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Woody Allen, sempre sábio

por Maria Teixeira Alves, em 12.07.19

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"Cada pessoa é um fenómeno que nunca mais se vai repetir em lugar algum"

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publicado às 11:19

A verdade na banalidade

por Maria Teixeira Alves, em 07.07.19

Lido algures no cyberespaço: "Os excessos emocionais geram sempre a desarmonia."

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publicado às 11:15

Vale a pena ver num cinema perto de si: Pavarotti

por Maria Teixeira Alves, em 07.07.19

 

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publicado às 00:38

O amor e os seus truques

por Maria Teixeira Alves, em 01.07.19

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Poderá o amor ser um caminho para o bem ou será um mau caminho? Poderá o amor cultivar a generosidade ou ao invés cultivar a rivalidade? Poderá o amor verdadeiro nascer do sofrimento ou pelo contrário da facilidade e da superficialidade? Poderá o amor ser um pilar de força ou uma vulnerabilidade?

Na resposta a estas perguntas talvez resida a resposta a toda a natureza humana.

 

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publicado às 00:16

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"Chegou tarde. Nós estamos a tratar disto desde maio", disse Berardo em dezembro de 2007 em resposta à notícia de que Miguel Cadilhe que se preparava para concorrer pelo BCP com uma lista rival à de Carlos Santos Ferreira. O episódio foi chamado por Filipe Pinhal à Comissão Parlamentar de Inquérito (à CGD). O "nós" seriam, segundo Filipe Pinhal, os acionistas - Sonangol, EDP, CGD, o BPP de João Rendeiro, o Grupo dos Sete (Joe Berardo, Bernardo Moniz da Maia, Manuel Fino, Filipe Botton, Diogo Vaz Guedes, João Pereira Coutinho e Vasco Pessanha) - alinhados com Paulo Teixeira Pinto, com António Castro Henriques, Francisco Lacerda e Boguslaw Kott (polaco) - e apadrinhado pelo Ministro das Finanças da época, o socialista Fernando Teixeira dos Santos; por Vítor Constâncio (Governador do BdP), por José Sócrates (primeiro-ministro), e por três administradores da CGD, que Filipe Pinhal cita. Seria o presidente, Carlos Santos Ferreira; o vice-presidente Armando Vara; e o administrador com pelouro do crédito Vítor Fernandes.

A História do que aconteceu ao BCP em 2007 é uma história que começou por uma aliança entre amigos, onde a palavra de ordem era, recorrer a todos os meios para tirar o BCP das garras do fundador e dos seus administradores (os mais velhos). A sociedade portuguesa facilmente se rendeu aos encantos dos meninos bonitos de 50 anos (mais coisa menos coisa) que iam tomar conta do banco (ou que iam advogar essa demárche). Sobretudo a imprensa. 

A propósito, não é verdade que fosse um exclusivo do Diário Económico, em 2007, a campanha pró-Teixeira Pinto e anti-Jardim Gonçalves, nem que o jornal, à data liderado por Martim Avillez Figueiredo, tivesse a Ongoing por trás. Ao contrário do que disse Filipe Pinhal, a Ongoing só compra o Grupo Económico em 2008 e é António Costa o diretor escolhido pela Ongoing e não Martim Avillez Figueiredo. 

Na altura só o Semanário Económico (eu) não sucumbiu a defender o grupo de aliados de Paulo Teixeira Pinto e a endeusar Berardo. Os outros jornais estavam todos na mesma linha. Não era um exclusivo do Diário Económico. 

Depois de a Ongoing comprar o Diário e Semanário Económico, pode sim questionar-se a independência do jornal, até lá, não.

Uma história desenhada por um grupo de amigos

Esta foi uma história que nasceu de uma cumplicidade de amigos (foi um grupo de amigos que desenhou a estratégia e contribuiu  com os vários passos para ela, incluindo seduzir Sócrates para apoiar o plano). Foi vendida como um conflito geracional e um desígnio nacional e culminou como um jogo de poder perigosíssimo. O "desígnio nacional" revelou-se na prática um jogo de poder, porque muitos aqueles amigos queriam ser administradores do BCP, ou ter relações privilegiadas com o maior banco privado, mas acabou num jogo de interesses para retribuir favores, nomeadamente o favor de reestruturar dívidas bancárias de forma amigável, quando as ações já estavam em queda. Porque, azar dos Távoras, tudo isto acontece quando nos Estados Unidos começava a estoirar a bomba do subprime. Mas os portugueses, entretidos com as suas guerras de gangs, e inebriados com a possibilidade de "colonizar" o BCP, nem se aperceberam que vinha aí uma hecatombe. Por acaso, Carlos Santos Ferreira apercebeu-se, pois lembro-me de me ter alertado para o que se aproximava. E era grande o tufão, já que acabou com a intervenção da troika e o resgate ao país. Tudo começara nos bancos.

