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Há Pessoa. E amo-o profundamente! Pudera - e mesmo num curso de relações internacionais - foi graças a ele, e as diversas conjugações do seu universo, que tive o maior sucesso universitário. Um saboroso 18!
A cadeira era “História e Cultura portuguesa”, o que convenhamos tem sentido, se pensarmos que as relações internacionais é, ou deveria ser, um ninho de futuros diplomatas. E um representante no estrangeiro que desconheça as suas raízes não é – mesmo que seja bom em jogadas diplomáticas – lá grande coisa!
Não sei se um diplomata americano ou russo conheça grande coisa, não obstante as suas dimensões pretéritas, do seu passado. Também, convenhamos, pouco importa! O realismo diplomático, muitas vezes, para não dizer (quase) sempre está nas tintas para o passado. Por outras palavras: se conhecessem os horrores de uma guerra, talvez elas desaparecessem!
Acontece que não quero falar de guerras, nem tampouco da natureza “avariada” da natureza humana, condicionada invariavelmente pela relação espácio-temporal, que salpica os meios de informação de sangue.
O objetivo é outro: a memória, mesmo que esta seja uma pergunta para milhares de euros em qualquer concurso televisivo. Pois é! Todos ouvimos falar de Proust ou da (sua) incansável “procura do tempo perdido”, mas ninguém (ou muitos poucos) o leu! - O mesmo digo eu: aplica-se a Pessoa!
Quantos portugueses – e eu incluo-me nesta (natural) estatística – leram as suas obras ou (inclusive) ouviram falar da sua existência: poucos. Muitos poucos. É o mesmo o que esta realidade nos oferece, ou seja: a cultura chega cada vez mais de um modo indireto, até porque as pessoas, nas suas diversas impossibilidades, e graças ao tempo conhecem a realidade não a conhecendo. Isto é: quantos não foram a Veneza ou dizem conhecer Proust sem saírem dos seus cosmos? Uma wikipedia não vale tudo!
Da minha parte há uma decisão, e depois de ter lido uma edição comemorativa do "Le Poin" a respeito do centenário do célebre escritor francês, procurar o tempo perdido!
Talvez ainda o consiga apanhar!

O Português, sempre que consegue um feito de registo regozija de alegria, como se tivesse regressado aos tempos áureos: mas a História não se repete.
Depois do 25 de Abril, e com uma mão à frente e outra atrás, regressamos à casa de partida e a história foi-se, como o vento a tivesse levado.
Estamos, desde meados da década de 80 na Europa: mais por uma questão de barriga, do que de cabeça, pese embora – e nem devo ser o único a pensar assim – reconheça que o único caminho é mesmo uma rota para o federalismo, desde que este seja um sentimento generalizado. Também defendo – já foi defendido no século XIX – uma União Ibérica. Não com a Espanha, tal qual a conhecemos mas com todos os povos que compõe a Península; era bom para nós, e um “rastilho” para as demais nações europeias – e não “Estados Nação” que compõe o que é hoje a União Europeia, i.e., em que cada um tenho o direito de escolher o caminho a seguir.
Isto vem a propósito de um ensaio, comprado entre 1 quilo de carne picada, 1 litro de azeite e um par pães: chama-se “ Pode Portugal ter uma estratégia?”, escrito por Bruno Cardoso Reis. Só espero que seja suculento: Portugal precisa de uma estratégia, de uma estratégia (ainda não li o livro, que farei numa viagem ao norte) que passa invariavelmente por Bruxelas e os eurocratas.
O ensaio naturalmente tem a chancela da Fundação Francisco Manuel dos Santos

Isto até poderia ser uma comédia de costumes ou lá o que seja. Mas, convém (tem graça) saber que nos exames nacionais o tuga já se safa (e 10, valendo pouco, é sempre 10) em português e em matemática. O que é bem bom? Em tempos de globalização, onde a escrita é a mais abreviada possível, do tipo – e isto é mesmo literal - meter “o Rossio na Betesga, tipo: “pq” em vez de porque, etc! Assusta-me, porém, o insucesso nas provas de filosofia. Ou seja, eles até sabem escrever… mas não tem um pensamento próprio, isto para não falar – o que naturalmente vinha nesses exames, do conhecimento do pensamento dos grandes filósofos.
Em resumo: Eu penso, até sei escrever, mas (logo) vou ter uma má nota! E que falta faz a filosofia - bem mais que a nossa língua ou a linguagem universal dos números - para sabermos viver! Aliás, o que conhecerão os nossos jovens de ética? Se calhar, o mesmo que os seus pais: patavina!
E convém recordar, à boleia de um livro do Luc Ferry, que a filosofia ajuda “Saber viver”! Enfim… nem todos
Este gelado, e os galados sejam negros ou de frutas, caiem sempre bem. É o caso deste "Helado Negro", seguramente uma das boas "iguarias" musicais do ano.
Deliciem-se!
Mas a memória está aqui, dentro de mim!
Tenho sempre uma necessidade, porque a rotina aborrece, de encontrar coisas novas, que me surpreendam. Seja um livro, um filme de preferência independente ou um disco de alguém ou de uma banda para mim completamente desconhecida.
É o caso dos britânicos Far Caspian, que os deixo aqui para o deleite e porque, se tudo correr bem, irão bem longe: foi uma bela escavação sonora.
Quem sabe sabe e, de há décadas a esta parte, Beth Gibbons é uma referencia na cena musical. Primeiramente no trip hop, com o maravilhoso projecto Portishead e, depois, com alguns trabalhos a solo.
Desta feita a inglesa canta - e encanta num registo "mais clássico" - com a orquestra da Rádio Nacional Polaca, interpretando um excerto da sinfonia nº.3 do compositor polaco Henryk Górecki.
Sem palavras. Um génio à solta
