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O mito do progresso

por Maria Teixeira Alves, em 16.03.15

A ideia de que o progresso é um caminho irreversível, ou uma força propulsora, é um mito. A ideia que a vida humana pode replicar o progresso científico é um mito. 

É utópica a ideia de que a modernidade, o progresso, a evolução do conhecimento acarretaria a diminuição do mal humano, a eliminação gradual da violência, do ódio e da soberba. 

O progresso na civilização não acompanhou o progresso da ciência. A vida humana, a história humana não se caracteriza por um progresso estável e cumulativo, por uma evolução linear. 

Existe um progresso inegável na ciência, mas nem por isso o ser humano abandonou a barbárie. Basta ver o que se passa neste século, com os terroristas do ISIS, com o que se passa em alguns países africanos, com povos do médio oriente, ou asiáticos, ou ver o que se passou no século XX na Europa (nazismo, comunismo, guerra dos Balcãs) para perceber que a evolução da ciência não melhora necessariamente a humanidade, ou seja a civilização, e em muitos casos a ciência pode estar ao serviço da barbárie.

O ser humano continua a ser o mesmo há séculos. Na verdade o ser humano individualmente continua a ser melhor do que em movimentos de massa. Sentimentos colectivos são normalmente maléficos. Porque a necessidade de pertença aniquila a humanidade.

O Ser humano é um ser de mitos, não o consegue evitar. O mito não nos dá verdade, dá-nos significado.

Todos os mitos que dêem sentido à vida através da demonização de outros seres humanos são maus mitos. Anti-semitismo, a demonização dos banqueiros, dos capitalistas, etc, são maus mitos.

Já os mitos que acreditam que o ser humano se tornará tão sábio ao ponto de reduzir gradualmente a violência são bons mitos. 

P.S. escrito depois de ouvir o autor do livro O Silêncio dos Animais, John N.Gray

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publicado às 01:29


2 comentários

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De slade a 18.03.2015 às 14:40

"O Ser humano é um ser de mitos, não o consegue evitar. O mito não nos dá verdade, dá-nos significado.
Todos os mitos que dêem sentido à vida através da demonização de outros seres humanos são maus mitos. Anti-semitismo, a demonização dos banqueiros, dos capitalistas, etc, são maus mitos."

"É alguém que pensa em função da culpa, sente-se realizado por promover minorias, por fazer caridade, por defender as causas de indefesos, por proteger marginalizados. Por oposição castiga todos os que não cabem em "guetos".
Mas gosta dos representantes dessas minorias oprimidas apenas enquanto símbolos sociais. Não gostava de os ter na família."

Como é que consegue fazer coabitar as duas frases anteriores numa mesma mente?

A sua metodologia lógica é, de facto, um deleite ... É que parece (e falo a sério) genuinamente reflectir sobre os problemas!, mas depois, pumba e catrapumba que lá vai tudo encosta abaixo. Uma vez lá, levanta-se como se nada se passasse e segue sorridente. Quem me dera possuir tal optimismo...



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De Maria Teixeira Alves a 29.03.2015 às 15:55

Eu penso que os preconceitos contra um determinado grupo, assim como a exaltação de um determinado grupo (em nome da culpa pelo preconceito), são ambos mitos.

Eu penso que os preconceitos contra os fracos e oprimidos não são menos preconceitos do que contra os fortes e "capitalistas", em nome dessa culpa. Como lhes chama o Woody Allen, Guilty Liberal Democrat

O preconceito contra os judeus não é mais tolerável do que o preconceito de ver na Angela Merkhel, ou em cada alemão, um Hitler, por exemplo.

O preconceito contra os pobres não é menos preconceito do que aquele que olha com desconfiança para as pessoas que usam loden (isto é meramente simbólico). As pessoas tendem a ser muito compreensivas com os primeiros e muito pouco tolerantes com os segundos porque lhes atribuem o rótulo de privilegiados e imputam-lhe a culpa das diferenças sociais.

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