nos EUA deixam de ser considerados legítimos para governar, a direita europeia deixa de poder ter espaço de opinião. Qualquer dia proíbem o CDS de falar em público (em nome duma higiene cultural qualquer). Vão proibir países com líderes de direita de estar na União Europeia. Um passinho mais e começam a queimar os livros de autores de direita, ou, mais higiénico, a proibir as livrarias de os vender.

Tiranos!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:24

unnamed.jpg

A propósito das inúmeras insinuações que por aí pululam sobre alegados "interesses escondidos" por detrás da notícia do Jornal Económico sobre Ricardo Robles e que culminou com a sua demissão de vereador da CML, lembrei-me de uma história do Independente. 

Miguel Esteves Cardoso era diretor do jornal quando, a propósito de uma notícia sobre o então presidente de Angola, recebeu uma carta de uma das filhas, não me lembro se seria a Isabel, a acusar o Independente de estar ao serviço de interesses escondidos contra José Eduardo dos Santos, a acusar o jornal de perseguição ao pai dela, and so on...

Miguel Esteves Cardoso brilhantemente respondeu numa nota de redação que acompanhou a publicação da carta: "Fomos apanhados!".

É o que apetece responder agora, porque aos desconfiados não vale a pena contrariar. Vão continuar a desconfiar e ainda usam as justificações que são dadas a seu favor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 01:19

Ricardo Robles do Bloco de Esquerda, vereador da Câmara de Lisboa, é um empresário do imobiliário (notícia revelada pelo jornal onde trabalho). Mas é o mesmo Robles que em discurso exaltado diz que "orgulhamos-nos do 25 de Abril e do que se passou a seguir ao 25 de Abril, naqueles 11 meses, orgulhamos-nos das ocupações, orgulhamos-nos das nacionalizações, orgulhamos-nos das cooperativas de habitação, orgulhamos-nos da reforma agrária".

Ora este seguidor do PREC, devia dar os seus bens para a "cooperativa". Será que o Estado pode ocupar o seu património, a começar pelo prédio que era da Segurança Social e recuperou multiplicando por seis vezes o seu investimento (dele, da irmã, dos pais e do periquito, não interessa)?

É que estes meninos que defendem o PREC deviam ser os primeiros a viver como franciscanos e a ceder o património ao Estado, para "cooperativas de habitação", não?

Eu como defensora da propriedade privada, do lucro e do capitalismo, defendo até o direito ao Robles ter comprado um prédio velho em hasta pública (desde que a hasta tenha sido mesmo pública), tenha investido na recuperação e o venda por 5 ou 6 milhões se conseguir. Eu defendo esse direito dele. Ele pelos vistos não o defende.

A coerência é cada vez mais um luxo, que só as pessoas verdadeiramente de bem se podem orgulhar.

P.S. O pior que aconteceu a Portugal foi o PREC, que derreteu todo o capital acumulado ao longo de gerações. Devemos ao PREC o endividamento privado do país, o facto de as grandes empresas serem hoje quase todas detidas por estrangeiros, devemos a incultura e impreparação das nossas elites e devemos até a queda aparatosa do BES e do GES. Um país que não tem commodities, e que deixou de ter capital acumulado ao longo das gerações (e basta olhar para os nossos palácios e casas apalaçadas para sabermos que o país já foi rico) é um país condenado à pobreza e ao endividamento. Ninguém ganhou com isso. O Estado não se tornou mais rico. A maioria das empresas públicas foram colossos de prejuízos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:10

Marcelo foi infantil, superficial, soberbo e absurdo. Foi superficial quando trouxe o tema do vinho da Madeira para a conversa, como que a querer situar o seu interlocutor na importância de Portugal na história dos Estados Unidos. Foi infantil quando trouxe o tema Ronaldo para a conversa, como quem traz na lapela uma medalha de honra. Foi soberbo quando reagiu à piada de Trump (que esteve bem em entrar no tom jocoso, uma vez que Marcelo não levou temas sérios para a conferência de imprensa) querendo insinuar que a política portuguesa é que é a sério ao contrário da norte-americana, e foi absurdo (e isto foi mesmo o pior) quando fez questão de dizer em conferência de imprensa que tinha estado com Putin e que este lhe mandara cumprimentos (como se o presidente russo precisasse de Marcelo para enviar cumprimentos a Trump), claramente a pôr-se em bicos de pés entre dois gigantes mundiais.

