urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalvesFarpasMaria Teixeira AlvesLiveJournal / SAPO BlogsMaria Teixeira Alves2020-06-12T11:10:43Zurn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12666072020-06-12T11:20:00Principal mensagem de Centeno na última entrevista à RTP: "Sou economista"2020-06-12T11:10:43Z2020-06-12T11:10:43Z<p><img src="https://jornaleconomico.sapo.pt/wp-content/uploads/2019/12/20191216233322__MG_6675-01.jpg?w=730&h=456&q=60&compress=auto,format&fit=crop" /></p>
<p>"Qualquer economista pode gostar” de ser governador do Banco de Portugal disse Mário Centeno, Ministro das Finanças demissionário, na entrevista à RTP na quinta-feira à noite. No dia em que anunciou a saída do Eurogrupo, Centeno deu a sua última entrevista enquanto Ministro das Finanças. </p>
<p>Mais à frente, a propósito da resposta económica à pandemia Covid-19, Mário Centeno volta a frisar a sua formação em Economia. “Não está escrito em nenhum livro como se fecha uma economia, e muito menos como se reabre uma economia”, disse realçando que "eu sou economista e nunca li em nenhum livro".</p>
<p>Depois de ouvir a entrevista e os comentários excelentes de Helena Garrido e Nicolau Santos, a conclusão que tiro é que a principal mensagem de Mário Centeno foi "sou economista". Porque é que a invocação do seu currículo académico é importante? Porque (nas entrelinhas) está a sua vontade de ir para Governador do Banco de Portugal e está a disputar o lugar com um jurista, Luís Máximo dos Santos, atual vice-Governador. </p>
<p>Tal como <a href="https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/legado-de-carlos-costa-dita-perfil-do-futuro-governador-do-banco-de-portugal-591788" target="_blank" rel="noopener">escrevi no Económico os governadores são tradicionalmente economistas,</a> uma vez que a principal tarefa de um governador de um banco central nacional é fazer parte do conselho de governadores do BCE, que é onde se decide a política monetária, pelo que tem, por princípio, de perceber de política monetária, razão pela qual têm sido sempre economistas a ocupar o lugar. Mas, se olharmos em volta, vemos que a atual presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, é jurista, e também o presidente da Fed, Jerome Powell, é jurista. Pelo que já há precedentes a justificar a escolha de Luís Máximo dos Santos.</p>
<p>Isso explica que Mário Centeno, mais do que querer fazer o balanço do seu trabalho à frente das Finanças e de exaltar a importância do seu cargo de presidente do Eurogrupo para Portugal (o que também fez); mais do que procurar desmentir que tenha saído por causa de um crescendo afastamento do Primeiro-Ministro (que disse não haver e assegurou mesmo não haver qualquer desentendimento, falou em "tensão saudável"); mais do que querer chamar a si uma proximidade com o seu sucessor nas Finanças (a quem chamou de colega e amigo); mais do que querer pôr Marcelo Rebelo de Sousa no lugar ao dizer que não tem uma relação profissional com o Presidente da República e que a relação institucional do Governo com o Chefe de Estado cabe ao Primeiro-Ministro; Mário Centeno quis dizer que "eu sou economista". Nas entrelinhas o que quis dizer? Eu tenho perfil e currículo para desempenhar o cargo de Governador do Banco de Portugal para os próximos cinco anos. </p>
<p>Centeno disse na entrevista que o lugar de Governador do Banco de Portugal é um “cargo que é muito importante para o país”, que “não vai perder importância ao longo dos próximos anos” e portanto é um cargo que “qualquer economista pode gostar de desempenhar”. Mas para que não soasse muito a candidatura ao lugar apressou-se a dizer “só estou a qualificar o cargo”.</p>
<p>“A escolha de quem será o próximo governador do Banco de Portugal é uma decisão que compete ao próximo ministro das Finanças e ao Governo, não me compete a mim”, disse ainda na mesma entrevista, tendo mesmo admitido que já falou do assunto com António Costa (como relato <a href="https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/centeno-diz-que-a-decisao-de-sair-foi-construida-juntamente-com-o-primeiro-ministro-599990" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>).</p>
<p>Depois diz que a data de saída resulta de um diálogo com o primeiro-ministro, disse Mário Centeno que fez questão de esclarecer que as “leituras que têm sido feitas” da relação com o primeiro-ministro, “foram descontextualizadas”, pois “não houve nenhuma deterioração dessa relação, nem podia haver, nem seria sério”.</p>
<p>“Nesta vontade [de sair do Governo] também não divergimos”, referiu Centeno sobre a sua relação com Costa.</p>
<p>Toda a entrevista foi uma preparação da opinião pública para o cargo de Governador (foi isto que eu li nas palavras de Centeno). Repare-se: sobre eventuais incompatibilidades com a função de Governador, nomeadamente poder ter de decidir sobre temas que tratou enquanto ministro das Finanças, Centeno ironizou com uma pergunta: “depois de ser presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças quais são os cargos que me reserva sem incompatibilidades nesse critério que acabou de elaborar?”.</p>
<p>“Não há nenhum país que eu conheça que tenha esse tipo de incompatibilidades escritas em normas, ser governante não é propriamente um cadastro”, disse ainda Mário Centeno.</p>
<p><strong>Datas e estratégias</strong></p>
<p>A saída de Centeno nesta altura é estratégica. As candidaturas para a presidência do Eurogrupo têm de ser apresentadas até ao próximo dia 25 de junho. As eleições vão realizar-se a 9 de julho. O mandato de Centeno acaba a 13 de julho e já disse que o vai cumprir até ao fim. </p>
<p>Centeno tinha de se demitir do Governo depois de apresentar o Orçamento Suplementar na terça-feira? Orçamento esse que já não vai discutir.</p>
<p>Há quem diga que o fez porque na quinta-feira ia ter uma reunião no Eurogrupo e tinha de comunicar que não se ia recandidatar. É uma hipótese.</p>
<p>Mas há outra. É que precisamente na terça-feira ia ser votada uma proposta do PAN que impõe um período de nojo de 5 anos para sair da tutela diretamente para Governador do Banco de Portugal. Centeno foi avisado que a lei iria ser aprovada na generalidade. Saiu antes da votação da lei. “Não há nenhum país que eu conheça que tenha esse tipo de incompatibilidades escritas em normas", disse na entrevista à RTP.</p>
<p>Saindo antes não se pode acusá-lo de se demitir para conseguir chegar ao Banco de Portugal antes que a lei seja aprovada na especialidade, aprovada pelo Presidente da República e depois publicada.</p>
<p>Tudo pensado, montado e encenado. Vamos ver se a jogada de xadrez lhe é favorável... ou não.</p>
<p>Entretanto no Parlamento <a href="https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/assembleia-da-republica-acelera-votacao-da-lei-para-impedir-que-mario-centeno-chegue-ao-banco-de-portugal-600142" target="_blank" rel="noopener">tentam acelerar a aprovação da lei</a>.</p>
<p><a href="https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/carlos-costa-podera-ter-de-ficar-no-banco-de-portugal-ate-a-rentree-599509" target="_blank" rel="noopener">Os timings</a> ditarão o sucesso das estratégias de bastidores.</p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12662852020-05-20T23:17:00António Costa e Catarina Martins em debate sobre o Novo Banco raia o absurdo2020-05-20T22:30:50Z2020-05-20T22:30:50Z<p><img src="https://bordalo.observador.pt/500x,q85/https://s3.observador.pt/wp-content/uploads/2019/12/20065308/27225568_770x433_acf_cropped.jpg" alt="Catarina Martins 'apanha' António Costa no ranking de popularidade ..." /></p>
<p>Reparem na frase de António Costa: “Se a auditoria [da Deloitte] vier a dizer que o banco cometeu falhas de gestão que tornam injustificadas as injeções que foram feitas, o Fundo de Resolução tem toda a legitimidade para agir no sentido da recuperação”.</p>
<p>Ora o Fundo de Resolução acompanhou a gestão dos ativos do Novo Banco cobertos pelo mecanismo de capital contingente e as verbas injectadas foram confirmadas pelo agente verificador Oliver Wyman. É ÓBVIO que a Deloitte não vai detectar falhas de gestão nas operações de 2019 que tornam injustificada a injeção de 1.037 milhões.</p>
<p>Aliás a auditoria abrange um horizonte temporal muito maior. Vai muito mais atrás.</p>
<p>António Costa prometeu a Catarina Martins, sabendo de antemão que, aquilo que prometeu não vai acontecer. Não vai acontecer a circunstância de devolução do dinheiro injectado pelo Fundo de Resolução no Novo Banco. Nem o Novo Banco pode devolver, isso seria impossível, porque implicaria uma violação contratual e pior, uma condenação do Novo Banco à insolvência. O BCE jamais deixaria.</p>
<p>O que Costa promete a Catarina Martins é o mesmo que isto: Se encontrarmos petróleo no Alentejo o Novo Banco devolve os mil milhões.</p>
<p>Fica tudo contente. </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12660592020-05-14T00:04:00A verdadeira divergência entre Centeno e Costa chama-se layoff ou Siza Vieira2020-05-13T23:19:09Z2020-05-13T23:19:09Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="0D1223DF-B631-4987-8603-170822011D30.jpeg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6b18632b/21807402_TKPZD.jpeg" alt="0D1223DF-B631-4987-8603-170822011D30.jpeg" width="960" height="538" /><span style="font-size: 14pt;">Há muito que acho que as transferências do Fundo de Resolução para o Novo Banco e a "falha" de comunicação entre o Ministro das Finanças e o Primeiro Ministro são um biombo das verdadeiras divergências entre ambos. A verdadeira divergência é o layoff que custa milhões por mês ao Estado e estraga as contas públicas que eram o orgulho de Centeno. </span></p>
<p>Mário Centeno defende nos círculos mais internos que pode não haver dinheiro suficiente para financiar o lay-off simplificado, uma medida que, segundo o Ministério das Finanças (Programa de Estabilidade), pode custar mais de 500 milhões de euros por mês, quase 600 milhões.</p>
<p>O layoff foi uma medida de Pedro Siza Vieira, o novo ícone de Antonio Costa.</p>
