Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Marlene v/s Puigdemont: algumas notas.

por António Canavarro, em 23.01.18

 

Na edição de hoje do “Observador” lê-se que Marlene Wind, politóloga e directora do Centro de Política Europeia da Universidade de Copenhaga, levou à beira de um ataque de nervos.  A referida senhora acusou o foragido catalão de separatismo, perguntando: “A sua visão é romper a Europa em milhares de Estados? Quantos quer? É essa a sua visão? Porque, se é, fico muito preocupada”.

As acusações que senhora Wind fez a Puigdemont  - que segundo ela quer “dividir a Europa em 200 estados etnicamente puros com uma única identidade” - merece não uma crítica mas uma análise de história política, pois há gente que se esqueceu do nosso passado continental:

1| A Europa, e em particular a União Europeia, é composta por estados-nação, uma realidade política, que, pese embora ter alguns séculos, é recente. No passado, a Europa teve diversas mutações, sendo que sempre foi composta por nações: vejam-se os casos da vizinha Espanha, da Itália, do Reino Unido, etc. Sempre foi assim. Ou seja, se em alguns dos estados que compõe a UE existe, de alguma forma, um sentimento nacional, existem outros em que tal não acontece, e a Espanha é um bom exemplo. Cheguei a conhecer um corso que pugnava pela independência da Córsega da França, era o seu sonho! Conheci também um basco que naturalmente defendia uma nação basca e que todas as nações europeias deveriam constituir uma imensa comunidade, i.e., defendendo um modelo federal que incluía todos os povos e as nações da velha Europa.

3| A situação portuguesa é (como, por exemplo, a irlandesa e a dinamarquesa) particular, já que somos dos poucos países europeus de facto, i.e., que desde a formação da sua nacionalidade mantém a mesma “integridade geográfica e nacional” – um território e uma língua comum  -, pelo que desconheço as razões da fúria da senhora Wind. Será que a balcanização da Europa é contrária a um ideal europeu, i.e. que pugne pela perpetuação da paz entre os povos e nações europeias?

4| O referendo para independência da Catalunha, foi a todos os níveis uma afronta ao centralismo de Madrid, como também foi natural a solidariedade de outros estados europeus com o governo espanhol, pois este cenário não é bem visto na nossa Europa. Nem sei tampouco – mas isto é história virtual – como é que a Europa reagiria se só hoje procurasse-mos a independência de Espanha, sobretudo quando os Filipes tinham toda a legitimidade sobre nós?

5| A actual União Europeia é a meu ver demasiado conservadora. Não que isso seja em si um defeito, porém é melhor conservar algo que funcione do que uma máquina eurocrática fechada no seu umbigo. Não me parece que lhe faça – que nos faça – bem.

Antes pelo contrário!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:05


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.




Bloggers convidados

António Canavarro

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D




Links

Blogs e Jornais que sigo

  •