Via-se claramente que Marcelo se esforçou para se tornar importante aos olhos Trump, o que é uma reação típica de quem não é. 

Resta a  Marcelo a interpretação favorável que se fez cá no burgo. Marcelo em Portugal foi aplaudido e elevado em ombros pela sua prestação na conferência de imprensa com Trump (o que é um sinal de como Portugal vive numa espécie de Caverna de Platão, que toma as sombras pela realidade). 

Vejam a conferência de imprensa do Primeiro-Ministro holandês Mark Rutte com Trump que se seguiu e comparem a postura e maturidade do chefe de Governo da Holanda com a do nosso chefe de Estado.

P.S. Só o penteado de Trump (o que é que o senhor fez ao cabelo?) no encontro com Mark Rutte retira seriedade ao momento. 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:39

Bruno de Carvalho e o paradigma de como a vaidade mata

por Maria Teixeira Alves, em 27.06.18

Imagem relacionada

A Agustina disse uma vez que o reconhecimento social deve começar com um duelo. Bruno de Carvalho começou a sua presidência do Sporting com um duelo: contratou o treinador estrela do clube rival: Jorge Jesus. Enfrentando ventos e marés (vindo mesmo dos sportinguistas, o que não se compreende).

Começou bem e foi um presidente bom para o clube quando com coragem denunciou o caso dos vouchers do Benfica aos árbitros. Foi uma pedrada no charco num clube de meias tintas que já ia em sétimo lugar.

Com a ajuda de José Maria Ricciardi reestruturou a dívida do clube e conseguiu meios para construir um plantel de primeira água.

Fez muitas outras coisas excelentes que agora não vou enumerar (ao nível das outras modalidades e não só), e apesar de tudo quando saiu deixa o Sporting num honroso 3º lugar que podia ter sido um segundo lugar ou mesmo um primeiro.

Mas, a vaidade assolou-o e a coragem que foi crucial para pôr o Sporting nos lugares cimeiros, acabou por o levar à morte e à ruina do clube. A coragem transformou-se em agressividade, virou um pistoleiro sem lei, sucumbiu à luta de classes, e a luta de classes é sempre a revelação de certo ressabiamento desagaradável (seja em que direção for essa luta de classes). 

Não foi sensato, punha-se em desabafos infantis no Facebook. atacou jogadores (mesmo que tivesse razões de queixa, a roupa suja lava-se em casa), com isto faltou ao respeito ao melhor ativo do clube.

Bruno de Carvalho demonstrou não ser inteligente, nem ter maturidade para lidar com as adversidades. Não se pode ser presidente de um clube sem estar preparado para ataques vindos às vezes da própria família. A mágoa não pode toldar o pensamento. Faltou-lhe a inteligência emocional (na definição de Daniel Goleman). Atacou de forma grosseira os jornalistas, mas depois não vive sem eles.

Depois há palavras que matam e uma vez proferidas são irreversíveis. Bruno de Carvalho não sabe isso. Foi pena. Tenho a certeza que não faltou quem tivesse tentado refrear a testoterona, e travar as considerações ridiculas (com desabafos e referências à sua vida pessoal, mas quem é que queria saber disso?) e ressabiadas. Mas não se pode pedir o que não está na sua natureza dar. 

Muitas vezes apetecia dizer-lhe "Bruno, menos, menos".

Sai derrotado e perde até os créditos para no futuro, quando for mais velho, voltar à carga. 