<p>Centeno é um socialista convertido ao rigor orçamento de Bruxelas e Antonio Costa é um socialista convertido à elite social. Tem em Marcelo Rebelo de Sousa e em Pedro Siza Vieira os seus grandes gurus.</p>
<p>O Novo Banco está acordado desde sempre. O Fundo de Resolução é uma entidade pública contabilísticamente mas o dinheiro injectado, será pago ao Estado pelos bancos que são os contribuintes desse fundo.</p>
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<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12658742020-04-17T19:42:00Ajuda do Estado aos medida? Sim, porque a independência jornalística não depende disso 2020-04-17T19:16:22Z2020-04-17T19:16:22Z<p> </p>
<p><img src="https://www.dinheirovivo.pt/wp-content/uploads/2015/12/Ilustra_o_jornais-1060x594.jpg" alt="INE. Metade dos jornais que circularam em Portugal não se vendeu" /></p>
<p>Tenho visto muitos comentários de indignação à notícia que o Governo vai gastar 15 milhões de euros em publicidade institucional nos meios de comunicação, anunciada hoje pelo Ministério da Cultura, para ajudar o sector.</p>
<p>Recordo que a medida foi aprovada pelo Conselho de Ministros desta sexta-feira e anunciada pela ministra da Cultura. Esses espaços serão adquiridos nas televisões, rádios e publicações periódicas e poderão ser usados por todos os organismos públicos durante os anos de 2020 e 2021. A verba poderá começar a chegar aos órgãos de comunicação social ainda durante o mês de Abril e traduz a prometida ajuda pública à imprensa, rádio e televisão.</p>
<p>Ora essa indignação é, a meu ver, absolutamente injustificada. Em primeiro lugar porque a economia parou por decreto do Governo e o Estado sentiu-se na responsabilidade de apoiar todos os sectores económicos com subsídios e garantias de empréstimos. Pelo que não há uma só razão para não ajudar os meios de comunicação social, que são os "soldados de papel" [quem diz de papel, diz de online, de rádio e de televisão] desta crise. </p>
<p>Isso compromete a independência jornalística? Claro que não. "Um grande passo para a eternização do PS no Governo", diz-se por aí. Mas alguma vez foi preciso a publicidade institucional do Governo socialista nos meios de comunicação para que os jornalistas fossem maioritariamente de esquerda? Não. Os jornalistas tendem a ser "socialistas" por ADN, é verdade. Mas isso é mais explicado pela História, pela chamada proletarização do jornalismo, do que por outra razão qualquer.</p>
<p>O jornalismo nunca foi fiel a anunciantes. Não faltam exemplos. A fidelidade dos jornalistas é explicada pela sociologia, não pela economia. </p>
<p>Se a independência do jornalista fosse comprometida com o "apoio" do Estado, então o que estaríamos todos a fazer quando subscrevíamos a Lusa ou quando víamos a RTP? </p>
<p>A independência do jornalismo é verificada em cada artigo escrito. A independência jornalística não se mede à priori, de forma macro, mas sim de forma micro. Isto é, não é um certeza teórica, à priori, é uma verificação empírica, que se confirma na prática.</p>
<p>Não posso deixar de elogiar também a iniciativa da Santa Casa da Misericórdia que anunciou que vai <a href="https://visao.sapo.pt/iniciativas/2020-04-17-santa-casa-oferece-20-mil-assinaturas-de-jornais-e-revistas-incluindo-a-visao/?fbclid=IwAR0pYyWY0_MTNqFjqsxpeA-K9H-sD303arosWq_rM4ZxP3JXCtMTZIciw6A" rel="noopener">oferecer</a> 20 mil assinaturas de jornais e revistas para serem atribuídas a leitores, apoiando assim a leitura de fontes de informação.</p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12655932020-04-14T20:13:00China “deve ser processada sob a lei internacional” por causa dos seus perigosos hábitos alimentares 2020-04-14T20:34:47Z2020-04-15T22:55:48Z<p><img src="https://www.aljazeera.com/mritems/Images/2020/1/24/e26d3593e9844d4f82622b0dfcfb6db1_18.jpg" alt="China battles coronavirus outbreak: All the latest updates | China ..." /></p>
<p>O mundo não pode continuar a ignorar o risco das exóticas (para ser subtil) práticas alimentares dos asiáticos. Sopa de morcego é um dos pratos mais comuns na China, mas nos hábitos alimentares orientais consta o cão, o rato, o cérebro de macacos vivos, insectos, aranhas, o Pangolim. Enfim um conjunto repugnante de "iguarias", que são uma verdadeira ameaça para toda a humanidade. </p>
<p>Enquanto não houver um tribunal que julgue as consequências das práticas alimentares asiáticas que se têm revelado perigosas para o mundo, estaremos sempre à mercê do surgimento de vírus que matam milhares de pessoas e destroem economias.</p>
<p>Em meados da década de 2010, os morcegos foram a origem de outra doença respiratória semelhante à Sars: a Síndrome Respiratória do Oriente Médio, que afectou menos pessoas mas foi mais letal. </p>
<p>Quanto a este novo coronavírus - conhecido de Covid-19 -, as autoridades chinesas já detectaram que teve origem num mercado de Wuhan que vendia frutos do mar e carne de animais selvagens, incluindo morcegos e víboras.</p>
<p>Apesar do SARS-CoV-2 (Covid - 19) ter surgido no mercado de Wuhan, na China, em que se vendem animais selvagens e, também apesar de haver provas que sugerem que os morcegos são o reservatório da vírus, os cientistas ainda não sabem que animal foi o hospedeiro intermediário que facilitou a transmissão do vírus aos humanos. No entanto uma equipa de cientistas chineses demonstrou que os pangolins são portadores de coronavírus estreitamente relacionados com o vírus causador da actual pandemia. </p>
<p>Tudo isto são mais do que evidências que é preciso julgar a China nos tribunais internacionais, entre outras responsabilidades por não controlarem as práticas alimentares que violam o Regulamento Sanitário Internacional, que já tinha sido reforçado após o surto de SARS, mas que foi ignorado pela China. </p>
<p>As notícias recentes (meados de abril) revelam que o coronavírus matou mais de 103 mil pessoas e infectou mais de 2 milhões de pessoas em todo o mundo.</p>
<p>São assim de elogiar as iniciativas como a da Índia, que vai levar a China ao Tribunal Internacional para responder por crimes de guerra quanto a uma eventual responsabilidade na pandemia global de coronavírus.</p>
<p>Já no Reino Unido, um think tank do conservador grupo de estudos de Londres, o The Henry Jackson Society, elaborou um relatório, onde defende que a China poderia ser processada sob 10 possíveis acusações junto das vias legais, incluindo pela violação do Regulamento Sanitário Internacional. </p>
<p>Estas acções judiciais internacionais contra a China por violações do Regulamento Sanitário Internacional sobre o Covid-19 podem chegar a 4 triliões de dólares de indemnizações apenas às nações do G7, de acordo com o relatório recém-divulgado da The Henry Jackson Society.</p>
<p>Entre as muitas falhas apontadas ao Estado Chinês está a falha ao proibir vectores evitáveis de infecção viral letal de origem animal, e, de ao invés, promover activamente a proliferação maciça de espécies perigosas de hospedeiros virais para consumo humano, violando o Artigo 12 do Pacto Internacional sobre Direitos Económicos, Sociais e Culturais.</p>
<p>O relatório alega que o tratamento precoce da doença pelo governo chinês e a falha em relatar informações de forma adequada à OMS violaram os Artigos Seis e Sete do Regulamento Sanitário Internacional (RSI), um tratado no qual a China é signatária e tem obrigação legal de defender.</p>
<p>É mais do que evidente que os chineses têm a obrigação de implementar uma vigilância sanitária eficiente em mercados que vendem alimentos de origem animal, porque os seus hábitos alimentares não são apenas uma questão cultural, são uma ameaça mundial.</p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12651622020-04-10T02:04:00Ideias em tempo de Estado de Emergência 2020-04-10T01:05:28Z2020-04-10T01:05:28Z<p>Há algumas ideias que são sempre verdadeiras. Ter humor é o contrário de querer ter; a credibilidade é um bem intangível que não precisa de afirmação e demora muito tempo a conquistar e muito pouco tempo a perder; e a sinceridade tem menos a ver com factos mas é antes fazer corresponder os sentimentos aos actos. A quarentena dá-me para estes pensamentos, é das leituras...</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12649642020-04-10T00:37:00Mutualizar responsabilidades versus mutualizar dívida2020-04-10T00:10:25Z2020-04-10T00:46:50Z<p><img src="https://cdn-images.rtp.pt/icm/noticias/images/e4/e417677e4c0f258b3f5bf17d41171003?w=860&q=90&rect=0,36,600,329" alt="Covid-19. Eurogrupo retoma reunião para tentar acordo económico comum" /></p>
<p>Os ministros das Finanças da União Europeia estiveram reunidos esta quinta-feira à noite, para desbloquear um acordo de 540 mil milhões de euros, para relançar a economia europeia no pós-pandemia. O acordo foi alcançado já nas margens do encontro, durante várias horas de negociações, lideradas pelo português Mário Centeno. </p>
<p>Mas afinal de que se trata este pacote e como é que ele deixa a mutualização europeia da dívida, as chamadas <em>coronabonds</em> (que ainda assim são diferentes de <em>eurobonds</em>), na gaveta?</p>
<p>O pacote de apoios tem três vertentes: O programa "SURE" que é dinheiro da Comissão Europeia para apoiar o emprego, num montante de 100 mil milhões de euros; 200 mil milhões de empréstimos do Banco Europeu de Investimento às PME e 240 mil milhões de euros de linhas de crédito aos Estados membros que fica a cargo do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), o fundo de resgate permanente da zona euro. Estas linhas do MEE destinam-se a cobrir custos "direta ou indirectamente" relacionados com a resposta a nível de cuidados de saúde, tratamento e prevenção da Covid-19.</p>
<p>O "SURE" consistirá em empréstimos concedidos em condições favoráveis pela UE aos Estados-membros, até um total de 100 mil milhões de euros, com o objectivo de ajudar os Estados a salvaguardar postos de trabalho através de esquemas de desemprego temporário.</p>
