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Samba triste.

por António Canavarro, em 08.10.18

 

Os resultados da primeira-volta das eleições brasileiras, e um pouco como tem acontecido um pouco por todo o lado, provam que a sociedade está fragilizada, que a democracia está fortemente ameaçada por cenários políticos cada vez mais “bicolor”. Preto e branco!

As forças políticas mais centrais e de continuidade perderam a sua influência, vendo os seus eleitores a migrarem para outras paragens ideologicamente mais vincadas. A segunda-volta entre um candidato da extrema-direita e um da extrema-esquerda é um bom reflexo disto mesmo. E seja qual for o resultado será sempre mau para um país com a dimensão e importância do Brasil.

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publicado às 12:25

Do justo Nobel a CR7

por António Canavarro, em 06.10.18

 

A entrega do Nobel da Paz a uma escrava sexual e ao congolês Denis Mukwege está bem entregue, e ainda por cima quando o sexo, ou melhor os abusos sexuais estão na moda graças os avanços do movimento #Me Too, até porque, como bem escreve o editorialista do Público, “numa altura em que o mundo desenvolvido se debate com os avanços do movimento #Me Too, esta atribuição é um incisivo alerta para que tenhamos presente que a afirmação do poder através do sexo é milenar, universal e um abismo de horrores que deve passar a ser intolerável para a Humanidade.”

Neste sentido, e como costuma ser o seu apanágio, a entrega do Prémio Nobel da Paz a Denis Mukwege e a Nadia Murad é um lição ao mundo que ainda respeita os valores. E uma chapada a quem acha que através da violência sexual tudo consegue.

Há depois o caso Cristiano Ronaldo e as suas diversas consequências.

Se lermos as acusações, tal como são feitas na imprensa, já que os jornalistas surgem como os guardiões da moralidade no século XXI, CR7 parece estar condenado, moral e civilmente. Pode estar feito ao bife, passando o seu “momento de nojo” atrás das grades em Las Vegas. Se for verdade ele que se lixe. Porém não acredito. É uma conspiração bem urdida contra o nosso grande jogador, a pagar (porventura) as favas por ter saído do Real de Madrid. De facto, e do meu ponto de vista, a história parece estar mal contada, até porque só conhecemos uma versão da mesma: da suposta vítima.

A violação é depressível. É feita mediante a força, numa atitude unilateral. Não estou a ver o jogador de futebol numa atitude semelhante, a fazer sexo à força. A cachopa à boleia do #Me Too tenta a sua sorte, procurando através de uma história com 9 anos, ganhar o “seu” euromilhões.

Shame on you!

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publicado às 13:01

Há músicos e músicos. Ele era formidável.

por António Canavarro, em 01.10.18

Charles Aznavour - 1924-2018

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publicado às 21:34

Google it

por António Canavarro, em 27.09.18

No teatro da existência, vinte anos é já uma vida.

São 20 anos a googlar

 

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publicado às 14:25

 

1| Tenho, com o avançar da idade, questionado a minha existência, sabendo que a única coisa certa é a morte. Com efeito, e tal dizia uma personagem de “O memorial do convento”, nascemos para morrer! Portanto, esta percepção do fim, tornou a questão da minha existência primordial. Não tanto numa visão retrospectiva, porque o passado já lá vai, mas numa perspectiva de presença e sobretudo de redefinição, dos caminhos a serem traçados para que tenhamos a melhor vida possível. Ou seja, estamos na situação de um condutor, que sem um mapa, ou qualquer tipo de orientação, vê-se perante uma bifurcação e o dilema que caminho tomar, sabendo que a sua vida se resolve com a solução deste dilema existencial, ou seja, o que é “preciso de fazer para saber viver”?