Espero que o Sporting volte um dia à ribalta, mas desta vez com alguém que consiga liderar com coragem sem sucumbir à vaidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 01:40

Ricardo Paes Mamede não gosta de Juncker e eu também não

por Maria Teixeira Alves, em 01.06.18

Resultado de imagem para paes mamede

Ricardo Paes Mamede, falava no programa 360º da RTP 3: "Itália é o único país da União Europeia que teve saldos primários positivos nos últimos 23 anos, desde 1995 (com excepção de 2009 quando houve a grande crise, mas mesmo assim teve saldos primários mais elevados). Os saldos primários (receitas-despesa (sem juros)) de Itália são 5 vezes acima da média da UE. Se há país que fez um esforço hercúleo para reduzir a sua dívida foi a Itália, à custa do crescimento do PIB. Itália tem o PIB praticamente estagnado. É o único país da UE que reduziu o PIB per capita em termos reais, desde a entrada em vigor do euro (Portugal ficou praticamente ela por ela)".

Jean-Claude Juncker, Presidente da Comissão Europeia, disse hoje um disparate, lembrou o economista: "o problema é de itália, acabem com corrupão".A frase foi: "Mais trabalho, seriedade e menos corrupção". Isto apesar Juncker ter estado envolvido com o escândalo dos acordos fiscais secretos no Luxemburgo,quando era primeiro-ministro, que permitiram a várias multinacionais poupar milhões em impostos.Mas, lembra Paes Mamede, Itália cumpriu o que a UE lhe pediu, e o resultado está à vista: tem um terço da juventude desempregada; tem uma taxa de desemprego de 10% há muitos anos. Isto apesar da industria ter sido toda privatizada em Itália. 

O Itália beneficou de juros mais baixos, mas é um país que não tem onde investir e a procura interna está a comprimir-se.

O problema está na arquitetura do funcionamento da União Europeia, disse Paes Mamede.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:34

António Costa entre a alquimia e a utopia

por Maria Teixeira Alves, em 26.05.18

Resultado de imagem para costa PS congresso imagens

O secretário-geral do PS, que é também primeiro-ministro do país, fez um discurso triunfalista no 22º Congresso do PS. Um discurso marcadamente ideológico de 42 minutos a fazer lembrar outros líderes duradoiros da história. Claramente está para ficar. 

António Costa tem orgulho em ter aprovado o casamento gay e adopção, a liberalização do aborto, e prepara-se agora para aprovar a eutanásia (mais uma medida na cultura da morte).

Do seu discurso saliento alguns paradoxos: António Costa quer familias gay e abortos e ao mesmo tempo quer familias a procriar para inverter o saldo demográfico.  

Isto é, em nome das liberdades individuais defendeu o casamento gay e a adopção de crianças, e a liberalização do aborto. Mas alertou para o grave problema demográfico que faz com que “em 2060 não seremos 10 milhões, mas sim 7 milhões”. Ora alguma vez Costa pensou no efeito pedagógico das leis que defende? 

Se uma coisa está na lei, no limite é o mesmo que dizer que é a regra, ou seja é o comportamento a seguir. Mas se todos o fizerem lá se vai a demografia. 

Mais à frente no discurso defendeu a família. António Costa disse que é preciso “criar condições de estabilidade do emprego, do acesso à habitação para que as pessoas possam constituir família e terem bons serviços de apoio social que lhes permitam ter filhos”. 

Costa garantiu querer criar condições para aumentar a natalidade. No entanto as políticas que vão promover a natalidade são apenas ideias, e as políticas que o PS aprovou em primeiro lugar são as que vão pedagógicamente em sentido contrário, em nome das "liberdades individuais", que são soberanas.

Penso que a crise das familias não é apenas fruto da falta de dinheiro, é também fruto da crescente e gradual destruição da instituição, é fruto de uma mudança de mentalidades no sentido do individualismo e da misantropia.

Depois não posso deixar de realçar o paradoxo deste país e desta ideologia. Pois a única medida fraturante aprovada, que gerava natalidade (reprodução medicamente assistida) é barrada com a estupida regra de dar o direito às crianças de conhecer os pais-doadores. O que inviabiliza a medida imediatamente. Para já no falar do custo de tal medida.