Voltemos atrás. Na altura alguém do BCP disse-me, "querem matar a mosca e vão acabar por partir a lâmpada". Foi exactamente o que aconteceu, só que partiram duas ou mesmo três lâmpadas, o BCP, a CGD e o BES (este também já estava prestes a partir, de qualquer maneira, só que ninguém ainda sabia).

Hoje, quase todos aqueles "nós", de que falava Berardo, estão falidos ou afastados da gestão de empresas mediáticas. Há dois protagonistas que estiveram (Sócrates) ou estão (Vara) presos. Não podia ser mais irónico o desfecho do assalto ao BCP. O próprio Berardo está numa situação muito difícil e em risco de perder a sua coleção de arte para o Estado, para poder pagar à banca. Quem o manda ser o vilão com a vara na mão de 2007? 

Na altura Berardo era o cão de fila daqueles amigos, o que não tinha regras de civismo para cumprir, nem parentes ou amigos para dar explicações. O que podia insultar Jardim Gonçalves com todas as palavras, podia insinuar crimes, podia entregar documentos que outros, em violação de sigilo bancário e da lealdade institucional a que estavam obrigados por lei, lhe davam para os entregar ao Banco de Portugal. Como foi útil Berardo!

Foi assim o xeque-mate à equipa de Jardim Gonçalves e de Filipe Pinhal. 

Filipe Pinhal insinuou ainda na CPI que os documentos internos que estavam no arquivo morto do banco pudessem ter sido resgatados pela Ongoing, que estava a trabalhar no BCP desde 2005 através da Heidrick & Struggles, a fazer a avaliação dos quadros do banco e a montar o modelo de governo que viria a ser implementado. Eu discordo, e continuo a pensar que os documentos foram compilados por alguém de dentro que sabia onde estavam.

 Vamos lá a ver o relato de Filipe Pinhal sobre o que se passou: 

O ex-presidente do BCP, Filipe Pinhal, almoçou com Berardo em Maio de 2007 (antes da famosa AG que tenta mudar os estatutos do BCP para pôr o modelo de governo do banco de acordo com a lei, o que não estava, e continua a não estar até hoje na EDP). Nesse almoço tentou convence-lo a vender os 4% do BCP a Pedro Teixeira Duarte, com o argumento de que uma guerra provoca distribuição de ambos os lados, e as mais-valias de Berardo já deviam estar à volta dos 100 e 150 milhões. Berardo respondeu Upa, Upa. Filipe Pinhal contou que o lembrou que as mais-valias só o são quando as ações são vendidas. Deixe o BCP em paz! Disse Filipe Pinhal a Berardo. E o prémio? Perguntou Berardo. Pinhal disse-lhe que não deverá haver lugar a prémio, porque as ações estavam muito inflacionadas com a guerra do poder nos 2,80 euros e 2,90 euros e iam ajustar.

Nesse dia, Francisco Marques Pereira da Lisbon Brokers, em nome de Berardo, foi ao banco falar com Pinhal para anunciar que ia emitir uma recomendação de compra das ações do BCP a 3,53 euros. Pedro Teixeira Duarte disse então que comprava as ações de Berardo  no máximo por 3,30 euros, mas Berardo queria 3,50 euros, e por isso não se fez a venda. 

Depois Berardo contou esta história de forma destorcida. Disse que alguém do BCP lhe propôs a venda, mas que ele descobriu "que era dinheiro sujo", o que "é uma perfeita indecência", disse Pinhal. 

O ex-banqueiro contou ainda que Berardo disse que falou com o filho e que este lhe disse que acima das mais-valias estava a honra. "Honra na boca de Berardo vale o que vale", disse Pinhal, e bem.

Berardo tinha 7,01% do BCP em dezembro de 2007 (3,88% em maio de 2007). Filipe Pinhal mais tarde perguntou-lhe porque subiu de 3,88% para 7% no BCP, se não ia mandar mais, e teve um custo 400 milhões, financiado com dívida claro, e Berardo disse "eu ainda estou para saber como é que aquele homem me enfeitiçou, eu que toda vida fui objetivo, quando tinha mais-valias vendia, como é que eu me meti nesta de comprar mais ações com financiamento a crédito". Quem seria este homem?

