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O fim da espécie

por Maria Teixeira Alves, em 17.06.10

Na edição de hoje, dia 17 de Junho, do Público deparei-me com um bom, perspicaz e inteligente artigo de opinião de Pedro Lomba, jurista e meu amigo no Facebook. O artigo tem o poético nome de A Mãe das Crises.

Diz Pedro, que se o escritor de ficção científica Philip K. Dick vivesse ainda, já não precisaria da sua imaginação para distorcer o futuro. "Esse futuro que nas histórias de Dick parecia delirante está agora bem plantado à nossa frente, no tempo útil das nossas vidas.

Consultando as estatísticas ficamos inteirados da boa nova: a longo prazo, não estaremos mortos. Estaremos extintos".  Eis uma verdade revelada nos números do INE, também citado no artigo de Pedro Lomba: em 2009 tivemos mais óbitos do que nascimentos. É sempre bom lembrar que este foi o ano em que o aborto se encontra em plena liberalização.... a legitimação da homossexualidade como regra da humanidade deu o seu primeiro passo este ano, sob a pena de Sócrates e a benção de Cavaco Silva. Pelo que, se antevê mais mortos que bebés nos próximos anos estatísticos.

Continuando no artigo do Pedro: "muita gente tem alertado para o declínio demográfico que ameaça o mundo ocidental como o conhecemos. Esse declínio demográfico converteu-se no primeiro problema para o nosso modo de vida nos últimos 60 anos. Até temos algumas ideias de como devemos enfrentá-lo, mas hesitamos, em parte porque estamos sobretudo focados noutras pragas (as alterações climáticas, a especulação bolsista)" – lembro a este propósito, as palavras de Bento XVI, "se queres preservar a natureza [nestes tempos em que se empunha a defesa do ambiente como bastião da superioridade moral] preserva a criação" – noutra parte (continua Pedro) porque ainda vivemos na doce ilusão de arranjar maneira de salvar a nossa pensão de reforma".

O que faz ponte com outra tendência pós-moderna: a política do nosso umbigo, cada um por si.

"No entanto, comparado com o meteorito que será os países europeus ficando aceleradamente sem população, tais preocupações parecem menores ou acessórios. Se não houver gente, faremos o quê? Em 2003 a idade média na Europa era de 37,7 anos. Em 2050, segundo um estudo da Brookings Institution, essa média rondará os 52,3 anos (...). Praticamente todos os países europeus sofrerão baixas acentuadas nas suas taxas de população". Pedro diz ainda que "daqui a 40 anos viveremos na sociedade mais envelhecida que provavelmente existiu na história do mundo. os novos serão minoritários (...) e sabem o que acontece às sociedades dominadas por anciãos? Mais cedo ou mais tarde definham".

 

Agora vejamos como Pedro Lomba alerta para outro problema, que se vai cruzar com a guerra religiosa-cultural entre o ocidente e os países muçulmanos. E que eu achei absolutamente oportuno, num momento em que os países ditos tolerantes (os europeus) proíbem os véus muçulmanos nas pessoas muçulmanas, e que os usam voluntariamente, por muito que isso custe aos Dom Sebastiões da tolerância. Já pensaram as mulheres se fossem proibidas de usar brincos por ser considerada violência um furo na carne?

Bem, mas continuemos no artigo do Público: "Ao mesmo tempo, eis o que tem acontecido: as taxas de fertilidade do mundo muçulmano têm continuado o seu ritmo imparável. Desde 1970 que têm sido responsáveis por grandes subidas da população mundial. Há hoje muito mais muçulmanos na Europa vivendo como muçulmanos, isto é, conservando os seus hábitos religioso e rejeitando o secularismo ocidental. Essas tendências da natalidade não-ocidental suscitam também conspirações de poder em torno de uma suposta arabização da Europa."

 

Ou seja, os muçulmanos escusam de estar preocupados com os braços de ferro com o mundo ocidental (cristão?), porque o mundo ocidental sucumbirá por força das suas teses e filosofias pseudo-tolerantes. Enquanto a Europa está distraída a ser moderna: criar opções sexuais; perverter a realidade natural; promover a guerra dos sexos (diferentes); defender a liberdade do homem como arma contra a natureza; com o culto do corpo e do mito da eterna juventude. Enquanto a Europa se regozija com o seu narcisismo psicótico, enquanto se faz dos SPAs os ideias de felicidade, os muçulmanos amam-se e procriam. Eu acrescentaria aqui os chineses. Enquanto o diabo esfrega um olho, a Europa será povoada por outros povos, e será o crucifixo o símbolo minoritário proibido.

 

Diz o Pedro. 2200 0u 2300, falarão aqueles que viverem nessa altura daquilo que nós fomos, tal como nós falamos da civilização maia ou dos romanos? Um dos grandes paradoxos da Europa é que nenhum outro recanto do mundo ofereceu tanta afluência e bem-estar às suas populações para que cuidassem da sua própria subsistência e renovação. A Europa é que deveria ser, e em certo sentido até se imaginou dessa forma, o verdadeiro «fim da história».

"Mas a anatomia europeia explica bem porque é que a afluência económica e o bem-estar social não chegam para manter uma cultura". E agora digo eu, aos ateus deste mundo, «são precisos os símbolos, é preciso a fé». Para além de ser preciso a procriação! E para esta haver tem que se cultivar o amor, homem/mulher. A verdadeira tolerância que é preciso defender, é a tolerância entre os sexos. Sem que cada um continue a procurar satisfazer-se a si próprio num hedonismo disfarçado de liberdade (porque a grande liberdade está em prescindirmos de nós por amor ao outro.)

 

Pedro Lomba acaba citando um historiador inglês (Toynbee): «as civilizações morrem por suicídio, não por assassinato». "E é certo na história das grandes civilizações que a seguir à decadência vem a extinção. A crise demográfica é a mãe das nossas crises". Bem dito, Pedro!

 

 

 

publicado às 13:05


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