 

Mais à frente no seu discurso no Congresso Costa adianta que é preciso criar condições para as pessoas formarem família (referindo-se, imagino eu, ao conceito de família de direita: pai, mãe e filhos), mas diz que isso não chega para inverter o saldo demográfico e por isso defende políticas ativas de migração para que os portugueses não partam (o que é curioso num assumido europeísta) e criar também condições para atrair imigrantes, para ter um saldo demográfico mais equilibrado. Até aí tudo muito bem. De facto é preciso criar condições para recebermos estrangeiros que queiram viver em Portugal. Mas lá está, a seguir cai noutro paradoxo. Ao dizer que essa política ativa de imigração se faz “combatendo um discurso xenófobo e racista” está a situar o tipo de imigração que defende.

Mas afinal Costa quer a imigração para aumentar a natalidade num contexto de empregos sólidos e adequadamente remunerados, como defendeu ao longo de todo o discurso, ou quer a imigração como bandeira de solidaridade social e quer imigrantes sem trabalho e que em vez de melhorar a sustentabilidade do Sistema Nacional de Saúde do país e o desenvolvimento económico o vai degradar?

Reparem na diferença do que disse Costa para o que disse uma vez António Horta Osório. O banqueiro disse "é preciso criar políticas de imigração inteligentes" e citou os casos de Singapura, Canadá e Austrália, que promoveram a recepção de imigrantes nas áreas em que mais precisavam. A população dobrou em 20 anos e a economia cresceu. "Se não fizermos isso estaremos dependentes do rácio reformados versus pessoas ativas", disse referindo-se à relação entre população ativa e o crescimento da população.

António Horta Osório não falou em combate à xenofobia, falou em abrir a porta a políticas de imigração inteligentes, seletivas e confinada a áreas em que o país precisa, para fomentar o crescimento económico. O que António Costa propõe ou parece defender em termos de imigração só em sonhos cria crescimento económico.

Costa não quer apenas essa política para Portugal defendeu também uma Europa solidária com os refugiados e que saiba “partilhar esse encargo entre todos”. Como é que se compatibiliza isso com mais e melhor emprego, e mais remunerado? Não sabemos.

Analisemos o outro argumento. É óbviamente desejável manter os portugueses em Portugal, porque é um sinal que o país cria oportunidades de realização profissional. Mas um país que tem quatro ou cinco bancos e meia dúzia de empresas, onde os salários mínimos sobem, para gáudio do líder socialista, mas os salários médios estagnam ou descem face à inflação, que condições é que existem para os portugueses se manterem em Portugal? Quando os ordenados não chegam sequer para alugar uma casa, ou comprar.

Admitiu também que é preciso manter as novas gerações em Portugal e para isso é preciso que as empresas paguem melhores salários. Maiores salários e mais salários para as mulheres para combater a desiguladade. Mas também quer aumentar a produtividade das empresas. Mas como? Não disse. Outra alquimia de Costa é o querer a revolução digital [que serve para melhorar o desenvolvimento do país, mas que irá fazer desaparecer muitos empregos] e querer ao mesmo tempo quer manter os atuais empregos e mais bem remunerados. 

“Honramos-nos  de ter criado o Rendimento Social de Inserção",disse. Vangloriou-se de ter aumentado as pensões, o salário mínimo. Depois anunciou a política de modernização das infraestruturas e o investimento nas Ferrovias. “Queremos fazer na ferrovia o esforço que no passado fizemos na Rodovia e nas infraestrutura de telecomunicações”. António Costa disse mesmo que “temos o maior programa de investimento na ferrovia dos últimos 100 anos”.

Disse também que "não basta que a lei diga que somos todos iguais, temos de ter as mesmas oportunidades” e adiantou ser um desígnio “que o Estado assegure condições de igualdade de acesso a todos os bens públicos essenciais”. 

“Temos de continuar a trabalhar para defender o Serviço Nacional de Saúde”, foi uma das mensagens deixadas por Costa. Ora a realidade é que os portugueses pagam para o Serviço Nacional de Saúde e depois pagam os seguros privados se querem ter bons médicos e rapidez de atendimento, e com isso resta-lhes ainda menos dinheiro disponível para formar família e inverter a demografia. Mas para o socialismo o que importa é a igualdade. 

