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De vida e para a vida

por António Canavarro, em 10.02.17

Sem darmos conta disto somos um discos riscado: as questões são sempre as mesmas que, embora os protagonistas sejam outros, voltam. Não para nos assombrar, mas para darem conta da nossa condição, da nossa "finitude". Todavia, e como há sempre uma volta a dar, criamos os nossos refúgios, como seja a memória, para continuarmos no nosso caminho.

Falo, como devem entender, da morte! Não da minha, já que mais dia menos dia chegarei ao fim deste percurso de vida, mas da dos outros. Que, seja pelo luto e pela dor que comporta, é sempre a nossa: porque, aliás “quem morre são os outros”, máxima lapidar de Marcel Duchamp, é o retrato da nossa condição, mesmo quando –  e variando os cenários – em nome da sobrevivência, de interesses indivisíveis, como ideal de uma "ideia de paz" que quase sempre justifica a guerra, tenhamos que matar!

O disco está riscado, é um facto. A História da Humanidade, se vermos bem as coisas, não passa de ser isso mesmo, inclusive quando alguns iluminados diziam que não se repete e /ou cantavam o seu fim.

Este é o lamento de um pai, de um pai solidário. De pensar que o destino de Bernardo Dourado, ou de outro qualquer anónimo jogador de rugby, podia ser o dos meus filhos.

O jovem jogador de rugby da equipa do Caldas da Rainha, de apenas 16 anos de idade, perdeu a vida quando treinava: foi traído pelo seu coração. Foi traído a fazer um desporto, que amava e pelo qual deu a sua vida.

Não sei se existem mortes santas, sei que umas são seguramente melhores do que outras, sem sofrimento!

Sei, todavia que a vida não para, que a Terra continua a girar, e que hoje, aqui em Santarém, e um pouco por todo o lado, os jovens e menos jovens, continuarão a jogar este desporto. Um desporto é uma escola de vida e para a vida. E seguramente que a vida do Bernardo não será esquecida. Que ele descanse em paz

 

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publicado às 15:55




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