Com efeito, é parente a necessidade de escolha, e de orientação, que as filosofias existencialistas, embora com diferentes nuances, ganharam lastro. Por outro lado, e não obstante a individualidade “celular” de cada um, a verdadeira existência individual só ganha dimensão quando inserida num espaço mais amplo. Ou seja, da mesma forma que uma célula não faz o todo, pois um órgão é composto por inúmeras células, a nosso existir só tem sentido quando inserido num campo mais amplo, já que a nossa existência dilui-se também no todo. Por outras palavras: “pode muito bem acontecer que tornar-se objecto para o outro seja condição da minha existência real”. [Jean Lacroix, Crise da Civilização, Crise da Sociedade, Morais Editores, 1968, p.50]

O homem como dizia Aristóteles é um “animal político”. Esta proposição é válida na medida em que todos somos seres sociais. Porque, e mesmo que os nossos actos sejam, de per si, individuais, como comer, tomar banho ou decidir, estes ganham maior dimensão, passando a existir, quando expostos na realidade de que somos parte, quando actores “teatro da existência”: “Expor-nos a nós mesmo, entrar na encenação de si mesmos é sair de si próprio. (…) Expor-nos a nós mesmo numa cena que finalmente se desvela é o maior desejo dos homens” [Aldo Gargani; “O texto do tempo”, Edições 70, p.41]! Só com esta “encenação de si mesmo”, a humanidade salva-se, ou seja, “saindo do eu que era a falsificação da sua vida”. [idem]

Esta ideia é extremamente verdadeira. A história ao longo dos tempos prova que muitas pessoas, num determinado momento da sua vida, e perante as mais diversas bifurcações – mesmo com erros de percepção e arrependimentos – optaram por outras vias. Quantos de nós, quando confrontados com a realidade, não optamos por outros caminhos? A realidade não é uma coisa monolítica, tem outros ângulos, pelo que por vezes se olharmos o mundo de outra forma iremos ver melhor.

A razão só nos é útil se a combinarmos com as nossas capacidades sensitivas!

 

2| O homem é um animal político e a política é uma arte nobre. A política está também repleta dos mais diversos actores. Assim, e através das suas mais diversa práxis, ela é igualmente existencial. Desde logo porque como tem forma e conteúdo as decisões políticas surtem efeito na sociedade.

Na política, como na comunicação ou inclusive na arte, há emissores e receptores, pelo que os espectadores ou, se preferirem, a sociedade civil, deveriam ter direito às suas representações. Isto é, deveriam saber existir e existir em conformidade com o seu papel. E este é precisamente o problema da sociedade civil em Portugal e nos países em que a democracia não é (ainda) perfeita. Há demasiada letargia!  

Tal advém de uma usurpação dos “palcos da vida”, já que os espaços ideias de acção e de sentido de pertença foram usurpados, levando há falsificação da verdade democrática. Dando a ideia absurda que só os partidos são os guardiões dos valores democráticos. Situação contra-procedente e com os efeitos que se fazem sentir na sociedade: o afastamento das pessoas dos ideias democráticos, levando ao abstencionismo, e no pior dos casos à emergência dos movimentos totalitários e/ou populistas.

Com efeito, os partidos políticos usurparam o nosso campo de acção, a coisa pública. Na Sociedade Civil, mas só por motivos de estratégia política, só escapam os sindicatos, que funcionam exclusivamente como braço das organizações políticas!

 

3| A política no entanto não é uma coisa estanque, tipo pronto-a-vestir. Vive das diferenças. Vive de ideias e de ideologias. Nem todos vêem a “res publica” sob o mesmo prisma. E felizmente que assim é. Para que serviria a democracia se fossemos todas ovelhas ou cegos e/ou na esperança que aparecesse alguém com um olho?

A democracia, na realidade, é uma competição que tem como troféu o Estado. Isso é verdade, porque a vida em sociedade é um jogo. Cada um age de forma a maximizar os seus ganhos. É uma verdade desportiva, económica, política, etc.

Politicamente, e já o provei “cientificamente” em alguns testes elaborados para o efeito, sinto-me bem no centro, como comungo dos ideais personalistas, que no nosso país fazem parte da “genética” social-democrata, o que não quer dizer que tenham existido desvios e, inclusive, surjam novas forças a reclamar o seu quinhão.

Sou personalista porque sublinha o papel da parte no todo. Que todos somos agentes da construção da realidade. Que a nossa existência só válida quando formos actores neste teatro a existência, e quando – agora numa perspectiva cristã – tivermos a capacidade de saber amar o outro!

No lado oposto está o intervencionismo, e a banalização do eu. Nesse lado oposto estão aqueles que se dizendo democratas, a democracia tem as suas horas e os seus dias. Em suma, para estes, ela esgota-se nas urnas!

São posições totalitárias que provocam urticária. São partidos que usurparam o nosso espaço de cidadania e agem conforme as suas agendas e a contingência dos seus interesses.