Todos estes gastos do Estado e ainda assim Costa garante que “enfrentámos a dívida com uma gestão rigorosa das finanças públicas dando ao país o menor défice da nossa democracia, e começando a reduzir a dívida e juros e mobilizando o dinheiro na edução, saúde, transportes públicos e serviços públicos”.

O líder do PS conclui que se há algo que se podia orgulhar é que “com o seu governo” tinha acabado o mito que só a direita é que consegue gerir a economia e as finanças públicas, numa retórica abertamente triunfalista.Mas Costa camufla o aumento da carga fiscal em tudo o que compramos (por exemplo na gasolina, mas não só, nas roupas, na comida, nos impostos imobiliários, etc) e que acaba com o poder de compra das classes médias. Mas para Costa “o PS é o partido que melhor governa a economia e as finanças públicas”. 

E lá diz o slogan: "foi possível virar a página da austeridade sem sair do euro”.

A ideia mais coerente que lhe saiu foi quando citou o socialista francês Mitterand: “O socialismo continua a ser a ideia mais jovem do mundo”. 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 02:51

Philip dear, it´s not Merkel, it´s Markle

por Maria Teixeira Alves, em 19.05.18

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:07

EDP: Uma OPA mais do que esperada

por Maria Teixeira Alves, em 11.05.18

Resultado de imagem para edp

A China Three Gorges lançou hoje uma OPA - Oferta Pública de Aquisição - à EDP para ficar com pelo menos 50% mais uma ação.  Entre muitas outras condições, os chineses, que já têm (directa e indirectamente) 28,25% disseram no anúncio preliminar divulgado ao mercado, que a OPA sobre a EDP está condicionada à não oposição do Governo de Portugal. Tratando-se a EDP de uma empresa privada, esta condição dá algumas pistas sobre esta operação.

Ainda estamos longe do desfecho desta operação que foi hoje preliminarmente anunciada, mas parece bastante óbvio que está a ser preparada nos bastidores há meses. Há mais de um mês o Jornal Económico escreveu que os Chineses iam reforçar na EDP até ao fim do ano, para enfrentar a vaga de fusões que se estava a desenvolver na Europa. Isso teria ser feito através de uma OPA (até porque os chineses já estão perto do limiar mínimo de 33,3% da OPA obrigatória). Os chineses podiam ter comprado em bolsa até ultrapassarem os 33,3% e a OPA nessa circunstância surgiria por imposição da CMVM, mas isso não estava nos planos dos chineses. Os chineses não iam lançar uma OPA em confronto com o Governo, ou não fossem os chineses por ADN reverentes ao seu Governo.

É mais do que expectável que as conversas com o Governo português não começaram há dois dias. Os chineses nunca avançariam para esta OPA sem o conforto do primeiro-ministro.

Isso explica a rapidez de reação à Reuters de António Costa: "O Governo não tem nada a opor", disse António Costa e adiantou mesmo que os chineses "têm sido bons investidores em Portugal".

Agora o que se  vai passar?

Há uma bateria de autorizações a serem concedidas (incluindo a DG Comp europeia, que não morre de amores por acionistas chineses em empresas europeias) para que a OPA seja registada. Há uma Assembleia Geral a ser convocada para alterar os estatutos (os votos da EDP estão blindados a 25%). Falta ainda a posição formal da administração da EDP (a posição de António Mexia é uma incógnita porque pode não se manter como presidente se a OPA tiver sucesso). Há os fundos internacionais que são acionistas da EDP (o BCP que tem 2,44% está com os chineses, pois é o intermediário financeiro) e que os chineses têm de convencer a vender na OPA (o prémio oferecido é baixo, 4,82%, devemos assistir no futuro a uma revisão do preço). 

Esta OPA tem uma caracteristica que em tempos vimos na OPA da Sonae sobre a PT. É que se vai decidir numa Assembleia Geral para votar a mudança de estatutos. 

Depois esta é uma OPA transformacional. Vai mudar a sociedade portuguesa e vai ser o tema dos debates políticos e dos jornais durante largos meses.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:51



Bloggers convidados

António Canavarro

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D




Links

Blogs e Jornais que sigo

  •