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370º Aniversário da Restauração da Independência de Portugal – Jantar dos Conjurados hoje no Convento do Beato.

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publicado às 18:56


2 comentários

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De António Pereira de Carvalho a 01.12.2010 às 21:42

“...
A rainha Vitória, ao dispersar filhos e netos pelas casas reais europeias, esperava que eles levassem a boa nova do constitucionalismo e do reformismo às cortes e às castas nobres. E mostrava uma visão lúcida da situação social do tempo. Em carta à filha Vitória, princesa da Prússia e mãe de Willy, com quem se correspondia frequentemente, escrevia a 18 de Dezembro de 1867:
«Queria responder às tuas considerações sobre a barreira que separa as classes. Está certo o que escreves [...]. As classes superiores – sobretudo a aristocracia (com algumas honrosas excepções) – são tão frívolas, tão dissolutas, tão egoístas, tão imorais, tão ávidas de prazeres, que me fazem pensar nas vésperas da Revolução Francesa (como me dizia na outra noite o capelão de Windsor) [...]. As classes inferiores enriquecem-se com muito mérito e inteligência e estão demasiado bem informadas – não se podem e não se devem portanto afastar – para se deixarem explorar pelos miseráveis ignorantes bem-nascidos, que só vivem para matar o tempo. A estes, é preciso pô-los de sobreaviso e meter-lhes medo, se não corremos todos para a catástrofe.» (Carta da rainha Vitória citada em Catrine Clay, Le Roi, l’Empereur et le Tsar, les Trois Cousins qui ont Entrainé le Monde dans la Guerre, p.35. Tradução do autor.)

NOBRE POVO
OS ANOS DA REPÚBLICA
Pág. 46, 1ª. edição, de 2010, a esfera dos livros
Jaime Nogueira Pinto


Infelizmente, em Portugal, são muito poucos os “bem-nascidos”, de facto. Depois de 1820, “foge cão, que te fazem barão.” Mas, também infelizmente, são também muitos os que gostavam de ter sido “bem-nascidos”. Não conformados com as leis da natureza, esgravatam tanto quanto podem para parecerem aquilo que não são. Enquanto muitos se perdem nesta indigna e inglória cruzada, outros, “bem-nascidos” de facto, fazem da discrição um valor absoluto e da ideia de servir um ideal, tendo interiorizado desde sempre que todos somos irmãos e todos filhos de Deus e como tal, a sua “sorte”, de que estão plenamente conscientes, dá-lhes uma humildade que os leva a tratar toda a gente da mesma maneira, duma forma genuína e empenhada. Sentem-se portadores de infinitos DEVERES e muito poucos DIREITOS. A legião dos “outros” está mesmo convencida que tem o céu da boca preto (como os cães com grande pedigree), achando que por Graça Divina são efectivamente uma casta superior. Assim, mais jantarada, menos jantarada, conjuram apenas para ver quem é quem, preocupados com um mundo de fantasia que só nas suas cabeças existe. Ao contrário da nobreza inglesa, que se ajuda reciprocamente em centenas de associações e obras sociais, aqui andam todos à canelada uns nos outros.

Como muito bem disse uma vez o Exmo. Senhor D. Duarte, que me merece todo o respeito e simpatia, a aristocracia não está nos títulos nobiliárquicos nem no nome da família, mas exclusivamente no comportamento e como tal qualquer pessoa pode ser um aristocrata.

E por último lembremos a blague que diz que “fidalguia sem comodoria, é gaita que não assobia”.
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De António Pereira de Carvalho a 02.12.2010 às 14:58

Amigo atento e informado alertou-me para a eventual interpretação contraditória que a última frase do meu comentário de ontem podia suscitar, no que concordo em plenitude. Eis um bom exemplo daquilo para que servem os genuínos e aristocráticos amigos que, com a sua discrição absoluta, estão sempre atentos e prontos para uma muito sábia e solidária “correcção fraterna”.

De facto, tal blague nascerá (salvo opinião mais fundamentada) como “arremesso” de uma burguesia florescente que, não sendo “bem-nascida”, mas tendo “comodoria”, aproveitava para amesquinhar aqueles que, sendo “bem-nascidos”, faltava bens materiais, servindo tal comportamento para melhor definir quem os tinha. A aristocracia (ou fidalguia) é exactamente um código moral de conduta.

Lembro que a GENEROSIDADE era exactamente, na Idade Média e ainda na Moderna, a noção mais apregoada e requerida do ser-se fidalgo. O maior fidalgo era o mais generoso e o máximo dela era dar a vida em serviço de um nobre ideal. Portanto, a referida blague entra em contradição com o original e genuíno “fidalguia” que, mesmo sem bens materiais, pode e deve ser uma realidade. Portugal, estando no sul do Mediterrâneo e como tal pobre, nunca teve a riqueza de uma Alemanha, França ou Inglaterra. Como tal, o geral da nossa fidalguia servia e bem, com muitos poucos cabedais. Mas o suficiente para com GENEROSIDADE construir um Império onde fez chegar aos mais derradeiros confins do mundo o nome e a Mensagem de Cristo!

A blague por mim citada é um arquétipo da nossa elite burguesa e liberal. A tal que deu cabo do Império, do nosso país e de quem a rainha Vitória se queixava. Os tais que ainda hoje andam por aí a pavonear-se, procurando apenas o penacho e que, quase todos, nem “bem-nascidos”, nem “comodoria”, nem “código moral de conduta”. Só mesmo as aparências e em coerência e quase sempre, a ausência de qualquer “código moral de conduta”.

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