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Cérebros fogem de Portugal...

por Maria Teixeira Alves, em 24.11.10

O Público põe na primeira página: «A geração mais qualificada de sempre está a deixar o país». Pois pudera, as oportunidades aqui só surgem depois de serem valorizados lá fora...

 

Lembrei-me de uma capa antiga de um jornal que dizia «Cérebros fogem de Portugal» e que acrescento, alguns deixam cá os donos!

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publicado às 01:12


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De António Pereira de Carvalho a 24.11.2010 às 22:47

“Entre nós a mediocridade é ainda decreto e a inveja a portaria que a regula”
Expresso, 16 de Maio de 1992
João Lobo Antunes

“Refugiou-se com unhas e dentes na disciplina da actividade profissional, e foi assim que descobriu que pertencia a uma classe profissional infestada de medíocres, controlada por cobardes e saqueada por oportunistas – ainda por cima, com o pressentimento desagradável de que as outras classes profissionais não seriam assim muito mais dignas do que a sua.”
Clara Pinto Correia, Visão, 9 de Maio de 2002 (página 24, A DERIVA DOS CONTINENTES)

“É preciso lutar pela excelência”
"O grande problema do país é que, em regra, tem objectivos medíocres. Não luta pela excelência nem pelo primeiro lugar. Não tem estratégia nem une esforços.”
Carlos Melo Ribeiro Expresso (Caderno de Economia & Internacional, Edição nº. 1678, páinas 1 e 6) de 24 de Dezembro de 2004

“... Ao contrário do que sucede nos países subdesenvolvidos, os «cérebros» portugueses desejam voltar. Quem não os quer é o país onde viram a luz do dia. As razões são múltiplas, avultando o facto de as universidades nacionais serem organizações burocráticas e o de as empresas serem dirigidas por gente provinciana. E, no entanto, quão proveitoso seria tê-los cá Para o constatar, basta ler a lista das coisas que declaram ter aprendido lá fora: o amor pela competição, o pragmatismo, a ambição, a disciplina, a aceitação da regra do up ou out e a capacidade de correr riscos ...”
Maria Filomena Mónica
28.5.2006


Mas quais cérebros? Mas qual geração mais qualificada de sempre? Como bem disse Augusto Mateus há largos anos, “em Portugal passou-se a valorizar infinitamente mais as certificações do que as competências”. É a tal “cultura” das aparências, puras. 10, 20 50, 100 alunos muito bons, que os há sempre? Ou os milhares e milhares que têm sido enganados de todas as formas e feitios e que foram “apanhados pela irremediável mediocridade indígena”? Entre 1994 e 2001 passaram-me quarenta licenciados pelo escritório. Licenciados em Direito, pela Católica e pela Faculdade de Direito de Lisboa, em Geografia, História, Antropologia, etc.. Não sabem ler, nem escrever, uma incapacidade de concentração brutal, as mais elementares regras de urbanidade faltam... A impreparação para a “dura realidade da cozinha” é total. A ambição é nula. A ideia da “segurança” um objectivo. 98% procuram um emprego, não um trabalho. Mas quantos empresários, dignos deste nome, investem neste caldo de incapacidade, impreparação, impunidade? Mais de 95% do tecido empresarial americano são pequenas e médias empresas... Mesmo quem consiga reconhecimento no “exterior”, dificilmente encontrará em Portugal oportunidades no futuro...

Não temos recursos. Não temos competências. De que estávamos à espera? Ou nos aparece petróleo no Beato ou resta-nos empobrecer gradualmente, de forma irreversível. Sou um optisma realista.

Não percebi o sentido do segundo parágrafo do post.

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