<p>Para as empresas, a solução passa pelo envolvimento do Banco Europeu de Investimento (BEI), através de um fundo de garantia pan-europeu dotado de 25 mil milhões de euros, que permitirá mobilizar até 200 mil milhões de euros suplementares para as empresas em dificuldades, sobretudo Pequenas e Médias Empresas (PME).</p>
<p>Mas o que era mais polémico e que fez arrastar as discussões, era a “rede de segurança” para os próprios Estados-membros, num total de 240 mil milhões de euros (Portugal terá disponíveis 4.500 milhões), o que representa 2% do PIB de cada país. Isto é, os países agravam a dívida na mesma nesta proporção. Este dinheiro chegará aos países através do Mecanismo Europeu de Estabilidade. Mas Mário Centeno já avisou: “Estes fundos têm de ser directamente usados para cuidados de saúde e cuidados relacionados com a pandemia”.</p>
<p>O que esteve em discussão e dificultou o acordo entre os 27 países foi as condições de acesso a estas linhas. </p>
<p>Portanto com este pacote – ao todo estão envolvidos mais de 500 mil milhões de euros em apoios ao emprego, empresas e aos Estados-membros – fica definitivamente posto de parte as "<em>Eurobonds</em>" e até mesmo as "<em>Coronabonds</em>".</p>
<p>Da mutualização da dívida passámos para a mutualização dos apoios, das responsabilidades sociais. É provavelmente mais justa que a mutualização da dívida. Porque evidentemente que os países que não se endividaram acima de 100% não têm de ser arrastados pelos que têm dívidas acima de 100%, onde infelizmente Portugal se insere. Ninguém pode verdadeiramente criticar os países que não querem ficar com pior rating nas suas dívidas (o que tem impacto no custo de financiamento) por causa da "solidariedade". Se Portugal fizesse parte dos países menos endividados também não ia querer. </p>
<p>A solidariedade pode fazer-se de outras formas, e deste pacote de 500 mil milhões, pelo menos mais de metade não agrava a dívida dos países.</p>
<p>Miguel Maya, CEO do BCP, disse no outro dia que "o momento decisivo que vai ditar o que vai ser a Europa nos próximos 50 anos, na minha opinião, é a nossa capacidade de nos apoiarmos uns aos outros, assumir de vez a cidadania europeia como um elemento central das nossas vidas, e portanto usarmos os <em>coronabonds</em> para suportarmos os diversos países em função daquilo que são as suas necessidades”.</p>
<p>O CEO do BCP defendeu “incentivos totalmente alinhados, com coesão, que dá prioridade às pessoas, com um projecto que deixe orgulhosos os nossos filhos e os nossos netos do que fizemos num momento particularmente difícil como aquele que estamos a viver”.</p>
<p>Quando disse que “nós neste momento na União Europeia temos um momento único de reformular e dar coesão ao projecto europeu" foi certeiro. Miguel Maya só não acertou no veículo dessa solidariedade, quando disse que "não é possível que a economia recupere de forma equilibrada, se não avançarmos com os <em>coronabonds</em>. Não falo dos <em>eurobonds</em> que é muito mais complexo, porque implica a mutualização da dívida para a frente. Aqui estamos a falar de uma mutualização da dívida para este propósito específico. Para combater uma adversidade que tocou a todos os países da Europa e por isso não há nenhuma razão para não sermos absolutamente solidários”. Não vamos ter <em>coronabonds</em>, mas vamos ter um pacote de 500 mil milhões de euros.</p>
<p>Agora é só preciso pôr esse pacote a funcionar, encontrar uma terapêutica para a Covid-19, ou uma vacina, e aproveitar este <em>lockdown</em> económico que estamos a viver para corrigir algumas assimetrias que teimávamos em ignorar. Há sectores que não são lucrativos e ainda assim são imprescindíveis. Os media estão entre eles. Devia ser criado um fundo europeu e medidas a nível europeu para garantir a subsistência dos media.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12648312020-04-05T12:25:00Oração pelos amigos 2020-04-05T11:26:46Z2020-04-05T11:26:46Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="BFF1B380-D30A-4604-9A8C-D10238040450.jpeg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B93186a45/21754000_lkyoi.jpeg" alt="BFF1B380-D30A-4604-9A8C-D10238040450.jpeg" width="960" height="720" /><span style="font-size: 14pt;">Oração pelos amigos (Pe Tolentino)</span></p>
<p>"Obrigado, Senhor, pelos amigos que nos deste. Os amigos que nos fazem sentir amados sem porquê. Que têm o jeito especial de nos fazer sorrir. Que sabem tudo de nós, perguntando pouco. Que conhecem o segredo das pequenas coisas que nos deixam felizes. Obrigado, Senhor, por essas e esses, sem os quais, caminhar pela vida não seria o mesmo. Que nos aguentam quando o mundo parece um sítio incerto. Que nos incitam à coragem só com a sua presença. Que nos surpreendem, de propósito, porque acham mal tanta rotina. Que nos dão a ver um outro lado das coisas, um lado fantástico, diga-se.<br />Obrigado pelos amigos incondicionais. Que discordam de nós permanecendo connosco. Que esperam o tempo que for preciso. Que perdoam antes das desculpas. Essas e esses são os irmãos que escolhemos. Os que colocas a nosso lado para nos devolverem a luz aérea da alegria. Os que trazem, até nós, o imprevisível do teu coração, Senhor."</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12646172020-04-04T19:14:00 A vida imita a arte. Quando a vida se transforma num filme blockbuster2020-04-04T18:16:17Z2020-04-04T18:33:05Z<p class="sapomedia videos"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/wrORMAHRGNg" width="560" height="315" frameborder="0" style="width: 640px; padding: 10px 10px;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p class="sapomedia videos"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/u-eGomOPITc" width="560" height="315" frameborder="0" style="width: 640px; padding: 10px 10px;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p class="sapomedia videos">Não têm uma sensação de déjà vu quando andam nas ruas desertas e há 'outdoors' nas ruas que falam a dizer "vá para casa", e altifalantes a falar do "recolhimento obrigatório"? Eu tenho, confesso. Vêm à memória filmes sobre epidemias, filmes sobre controlo telemático dos movimentos, filmes sobre ameaças impossíveis de controlar. Os chamados filmes blockbuster, como o Outbreak de 1995 e o Contágio de 2011.</p>
<p class="sapomedia videos">Eu nunca achei que esses filmes pudessem ser, afinal, realistas. Mas a vida imita a arte. Mesmo quando a arte nos parece ficção científica.</p>
<p class="sapomedia videos">E o controlo de movimentos por drones não vos lembra de nada?</p>
<p class="sapomedia videos"> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12643582020-03-28T19:10:00A tempestade perfeita (oiçam o Governador do Banco de Portugal)2020-03-28T19:37:53Z2020-03-28T22:39:50Z<p><img src="https://jornaleconomico.sapo.pt/wp-content/uploads/2016/10/carlos_costa_bdp_banco_portugal_governador_1.jpg" alt="Carlos Costa: a vida e as polémicas do governador do BdP – O ..." /></p>
<p>Atentem ao facto de a crise do coronavírus poder culminar numa crise de dívida soberana que pode quebrar a zona euro.</p>
<p>Vejamos. Os países têm carta branca para se endividarem para ajudar as empresas e a economia, mas nem todos os países da União Europeia têm um rácio de dívida pública sobre o PIB com folga. Itália, por exemplo, tem um rácio de dívida de 135%, Portugal tem um rácio de 118%. Se aumentarem a dívida (e vão ter de a aumentar porque as despesas que se preparam para assumir são muitas), quando descobrirem a vacina para a Covid-19, os países vão estar de tal modo endividados que as agências de rating não têm alternativa senão baixar o rating. Voltar a rating lixo é a mesma coisa que deixar de conseguir financiar-se a juros baixos. O défice vai ser ainda mais agravado. </p>
<p>O risco de default tornar-se-ia elevado. O caso de Itália (um amigo meu da área dos mercados chamou-me a atenção para o risco de Itália se tornar numa segunda Grécia e não conseguir pagar a dívida) é paradigmático. Pode entrar em default, ou fazer haircut da dívida soberana, e com isso traumatizar os mercados e criar um clima de desconfiança em relação à União Europeia. No limite pode acabar com Itália a querer sair da zona euro, e estamos a falar de uma das maiores economias da zona. </p>
<p>Portugal, por sua vez, não está preparado. Não foi feita a reestruturação que era precisa e a economia cresceu à conta dos serviços (turismo e restauração). Tudo coisas que demorarão algum tempo a voltar ao normal. A poupança dos portugueses continuou muito baixa e o crédito estava a ganhar um novo boom. </p>
<p>Antevêem-se tempos negros para a economia europeia. Por isso o Governador do Banco de Portugal tem defendido em todos os jornais a emissão de dívida pela zona euro para ajudar a economia dos estados-membros vítima da pandemia.</p>
<p>O Governador do Banco de Portugal tem defendido a emissão de dívida mutualizada dentro da zona euro, as coronabonds. Sem as obrigações emitidas pela zona euro para financiar a resposta à crise, haverá uma crise sem precedentes na zona euro, a nível económico e político.</p>
<p>Esta dívida deveria ter maturidades longas, caso de 30 anos, de modo a “diluir o impacto nas contribuições anuais dos Estados-membros” para a amortizar, defendeu também o Governador.</p>
<p>Carlos Costa considera que a emissão de dívida é a única ferramenta financeira de que a comunidade europeia dispõe para responder aos efeitos da pandemia de Covid-19. </p>
<p> O Governador já disse que é bem-vinda a flexibilidade orçamental da Comissão Europeia (Bruxelas anunciou que libertava os países de cumprimento das metas do défice), mas que tal não é suficiente, uma vez que cada Estado-membro tem uma margem orçamental diferente (desde logo pela dívida pública), o que tornaria o combate ao impacto da epidemia dependente da situação orçamental de cada país.</p>
<p>“Para responder com êxito a esta emergência todos os Estados-membros, independentemente da sua situação orçamental e do nível de endividamento, devem manter-se financeiramente unidos e com idêntica capacidade de resposta”, defendeu o Governador do Banco de Portugal, avisando que falta de cooperação e de êxito no ataque a esta crise “pode pôr em causa o futuro do projeto europeu”, pelo que urge encontrar soluções que evitem uma “segunda crise da dívida soberana”.</p>
