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Manifestação da Família em defesa do casamento

por Maria Teixeira Alves, em 20.02.10

Passava pouco mais das três da tarde, e já a praça do Marquês de Pombal se enchia com os portugueses que são contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Milhares de pessoas (cerca de 6.000 pessoas), visivelmente alegres por estarem unidas numa causa que foi movida pela sociedade civil. A mesma sociedade civil que os jornais chamam de leitores. Os mesmos leitores que os jornais usam como argumento para justificar as suas políticas editoriais. Mas quando a sociedade civil se exprime num sentido contrário ao que agrada aos jornalistas, a voz da sociedade civil já não é tida como argumento.
A Plataforma Cidadania e Casamento, fez um trabalho notável, com poucos recursos e com o "quase" boicote da comunicação social à divulgação das suas iniciativas. É o caso mais flagrante de falta de isenção do jornalismo esta forma como desprezam a opinião da maioria das pessoas em matérias fracturantes. Lembro que quando meia dúzia de homossexuais se manifestaram em frente à Assembleia da República, com cenas a ensaiar casamentos gay, os jornais difundiram imparavelmente as imagens.
Voltando à manifestação que encheu a Avenida da Liberdade, desde o Marquês aos Restauradores. Eram pessoas de todas as idades. De todas as classes sociais, de todas as zonas do país, de todas ideologias políticas e religiões. Impressionou-me especialmente um senhor muito velhinho, que andava com dificuldade, orgulhoso a empunhar um cartaz em que pedia ao Senhor Presidente da República para chumbar a lei do casamento homossexual.
A verdadeira união viveu-se ali. Ao contrário do que alguns canais de televisão quiseram fazer crer, como a SIC, que fez uma peça pouco séria, a tentar colar a manifestação a grupos que são politicamente incorrectos, para a desvalorizar.
Entre as três da tarde e as seis, o temporal que se faz sentir, deu tréguas. Não caiu nem uma gota de água. S.Pedro esteve do lado dos defensores do casamento. As pessoas desciam a Avenida da Liberdade a ecoar que "o casamento é entre um homem e uma mulher". "Salvem a Família. Família é vida". Foi emocionante. Um momento único. E as televisões num claro autismo face aos seus telespectadores, passaram reportagens onde é visível a má vontade contra a iniciativa popular. De repente lembrei-me de Boris Vian: "escusam de ficar incomodados com o lamentável estado da crítica. De uma forma geral os directores dos jornais têm um tal desprezo pelo público, que quanto mais idiota for um rapaz ou rapariga, mais hipóteses terá de ser bem sucedido na imprensa. Requisito exigido: não saber nada".
A frase mais expressiva da tarde saiu do discurso de José Ribeiro e Castro: a família não serve só para a procriação, mas sem procriação não há família. Calem-se os néscios que para isto não têm argumentos.
Adorei ainda ouvir gritar o óbvio, mas que muitos querem negar: "só há dois sexos, não há um terceiro sexo". Às vezes a sabedoria está na evidência.
Mas a humanidade caminha a passos largos para a defesa de práticas que só servem o propósito da extinção. Já Woody Allen disse "a humanidade não descansa enquanto não se extinguir".
Bandeiras, balões, faixas, cartazes. Pessoas bonitas. Não faltou a música. Primeiro os Coldplay com o "Viva la Vida" (durante a marcha), depois já nos Restauradores, o We are family, uma música das Sisters Sledge, de 1979. Por acaso, os homossexuais, na sua ânsia de querer procriar, adoptaram como ícone esta música. Aliás em regra os homossexuais são comovidos por músicas e bandas fracas, com ritmos óbvios e repetitivos. Como as músicas da Madonna, ou temas como "Love is in de air". Mas adiante.
Os membros da Plataforma Cidadania e Casamento fizeram da manifestação uma festa à vida. Isilda Pegado liderou as hostes. António Pinheiro Torres, assumiu-se como um grande líder político, deste enorme partido que é a sociedade civil.
As pessoas não querem o casamento gay. Esta é a vontade da maioria dos portugueses que os políticos querem calar. A liberdade está hoje ameaçada pela ditadura do pensamento único. Propagado pelos jornalistas, classe à qual pertenço, mas como desalinhada. Não adiro a ideias feitas, de suposta modernidade bacoca. Porque, tal como disse Ribeiro e Castro, a família é que é o pilar da modernidade. Porquê? Porque tem futuro. O que é elementar, meus caros.
Durante a marcha avistavam-se de vez em quando figuras públicas. Marcelo Rebelo de Sousa, Manuel Monteiro, Jaime Nogueira Pinto, Zezinha Nogueira Pinto, Dom Duarte, Maria do Rosário Carneiro, Jaime Lavradio. Aqui e ali, um pouco por toda a parte. Alguns padres (poucos). Porque apesar de apoiarem a iniciativa, fizeram questão de mostrar que esta é a opinião da maioria dos portugueses e não dos católicos, exclusivamente. O Padre João Seabra não deixou de estar presente.
Havia militares de Abril que perguntavam pela liberdade que tinham conquistado, que uso e abuso estavam agora a fazer dela.
No meio da confusão, um grupito de 30 homossexuais, ilustres desconhecidos, tentou fazer o contra-poder. Ficaram esmagados pela dimensão da manifestação contra a imposição do casamento gay.
Apelos a um referendo, que o Governo propositadamente negou, e agora percebe-se porquê...
Espero, sinceramente que a Direita, que irá ganhar o poder, reponha o casamento naquilo que ele sempre foi: ainda antes de haver Estado, religião, ou o que for: uma união entre um Homem e uma Mulher. Ganhe quem ganhar, a Direita tem a obrigação de marcar pela diferença. Ou seja de retomar a liberdade de expressão. E esta não pode ser apanágio do jornalismo. Ainda por cima quando o jornalismo se distancia tanto das pessoas. A liberdade de expressão, pilar da democracia, não pode ignorar a sociedade civil.

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publicado às 18:04


2 comentários

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De Paulo Gonçalves Marcos a 21.02.2010 às 12:50

Excelente peça.
Contra a corrente dominante no pensamento das redacções...
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De Escarapão a 26.02.2010 às 15:09

Estava no grupo dos políticamente incorrectos! Houve uma altercação de facto, mas que foi instigada pelo grupo de contra-manifestantes ilegais que de facto conseguiram os seus intentos, pois tinham tipos antes do cordão da organização para picar as bandeiras negras...
De toda a forma foi uma óptima mobilização social.
Gosto de blogue farei por voltar:)
Cumprimentos

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