O homem para Filipe Pinhal só podia ser um de dois: Paulo Teixeira Pinto, ou José Sócrates, com quem andava a tratar na altura do espaço para a sua coleção de arte. Filipe Pinhal acha que foi José Sócrates (Eu, entre os dois, acho que foi do lado de Paulo Teixeira Pinto).

Filipe Pinhal confirmou que o BCP antes, algures entre 2003 e 2004, tinha sido interpelado pelo Banco de Portugal, por o banco estar demasiado exposto a ações do próprio banco (chegou a contar com as ações detidas pela gestão discricionária de carteiras, para chegar ao total de 12% que superava o limite de ações próprias de 10%), a recomendar que fosse reduzido crédito a acionistas do BCP com garantia das próprias ações. Por isso a CGD, que estava abaixo do BCP em quota de mercado de crédito, aceitou dar crédito a esses acionistas que faziam parte do Conselho Superior do BCP, e receberem as tais ações do BCP como garantia. Mas isso em 2005 estava resolvido, garantiu Pinhal. 

Mais tarde o BCP, de Paulo Teixeira Pinto, financiou, através do banco de investimento do BCP, os acionistas que estavam propostos para integrar a lista de administradores para o triénio 2007-2009 que iria a votos no dia 6 de agosto. A Ongoing está na lista, com o nome de Nuno Vasconcellos para secretário da Mesa da Assembleia Geral (o que importava é que houvesse tachos para todos) e com Rafael Mora (o arquitecto do modelo de governo dualista à tuga que foi implementado no BCP e EDP) como administrador. Daniel Proença de Carvalho, António de Sousa, Alexandre Relvas, José Manuel Fino, Luís Pereira Coutinho, João Lopes Raimundo, Bernardo Moniz da Maia, João Talone e Esmeralda Dourado (que era administradora da SAG de João Pereira Coutinho), estão entre essa vasta lista de nomes, que mais parecia uma lista de anos de amigos. 
Para o Conselho de Administração, a proposta considerava que este órgão fosse representado por 20 administradores e que sempre que fosse constituída uma Comissão Executiva, «a maioria dos administradores não executivos deveria ser formada por membros independentes». 
No Conselho de Administração (executivo) poucos ficavam, claro. Paulo Teixeira Pinto é proposto para presidente, Alberto de Castro, para vice-presidente e para vogais António Henriques, Francisco Lacerda e ainda Boguslaw Kott, Luís Pereira Coutinho, João  Lopes Raimundo, Fernando Ribeiro, Banco Sabadell, que nomeia Josep Oliu Creus, Marc Bellis, Bernardo Moniz da Maia (da Sogema), Manuel Vicente (da Sonangol), Luis Champalimaud e Alexandre Relvas. 

Mas esta lista não vai avante e a estratégia dos amigos dá lugar a uma estratégia política.

O crédito concedido a Joe Berardo, a Manuel Fino, a João Pereira Coutinho, à Teixeira Duarte, a Goes Ferreira, colaterizado por ações BCP, evidenciava um nível de risco elevado para o banco. Então a autorização dada pelo Banco de Portugal a Berardo para passar de 5% para quase 10% foi concedida tendo por pano de fundo o financiamento a 100% da CGD colaterizado pelas ações do BCP.

Filipe Pinhal diz que não interessa apenas ver quem e como fez estas operações de crédito. É preciso ver qual foi o desenvolvimento das operações. O colateral foi-se desvalorizando e houve reestruturação de crédito em inícios de 2008, no BCP, e na CGD em 2009. Em 2011 há uma reestruturação combinada entre os três principais credores: BCP, CGD e BES.

Filipe Pinhal chama mesmo a atenção dos deputados para irem ver a reestruturação do crédito do Grupo Berardo, quando já o banco tinha uma nova administração e Berardo liderava a comissão de remunerações.

O antigo gestor do BCP recomendou aos deputados para pedirem informação sobre as reestruturações das dívidas de Berardo feitas por Carlos Santos Ferreira e Armando Vara. “Não tenho cópia, só sei por ouvir dizer. Mas ao que parece é uma reestruturação que permitiu a Berardo respirar alegremente sem amortizar capital e juros até à reestruturação de 2011”, disse. E questionou “como é que Carlos Santos Ferreira e Armando Vara que foram colocados por Berardo iriam reestruturar a dívida da Fundação e da Metalgest?”