<p>Oiçam o Governador! </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12639842020-03-27T22:54:00Lista de compras em tempo de confinamento2020-03-27T23:01:56Z2020-03-28T15:48:10Z<p><img src="https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn%3AANd9GcQdrRC2CH5CLcU-Jtz8L3tLjupuKC-M8_q3SktiO1cKS3lPPe2c" alt="Entretanto • Mulheres à beira de um ataque de nervos • Renato Zupo" /></p>
<p>Esta experiência do confinamento social leva-nos a refazer a lista de compras para o mês (hoje em dia ponto alto do dia é a ida ao supermercado, ansiamos por ficar numa fila de 20 pessoas). </p>
<p><br /><strong>Cá vai:</strong><br /><em>Comprar vinho tinto</em></p>
<p><em>Comprar vinho branco</em></p>
<p><em>Comprar café (muito)</em></p>
<p><em>Comprar cervejas </em></p>
<p><em>Comprar mais vinho tinto </em></p>
<p><em>Comprar mais vinho branco</em></p>
<p><em>Comprar um carregador para o telemóvel para cada divisão da casa</em></p>
<p><em><span style="font-size: 14pt;"> </span>Comprar máscaras para o cabelo, cremes para a cara, para o olhos, para não parecermos desgrenhadas e com cara deslavada nas reuniões de teletrabalho.</em></p>
<p><em>Comprar base e maquilhagem para o mesmo efeito.</em></p>
<p><em>Comprar cremes para o corpo (de preferência anti-celulite). </em></p>
<p><em>Comprar bandas depilatórias.</em></p>
<p><em>Comprar um leitor de DVD (bem me parecia que devia ter comprado um).</em><br /><em>😂</em></p>
<p><em>Comprar vitamina A, B, C, D, E .... Z</em></p>
<p><em>Produtos de limpeza (especial destaque para detergente para a máquina da loiça)</em></p>
<p><em>Pão, fruta, carne, legumes, peixe, etc...</em></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12637832020-03-23T13:58:00A grande mortandade do Covid em Portugal vai dar-se nas empresas2020-03-23T14:34:00Z2020-03-23T14:34:00Z<p><img src="https://s2.glbimg.com/QLi1u_dVTTKNt9Mr8ejwbcsa_WQ=/271x0:2164x1385/1600x0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_f035dd6fd91c438fa04ab718d608bbaa/internal_photos/bs/2020/L/q/mkG2q3SBqzWLjcuCvBJA/corona.jpg" /></p>
<p>Portugal, no ranking da União Europeia, está em décimo no conjunto dos 27 países, no que toca ao número de infectados com a pandemia Covid-19. O que é uma boa notícia. É também uma boa notícia o facto de não haver uma explosão de casos de contaminação e sobretudo o de não haver um grande número de mortes e a maioria dos infectados detectados ter apenas sintomas ligeiros.</p>
<p>Mas a mesma sorte o país não vai ter na economia. A verdadeira mortandade vai-se dar nas empresas.</p>
<p>Primeiro porque as linhas de crédito com garantia do Estado tendem a ser destinadas a empresas com capitais próprios positivos e com resultados fechados. Ora há uma fatia de PME que não cumpre nenhum dos requisitos.</p>
<p>Os bancos estão a conceder esses créditos com garantia mútua a uns juros de 2% e 3%, muito acima do preço a que se financiam.</p>
<p>A ideia do Governo adiar o pagamento de impostos e contribuições sociais é muito positiva, mas se não se resolver o problema de liquidez das empresas a medida não tem grande eficácia.</p>
<p>Sobre o chamado <em>lay-off</em> simplificado, que é a capacidade das empresas suspenderem os contratos de trabalho por três meses porque a atividade está diminuída, pagando o Estado uma parte desse salário, é de lembrar que se aplica a empresas que têm 40% da redução do seu rendimento comparado com o ano anterior. Mas para beneficiar disso as empresas têm de provar que a quebra das receitas é reportada aos dois meses anteriores. Ora a crise começou em março pelo que as empresas só podem apresentar o pedido em maio (60 dias depois de março). Até lá quem vai pagar salários se a atividade parou? </p>
<p>Quanto tempo aguentam as empresas sem atividade ou sem clientes?</p>
<p>Depois com isto virão os salários em atraso e os despedimentos, e dispara o malparado (aguardemos pelas moratórias), tudo porque a economia fechou.</p>
<p>A análise macroeconómica também não é mais animadora. A flexibilidade da Comissão Europeia aos auxílios do Estado não é suficiente, e no limite pode criar uma crise de dívida soberana. Ao flexibilizar as metas de défice e dívida para todos os países ignorando que cada país membro tem rácios de endividamento diferentes, pode ser o gatilho para uma subida dos juros da dívida soberana e no limite o fecho dos mercados (que trouxe no passado recente a troika).</p>
<p>O Governador do Banco de Portugal defendeu num artigo do Jornal Económico que <a href="https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/e-necessaria-uma-resposta-conjunta-a-um-desafio-comum-562869" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“é necessária uma resposta conjunta a um desafio comum”.</a></p>
<p>Carlos Costa defende agora na Reuters que o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) emita Corona bonds a 30 anos.“Tais ‘Corona bonds’ são não só um reforço mas também um complemento necessário ao recém-anunciado Pandemic Emergency Purchase Programme do Banco Central Europeu”, defendeu o Governador do Banco de Portugal no artigo da Reuters.</p>
<p>Carlos Costa lembra que “contrariamente às circunstâncias que conduziram à crise de 2008, a situação com que nos defrontamos agora reflete a propagação de uma crise sanitária para a economia real e desta para o sistema financeiro, com os seus efeitos a serem amplificados pelo sistema financeiro internacional e pelas cadeias de valor globais”.</p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12634522020-03-15T11:18:00Eis como um vírus mudou os estigmas protecionistas. O tempo em que "controlar" e "proibir" passou a ser o "bem"2020-03-15T12:49:54Z2020-03-15T17:57:48Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 960px; padding: 10px 10px;" title="Corona map.png" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2d174cfd/21726126_8CDPs.png" alt="Corona map.png" width="960" height="540" />A Rússia <a href="https://www.dnoticias.pt/mundo/russia-fecha-fronteiras-a-partir-das-00-horas-de-domingo-DI5912720" rel="noopener">fecha</a> fronteiras a partir das 00 horas de domingo.</p>
<p class="sapomedia images">O Reino Unido <a href="https://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/reino-unido-admite-pedir-a-maiores-de-70-que-se-autoisolem-durante-quatro-meses" target="_blank" rel="noopener">admite</a> pedir a maiores de 70 anos que se auto-isolem durante quatro meses.</p>
<p>Trump <a href="https://istoe.com.br/apos-minimizar-coronavirus-trump-proibe-voos-para-ue/" target="_blank" rel="noopener">proíbe</a> voos da União Europeia para os EUA. A medida entrará em vigor à meia-noite de sexta-feira (13) e valerá por pelo menos 30 dias. O Espaço Schengen inclui 22 países da União Europeia (as exceções são Bulgária, Chipre, Croácia, Irlanda e Roménia), além de Islândia, Liechtenstein, Suíça e Noruega. O Reino Unido não faz parte do grupo. <br />A restrição valerá para todos os cidadãos estrangeiros que tenham estado em alguns desses países nos 14 dias anteriores à sua chegada aos EUA, com exceção de residentes permanentes ou familiares próximos de americanos.</p>
<p>Estados Unidos <a href="https://sicnoticias.pt/especiais/coronavirus/2020-03-14-Coronavirus-Estados-Unidos-proibem-viagens-do-Reino-Unido-e-Irlanda" target="_blank" rel="noopener">proíbem</a> viagens do Reino Unido e Irlanda. As viagens para os Estados Unidos da América (EUA) a partir do Reino Unido e da Irlanda vão ser restritas a partir de terça-feira, à semelhança das medidas tomadas sobre o espaço Schengen, Irão e China.</p>
<p>República Checa <a href="https://lifestyle.sapo.pt/saude/noticias-saude/artigos/covid-19-republica-checa-encerra-fronteiras-a-partir-de-segunda-feira" rel="noopener">encerra</a> fronteiras a partir de segunda-feira. Também a Eslováquia fechou as fronteiras e declarou o estado de Emergência. As pessoas que regressem dos países afetados e não façam quarentena podem ter de pagar uma multa de 1.650 euros. </p>
<p>Noruega anuncia <a href="https://www.publico.pt/2020/03/14/mundo/noticia/noruega-anuncia-encerramento-aeroportos-ultimo-pais-decretar-controlo-fronteiras-1907784" target="_blank" rel="noopener">encerramento</a> de aeroportos, o último país a decretar controlo de fronteiras. Vários países europeus suspendem o acordo de Schengen, a primeira vez que tal acontece por razões de saúde. Países como Suíça, Eslováquia, República Checa, Polónia ou Dinamarca decidiram encerrar fronteiras total ou parcialmente.</p>
<p>Sete dos 26 países que constituem o Espaço Schengen já <a href="https://www.jn.pt/mundo/sete-paises-de-schengen-fecham-portas-mas-portugal-nao--11929219.html" target="_blank" rel="noopener">fecharam </a>as suas fronteiras para conter o avanço do Covid-19 e testarem medidas de confinamento das populações de forma mais acentuada. Há outros dois países que, apesar de não fecharem portas, aplicam medidas de isolamento a quem entra.</p>
<p>António Costa e Pedro Sánchez preparam reunião sobre possível <a href="https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/costa-e-sanchez-preparam-reuniao-sobre-possivel-fecho-de-fronteiras-559533" target="_blank" rel="noopener">fecho</a> de fronteiras entre Portugal e Espanha.</p>
<p>França <a href="https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/covid-19-franca-encerra-estabelecimentos-nao-essenciais-a-vida-do-pais-a-partir-da-meia-noite-559493" target="_blank" rel="noopener">encerra</a> estabelecimentos “não essenciais à vida do país” a partir da meia-noite.</p>
<p>Espanha toma medidas drásticas e <a href="https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/covid-19-espanha-toma-medidas-drasticas-e-limita-circulacao-de-pessoas-559486" target="_blank" rel="noopener">limita</a> circulação de pessoas.</p>
