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Um retrato de António Costa feito por um leitor

por Maria Teixeira Alves, em 10.09.15

Deixaram este comentário a um post meu no Corta-Fitas, e eu achei tão bom que vou reproduzi-lo aqui:

Foi um suplício assistir àquela seca e confesso que houve momentos em que mudei de canal. É extraordinário como o Passos Coelho não conseguiu desmontar com uma frase, nem é preciso mais, a "obra" do Costa na Câmara de Lisboa. A Câmara de Lisboa é a entidade mais subsidiada do país, só tem de fazer obras, pagar a funcionários, e quando se lhe acaba o dinheiro vai pedir ao Governo. Alguma vez isso é modelo para o país? Portugal não funciona assim, muito menos agora com as regras do Tratado Orçamental. O Costa diminuiu a dívida da Câmara devido a uma receita extraordinária, ainda por cima por uma decisão do Governo, não foi mérito da gestão socialista da Câmara. Então a esquerda anda a atacar o Governo com as privatizações e o Primeiro-ministro deixa passar esta? Só se lembrou da venda dos terrenos do aeroporto no final do debate e mesmo assim deixou o Costa ficar com a última palavra.

Foram várias as vezes que dei um murro no sofá de frustração porque o Costa não levou a resposta que devia. O PS é um partido unipessoal que vive da imagem do seu líder e da construção mediática em torno da sua "obra" na Câmara de Lisboa. A sua imagem passa incólume à forma como tratou António José Seguro e como agora despreza José Sócrates (não que isso me interesse, porque estão os dois bem um para o outro), apesar de ter tido o seu apoio e financiamento para chegar à liderança do PS. Isto diz muito da personalidade de António Costa. Já nem falo no Costa Ministro da Justiça, nomeadamente na sua intervenção no processo Casa Pia e nas alterações à Lei na sequência desse processo, ou na sua megalomania como Ministro da Administração Interna, entregando à GNR lanchas rápidas para vigilância marítima, obrigando o país a gastar ainda mais dinheiro devida à duplicação de meios (felizmente que não teve tempo de fazer mais asneiras...).


A demagogia e a aldrabice ficaram patentes na forma como descreve os efeitos da austeridade imposta pelos credores, omitindo porque é que Portugal ficou sem dinheiro e a Troika tutelou Portugal durante três anos. Além disso, todo o programa socialista é um exercício bacoco efectuado por economistas supostamente competentes, evidenciando o vazio que é o PS neste momento. Tal não é nada de diferente em relação ao que Guterres havia feito com os Estados Gerais, e depois foi o que se viu.

Não gostei da falta de intensidade e da dispersão do Primeiro-ministro. A mensagem tem de ser clara e concisa. O adversário não pode ficar sem resposta, os "moderadores" que se lixem. A esquerda está a usar as perguntas nos debates para fazer acusações e depois o Passos e o Portas têm de se ficar e só responder para o futuro? Não pode ser. Já na terça-feira com a bloquista foi a mesma coisa. Ela não apresentava medidas, só fazia acusações e queixinhas, e quando chegava a vez do Portas a "moderadora" queria que este só falasse no futuro e não pudesse rebatar a outra.

Não é possível construir o futuro sem entender o passado e por isso não se pode deixar o PS passar por entre os pingos da chuva na matéria da dívida, do Euro ou da integração europeia. Não se pode mudar tantas vezes de posição como o PS mudou. Não se pode ser pró-Syriza num dia e no outro já nem conhecer os gregos (não admira que o Costa faça o mesmo ao Sócrates...), não se pode ser europeísta quando a Europa nos financia o modo de vida e passar a ser "nacionalista" quando as regras ficam mais apertadas, não nos podemos queixar do "protectorado" quando temos de reduzir a dívida e já não nos importarmos quando nos obrigam a receber refugiados sem qualquer critério. Os hipócritas e os cínicos podem. O PS pode, à cara podre, por isso é que não merece confiança nenhuma.

 

De Anónimo a 10.09.2015 às 09:51

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publicado às 12:20


90 comentários

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De Anónimo a 11.09.2015 às 11:35

Muita razão e esse sr costa não diz como vai combater o défice ,de onde vai vir a massa para os aumentos?
Vamos voltar para traz?
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De Anónimo a 11.09.2015 às 11:39

Sem dúvida, tudo se resume ao que foi dito..o que foi mais espantoso, foi ver os comentadores televisivos, no fim do debate, alguns diga-se "ressabiados", a dizer que o vencedor do debate foi..António Costa! Há tanta hipocrisia..!
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De Luis a 11.09.2015 às 12:03

1. O processo Casa Pia aconteceu depois de António Costa ter sido ministro da justiça. Se houve algum ministro a interferir no processo terá sido eventualmente Celeste Cardona.
2. Antes lanchas rápidas que submarinos e pandur's
3. As transferências da Adm . central para as autarquias acontecem em todos os municipios e são uma devolução de parte dos impostos que são gerados no território respectivo ou um mecanismo de coesão territorial.
4. Não gostou da falta de intensidade de PPC , eu não gosto da falta de estratégia para o país que este tem demonstrado durante este tempo todo. Tem governado à vista.
Bem haja
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De Maria Teixeira Alves a 13.09.2015 às 09:50

