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Cavaco Silva defende a estabilidade... a sua

por Maria Teixeira Alves, em 19.10.10

Duas notícias de ontem chamaram a minha atenção: o pré-anuncio "oficial" da recandidatura de Cavaco Silva a Presidente da República, feito por Marcelo Rebelo de Sousa (católico e conselheiro de Estado), que revelou que a candidatura será formalmente anunciada pelo candidato no dia 26 de Outubro.

E a notícia que o PSD quer facilitar a dissolução do Parlamento durante os seis meses em que o Presidente da República está impedido de o fazer, tendo para isso o deputado Matos Correia entregue o projecto no Parlamento, no último dia para a apresentação da propostas de alteração da Constituição. Esta alteração pretende permitir que o Chefe de Estado dissolva o Parlamento nos últimos seis meses do mandato presidencial, face a uma "grave crise institucional" que exija que sejam asseguradas a "estabilidade ou o regular funcionamento das instituições democráticas".

 

Na primeira notícia o objectivo é pôr os católicos de bem com Cavaco, coisa que não estão depois de este senhor ter recebido o Papa com palavras belas e depois aprovado o casamento Homossexual, não sem fazer um discurso paternalista para limpar a consciência.

 

No segundo caso a finalidade parece ser a de dar uma última oportunidade ao Presidente de destituir a Assembleia da República nos próximos tempos e convocar eleições antecipadas na esperança de correr com o PS do Governo e pôr lá o PSD.

 

Mas quererá Cavaco Silva pôr mesmo Passos Coelho no Governo? Eis a grande questão. Quererá Cavaco ser chefe de um Estado que tem um "suposto" aliado político no Governo (ainda por cima que sendo do PSD, não é das suas lides mais próximas)? Que protagonismo cabe a Cavaco num Governo assim?

 

Quererá mesmo Cavaco que Sócrates saia do Governo?

 

Eu diria que não.

 

Cavaco quer manter o status quo e nada melhor que o actual primeiro Ministro para que o Presidente mantenha o protagonismo que tem tido, com os avisos à nação que não tem parado de fazer. Até a campanha da sua candidatura serve para o destinguir do chefe do Governo. Cavaco já fez constar que será uma campanha minimalista, a condizer com a conjuntura da crise.

 

Cavaco quer um Governo mal comportado, para poder dar reprimendas em público e depois sair em defesa do Governo em nome da estabilidade governativa. O bom diplomata, que apesar de estar contra não cria dificuldades ao Governo. Que bem comportado Cavaco!

 

De que serviu tantos apelos e diplomacias, pergunto eu? Para que estejamos hoje às portas da falência.

 

O que o nosso Presidente da República quer é sopas e descanso ... mas sem abdicar do seu estatuto na sociedade.

 

 

publicado às 11:01


3 comentários

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De António Pereira de Carvalho a 19.10.2010 às 13:32

"O SAGRADO NÃO PODE SER TRATADO COMO UM NEGÓCIO." EMPÉDOCLES Agrigento , 495/490 - 435/430 aC ).

Em relação a um qualquer político americano era dito uma coisa que se aplica ao nosso Cavaquinho e à sua Maria. "Saíram de Boliqueime, mas Boliqueime não saiu de dentro deles". Simpatizo muito pouco com Cavaco e não votarei nele mas, apesar de tudo e relativizando, penso que é dos menos maus que vamos tendo nesta nossa classe política e não só que, como magistralmente afirma Vasco Pulido Valente, "A elite local envergonhava a República Dominicana", dizendo recentemente Miguel Veiga que "há muito pouca gente decente em Portugal" no sentido anglo-saxónico do decency . Só por pura ilusão do imediatismo se pode querer ter o Prof. Marcelo por perto. A condição humana esquece-se dos ensinamentos mais básicos dos clássicos como William Shakespeare quando afirmava que “o Diabo, quando quer que acreditem nele, até é capaz de citar as escrituras”. E no outro dia aprendi que “vale mais O NADA de Deus, que o caviar do Diabo”.

Mas acabemos com um génio bem português: “Não há também a mais ténue convicção sobre o que deve ser uma vida a sério (excepto chegar cedo ao dinheiro e à fama) ou sobre o destino colectivo (porque a «política» se tornou num leilão de promessas e num espectáculo torpe). O orgulho e o prazer do trabalho bem feito só subsistem entre alguns, muito poucos, privilegiados e nem sequer nos resta um módico de responsabilidade cívica. Acabámos no vácuo.”

Vasco Pulido Valente, Diário de Notícias, 25 de Junho de 2000 (FAZ DE CONTA)
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De francisco domingues a 22.10.2010 às 10:30

Cavaco ou outro qualquer não importa! Ocupam o cargo, falam alguma coisa e não fazem nada de útil para o país! Se não fosse utópico, diria que devia ser mais um posto a suprimir no próximo OE! Já viram quanto de despesa pública se evitava? Aliás, qualquer empresa faz o rapport entre dinheiro investido e produtividade. E o que é que o presidente, com toda a sua enorme, luxuosa e dispendiosa comitiva (esposa incluída!) produz? - Nada! Absolutamente nada! Então, extinga-se e teremos mais uns milhões para atenuarmos a dívida pública!...
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De francisco domingues a 22.10.2010 às 10:36

As minhas desculpas pelo lapso:
Convém que fique Cavaco! Será menos uma reforma a pagar a um qualquer outro que ocupe o inútil lugar e menos postos de "trabalho" a criar para os amigos que partem e os novos que entram!...

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