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No TVI 24

por Maria Teixeira Alves, em 24.11.10

A estas horas deparei-me com uma intervenção inteligente de António Pires de Lima, a propósito da Greve Geral de hoje. Na TVI a convite de Constança Cunha e Sá, António Pires de Lima explicou que Portugal terá de se refinanciar em 40 mil milhões em 2011, e que se continuar a estas taxas (7% ou 8%) estas medidas de austeridade não vão chegar, e se calhar, por muito humilhante que seja, devíamos pensar em pedir ajuda ao FMI porque nos permite financiar a taxas mais baixas. Diz Pires de Lima que estas medidas (tomadas à força por este Governo que se pudesse continuaria a fazer tudo para evitar confrontar-se com a realidade) são injustas porque vão buscar aos salários o dinheiro para pagar exclusivamente a diferença dos juros da dívida.

 

Ou seja, estes sacrifícios nem sequer servem para melhorar a economia. Servem para ajudar o Estado a pagar a exagerada dívida pública que contraiu ao longo do tempo...

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publicado às 02:51


2 comentários

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De António Pereira de Carvalho a 24.11.2010 às 23:05

«...
Num Mundo tão global, nunca bastará ser bom, na certeza de que muitos milhares ou mesmo milhões de seres humanos e de empresas farão pelo menos tão bem como nós. Em algumas circunstâncias, pode mesmo não ser suficiente ser muito bom; resta, como condição de sucesso, a excelência, prosseguida a todo o momento e por todas as formas.
No futuro, como no passado, o sucesso continuará a ter como pré-requisito essencial uma questão de atitude: buscar a eficiência e o rigor, de forma obstinada, inovar, competir, assumir riscos, persistir.
Como recomendava Churchill, a única atitude admissível é “aceitar a sucessão de insucessos, até ter sucesso” – um convite à persistência, à resiliência, à coragem de continuar a assumir riscos, mesmo quando as coisas correm menos bem.
“Aborrecido, é fazer todos os dias a mesma coisa”. Foi dito por Goeth, sem que possamos estar mais de acordo.”»

Belmiro de Azevedo
Portugal e o Mundo 2006
Revista Outlook
Diário Económico de 16.12.2005


António Pires de Lima sabe o que é a "dura realidade da cozinha" e sabe que as VENDAS estão directamente ligadas, por vasos comunicantes, com as DESPESAS, tendo que sobrar algum para remunerar o accionista. Pura e simplesmente tem que fazer contas todos os dias e sabe o custo que o dinheiro tem, sendo de evitar pagar juros... O nosso Cavaquinho bem o disse há uns meses que a situação era "insustentável"... Qualquer MERCEEIRO, sem desfazer na classe, sabe fazer contas. É aritmética, não é matemática.

Há uns largos anos disse-me um psiquiatra amigo que achava que 90% dos portugueses "sofriam de pertubrações mentais, porque só faziam o que não deviam". A factura está na mesa para ser paga.

O último ACT OF GOD que Portugal sofreu foi em 1755!!! Tudo o resto é culpa exclusiva dos índigenas.
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De António Pereira de Carvalho a 24.11.2010 às 23:07

Um esboço da alma “tuga”
(...)
“O «tuga» - não já o das guerras coloniais, mas este de agora que resplandece dentro e fora do futebol – é o «chico-esperto» nacional, o «bimbo» convencido e cheio de manha, videirinho e oportunista, sempre com o fito de fazer dos outros parvos com a sua esperteza saloia. Preguiçoso da quinta casa, mais dado a alhos e amuletos do que a esforçar o corpo e as meninges, julga-se o máximo e põe-se invariavelmente à frente quando se trata de colher os louros por qualquer motivo de festa, mas é o primeiro a descolar quando as coisas dão para o torto.

Tem mau perder, mas a culpa é sempre dos outros e nunca do próprio «tuga», incapaz de reconhecer – e, portanto, de corrigir – os seus defeitos, as suas fraquezas, as suas insuficiências. Às vezes, até, o seu mau carácter. Ignora o que seja disciplina, trabalho colectivo ou interesse comum. «Safar-se» de qualquer forma é o seu lema e objectivo capital.
(...)
A vitimização permanente é a escola de vida do «tuga» e o seu «kit» de sobrevivência: nega sempre os erros próprios e sobrevaloriza os alheios, ou, na falta destes, quaisquer circunstâncias adversas. Sozinho é, em regra, inofensivo e até um pouco medroso. (...) Adquire um espírito de clã que só não chega a ser completamente mafioso por causa dos tradicionais costumes brandos; mas obedece à mesma lógica de encobrimento dos seus pares ou dependentes e de vingança contra tudo o que possa descortinar como uma ameaça à família. Para se livrar de uma embrulhada mente a si próprio e ao mundo inteiro, negando tudo o que for preciso – mesmo a evidência dos factos.

O «tuga» encontra-se um pouco por todo o lado: no trânsito citadino e nas auto-estradas, quer conduza um táxi ou um topo-de-gama; nos cafés e restaurantes ou nos «shoppings» da moda, como cliente ou como empregado; nas empresas e nos ministérios, seja estafeta a prazo ou administrador, seja contínuo ou mesmo ministro; nos partidos e no Parlamento, ora presidente da concelhia ora líder de bancada; nos bancos e nas fundações, nas autarquias e nas repartições, nos hospitais, nos consultórios ou nas bancas de advogados, nos escritórios de «import-export», bem como nos jornais, na rádio e na televisão.
(...)
O bom «tuga» é um fingidor. Mesmo o do futebol, tosco e básico por natureza numa enorme percentagem tem o seu quê de poeta. Alimenta-se de ilusões, vive nas nuvens e, quando a queda é grande, tanto mergulha no desespero como entra no jogo do mata e esfola, desatando aos murros e aos gritos contra tudo e contra todos, o que é outra forma de depressão.
(...)
E, de então para cá, o que fizemos – os que sabem, os que podem e os que devem – para mudar as mentalidades, para aumentar a disciplina, para melhorar a educação, para dar valor aos princípios – em suma, para instruir melhor os «tugas», libertando- -nos desse fardo e lutando contra esse fado?”

Expresso – 22 de Junho 2002, pág. 4, “Preto no Branco”
Fernando Madrinha

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