O ex-banqueiro defendeu também a tese que "houve uma teia urdida em vários pontos que teve um diretório claro constituído por José Sócrates, Teixeira dos Santos e Vítor Constâncio e teve vários operacionais”, como a Ongoing. Filipe Pinhal acredita, apesar de não ter forma de o provar, de que o “assalto ao BCP” se iniciou com um pedido de Paulo Teixeira Pinto a Sócrates para afastar Jardim Gonçalves do banco. “A partir do momento em que Teixeira Pinto terá aparecido no gabinete de Sócrates a dizer que precisava de apoio a nível político para afastar equipa que lá está desde 1985, Sócrates terá pensado que existia uma oportunidade de ouro para ter uma equipa de gestão mais favorável aos interesses do primeiro-ministro, pelo menos”, disse aos deputados Filipe Pinhal. 

Havia uma proposta de destituição, assinada por Berardo e Bernardo Moniz da Maia,  dos cinco administradores do BCP da velha geração (Filipe Pinhal, Christopher de Beck, Alexandre Gomes, Alípio Dias e António Rodrigues). Os cinco administradores que  iam destituir eram os mesmos que se recusaram a ratificar o acordo que se preparavam para assinar em Angola, de venda de 49% do Millennium Angola. Foi esse episódio que desvenda a guerra fria que existia na administração do BCP naquela altura.

A proposta de destituição de Filipe Pinhal e outros administradores data de 6 de agosto de 2007 e falha.

A 27 de agosto, Paulo Teixeira Pinto, que tinha sido eleito em março de 2005, renunciou e Filipe Pinhal assumiu a presidência do BCP.

Muita água correu debaixo da ponte entre o fracasso da AG de 6 de agosto e o momento em que Filipe Pinhal assume a presidência do BCP, por proposta da Teixeira Duarte. Mas nem por isso a guerra parou, é que a estratégia de tomar de assalto o BCP estava em andamento e já muita coisa estava em jogo, incluindo o elevado endividamento dos protagonistas, e por isso a gestão do banco tinha de ir parar a alguém de confiança. Berardo foi o moço de recados desse desígnio.

O ex-presidente do BCP, disse ontem na CPI à CGD, que no dia 3 de dezembro, dia em que ia haver a reunião do Conselho de Administração que oficializaria a sua lista (que incluía nomes como Paulo Macedo e Miguel Maya), Manuel Fino vai ao banco dizer que Berardo vai fazer uma denúncia ao BdP (a primeira tinha sido feita no dia 28 de novembro), e avisa-o que a sua lista só passará se integrar Carlos Santos Ferreira. Nesse dia, conta Filipe Pinhal, Paulo Macedo, diz que a lista não passará se não integrar Carlos Santos Ferreira ou Armando Vara e voluntariza-se para sair da lista para acomodar essa exigência (não se sabe de quem). Nesse mesmo dia Miguel Maya, segundo Filipe Pinhal, diz que a sua lista só passará se integrar Carlos Santos Ferreira e Armando Vara, Miguel Maya voluntariza-se para não integrar a lista para eles entrarem. Há divergências aqui. Há quem conte que Miguel Maya se voluntariou, mas que teria sido avisado por Filipe Pinhal e não o contrário. A memória depois de 12 anos pode atraiçoar qualquer um.

Filipe Pinhal sobre a exigência de integração desses nomes  diz que “há quem diga, e não excluo, que eles foram lá colocados para reestruturar créditos que não tinham cura. Há quem diga que a motivação de Berardo e Fino era colocar pessoas mais dóceis”.

Sócrates alinha no jogo e dá-lhe jeito

Quem chama Sócrates, Paulo Teixeira Pinto, ou António Mexia, ou ambos? Não se sabe ao certo. Mas Filipe Pinhal conta que a Sonangol entra no BCP com 2% em junho de 2007, depois de se aconselhar com José Sócrates. Isto citando palavras de Manuel Vicente e de Carlos Silva a Filipe Pinhal, com outras pessoas presentes. 

Tiveram depois uma reunião com Vítor Constâncio para reforçar de 2% para 5% no BCP.

Filipe Pinhal contou que defendeu a fusão do BCP com o BPI e que tentou convencer a Sonangol dos benefícios dessa fusão, mas Carlos Silva respondeu-lhe que tinham falado com José Sócrates e que este tinha dito que Carlos Santos Ferreira era o seu conselheiro para os assuntos financeiros e que este tinha dito que a operação era prejudicial para o sistema financeiro português.

