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Fernando Alexandre, economista, disse hoje no programa da RTP, Tudo é Economia, a coisa mais acertada sobre que ilação tirar das perdas do Novo Banco: “O Banco Espírito Santo foi uma calamidade para o país do ponto de vista da atribuição de crédito e gestão bancária”. Não tem paralelo com nenhum outro banco, pela sua dimensão e responsabilidade.
Lembro que o Novo Banco foi o "banco melhor" de um BES que tinha 6 mil milhões de euros de dívida da falida Espírito Santo Internacional colocada nos seus clientes.
O Novo Banco, em 2017, tinha 14,7 mil milhões de euros de ativos herdados do BES (Legacy), destes 7,9 mil milhões era o valor líquido dos ativos que iam ficar protegidos por um mecanismo de capital contingente (CCA), A isto juntava-se uma carteira de imóveis recebidos por dação em cumprimento de crédito com um valor bruto de 3,5 mil milhões.
Dois anos depois, em 2019 o valor dos ativos problemáticos desce para 4,5 mil milhões; já o valor dos ativos incluídos no CCA reduziu-se para 3 mil milhões de euros. O stock de crédito malparado caiu 66% para 3,4 mil milhões de euros, desde 2017. A redução dos créditos não produtivos (malparado ou NPL) foi de -6.700 milhões comparativamente a dezembro de 2017 e representa um decréscimo de cerca de 58% no rácio de NPL sobre o total do crédito. O rácio de NPL era de 28,1% (em 2017) e em 2019 fixou-se em 11,8%. Os imóveis que restam em balanço têm um valor bruto de 2,2 mil milhões de euros (1,1 mil milhões líquidos de imparidades).
Limpar todos estes ativos custou ao Fundo de Resolução 2,89 mil milhões de euros (valor da compensação pedida ao Fundo de Resolução, no âmbito do CCA, desde 2017).
Sendo que o Novo Banco foi criado com um capital de 4,9 mil milhões de euros em 2014; recebeu da Lone Star (dona do banco com 75%), em outubro de 2017, 1.000 milhões de aumento de capital, a que se juntam os 500 milhões de euros obtidos no processo de troca de obrigações LME [‘Liability Management Excercise’].
Depois de todos os mil milhões, ainda restam no balanço do banco 4,5 mil milhões de ativos herdados do BES, dos quais 3 mil milhões estão protegidos pelo mecanismo do Fundo de Resolução. Portanto ao fim de todo o capital gasto na limpeza do banco que veio do BES, ainda estão 3 mil milhões por resolver e a proteção do rácio de capital disponível está agora resumida a 910 milhões de euros (de um mecanismo que tinha um tecto de 3,98 mil milhões).
Como foi possível um banco tão grande ter uma tão má gestão de risco? Não sabemos. Mas é um case study.