Os submarinos, segundo me explicaram, são estratégicos e são um dos motivos pela qual não há tráfico intenso de droga nas nossas costas. Foi-me explicado por alguém da Marinha.
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De Maria a 11.09.2015 às 12:26

Só é pena que se quisesse mudar de canal, teria que ver a mesma coisa.
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De bruno a 11.09.2015 às 12:37

o facto de estarmos em Democracia permite o choque de opiniões, fundamentadas ou não, de todos os cidadãos, mas não lhes dá o direito à ofensa, que é o que mais tenho lido e visto de um e de outro lado da barricada de apoiantes de Passos Coelho, António Costa e Sócrates que nem lá estava. Ao nível do debate em si, parece-me duas coisas essenciais: Passos Coelho não explicou o que vai fazer e António Costa pouco soube fazer esse exercício e quando o fez parece que deixou mais dúvidas do certeza, nomeadamente no caso das pensões, mas uma divisão clara, Costa aposta num modelo social em que as famílias passam a ter mais rendimento, facto que também não explicou devidamente (o processo para chegar a esse rendimento extra) e passos Coelho fala apenas em seguir o plano de "salvação" do país, salvação económica sem dúvida, mas que não resulta para quem vive com o ordenado mínimo nacional. Parece-me que Costa desconstruiu melhor o programa de Passos e que Passos conseguia discutir melhor o do seu adversário do que o seu próprio. Ambos parecem fadados a um desencontro de ideias e políticas. Possivelmente e politicamente mais correcto seria que Passos tivesse uma visão social mais alargada e que Costa tivesse mais contenção no populismo económico. Seria mais sensato e produtivo para o país e não apenas para cada uma das facões. O que se discute é o país e esse não pode ficar refém de lutas pelo poder pelo poder, tem de ter um governo que seja legitimado, mas também se legitime no tempo.
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De Anónimo a 11.09.2015 às 12:41

fraquinho
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De Antonio Martinho a 11.09.2015 às 13:57

Assisti ao debate com toda a atenção. Cheguei à conclusão que o candidato do PS falava uma linguagem populista e o candidato da coligação usava uma linguagem mais técnica.
Só há uma coisa que eu não percebi: o candidato do PS acusou o outro de ter aumentado a dívida pública em 30 mil milhões de euros e repetiu-o por diversas vezes. Como durante esta legislatura, recebemos da troika 78 mil milhões, de duas uma: ou a dívida pública diminuiu 48 mil milhões, ou aumentaria 108 mil milhões. Alguém me pode explicar isto?
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De Maria Teixeira Alves a 12.09.2015 às 00:34

O que se passa é que quem negociou com a troika o resgate (Teixeira dos Santos) estimou necessidades de financiamento de 78 bi, mas (voilá) esqueceu-se da dívida das empresas públicas que eram 30 mil milhões (que passou a estar no perímetro de consolidação por ordem da troika). Vai daí, o Governo teve de se financiar deste remanescente no mercado. Por isso aos 78 bi somam-se 30 bi.
Penso que é isto. Mas poderei saber melhor falando depois com os dos mercados.
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De Alex a 11.09.2015 às 14:24

Resumindo, estamos entregues a gente sem categoria e competencia!! O Antonio Costa não serve, o Passos Coelho não consegue mostrar que ele não serve porque desconhece a realidade ou não faz o trabalho de casa, aliás, só chegou a secretário geral do PSD à terceira ou quarta tentativa e por desistência da oposição !! Pobres de nós, pagadores de impostos, que não temos contas nos paraísos fiscais. Sao todos uns valentes oportunistas, sejam eles afetos ao PS ou ao PSD, sim, pois os restantes nem contam... Somos obrigados a escolher uma de duas opções previamente definidas por uma minoria de credibilidade duvidosa.
Mas porque raio é que têm que ser aquelas pessoas a ir a votos? Porque se filiaram e moveram as suas influências dentro do grupo em se filiaram?
Poupem-me, ninguém devia ir votar, essa era a melhor forma de mostrar como estamos contentes com eles e lhe reconhecemos valor...
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De Anónimo a 11.09.2015 às 14:58

"Tanto Passos como Costa falam verdade. As contas da Câmara de Lisboa melhoraram. Para isso, também contribui o dinheiro dos terrenos do aeroporto, mas, mesmo retirando esta parcela, a dívida da câmara foi reduzida."

http://www.publico.pt/politica/noticia/a-prova-dos-factos-a-divida-da-camara-de-lisboa-foi-paga-pelo-governo-1707465
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De jose lopes a 11.09.2015 às 15:20

É imprecionante como atacam o Antonio Costa como se fosse facil tirar um exemplo politico, ao contrario Passos aumentou todos os impostos para obeter mais receita publica e reduzio os salarios e reformas como é ingrato não reconhecer as ações de Pedro Passos coelho por outro lado Passos não estabelece nenhumas ideias para os portugueses o zé povinho continua a sofrer ....................................

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