Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




O BES usou a conta bancária destinada a reembolsar os clientes de retalho com papel comercial do GES [conta escrow] para pagar a clientes do “private banking”. Além dos clientes com rendimentos mais elevados, o dinheiro destinado a reembolsar os clientes do retalho com dívida do GES, serviu para pagar a clientes institucionais, conclui a auditoria forense ao BES feita pela Deloitte.

Houve "saídas de fundos da conta ‘escrow’ no montante de 739,8 milhões de euros para reembolsar papel comercial da ESI [Espírito Santo International] que era detido por clientes do BES não classificados internamente no segmento de retalho", conclui o relatório. Deste valor, 500,5 milhões destinaram-se a clientes "private" e 239,3 milhões a clientes de outros segmentos. Neste caso, deverão estar em causa clientes institucionais.

As saídas de fundos desta conta constituem a maioria dos actos de potencial desobediência das determinações do Banco de Portugal, com movimentações díspares. Entre elas estão reembolsos de papel comercial da ESI a clientes do BES Açores (52 milhões de euros) ou a clientes do Banco BEST (23 milhões), que também violaram as regras impostas pelo Banco de Portugal. A Deloitte identifica ainda o pagamento de um reembolso antecipado de obrigações da ES Irmãos, através desta conta "escrow", de 74 milhões de euros "detidas por um cliente não classificado internamente no segmento de retalho e custodiadas na SFE Madeira".

Algumas das saídas de contas escrow foram para reembolsar papel comercial da ESI detido pelo fundo Caravela Short Term e pelo ES Investment Liquidity, entre outros.

A auditoria forense conclui ainda que a “conta escrow”, que teria fundos de 1,2 mil milhões de euros, era afinal uma conta de depósitos normal e que a maior parte desses fundos – 739 milhões de euros - foram usados para reembolsar clientes “não classificados internamente no segmente 'retalho'”. Parte do dinheiro foi ainda utilizado para pagar empréstimos bancários contraídos pelo BES junto do BCP e do Montepio Geral. O Millennium bcp recebeu 80 milhões de euros e o Montepio 40 milhões para liquidar empréstimos à ES International, destinados ao reembolso de papel comercial. Isto passou-se em Fevereiro de 2014. 

Também não se sabe exactamente de onde veio todo o dinheiro que constituía esta conta. Parte terá vindo da Eurofin, mas há 358 milhões cuja origem não foi possível apurar, lê-se ainda na auditoria forense. "Não obtivemos documentação de suporte corroborativa sobre a natureza da origem destes fundos, excepto para uma entrada no montante de 81,5 milhões de euros (proveniente de um aumento de capital da Euroaforro)". Assim, "o total de movimentos de entrada de fundos na conta 'escrow' (...) para os quais não obtivemos informação (...) ascende a 358 milhões de euros". Neste ponto são ainda feitos reparos a 400 milhões de euros que entraram na conta "escrow" sobre os quais "não obtivemos informação suficiente que permita concluir quanto à existência de um potencial incumprimento da determinação do BdP". E há ainda, segundo o mesmo documento, "outras entradas de fundos para as quais não dispomos de informação corroborativa" sobre a sua origem, nomeadamente 20 milhões de euros relativos à Eurofin e 23 milhões "que terão origem em papel comercial emitido por uma entidade do ramo não financeiro do GES e subscrito pelo Crédit Suisse", diz o documento.

Recorde-se que a criação da conta para fazer face ao reembolso do papel comercial da ESI colocado em clientes de retalho do BES foi determinada pelo Banco de Portugal a 3 de Dezembro de 2013. Logo que a ETRICC detectou a real situação financeira da ESI. Nessa altura, para isolar o banco dos riscos da ESI, Carlos Costa dá a ordem de serviço ao BES de Ricardo Salgado: «a eliminação da exposição do Grupo ESFG à Espírito Santo International não coberta por obrigações contratuais e garantias avaliadas de forma conservadora e a criação de uma escrow account com uma reserva mínima igual ao remanescente do montante de dívida emitida pela Espírito Santo International e colocado junto de clientes do BES, que deveria ser suportada por cash flows de entidades fora do perímetro do Grupo ESFG».

O supervisor pretendia que fosse constituída "uma conta à ordem (conta ‘escrow’) alimentada por recursos alheios ao ESFG sem qualquer apoio financeiro ou garantia explícita ou implícita de entidade pertencente ao grupo ESFG, com um montante equivalente à dívida emitida pela ESI e detida por clientes do BES na sequência da colocação na respectiva rede de retalho, devendo essa conta ser exclusivamente destinada ao reembolso dessa dívida". 

Resultado: Entre o final de 2013 e Julho de 2014 Ricardo Salgado incorreu por 30 vezes em infracções, incluindo 21 actos contrários às determinações do Banco de Portugal. Destas, 4 são potenciais actos de gestão danosa.

 

P.S. Notícias divulgadas em primeira mão pelo Jornal de Negócios e pelo Jornal I.

publicado às 00:39




Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D




Links

Blogs e Jornais que sigo

  •