Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Joaquim Goes, o único sem agendas pessoais

por Maria Teixeira Alves, em 23.12.14

De todas as audições da Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso BES a única limpa é a de Joaquim Goes. E perguntam vocês, limpa de quê? Limpa de agendas próprias, de recados, de rancores, limpa de objectivos. 

Joaquim Goes, não vinha com alvos na manga, nem vinha com vinganças e ajustes de contas na agenda, nem vinha com protegidos a defender. Vinha simplesmente responder às perguntas com o máximo da objectividade, sinceridade e técnica. É o único que parece perceber tanto de banca que não tem de provar que tem imensos conhecimentos técnicos, nem ofuscar com termos técnicos e anglicismos, é o único que não tem de ofuscar com indignações e espantos, 

O que disse de interessante? Desde logo desmontou os argumentos de Álvaro Sobrinho.

Angola era o quinto maior país importador. É natural que sejam dadas cartas de crédito abertas a favor de entidades exportadoras portuguesas a pedido das importadoras angolanas. Mas ao contrário do que foi dito (por Álvaro Sobrinho) isso não explica a grande parte dos créditos problemáticos (incobráveis) do BESA.

Até que ponto o BESA controlava a actividade dos clientes importadores? Saberia o BESA se essas entidades tinham actividade que justificasse os pedidos de cartas de crédito? 

Álvaro Sobrinho também disse, na sua audição a 18 de Dezembro, que o BES tinha uma linha de financiamento com 3,3 mil milhões de euros ao BESA mas que esse valor nunca chegou ao BESA e que, além disso, teve de pagar juros de 700 milhões de euros. "Pode ficar depreendido que o BES, como um todo, estava a tirar partido dessas taxas. Mas não é assim", comentou Joaquim Goes, rejeitando a ideia: "não quer dizer que os juros tenham sido pagos (pelo menos metade dos 700 milhões não foram)". Podem ter sido acrescentados à própria linha, admitiu. "os juros (devidos pelo BESA ao BES ) foram acumulando. Uma parte significativa do aumento da exposição foi por esta via". 
O aumento da exposição do BES à ESFG. No fim de Junho Ricardo Salgado deu uma ordem ao BES para reforçar a garantia dada pela ESFG ao banco Nomura, que tinha sido dada para um empréstimo à holding financeira do GES. Tinha dado 5% do BES, mas a desvalorização das acções fez com que o momento trigger fosse atingido e o CEO do banco deu uma instrução directa para o banco reforçar a garantia. Violando assim a regra imposta pelo Banco de Portugal.

Defendeu, pela primeira vez alguém o fez, que devia ter sido dada a mesma atenção que foi dada ao BES à ESFG. Devia também aqui ter sido criada uma comissão para partes relacionadas, por exemplo. Foi aqui que tudo começou a falhar, porque a exposição da ESFG ao GES não cumpriu as recomendações do Banco de Portugal.

Sobre a Escom revelou que apesar de a venda ter ficado adiada, contabilizou-se como tendo sido feita e por isso a Escom escapou às limitações enquanto parte relacionada (e à respectiva comissão de acompanhamento das partes relacionadas). Só em Julho é que foi reconhecida a exposição do BES à Escom. 

A Promovalor de Luís Filipe Vieira, cliente do BES, vendeu alguns activos à BES Vida. Os créditos de 600 milhões do BES ao presidente do Benfica foram reestruturados.

Estas e muitas outras novidades fazem da audição a Joaquim Goes a mais importante.

Joaquim Goes explicou ainda que a nota dada ao risco de incumprimento da ESI andava na casa de 1% para um ano, mas podia ir até 5,5%. E que a ESI tinha uma situação positiva no fim de 2012, pelas contas então conhecidas.

Explicou que Ricardo Salgado pediu directamente ao director do risco o rating da ESI em 2012. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:33




Bloggers convidados

António Canavarro

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D




Links

Blogs e Jornais que sigo

  •