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Alguém me explica esta OPA do Caixabank?

por Maria Teixeira Alves, em 19.06.15

Quando o Caixabank lançou uma OPA sobre o BPI, a 17 de Fevereiro, pensei, vem em ajuda do BPI para crescer por aquisições, vem ajudar o BPI a comprar o Novo Banco. Mas logo a segunda maior accionista, Santoro (Isabel dos Santos) se opôs e lança o repto de uma fusão com o BCP. Em que com uma mera operação de troca (ainda estaremos para ver se assim será) fica dona em conluio (aliança, vá) com a Sonangol do maior banco português o tão fadado BCP+BPI. Pensei, lá se vai a compra do Novo Banco, isto vai arrastar-se e não há tempo para comprarem o Novo Banco. 

Isabel dos Santos força a administração do BPI a dizer que o preço da OPA é baixo, 1,329 euros não é suficiente para comprar essa pérola que é o BPI. 

O preço era um bom pretexto para fazer abortar isto. Isabel dos Santos quer o BPI e vai ter o BPI. Até porque precisa de boa reputação bancária e segundo o BCE, Angola não tem boa reputação na banca ao ponto de ser equiparada a risco europeu. 

Isabel dos Santos, ou os que a representavam, desde sempre souberam que àquele preço nunca iriam ser demovidos a facilitar a vida aos espanhóis que estavam no BPI há vinte anos. Mesmo sabendo isso, mantiveram a OPA. 

Isabel dos Santos, ou os seus muchachos, forçaram a votação da desblindagem, para acabar de vez com a expectativa do La Caixa de conseguir ter sucesso numa OPA que precisaria obrigatoriamente da vontade de Isabel dos Santos. Artur Santos Silva ajudou os accionistas históricos do banco que ajudou a fundar. Pediu a suspensão e foi adiado para o dia 17 de Junho a votação da famosa desblindagem, quatro meses depois da OPA. Não valeu de nada. Nada mudou entretanto. Durante estes quatro meses o que esteve o Caixabank a fazer? Não estudou imediatamente alternativas? Porque carga de água é que um chumbo mais do previsível há meses, ainda leva o Caixabank a demorar um dia e meio para decidir retirar a OPA ao BPI?

Mas que absurdo tudo isto. Uma OPA que depende de uma condição impossível para  ter sucesso. Uma teimosia em não contornar o impossível. Mas o mais absurdo é terem deixado arrastar a coisa meses quando afinal se podia ter resolvido em semanas. Assim que Isabel dos Santos disse que não votava a favor da desblindagem, se era para nada se mudar, deixava-se cair a OPA logo.

Depois dá-se a AG que vota a desblindagem. A desblindagem é chumbada tal como era esperado, e a OPA fica a pairar até às cinco e meia da tarde do dia seguinte? Mesmo depois de se saber que não tinha condições de sucesso, mesmo sabendo que não iria ser registada, mesmo sabendo que não havia alternativa, senão a subida de preço e a alteração da condição de eficácia? 

A CMVM recusa o registo da OPA, as acções do BPI caem a pique (6,2%). O Caixabank, que teve meses para preparar um resposta ao chumbo da desblindagem de votos, ainda precisou do dia inteiro (a AG foi de manhã) para pensar no que fazer. No dia seguinte, naturalmente os investidores pensaram que esse compasso de espera só poderia querer dizer que estavam a preparar uma alteração das condições da OPA, pois se era para retirar a OPA diziam-no logo. Já tinham tempo para o ter discuto em todos os conselhos de administração. As acções do BPI abriram a subir, e já ia em 2% quando a CMVM suspende a cotação à espera de facto relevante. O board do banco catalão, reúne-se e discute o desfecho da AG do BPI do dia anterior que teve o resultado mais do que esperado, segundo sei, nem sequer nessa reunião puseram outra hipótese que não a retirada da OPA. Ora se era para isso, volto a perguntar, porque esperaram pelo fim do dia seguinte para o comunicar?

Uma retirada de OPA não exige suspensão das cotações, normalmente, mas isto foi tudo menos normal.

Depois os espanhóis deixam até ao fim do fecho do mercado bolsista em Espanha (que é às seis da tarde deles, cinco de cá) para comunicar o mercado uma informação que não vai mexer com nenhuma cotação do Caixabank, nem tão pouco do BPI; e até porque as acções estavam suspensas. Se era para retirar a OPA porque não comunicaram imediatamente, ou mesmo a seguir à reunião do board?

Como é que se lança uma OPA sem falar com o segundo maior accionista quando se quer pedir uma alteração à blindagem de estatutos? Vai-se para isto sem negociar a sério com a segunda maior accionista, Isabel dos Santos? (Sim eu sei que falaram, mas não foi para chegar a um entendimento com certeza)

Como se mantém a OPA por quatro meses? Como se demora quase dois dias depois da confirmação do mais que esperado chumbo à desblindagem,  para retirar a oferta?

Os tempos mudaram. Longe vão os tempos da lealdade. Longe vão os tempos em que nem uma OPA a sete euros levava o La Caixa a vender as acções do BPI. Mas Gonzalo Górtazar não é Isidro Fainé. Os tempos mudaram. Gonzalo Górtazar só tem um objectivo: rentabilizar o Caixabank, doa a quem doer.

Se tiver de vender tudo fora de Espanha vende. O grupo catalão deu uma oportunidade pagava mil milhões para controlar o BPI mas isso obrigava a que Isabel dos Santos largasse o osso, que é como quem diz libertasse a blindagem dos votos.

O país vai ter saudades da frontalidade destemida de Fernando Ulrich. Todo o sistema bancário terá saudades de Fernando Ulrich. Mas o BPI começa hoje a sua contagem decrescente. Irá ser diluído no BCP, ou vendido a alguém.

Nuno Amado é o próximo grande banqueiro do sistema nacional. Desaparecido o BES, o que restará são dois bancos grandes (sob alçada do BCE) – CGD e BCP – e muitos bancos pequenos que ficarão sob alçada regulatória do Banco de Portugal. 

O mundo muda, as mentalidades é que levam mais tempo. 

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publicado às 00:24




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