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Recordar uma crónica do Corta-Fitas

por Maria Teixeira Alves, em 21.02.10
Terça-feira, 24 de Junho de 2008
Dominó
Se há asserção nietzschiana a que não cedo é a de que não há factos, só interpretações. Mas ela já inspirou muita gente e continua a inspirar, em particular a minha amiga Maria Teixeira Alves que lançou ontem no Grémio Literário o livro “Terramoto BCP”, a história interpretada da crise do banco que foi de Jardim Gonçalves. O certo é que, na apresentação da obra, o professor de gestão João Duque fez uma interpretação no mínimo hilariante do que conta a Maria e que nada tem a ver com a escrita folgada e não simbólica que ela utiliza. Mas João Duque, talvez para se divertir com Nietzsche, viu na história contada pela Maria “uma mensagem encriptada de vitória da luz sobre as trevas, dos socialistas maçónicos sobre os prelados do Opus Dei”. Diz ele que “há um reconhecimento de uma vitória de uns sobre outros, mas sem exaltação ou júbilo”. E acrescenta, com as próprias palavras da Maria, “a justiça tomou o lugar do amor; a razão o lugar da fé”. “Quereis mais?”. Mesmo que não quiséssemos tivémos. “Recordo que é nas instalações do Banco de Portugal que, de acordo com o relato da autora se dá corpo à hipótese de Carlos Santos Ferreira vir a ser eleito o presidente do Conselho de Administração do Millenium BCP. Ora o BP é precisamente a instituição que detém a única Igreja da Baixa lisboeta que foi reconstituida pelo Marquês, pelos arquitectos Eugénio dos Santos e Mardel, com a traça que respeitava a rectangular e cripto-maçónica, ao contrário das outras que se construiram segundo o formato clássico da cruz latina. É pois nas instalações do Banco de Portugal que se decide a solução do Carlos Santos Ferreira, e passo a citar, “que é socialista e anti-cristo”. Não sei o que é que a Maria interpretou da interpretação de Duque. Mas ouvi-a, é um facto, dizer logo a seguir o seguinte: “Quando escrevi este livro tinha-lhe dado um título que reflectia melhor o conteúdo – Dominó. Dizia que tinha chamado a esta história dominó porque a convulsão por que passou o banco foi o resultado de pormenores, como quase todas as grandes crises. Pequenos conflitos, pequenos orgulhos que assumiram proporções devastadoras. Na minha opinião não houve uma arquitectada estratégia de conquista de poder. Essa estratégia foi crescendo à medida que os acontecimentos iam tendo maior dimensão, e à medida que havia mais oportunidades. Um conflito levou a outro, uma ambição levou a outra e de repente num efeito dominó incontrolável atacou as estruturas que fundaram o maior banco privado português”. Pois é, Maria, o problema das interpretações é mesmo o efeito dominó que têm. Por isso prefiro ater-me ao facto de que o livro está aí nas bancas para ser comprado e lido. O que já li dele gostei.

Isabel Teixeira da Mota

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publicado às 18:51




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