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Anda a esquerda muito esbaforida com a contratação da Maria Luís Albuquerque, ex-Ministra das Finanças, para administradora não executiva da britânica Arrow Global, que tem por actividade a gestão de investimentos em dívida, e que naturalmente tem em Portugal clientes como o Banif, Millennium BCP ou Montepio. 

Diz o Bloco de Esquerda o seguinte:  "a Arrow Global fez dinheiro comprando crédito mal parado ao Banif, quando o Banif e todo o sistema financeiro era tutelado por Maria Luís Albuquerque", recordando também que este grupo britânico comprou a Whitestar, empresa "que está a avaliar neste momento os activos do Banif que o Santander não quis e que estão no Estado".

Deixem-me só perguntar uma coisa: a compra de créditos maus (seja por que empresa for) ajudou o Banif ou prejudicou-o?

A mim parece-me que o problema do Banif foi não ter havido mais empresas que se dedicam à compra de créditos difíceis a comprar créditos ao Banif. É que se as carteiras de crédito mau do Banif tivessem sido vendidas o banco tinha melhorado o rácio de capital (pela via da redução dos activos ponderados pelo risco) e dessa forma teria forma de pagar a última tranche de Coco´s que incumpriu e não pagou ao Estado quando devia ter pago. Se tivesse havido mais Arrow Globals a comprar carteiras de crédito ao Banif, talvez o Banif não tivesse sido alvo de uma resolução. Por isso não colhe a tese (desonesta) de que a compra de carteiras favoreceu a Arrow Global. A Arrow Global compra com desconto uma carteira de crédito de altíssimo risco, pode lucrar ou não. Evidentemente que espera-se que lucre. 

Depois a venda das carteiras de crédito do Banif foi feita pelo banco directamente, não foi nenhum concurso público que pudesse ter o favoritismo proporcionado pelo ministro da tutela.

Quanto à incompatibilidade com a função de deputada, aí não sei e por isso não me pronuncio. Só gosto de falar e de escrever sobre o que sei. 

A mim este sururu à volta da contratação da Maria Luís parece-se a combinação explosiva de um aproveitamento político com inveja de lhe ter sido reconhecido o mérito profissional.

É que, como diz o chairman da empresa, Jonathan Bloomer, "Maria Luís vai trazer-nos uma riqueza de experiência na gestão de dívida e vai complementar a actual experiência da administração e a expansão da Arrow Global para novos mercados geográficos e para novas classes de activos". 

Gostava ainda de lembrar as senhoras deputadas do Bloco, que Maria Luís antes de ser deputada, esteve no IGCP, que gere a dívida pública. Não é apenas uma pessoa com currículo meramente político.

É a mesma coisa que criticarem um António Vitorino, que já foi Ministro, por ter regressado à actividade advogado e ter clientes privados. For God Sake!

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publicado às 21:41


5 comentários

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De José Lima a 04.03.2016 às 15:20

Eu concordo consigo e a maior parte dos que debitam sobre este assunto nunca antes deve ter ouvido falar da "Arrow Global"; porém, houve aqui uma coisa que escapou a Maria Luís Albuquerque e que é a seguinte: nestas situações não basta ser honesto; é preciso parecê-lo também...
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De Esclarecedor a 05.03.2016 às 00:12

Eu explico. A taxa de desconto. Pessoalmente acho que não deveria ser um tema e que a MLA não fez nada errado, mas a questão que a esquerda coloca é se por via de algum favorecimento futuro (i.e. Contratação) a tutela interferiu na taxa de desconto.
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De Maria Teixeira Alves a 05.03.2016 às 01:17

Não acredito que a taxa de desconto numa negociação de um banco para venda de carteiras de crédito tenha a intervenção de um accionista.
Depois segundo sei a Arrow perdeu dinheiro com a carteira do Banif porque quando a comprou não contou com o desaparecimento do banco.
Depois, por fim, e segundo sei, quando sugeriu o nome da Maria Luís, foi o presidente da WhiteStar em Portugal. A funcao em causa é praticamente de consultora para Portugal, uma vez que é não executiva.
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De Maria Teixeira Alves a 05.03.2016 às 01:18

*quem em vez de quando
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De Maria Teixeira Alves a 06.03.2016 às 02:45

O Governador até diz que "É preciso assegurar que a administração é orientada por motivos de sustentabilidade a instituição e que tenha toda a liberdade para tomar decisões em matéria de risco e em matéria de racionalização da instituição".

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