<p>Governo determina <a href="https://www.tsf.pt/portugal/economia/governo-determina-encerramento-de-todos-os-bares-a-partir-das-21h00-11931141.html" target="_blank" rel="noopener">encerramento</a> de todos os bares às 21h00 até 9 de abril.</p>
<p>Marrocos <a href="https://sicnoticias.pt/especiais/coronavirus/2020-03-14-Marrocos-suspende-voos-de-e-para-Portugal" target="_blank" rel="noopener">suspende</a> voos de e para Portugal.</p>
<p>França e Bélgica <a href="https://www.metropoles.com/coronavirus/franca-e-belgica-proibem-abertura-de-bares-cinemas-e-boates" target="_blank" rel="noopener">proíbem</a> abertura de bares, cinemas e boîtes.</p>
<p>Vaticano <a href="https://www.dnoticias.pt/mundo/vaticano-fecha-praca-de-sao-pedro-aos-fieis-na-semana-da-pascoa-GN5917181" target="_blank" rel="noopener">fecha</a> Praça de São Pedro aos fiéis na semana da Páscoa.</p>
<p>Estónia à Austrália o mundo <a href="https://www.dnoticias.pt/mundo/estonia-a-australia-o-mundo-acciona-planos-de-accao-contra-pandemia-AN5917626" target="_blank" rel="noopener">aciona</a> planos de acção contra pandemia.</p>
<p>Austrália <a href="https://www.dnoticias.pt/mundo/australia-forca-auto-isolamento-a-quem-chegue-do-exterior-IN5917587" target="_blank" rel="noopener">força</a> auto-isolamento a quem chegue do exterior.</p>
<p>Viajantes que cheguem à China <a href="https://www.dnoticias.pt/mundo/viajantes-que-cheguem-a-china-em-quarentena-a-partir-de-2-feira-DN5917566" target="_blank" rel="noopener">em quarentena</a> a partir de 2.ª feira.</p>
<p>Igreja Católica <a href="https://rr.sapo.pt/2020/03/13/religiao/igreja-catolica-suspende-missas-em-portugal/noticia/185244/" target="_blank" rel="noopener">suspende</a> missas em Portugal.</p>
<p>Polícia alemã <a href="https://www.wort.lu/pt/luxemburgo/pol-cia-alem-faz-controle-de-coronav-rus-nas-fronteiras-com-luxemburgo-5e6bbfcbda2cc1784e35873c" target="_blank" rel="noopener">faz controle</a> de coronavírus nas fronteiras com Luxemburgo.</p>
<p>Alemanha. Foi intensificado <a href="https://expresso.pt/coronavirus/2020-03-14-Covid-19.-Como-os-27-paises-da-Europa-estao-a-fechar-tudo--a-ritmos-diferentes-" target="_blank" rel="noopener">o controlo nas fronteiras</a> desde terça-feira. Alemanha <a href="https://pt.euronews.com/2020/03/15/alemanha-fecha-fronteiras-com-franca-suica-e-austria" target="_blank" rel="noopener">fecha</a> fronteiras com França, Suíça e Áustria.</p>
<p>Itália: Há polícias nas ruas <a href="https://visao.sapo.pt/atualidade/sociedade/2020-03-14-o-relato-de-uma-portuguesa-de-quarentena-em-florenca-haver-policias-nas-ruas-a-controlar-todos-os-nossos-movimentos-e-o-mais-proximo-que-podemos-ter-de-uma-ditadura/" target="_blank" rel="noopener">a controlar </a>todos os movimentos.</p>
<p>Itália. O segundo país do mundo mais afetado pela doença, a seguir à China, tem todas as escolas, universidades, lojas e restaurantes <a href="https://expresso.pt/coronavirus/2020-03-14-Covid-19.-Como-os-27-paises-da-Europa-estao-a-fechar-tudo--a-ritmos-diferentes-" target="_blank" rel="noopener">encerrados</a> até pelo menos 3 de abril, com exceção de supermercados e farmácias. E as pessoas só podem sair de casa por motivos considerados de primeira necessidade. </p>
<p>China: Há agentes <a href="https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/01/porteiro-do-predio-mede-a-nossa-temperatura-diz-brasileira-na-china.shtml" target="_blank" rel="noopener">a medir a temperatura </a>com termómetros à entrada dos supermercados, nas estações de metro. Nos condomínios residenciais o porteiro do prédio mede temperatura.</p>
<p>Em Portugal Governo <a href="https://lifestyle.sapo.pt/saude/noticias-saude/artigos/covid-19-violacao-de-ordens-das-forcas-de-seguranca-e-crime-de-desobediencia" target="_blank" rel="noopener">avisa</a> que violação das ordens é crime de desobediência. O Governo português decidiu igualmente proibir o desembarque de passageiros de navios de cruzeiro, exceto dos residentes em Portugal, e limitar a frequência nos centros comerciais e supermercado.</p>
<p><a href="https://www.dinheirovivo.pt/economia/desobediencia-as-restricoes-que-continuam-ate-9-de-abril-sao-crime/" target="_blank" rel="noopener">Desobediência</a> às restrições que continuam até 9 de abril são crime.</p>
<p>O Governo de Portugal decretou na quinta-feira o Estado de Alerta, colocando os meios de proteção civil e as forças e serviços de segurança em prontidão. Foram igualmente <a href="https://tvi24.iol.pt/sociedade/coronavirus/covid-19-mai-lanca-alerta-a-quem-violar-ordens-das-forcas-de-seguranca" target="_blank" rel="noopener">suspensas</a>, a partir de segunda-feira, as atividades lectivas e restringido o funcionamento de discotecas e similares e suspensas as visitas a lares em todo o território nacional.</p>
<p>Governo português <a href="https://www.dinheirovivo.pt/economia/governo-fecha-escolas-discotecas-e-reduz-lotacao-de-restaurantes/" target="_blank" rel="noopener">fecha</a> escolas, discotecas e reduz lotação de restaurantes.</p>
<p>Jordânia <a href="https://www.efe.com/efe/brasil/mundo/jordania-proibe-entrada-de-turistas-da-espanha-alemanha-e-fran-a/50000243-4192738?utm_source=wwwefecom&utm_medium=rss&utm_campaign=rss" target="_blank" rel="noopener">proíbe</a> entrada de turistas da Espanha, Alemanha e França.</p>
<p>Hungria. Há postos de <a href="https://expresso.pt/coronavirus/2020-03-14-Covid-19.-Como-os-27-paises-da-Europa-estao-a-fechar-tudo--a-ritmos-diferentes-" target="_blank" rel="noopener">controlo fronteiriço</a> com a Áustria e a Eslovénia. Pessoas provenientes de Itália não entram no país.</p>
<p>Um vírus chegou para provar que a liberdade é um mito. Desde que nascemos que temos condicionantes à nossa liberdade. A liberdade é um ideal a perseguir, mas nunca foi um valor absoluto. A ideia de que somos completamente livres e que isso é uma conquista irreversível nunca passou de um mito. É o verdadeiro ópio do povo.</p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12631312020-03-03T00:20:00Novo Banco e mais um pedido de capital (1.037 milhões de euros)... que ilações tirar?2020-03-03T00:54:41Z2020-03-03T00:55:01Z<p><img src="https://cdn4.jornaldenegocios.pt/images/2017-09/img_1200x676$2017_09_28_15_28_37_318111.jpg" alt="Resultado de imagem para Novo banco" /></p>
<p>Fernando Alexandre, economista, disse hoje no programa da RTP, Tudo é Economia, a coisa mais acertada sobre que ilação tirar das perdas do Novo Banco: “O Banco Espírito Santo foi uma calamidade para o país do ponto de vista da atribuição de crédito e gestão bancária”. Não tem paralelo com nenhum outro banco, pela sua dimensão e responsabilidade.</p>
<p>Lembro que o Novo Banco foi o "banco melhor" de um BES que tinha 6 mil milhões de euros de dívida da falida Espírito Santo Internacional colocada nos seus clientes.</p>
<p>O Novo Banco, em 2017, tinha 14,7 mil milhões de euros de ativos herdados do BES (<em>Legacy</em>), destes 7,9 mil milhões era o valor líquido dos ativos que iam ficar protegidos por um mecanismo de capital contingente (CCA), A isto juntava-se uma carteira de imóveis recebidos por dação em cumprimento de crédito com um valor bruto de 3,5 mil milhões.</p>
<p>Dois anos depois, em 2019 o valor dos ativos problemáticos desce para 4,5 mil milhões; já o valor dos ativos incluídos no CCA reduziu-se para 3 mil milhões de euros. O stock de crédito malparado caiu 66% para 3,4 mil milhões de euros, desde 2017. A redução dos créditos não produtivos (malparado ou NPL) foi de -6.700 milhões comparativamente a dezembro de 2017 e representa um decréscimo de cerca de 58% no rácio de NPL sobre o total do crédito. O rácio de NPL era de 28,1% (em 2017) e em 2019 fixou-se em 11,8%. Os imóveis que restam em balanço têm um valor bruto de 2,2 mil milhões de euros (1,1 mil milhões líquidos de imparidades). </p>
<p>Limpar todos estes ativos custou ao Fundo de Resolução 2,89 mil milhões de euros (valor da compensação pedida ao Fundo de Resolução, no âmbito do CCA, desde 2017). </p>
<p>Sendo que o Novo Banco foi criado com um capital de 4,9 mil milhões de euros em 2014; recebeu da Lone Star (dona do banco com 75%), em outubro de 2017, 1.000 milhões de aumento de capital, a que se juntam os 500 milhões de euros obtidos no processo de troca de obrigações LME [‘Liability Management Excercise’].</p>
<p>Depois de todos os mil milhões, ainda restam no balanço do banco 4,5 mil milhões de ativos herdados do BES, dos quais 3 mil milhões estão protegidos pelo mecanismo do Fundo de Resolução. Portanto ao fim de todo o capital gasto na limpeza do banco que veio do BES, ainda estão 3 mil milhões por resolver e a proteção do rácio de capital disponível está agora resumida a 910 milhões de euros (de um mecanismo que tinha um tecto de 3,98 mil milhões).</p>
<p>Como foi possível um banco tão grande ter uma tão má gestão de risco? Não sabemos. Mas é um <em>case study.</em></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12629112020-02-19T23:29:00A questão essencial de Centeno passar para o Banco de Portugal é saber se até lá vai fazer a sua reforma da supervisão financeira?2020-02-19T23:30:39Z2020-02-19T23:53:46Z<p><img src="https://zap.aeiou.pt/wp-content/uploads/2017/09/8906ee85e816d4c557746f0393807ff3-783x450.jpg" alt="Resultado de imagem para centeno" /></p>
<p>O cargo de governador do Banco de Portugal ficará disponível a partir do próximo dia 9 de julho e o tema de Mário Centeno ser o seu substituto de Carlos Costa tem levantado polémica. Mas há muita subjetividade na discussão pública.</p>
<p>Um ministro das Finanças pode ir para o Banco de Portugal? Pode. Não vale a pena nomear os vários casos em Portugal ou no Estrangeiro em que isso aconteceu.</p>
<p>Eu diria que tudo depende da motivação leva Mário Centeno a querer ser o supervisor bancário. Se a motivação for boa, porque não? Mas será que é? </p>
<p>Mas o essencial não é isso, essencial é saber se Mário Centeno, ministro, vai acelerar até julho a reforma da supervisão financeira que tanto apregoou, com críticas subtis ao atual Governador Carlos Costa, por quem não morre de amores – reforma essa que retira poder ao Banco de Portugal – ou se vai protelar o assunto até julho, para que não seja o carrasco da sua futura função?</p>
