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Não consigo deixar de lamentar quando olho à minha volta e o que vejo, na minha geração, são pessoas, amarguradas, traumatizadas, inseguras, vaidosas, calculistas e narcisistas, moralistas, e depois cheias de manhas nas explicações que dão a si próprias e às outras.
Não há nada de espontâneo. Com os anos a espontaneidade passa a ser apenas uma pose (e uma das mais eficazes). Já não há nada de puro. Ninguém se fascina com o outro depois de o ouvir falar ou rir. As pessoas fascinam-se pelos sinais exteriores de poder. É a futilidade do poder e da vaidade que dita o destino.
Todos desconfiam uns dos outros e bem assim do amor. Desconfiam de uma coisa estranha, do valor da pessoa. Uma lógica de mercado aplicada ao amor ao próximo. O primado da razão e do cálculo. Teremos cada um de nós que começar a ter ratings e certificados de qualidade, pois que até o amor passou a ser um mercado de cotações?.
No outro dia olhei para um grupo de miúdos de vinte anos, que dançavam sevilhanas e cantavam, e senti-me em casa ali. A maneira como se divertiam, como se abraçavam, como se encantavam com uns com os outros, a maneira como são felizes por estarem juntos, fez-me sentir confortável. Será que isto faz de mim uma figura cómica ou uma figura trágica? De repente assustei-me, porque pensei que provavelmente não encontraria esse amor, essa minha casa, nos meus pares. Porque o tempo passou e as suas almas oxidaram.