O ex-presidente do BCP diz que Angola estava muito interessada em ter bancos em Portugal porque precisavam de ter vários bancos para a exportação de capital da elite angolana (Banif, BPN, BIC; BPI, BiG, Banco Privado Atlântico Europa).

Foi uma conjugação de interesses.

Depois de sair do Banco de Portugal Vítor Constâncio foi para vice-presidente do BCE, lugar que implicou uma promoção prévia do governo português junto das instâncias europeias.

P.S. Não subscrevo a tese de que Vítor Constâncio "correu" com Filipe Pinhal por causa de este ter recusado um crédito a Berardo.

Não subscrevo também a tese de que Carlos Santos Ferreira se comportava como "empregado" de Luís Champalimaud. Eu conheço ambos, e dificilmente alguém "mandaria" em Carlos Santos Ferreira (nem Sócrates), mais depressa seria o contrário. E Luís Champalimaud tem uma relação de camaradagem com Carlos Santos Ferreira e não de superioridade, como sugeriu Filipe Pinhal.

 

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publicado às 13:59

Ajuda do Estado à banca em 11 anos

por Maria Teixeira Alves, em 29.05.19

Somam 23,8 mil milhões de euros. 

Por outro lado, como se pode ver, os bancos do Estado foram os que mais absorveram capital público. A CGD está à cabeça nos que mais custaram ao Estado e o BPN, que foi nacionalizado em 2008, é o segundo. Um banco muito mais pequeno que o BES custou mais caro aos contribuintes que a resolução do banco da família Espírito Santo. É só para calar a esquerda quando atiram com a carta da nacionalização.

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publicado às 00:18

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A propósito da notícia  "Fundação obrigada a sustentar Berardo e família para sempre", lembrei-me deste tempo (da fotografia), em que Berardo era "amado" pelos media  sempre que acusava Jardim de fazer "aldrabices" no BCP.

O mesmo Joe Berardo, que assumiu “respeitabilidade mediática” em 2007/2008 por fazer uma campanha contra a pensão de Jorge Jardim Gonçalves, o autor e fundador do BCP; e por se indignar com as regalias vitalícias do fundador do BCP, fez exatamente o mesmo na sua Fundação Berardo.
Isto só prova uma tese secular. Cuidado com os moralistas. Fujam deles. São sempre os maiores carrascos e críticos do comportamento dos outros e nas costas fazem exatamente o mesmo ou pior. São sempre os piores pecadores. São fariseus.

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publicado às 12:31

Nenhuma descrição de foto disponível.

A propósito de um teste publicado pela TSF que ajuda a situar no espectro partidário para as eleições europeias, verifiquei que eu, que sempre me situei na direita moderada, sem ter mexido um milímetro na minha ideologia, estava hoje no partido mais à direita (CDS). Isto porque as bandeiras políticas mudaram tanto que me encostaram mais à direita.

De que falamos?

Sempre defendi que o Estado devia ser para os que precisam e não igual para todos. Sou contra um Estado paternalista, que impõe custos para os quais não corresponde com serviços. Sou por isso a favor de menos despesa pública e melhor gestão.

Sou a favor da vida, e consequentemente da promoção da família, com valorização social da paternidade e maternidade. Sou por isso contra o casamento gay e contra o aborto livre.

Mas já não sou contra a procriação medicamente assistida, precisamente porque ajuda a gerar vida quando, por vezes, a natureza não facilita.

Ora isto era coisa para me colocarem já na extrema direita.

Mas não sei como lidam depois com o facto de eu ser absolutamente europeísta e de não ser mesmo nada nacionalista. Por mim até podíamos ser espanhóis, que eu acho que até ficávamos a ganhar.

Sou a favor da imigração inteligente, da imigração que precisamos, pois só assim ajuda a economia (que se vê a braços com uma crise demográfica).

Não sou a favor do Estado Social à custa de pesados impostos para todos. O Estado Social tem de ser selectivo.

De facto deve-se apoiar os desempregados de longa duração e que não têm integração no mercado de trabalho mas, paralelamente, deve-se criar incentivos às empresas, para a contratação dessa classe de pessoas.

Sou a favor do mercado. Sou a favor das privatizações, por mim a CGD devida ser privada, pelo menos parcialmente (ou mesmo toda). 

Sou a favor de uma Europa que investe em defesa.

Sou a favor de um mercado de capitais pan-europeu e por isso uma supervisão europeia. Sou a favor da União Bancária.

Enfim, mais europeísta não posso ser, mas pelo andar da carruagem corro o risco de ser considerada de "extrema direita". Lá chegará o dia em que até o Papa será visto como fascista, ou um extremista de direita.