<p>Como se lembram uma das consequências da legislação que Centeno propôs na anterior legislatura a seis meses das eleições, era que retirava poderes específicos ao supervisor da banca. Curiosamente só no final da legislatura teve o processo legislativo, que pretendia implementar desde 2015, pronto para levar ao Parlamento.</p>
<p>Na reforma da supervisão financeira que ficou adiada, há dois poderes do BdP que são retirados da esfera direta do Banco de Portugal. Um deles é a supervisão macroprudencial, de análise dos grandes riscos para todo o sistema financeiro, sendo que o outro prende-se com a autoridade de resolução, o poder de intervir em instituições bancárias. </p>
<p>Previa-se ainda a alteração do mandato do governador - para um período único de sete anos, sem qualquer possibilidade de renovação, ao contrário do regime atual -, bem como havia mexidas nas causas para uma exoneração (mexidas depois de uma legislatura em que muitas foram as críticas do Governo ao governador).</p>
<p>Isto vai avançar se Centeno substituir Carlos Costa? Essa é a questão essencial.</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12628152020-02-04T00:55:00Uma questão de perspectiva 2020-02-04T00:57:07Z2020-02-04T00:57:07Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 772px; padding: 10px 10px;" title="E51AAD24-EA86-4280-BA9F-04914C5558A5.jpeg" src="https://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bc91730f4/21682362_j1qCn.jpeg" alt="E51AAD24-EA86-4280-BA9F-04914C5558A5.jpeg" width="772" height="720" /></p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12623932020-01-08T21:34:00Trump diz que EUA estão “prontos para a paz” com Irão depois de este ter falhado deliberadamente os alvos norte-americanos. O que quer isto dizer?2020-01-08T23:05:37Z2020-01-08T23:23:09Z<p><img src="https://www.dinheirovivo.pt/wp-content/uploads/2020/01/36529420_27966892_WEB-1060x594.jpg" alt="trump irão" /></p>
<p><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">Esta mensagem do discurso de Donald Trump parece-me muito importante. Uma vez que revela o desfecho esperado pelos Estados Unidos deste conflito. Mas a surpresa é que talvez seja também o desfecho esperado pelo Irão. Não do Irão de Ali Khamenei, mas provavelmente do Irão de <strong>Hassan Rouhani. </strong></span></p>
<div class="hidden-content relative">
<div class="mx-3 mx-md-5 article-text">
<section class="article-body">
<div><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;"><strong><span class="titletext">Irão falhou alvos norte-americanos de propósito?</span></strong></span></div>
<div><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">Enquanto Donald Trump se preparava para fazer a <a href="https://www.rtp.pt/noticias/mundo/nao-ha-vitimas-americanas-trump-anuncia-mais-sancoes-contra-o-irao_n1196654" target="_blank" rel="noopener">declaração ao país</a> - o Presidente norte-americano falou mais de 30 minutos depois da hora prevista - <strong>a agência Reuters avançava que o Irão tinha falhado deliberadamente os alvos norte-americanos no ataque que ocorreu na madrugada.</strong></span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">De acordo com a agência internacional, que cita fontes norte-americanas e europeias anónimas, <strong>o Irão quis evitar baixas entre as tropas norte-americanas que estão destacadas em Erbil e Al-Asad, as duas bases norte-americanas que foram visadas pelo ataque. </strong>O Irão terá então evitado atingir determinadas zonas das bases militares de forma a evitar a morte de soldados norte-americanos.</span></div>
<div><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">A Reuters explica que "e<strong>les pretendiam responder, mas não queriam uma escalada".</strong></span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-size: 12pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Isto é apenas uma teoria, não se baseia em nenhum conhecimento profundo de Geopolítica, mas a minha intuição diz-me que a morte de Soleimani dá jeito ao Irão que quer libertar-se o mais depressa possível das sanções dos EUA. Há uma fação do Irão mais ocidentalizada que tem hoje, pós-Soleimani, um caminho mais aberto para um acordo com os Estados Unidos. </span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-size: 12pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">A minha teoria, e só eu respondo por ela, é que o Irão quis livrar-se do maior obstáculo a um acordo com os EUA para pôr fim às pesadas sanções que assolam o país dos persas.</span></div>
<div>
<p><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">Isso explicaria a retaliação cirúrgica do Irão no Iraque, sem vítimas mortais, sem pôr em causa esse caminho da pacificação.</span></p>
<p><span style="font-size: 12pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Um dia se descobrirá que houve mão amiga de alguém do Irão na morte cirúrgica de Soleimani. Um dos terroristas do Médio Oriente.</span></p>
</div>
<div><span style="font-size: 12pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Hoje Trump mostrou abertura à paz, mesmo tendo ameaçado com mais sanções o Irão que já está estrangulado economicamente. </span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">O Presidente dos EUA disse hoje que não vai dar gás à escalada de tensão com o Irão, na sequência do ataque iraniano a duas bases militares norte-americanas no Iraque. Recorde-se que este por sua vez surgiu na sequência da morte do<strong> general Qassem Soleimani, comandante da força de elite iraniana Al-Quds, num ataque aéreo contra o carro em que seguia, junto ao aeroporto internacional de Bagdade,</strong> ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">A declaração do Presidente dos EUA surge na sequência do Irão ter lançado vários mísseis terra-a-terra contra duas bases iraquianas, onde estão instaladas as tropas norte-americanas. A operação “Martir Soleimani” aconteceu nas bases aéreas de al-Asad, a oeste de Bagdad, e em Erbil, no Curdistão iraquiano.</span></div>
</section>
</div>
</div>
<p><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">Ao contrário do que todos os europeus parecem defender, eu acho que o presidente dos EUA sabe o que faz. Aliás logo após o ataque que tirou a vida a Soleimani, Trump veio dizer que com esta morte “estava a acabar uma guerra e não começar uma guerra”. Donald Trump sabia que não estava a desencadear nenhuma guerra mundial, pelo contrário, estaria provavelmente a traçar o caminho para a paz.</span></p>
<p><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">Se dúvidas houvesse, eis que horas depois da declaração de Donald Trump na resposta aos ataques contra bases aéreas norte-americanas no Iraque, o Ministério suíço dos Negócios Estrangeiros relevou que Teerão e Washington trocaram mensagens através de um canal diplomático suíço antes da comunicação ao país. A informação é avançada pela CNN. </span></p>
<p><strong style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">"<a href="https://www.rtp.pt/noticias/mundo/irao-e-estados-unidos-estiveram-em-contacto-atraves-de-canal-diplomatico-suico_n1196678" rel="noopener">De acordo com a CNN, os dois países trocaram mensagens através de um canal diplomático suíço</a>, avança a RTP. </strong><strong style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">Há várias décadas que o Irão e os Estados Unidos não têm representações diplomáticas e recorrem a canais alternativos de comunicação. </strong><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">Segundo a notícia da CNN não se conhece o conteúdo destas mensagens nem quando o contacto ocorreu, mas a informação do MNE suíço surge depois das declarações de Donald Trump.</span></p>
<div class="hidden-content relative">
<div class="mx-3 mx-md-5 article-text">
<section class="article-body">
<div> </div>
<div><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">O presidente dos EUA disse também que o Irão "parecia estar a recuar" e apelou à negociação de um novo acordo sobre o programa nuclear.</span></div>
<div> </div>
<div><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">O Presidente norte-americano não descartou novas ações de retaliação, mas a resposta limita-se, pelo menos para já, à imposição de novas sanções contra Teerão. </span></div>
<div> </div>
</section>
</div>
</div>
<p><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">Trump revelou que Soleimani esteve por trás do terrorismo no Médio Oriente, e treinou exércitos terroristas, incluindo o Hezbollah, no Líbano, e esteve envolvido nas milícias xiitas no Iraque e Afeganistão. Os serviços secretos dos EUA não são de subestimar e conheciam ao detalhe Soleimani e o seu papel na Síria, no Líbano, no Iraque, etc. </span></p>
<p><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">Soleimani era visto como possível sucessor do ayatollah Ali Khamenei, Líder Supremo do Irão, e foi o grande estratega da expansão da influência iraniana no Médio Oriente.</span></p>
<p><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">Mas há quem queira a paz com o Ocidente no Irão. </span></p>
<p><span style="font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 12pt;">Donald Trump disse esta quarta-feira que os EUA estão “prontos para abraçar a paz”. Teerão quer pôr fim às sanções para salvar o país da agonia económica. Hoje esse caminho estará certamente mais perto.</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12621582020-01-03T19:32:00Como a geração floco de neve matou a liberdade de expressão2020-01-03T19:37:39Z2020-01-03T19:37:39Z<p>Temos de tirar o Chapéu ao Observador pela pluralidade da opinião que é ali publicada. Desta vez destaco um artigo de Carlos Miguel Fernandes intitulado <a href="https://observador.pt/opiniao/a-geracao-mais-ridicula-de-sempre/" rel="noopener">"A geração mais ridícula de sempre"</a>.</p>
<p>Nele é explicado que: </p>
