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Aspectos intrigantes da auditoria forense ao BES

por Maria Teixeira Alves, em 05.03.15

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 1 - «A comercialização de dívida emitida por entidades do ramo não financeiro do GES, a clientes do segmento "Private" não deve ser considerada como um incumprimento para efeitos das determinações das Cartas do Banco de Portugal ADM/2014/0016, de 14 de Fevereiro de 2014, ADM/2014/0033, de 25 de Março de 2014 e ADM/2014/0044, de 4 de Junho de 2014, na medida em que estes clientes não são classificados internamente pelo BES no segmento "Retalho"»

2 - A palavra CONFIDENCIAL no documento

3 - Na página 19 do relatório de auditoria especial - WB1 é referido sobre o «Despacho da carta do Banco de Portugal ADM/2014/0016 datada de 14-02-2014» que diz o seguinte: «o despacho da carta do Banco de Portugal ADM/2014/0016 datada de 14-02-2014, assinado por um Administrador do BES, refere o seguinte: "As medidas recomendadas nesta carta respeitam fundamentalmente ao ESFG e ao GES pelo que dadas as preocupações manifestadas na reunião do Conselho de 12 do corrente mês, não se considera justificado distribui-la por todos os membros do CA". O referido despacho menciona que foi dado conhecimento a um outro Administrador do BES.»

Comentários:

Porque carga de água é que os clientes do segmento private banking (portanto os que têm mais dinheiro, os mais ricos) não são considerados clientes de retalho? São institucionais??? E porque raio é que o Banco de Portugal aceita que os clientes de private banking não sejam considerados clientes de retalho? Por acaso não são clientes particulares como os outros? Ou há alguma discriminação ao facto de serem ricos? É que a justificação para não proteger os clientes institucionais (empresas) é precisamente a questão do conhecimento dos instrumentos financeiros e mecanismos subjacentes ao investimento em dívida. Um cliente institucional está habituado a emissões de dívida. Está habituado a analisar balanços de empresas e demonstrações de resultados. Sabe o que é um rating, o que é uma avaliação do risco, etc, por isso tem obrigação de saber que está a investir num título de dívida de uma empresa e dos riscos que está a incorrer. Agora um particular pode muito bem não saber. E tanto faz se tem uma conta de mil euros ou se tem uma conta de 300 mil euros. Não há a meu ver qualquer justificação para excluir estes clientes do "private" da protecção imposta pelo regulador, mas que entretanto que acabou por se desfazer para todos. 

Quanto à palavra Confidencial, é apenas uma gracinha. Apetece dizer que se não tivessem posto o carimbo de confidencial se calhar tinha sido mais confidencial. 

Um último comentário a esta decisão de Ricardo Salgado de esconder dos outros administradores a carta do Banco de Portugal que proíbe o BES de vender dívida do GES no Retalho. «As medidas recomendadas nesta carta respeitam fundamentalmente ao ESFG e ao GES pelo que dadas as preocupações manifestadas na reunião do Conselho de 12 do corrente mês, não se considera justificado distribui-la por todos os membros do CA». Hoje percebe-se que é nesta omissão que reside o cerne de toda a desobediência ao Banco de Portugal para prejuízo de milhares de clientes que foram enganados e por isso roubados.

P.S. Prometo uma análise mais detalhada a todo o documento.

publicado às 13:24


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