Gostava também de lembrar que o nazismo começou com uma proletarização do poder, e por isso tem raízes socialistas. Hitler correu com a nobreza alemã do poder, provocando o seu exílio. Mais tarde torna-se racista e imperialista, mas começa como um regime dos trabalhadores, contra a elite de sangue azul e o seu poder na Alemanha.

Isto para dizer que as categorias são muito redutoras. 

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publicado às 00:03

Ainda o tema Berardo

por Maria Teixeira Alves, em 15.05.19

A sociedade portuguesa indignou-se em uníssono com as declarações de Joe Berardo na Comissão Parlamentar de Inquérito à CGD. Mas Joe Berardo, mais não fez do que blindar a sua Coleção Berardo à voracidade da banca a quem as suas empresas (não ele, pelos vistos) ficaram a dever 960 milhões de euros a três bancos  - CGD, BCP e ex-BES, hoje Novo Banco (o Santander Totta também era credor, mas ameaçou executar e se o fizesse os outros bancos teriam de registar imparidades a 100% e para não registarem essas perdas o BCP prestou uma garantia ao Santander Totta que a executou, o que permitiu recuperar o dinheiro).

Sim, choca. Mas Berardo está a salvar uma coleção de arte, que está protegida por um contrato em regime de comodato com o Estado, em que as obras foram cedidas gratuitamente pela Associação Coleção Berardo à Fundação de Arte Moderna e Contemporânea — Coleção Berardo, onde o Estado tem presença.

Portanto parece-me elementar que, como parte da solução, o Estado devia comprar a Coleção Berardo e assim a associação, que tem Berardo como presidente vitalício, já teria dinheiro para pagar aos bancos.

O Estado ficou com poder de adquirir a Coleção Berardo?

Em 2016, o acordo foi renovado até 2022, quase à última da hora. Berardo diz que desta vez não foi incluído o direito de o Estado comprar dos quadros, ao contrário do que aconteceu em 2006 quando é atribuído ao Estado o direito de opção de aquisição da Coleção Berardo, a exercer entre 1 de Janeiro de 2007 e 31 de Dezembro de 2016, de modo que a mesma possa integrar de forma definitiva o património da Fundação.

Em 2006 a opção de compra da coleção tinha o valor estipulado de 316 milhões de euros.

A prestação de Berardo, bastante inconveniente, tem, nalgum ponto, razão, é que quem emprestou dinheiro a Berardo sem que houvesse colaterais para mitigar o risco tem mais responsabilidade do que o mutuário.

A CGD é que decidiu emprestar todo aquele dinheiro a Berardo para comprar ações do BCP (no caso da Metalgest, era uma empresa com 50 mil euros de volume de negócios, um EBITDA negativo e recebeu um financiamento de 50 milhões).

A CGD é que não executou a cláusula de stop loss, que impunha a venda das ações quando estas começassem a descer a um ponto que o colateral do empréstimo ficasse em risco de cair abaixo do valor do empréstimo.

A CGD é que incorporou o papel de salvadora dos interesses nacionais. Isso serviu para financiar investidores para comprar ações do BCP.  Primeiro para criar um núcleo de acionistas nacionais que servisse de tampão a qualquer investida hostil de bancos estrangeiros, depois, com o aval dos supervisores, para resgatar o BCP das mãos dos fundadores.

A CGD é que não quis exercer cláusulas de stop loss, hipotecando a sua rentabilidade em nome da estabilidade financeira, em nome de não arrastar a cotação do BCP.

Esta foi a mesma CGD que aceitou as ações da Investifino na Cimpor e que depois tentou usar para salvaguardar o interesse nacional, participando numa estratégia de criação de um nucleo de acionistas portugueses na cimenteira, que fracassou.

O BCP e o Novo Banco também estão expostos a Berardo. O BCP emprestou porque estava em causa o próprio futuro do banco nos anos 2007/2008, quando Paulo Teixeira Pinto entra em braço de ferro com Jardim Gonçalves. O BES emprestou porque Ricardo Salgado também via o BES como um salvador dos interesses nacionais.

No caso da CGD, a lógica de um banco público, que está disposto a perder em nome de um bem "maior", no caso o interesse nacional, tem de ser posta em causa. Faz mesmo sentido ter um banco público. Para quê?

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publicado às 01:03

António Costa interrompido por um activista (muito bom)

por Maria Teixeira Alves, em 23.04.19

 

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publicado às 00:05



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