<p>"Vivemos hoje sob o ruído infernal da chamada «geração floco de neve», que se caracteriza pela ofensa fácil, intolerância às opiniões divergentes e egolatria<span class="text_exposed_show"> patológica. A multiplicação dos filhos únicos e a obstinada tendência da geração anterior – já por si instruída no maniqueísmo e na intolerância — para insuflar o ego da prole e transmitir-lhe um sentimento de singularidade, só contribuiu para agravar o problema, cuja origem, não obstante, está na educação formal e metodológica, isto é, na escola. Os filhos, hoje, chegam a ser usados como cavalos de Tróia do progressismo que tomou conta do ensino oficial: bem providos de raiva e prédicas moralistas, são enviados para casa com a missão de vigiar e evangelizar os pais que não reciclam, que não comem quinoa, que não dizem «presidenta», ou que, em geral, desconfiam das virtudes do novo marxismo ecocultural."</span></p>
<p><span class="text_exposed_show">Eu não conseguiria descrever melhor.</span></p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12618962019-12-23T12:32:00Our present situation shows all the hallmarks of a prerevolutionary period2019-12-23T12:34:38Z2019-12-23T12:34:38Z<p><img src="https://www.freud-museum.at/files/inhalte/veranstaltungen/Philipp%20Blom%20(c)%20Heike%20Bogenberger.jpg" alt="Resultado de imagem para philipp blom" /></p>
<p>Viewed from a historical perspective, our present situation shows all the hallmarks of a prerevolutionary period: increasing asymmetries between the business models of many societies and the resources they depend on, between rich and poor, between movable capital and local populations, between conspicuous consumption and social solidarity. In societies actively undermining the foundations of their continued existence - both economically and philosophically speaking - the occurence of some kind of dramatic collapse seems to be only a question of time.</p>
<p>Philipp Blom</p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12616302019-12-21T10:32:00O problema de Portugal não é a lei laboral são os maus chefes 2019-12-21T11:24:55Z2019-12-23T12:39:40Z<p>Vem isto a propósito de um artigo que li no meu Jornal Económico, do Pedro Gouveia Alves: "Pessoas felizes desenvolvem um clima organizacional propício à obtenção de resultados. E os resultados motivam as pessoas que os formam. Tão simples quanto difícil e complexo". Tão verdadeiro.</p>
<p>Muito se tem falado do problema das fracas elites e dos maus gestores em Portugal. Há muito bons gestores neste país, mas também é verdade que subsistem muitos maus gestores em Portugal, com métodos de gestão subdesenvolvidos e impreparados. Os chamados gestores por acidente.</p>
<p>A primeira qualidade de um gestor é ter um bom coração, ser bem intencionado, proteger a sua equipa como se fossem seus parentes. Esta é, das qualidades que um gestor deve ter, a mais essencial e a mais inteligente.</p>
<p>Gerir é motivar, defender, impulsionar o desenvolvimento das melhores skills de cada pessoa. É fazê-la sentir feliz no local de trabalho, tal como refere o artigo do Pedro Alves.</p>
<p>Um bom gestor está sempre atento a tudo e só intervém quando é preciso orientar. Um bom gestor é organizado, não deixa nada ao acaso. Um bom gestor não dificulta a comunicação, pelo contrário fomenta-a.</p>
<p>Um bom gestor é um visionário.</p>
<p>Um bom gestor não cultiva desconfiança sobre os membros da sua equipa, não assume posições persecutórias. Pelo contrário fomenta a confiança, o respeito pelo trabalho de cada um dos seus colaboradores.</p>
<p>Nesse aspecto o aperfeiçoamento na lei da questão do assédio moral foi um passo importante no sentido de uma sociedade mais evoluída.</p>
<p>É quase um clássico que os maus gestores queixam-se da lei laboral em Portugal.</p>
<p>Alguns porque vêem a função de gestor como uma função de capataz da roça em que é preciso castigar, como faziam os capatazes das fazendas antigas que imprimiam um clima de medo com o acto de chicotear e de preferência em público.</p>
<p>A outros porque lhes incomoda que a lei laboral os impeça de ter um poder absoluto, o poder substituir pessoas que não confiam por amigos.</p>
<p>Os maus gestores tendem a confundir a sua função hierárquica com a da entidade patronal. </p>
<p>É evidente que a lei laboral está bem feita, isso mesmo tem sido reconhecido pelas confederações patronais e por muitos gestores. Defender o trabalhador é a função da lei laboral, não é defender a entidade patronal. Essa não se defende com a lei laboral mas sim com cortes nos impostos que as empresas têm de pagar ao Estado para contratar e com a redução das comparticipações à Segurança Social. O custo laboral sim é um entrave, não a lei laboral, essa está mais do que justa para ambas as partes.</p>
<p>Agora a lei laboral não pode estar ao serviço da má gestão que procura culpados para tudo. Nem pode ser instrumento de gestores impreparados.</p>
<p>Só os maus gestores é que, para disfarçar as suas fragilidades, tentam impor regras internas que não estão plasmadas nos códigos laborais e no Contrato Coletivo de Trabalho.</p>
<p>A política de mérito é muito importante, mas para ser eficaz e não ser mais um instrumento ao serviço das atitudes persecutórias, a avaliação desse mérito deve ser feito em outsourcing com os mecanismos de avaliação de desempenho feitos por profissionais de recursos humanos. Por métodos quantitativos e qualitativos, recorrendo à análise de conteúdo das respostas subjetivas. Isto é, de forma profissional.</p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12614782019-12-02T23:09:00Estado pode ajudar os media sem comprometer a independência? Pode 2019-12-02T23:36:03Z2019-12-02T23:36:03Z<p><img src="https://juditesousa.pt/wp-content/uploads/2018/04/file-20171219-4997-1gafamn.jpg" alt="Resultado de imagem para media" /></p>
<p>O jornalismo e a informação são serviço público, pelo que não podem desaparecer por falta de rentabilidade. Mas hoje assiste-se a um fenómeno: nunca ninguém gostou tanto de notícias como agora (deve-se isso às redes sociais), mas também nunca tão poucos quiseram pagar por isso. É mesmo um hábito cultural porque mesmo as pessoas com dinheiro evitam ao máximo pagar para ler notícias.</p>
<p>Agora que se discute que papel pode ter o Estado para assegurar o futuro dos media privados, o que eu defendo é que isso é possível se for sobre a forma de medidas legislativas. Como uma taxa como a que existe do audiovisual.</p>
<p>As operadoras de telecomunicações não pagam uma taxa para o setor do cinema e audiovisual? O Governo não recompensa a RTP pelo serviço público de televisão com uma Contribuição para o Audiovisual [a taxa é cobrada na fatura da luz]? Então, porque não pensar numa coisa nos mesmos moldes para salvar os media?</p>
<p>Por exemplo, a conta de telemóvel ou da internet já incluirem no preço uma taxa que dá direito à subscrição de um jornal à escolha do cliente. Porque não?</p>
<p>Podem também haver incentivos fiscais à compra e subscrição de jornais (em papel e online). Ora, se nós descontamos no IRS as faturas dos cabeleireiros, dos restaurantes, das oficinas, porque não descontar faturas de jornais e de subscrição de onlines?</p>
<p>Porque razão as instituições do Estado não assinam jornais? É outra forma de ajudar os media.</p>
<p>São tudo coisas que podem ser feitas sem ter medo de ser posta em causa a independência dos jornais.</p>
<p>Da parte dos privados, a possibilidade de vender notícias avulso, por umas dezenas de cêntimos, através de um click, com o pagamento a ser englobado na conta do fim do mês do telefone, pode ser uma solução.</p>
<p>Depois é preciso um regulador forte e eficaz que seja capaz de impor regras às "revistas de imprensa" e ao clipping. Por exemplo, porque razão as empresas de clipping não contribuem com uma taxa para os media (como medida legislativa)? É outra forma de ajudar os media.</p>
<p>Outra medida possível: incentivos fiscais ou ao nível da contribuição para TSU para empresas de media que contratem jornalistas. Ou medidas fiscais (em sede de IRC) para empresas que anunciem (ponham publicidade) nos jornais.</p>
<p>Há muita coisa que pode ser feita pelo Estado sem comprometer a independência da comunicação social. Um visto gold para não deixar morrer o jornalismo precisa-se! </p>
<p> </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12610842019-11-25T18:24:00Portugal do Eça. Só reconhecemos os nossos depois do estrangeiro homenagear2019-11-25T19:01:23Z2019-11-25T19:20:54Z<p><img src="http://www.abola.pt//img/fotos/abola2015/FOTOSAP/BRASIL/2019/jorgejesus7.jpg" alt="Resultado de imagem para jorge jesus" /></p>
<p> </p>
<p>A homenagem a Jorge Jesus no Brasil acompanhada ao minuto em Portugal, só vem reforçar o quanto os portugueses estão condenados à sua taquenha insegurança. Somos os mesmo que o Eça caricaturava nos seus romances no século XIX.</p>
<p>Desde que o treinador português, que foi do Benfica e depois do Sporting, pôs o clube do Rio de Janeiro, o Flamengo, a sagrar-se campeão do Brasil quando festejava a conquista da Taça Libertadores, que em Portugal se excedem em elogios rasgados a Jorge Jesus. São horas de diretos televisivos, páginas dos jornais, elogios nas redes sociais, exaltações de toda a ordem, comentários nas notícias online. Nem parecem os mesmos que quase o escorraçaram do Sporting, nem os mesmos que o criticavam no Benfica. </p>
<p>Ainda me lembro de eu (sportinguista) ter ficado sozinha numa sala onde homens sportinguistas criticavam fortemente o então recém contratado treinador do Sporting. Não conseguia perceber, eu estava contente com a contração e fiquei mesmo com pena quando o Sporting perdeu Jorge Jesus. Mas os sportinguistas, cegos como sempre, criticaram-no à entrada e à saída. Ainda que os benfiquistas o criticassem eu percebo, foi sentido como uma traição o treinador trocar o Benfica pelo Sporting. </p>