 

4| Um excelente exemplo de personalismo é o associativismo, já que é o espaço por excelência de partilha pela defesa do objecto que a associação promove. Porém, e porque vivemos em tempos de virtualidade, de “existência à distância” e, natural, individualismo, o associativismo está em crise. Ou seja, urge o ressurgimento das ligações sociais, e, consequentemente, da nossa (re)existência.

Do que me é dado a ver, e tenho que naturalmente de condenar, há uma tendência em Santarém, porventura em outros lados também,  da usurpação destes espaços pelas forças política falhadas, e que nestes teatros dão existência aos seus ressabiamentos políticos, e, de a troco de nada, subverterem o que de bom foi feito em prol do associativismo!

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publicado às 12:15

Joana, Lucília e a política

por António Canavarro, em 21.09.18

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Ainda me recordo das utopias. Digo bem das utopias, como por exemplo as inscritas nos conceitos. Acontece que conceitos, e vamos lá esquecer das utopias, são meras "mirabolâncias". Palavras, e nada mais do que palavras. E as palavras só por si nada valem.

Um bom exemplo é o conceito de política, que sendo em si mesmo uma coisa boa, pois é claro que é, na prática funciona como uma competição que tem por troféu o Estado.

Esta ideia que li, há já bastante tempo, na obra de um constitucionalista francês está bem patente na teimosia reinante, e nomeadamente na suposição que sendo poder os partidos políticos – e neste caso o Partido Socialista – são os donos disto tudo!

Isto a vem a propósito da teimosia, do Dr. António Costa, da sua ministra da justiça e, inclusive, do Senhor Presidente da República que os procuradores da república só poderão cumprir um mandato, e o que a meu ver retracta bem o estado caótico da justiça em Portugal. Ou seja: quando a actual, mas já com as malas aviadas, procuradora, Joana Marques Vidal, fez um excelente trabalho no palácio Palmela, e uma vez que não havia nenhum impeditivo legal para a sua recondução, optam pela incerteza que uma nova nomeação acarreta, pondo em risco alguns dos processos pendentes.

Este é um país que não valoriza o mérito!

Efectivamente são decisões como esta - leiam o esclarecedor ensaio de Tiago Fernandes, para a Fundação Francisco Manuel dos santos - que explica a fraqueza da nossa sociedade civil,  e da debilidade da nossa democracia: por cá a “res publica”, ou a coisa pública, é feudo dos partidos políticos, quase sempre marcados por gente sem rosto, que desde as juventudes partidárias nada de mais fizeram de útil para os próprio e, principalmente, para o país!

 

Assim, e para terminar faço minhas as palavras do Dr. Passos Coelho, agradecendo-lhe a sua dedicação à justiça em Portugal!

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publicado às 12:48

Escrito na pedra

por António Canavarro, em 05.09.18

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publicado às 15:22

Pés de barro

por António Canavarro, em 05.09.18

 

Perante a catástrofe, e o fim da História é catastrófico, o incêndio que reduziu a nada o Museu Nacional do Brasil tem esta carga negativa que o fim da história significa.

O único tempo real é o presente, e é nele que o Homem inscreve os possíveis amanhãs. O futuro é sempre uma consequência do que fazemos, aqui e agora. E o passado, as memórias e tudo o que os tempos pretéritos incorporam são sempre um porto de abrigo.

Quando uma parte significativa dessas memórias foi levada pela fúria das chamas, num cenário há muito previsto dá para pensar, como retracta a incúria reinante no Brasil. Um país que até à pouco tempo era tido como uma grande potência regional. Uma potência que o presente demonstra ter “pés de barro”, sem eira e nem beira!

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publicado às 11:07

Sem comentários

por António Canavarro, em 05.09.18

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publicado às 10:52

Respect, a minha homenagem à rainha da música soul!

por António Canavarro, em 16.08.18

Quando soube que Aretha Franklin estava bastante doente, eu pensava que já teria morrido, já que fazia tempo em que não tinha notícias da "rainha da soul" - e não "do soul", como erradamente escrevem.

Não sendo um especialista neste "ramo" da expressão musical dos afro-americanos, é um facto que Aretha Franklin tinha uma voz divinal, fazendo parte da "realeza" musical.

Respect!

 

 

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publicado às 16:20



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