<p>Antes disso, quando se destaca enquanto treinador do Benfica, nem por isso os elogios abundavam. Nessa altura os portugueses nas redes sociais, os humoristas, os jornais, os opinion makers troçavam dos seus pontapés na gramática, do seu inglês de ZéZé Camarinha, da sua vaidade atabalhoada, do seu pensamento genuinamente pouco elaborado, da sua pastilha mascada violenta e grosseiramente. </p>
<p>Quando Jorge Jesus foi para o Sporting, passei a reparar nele, e quando ouvia os seus discursos atabalhoados nas conferências de imprensa pensei, este homem é muito inteligente, e mesmo na sua forma rústica de falar, há ali alguma encenação estratégica. </p>
<p>Jorge Jesus foi rei noutro país, e zás... Portugal passa a estender o tapete encarnado ao treinador. De autor do "peaners" passa a génio, a herói, a orgulho nacional. </p>
<p>Os portugueses vêem mal ao perto e só enxergam bem ao longe.</p>
<p>Assim, ainda bem que alguém reconheceu Jorge Jesus. O técnico português, treinador do Flamengo, foi condecorado esta segunda-feira com o título de cidadão honorário da cidade brasileira do Rio de Janeiro. Jesus tornou-se o primeiro português a vencer um campeonato nacional na América do Sul, ao arrebatar, sem jogar, o título brasileiro pelo Flamengo.</p>
<p>Mas mais uma vez foi preciso o estrangeiro dar o certificado de qualidade para que os portugueses reconheçam o mérito no seu conterrâneo e isso não abona nada em favor do país. Portugal é um país que tem falta de auto-estima e por isso não consegue ser o primeiro a reconhecer o mérito. Os portugueses, como têm medo de arriscar e se comprometerem com um elogio, preferem a crítica e a sátira fáceis. Assim não se comprometem e (pior) não se sentem diminuídos. </p>
<p>Este episódio só reforça a tese que se alguém tenta fazer alguma coisa melhor em Portugal, só encontra críticas, obstáculos, alianças negativas, invejas, adversidades. </p>
<p>Portugueses, libertem-se dessas amarras antigas e não tenham medo de reconhecer genuinamente o mérito no vizinho ou, caso contrário, estarão sempre condenados a chegar sempre tarde aos acontecimentos, tarde à inovação, ao progresso e à mudança. </p>
<p> </p>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12609712019-11-18T22:28:00Mas antes de Milton Friedman veio Friedrich Hayek, economista austríaco liberal2019-11-18T22:51:23Z2019-11-18T22:51:23Z<div class='ljparseerror'>[<b>Error:</b> Irreparable invalid markup ('<div [...] tn":"k"}">') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]<br /><br /><div style="width: 95%; overflow: auto"><div id="js_p1" class="_5pbx userContent _3576" data-testid="post_message" data-ft="{"tn":"K"}"> </div>
<p><img src="https://jornaldoempreendedor.com.br/wp-content/uploads/2016/08/maxresdefault-1.jpg" alt="Resultado de imagem para hayek" /></p>
<p>Friedrich Hayek, economista austríaco, venceu o Prémio Nobel de Economia em 1974 e desenvolveu a sua vida académica em instituições de prestígio como London School of Economics, Universidade de Chicago (onde estudou o atual Ministro da Economia, Paulo Guedes) e a Universidade de Freiburg.</p>
<p>Foi um importante teórico social e filósofo político do século XX, e o seu pensamento sobre como a mudança dos preços comunica conhecimento, o que permite aos indivíduos coordenarem os seus planos, é amplamente considerada como uma das grandes proezas da ciência económica.</p>
<p>A ideia principal do economista era de que a economia deveria funcionar livremente e sem intervenções estatais. De acordo com Hayek, uma direção central (Estado), mesmo que bem intencionado, estaria destinado ao fracasso. Isto porque, como uma economia é muito dinâmica, o Estado nunca poderia tomar as melhores decisões para todos os indivíduos. Dessa forma, as pessoas deveriam ser responsáveis pelas decisões económicas. Sendo que cada pessoa se especializaria onde tivesse maior grau de conhecimento. Assim, segundo o economista, a economia caminharia para o desenvolvimento de longo prazo. A economia se ajustaria, principalmente, de acordo com variáveis, sendo a principal delas o preço.</p>
<p>Segundo Hayek, a principal causa dos ciclos económicos começa a partir de uma sinalização de taxa de juros enganosa (geralmente, juros muito baixos). Por não se constituir a taxa que se formaria em um livre mercado, ela não transmite informações cruciais que deveriam orientar as ações dos agentes económicos. Investimentos que, nesse momento, parecem corretos, serão vistos como má-alocações de recursos no futuro, sendo a recessão a fase de recuperação desses erros alocativos.</p>
<p>Essas questões geraram intensos debates com John Maynard Keynes, o que fez com que Hayek publicasse, posteriormente, o livro The Pure Theory of Capital (1941), e John Maynard Keynes The General Theory of Employment, Interest and Money.</p>
<p>Enquanto Keynes defendia a atuação estatal para conter crises na economia, Hayek defendia o ajuste automático dos mercados. Keynes, por outro lado, defendeu que o aumento de gastos públicos é necessário para elevar o emprego e assim fazer com que a economia retome o crescimento.Na psicologia, Hayek propôs uma teoria da mente humana segundo a qual a mente é um sistema adaptativo. Em Economia, defendeu os méritos da ordem espontânea. Fez trabalhos importantes sobre a evolução social, sobre os fenómenos complexos e a metodologia das ciências sociais.</p>
<p>Fundou a Mont Pèlerim Society com outros liberais para propagar o liberalismo no pós-guerra, entre os quais estavam Michael Polanyi, Ludwig von Mises, Bertrand de Jouvenel, Wilhelm Röpke, Milton Friedman, Frank Knight, Lionel Robbins, Karl Popper e outros pensadores de relevo.</p>
<p>Na América Latina, as juntas militares de Augusto Pinochet no Chile e Jorge Videla na Argentina foram pioneiras na aplicação das teorias económicas de Friedrich Hayek.</p>
<p>O neoliberalismo ganhou importância nas décadas de 70 a 90. A Inglaterra adotou a política neo-liberal a partir da década de 1980 (Margaret Thatcher), com base em estabilidade de preços por meio do controle rigoroso da oferta de moeda; reduzida participação do Estado na economia; mudança nas leis trabalhistas; e amplo programa de privatizações.</p>
<p>Já nos Estados Unidos, o governo de Ronald Reagan promoveu um programa neoliberal bastante extenso, conhecido como Reaganomics, cujas premissas eram: Corte de impostos; Redução dos benefícios sociais; Aumento de gastos com a defesa; e desregulamentação. Muito parecido às ideias de Trump.</p>
<p>No mundo, uma vez que o neoliberalismo já tinha sido implementado nas grandes economias, surgiu a ideia de se recomendar as suas práticas para os países em desenvolvimento como contraparte da ajuda financeira do FMI (Consenso de Washington). Entre as medidas que os países precisavam tomar estavam liberalização financeira; liberalização do comércio exterior;<br />privatizações; controle nos gastos do governo (disciplina fiscal); desregulamentação; e controle da inflação.</p>
<p>Mas Hayek não era cego aos problemas sociais. Foi o autor de um conceito de renda básica universal. A grosso modo, todos os cidadãos teriam direito a essa renda, mas, pessoas com mais recursos a devolveriam por meio de um simples mecanismo de arrecadação: o imposto de renda.</p>
<p>Com uma renda básica universal, os menos favorecidos teriam acesso à uma vida digna, minimizando os problemas de desigualdade. Apesar de não ter sido implementada em nenhum lugar do mundo, alguns académicos ainda acreditam que será adotada no futuro, quando a sociedade se der conta que o crescimento, sozinho, não elimina totalmente o desemprego ou o trabalho precário.</p>
<p><em>Fonte: Wikipédia e outros blogs sobre o assunto (Suno Research e Mais Retorno)</em></p></div></div>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:12607402019-11-18T22:25:00Milton Friedman: o que é o neo-liberalismo.2019-11-18T22:26:26Z2019-11-18T22:26:26Z<div class='ljparseerror'>[<b>Error:</b> Irreparable invalid markup ('<div [...] tn":"k"}">') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]<br /><br /><div style="width: 95%; overflow: auto"><div id="js_p1" class="_5pbx userContent _3576" data-testid="post_message" data-ft="{"tn":"K"}">
<p>Há outra lição a tirar desta explicação de Friedman. É que a condição para o entendimento das fações, dos povos, dos partidos: é o “impessoal”. É isso que faz o <em>free-market</em>, retira a pessoa e as suas emoções (geralmente más) da equação.</p>
</div>
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<p class="sapomedia videos"><iframe style="width: 640px; padding: 10px 10px;" src="https://www.youtube.com/embed/skx8a90xI78" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen" data-mce-fragment="1"></iframe></p>
<p> </p></div></div>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:mariateixeiraalves:1259985António Canavarro2019-11-12T22:05:00É o que temos!2019-11-12T22:14:48Z2019-11-12T22:16:03Z<p class="sapomedia images"><img style="width: 500px; padding: 10px 10px;" src="https://thumbs.web.sapo.io/?W=775&H=0&delay_optim=1&epic=YmJjPtsgcg6tPIDtrjagex3ZuQBtn8KtHsDrZlvphJuMmSjsQXls9CcjXUs7nCFPo8JVzFBzpXmZy7yYzE2vgdr+LoGJJbD5nGNjjpLTVcCoy5Q=" width="500" height="333" /></p>
<p>Para que serve votar em alguns partidos se o direito a terem uma voz na Assembleia da República é limitada ao máximo?</p>
<p>É uma situação caricata e no máximo perigosa para uma “mediana democracia” como é a nossa!</p>
<p>Tenho a sensação de que os políticos portugueses vivem numa lógica de “favas contadas”, i.e., limitando-se aos resultados, esquecendo-se, desde logo, do elevado número de eleitores que se absteve e, principalmente, dos portugueses que escolheram outros projetos políticos, quer gostemos ou não deles.</p>
<p>Durante muito tempo as pessoas (mais ligadas à política) ficaram preocupadas com a emergência de uma força dita de extrema-direita e populista no Parlamento, o Chega. Esquecendo-se de que, com atitudes destas - regimentais – estão a dar pasto para que estas forças cresçam em futuros atos eleitorais. <a href="https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/chega-iniciativa-liberal-e-livre-vao-ter-minuto-e-meio-no-debate-com-antonio-costa!" rel="noopener">Mas é o que temos</a>!</p>