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Agustina, who else?

por Maria Teixeira Alves, em 28.08.21

"Este país em que vivemos é um 'quintalório' como dizia o Aquilino Ribeiro, e continuará a ser enquanto não deitarmos os nossos muros abaixo".

Agustina Bessa Luis sobre a reação à sua liderança do Teatro Nacional D. Maria II

 

publicado às 00:32

Fragmentos

por Maria Teixeira Alves, em 25.08.21

IMG_2246.JPG

No dia que escolhi para me despedir de ti o sol escondeu-se. Era daqueles dias em que o Verão, já cansado, faz uma pausa para recuperar forças.
Corria um vento fresco quase frio e o céu carregava uma cor acinzentada.

O dia todo imaginei o momento em que receberias uma mensagem cuidadosamente pensada nos últimos dias. Decidi mandar por escrito e pensei em enviar uma mensagem gravada, porque a voz é imprescindível. Li-a um sem número de vezes em voz alta. Corrigia-a várias vezes. Queria que fosse uma mensagem de despedida memorável, mas desprovida de tragédia. A gravação não correu bem. Apaguei. Ficou apenas a carta escrita. Já está. Despedi-me. Fechei a porta que teimava em fechar-se. Morte súbita. Bebi três tragos de whisky puro, que arde na gargante e adormece a alma, para me anestesiar.

Depois saí de casa para os meus afazeres. A distração tem um papel fundamental na digestão da tristeza. 

Por ironia cruzei-me contigo. Eu de carro e tu a pé. Vinhas com os cigarros na mão, imaginei-te numa urgência a comprar cigarros depois de leres a mensagem. Vi que me viste, olhaste-me duas vezes de soslaio. Pela primeira vez fingi que não te vi. Os meus óculos escuros permitiram-me ver sem ser vista. Não me doeu. Estava anestesiada. A minha mensagem de despedida libertou-me, ainda que tenha deixado um rasto de tristeza que apesar de tudo é mais fácil de lidar. Acabará por passar.

Há coisas que estão predestinadas a ser temporárias. Nós eramos uma dessas coisas. Ambos sabíamos, só fingiamos que não era assim.

publicado às 00:11

Depois dos factos os argumentos são necessários

por Maria Teixeira Alves, em 21.08.21

1) A realidade do Portugal socialista é que a pretexto de uma pandemia se engorda o Estado para "vender" o sucesso da recuperação de emprego, como muito bem notou este jornalista do Dinheiro Vivo/DN. 👇

Criação "impressionante" de emprego assenta em subida recorde de funcionários públicos

Sem a criação de empregos substancial conduzida e decidida pelo governo, emprego total tinha colapsado em Portugal. Podia ter caído quase 3% em vez de subir 4,5%.

 

2) Sobre o tema do momento, as vacinas Covid, relato aqui o testemunho do economista Ricardo Arroja no Twitter:

 
Não está em causa o mérito inegável do Vice-Almirante Gouveia e Melo para coordenar a vacinação. Louvo a sua organização e método. Mas as pessoas exaltam um saudosismo do poder militar ao elogiarem o Vice-Almirante de uma maneira quase obsessiva. No fundo há nos portugueses um saudosismo do poder militar que pode ser justificado pela preguiça de pensar pela própria cabeça.
Depois eu gostava de lembrar que as vacinas não são obrigatórias, no entanto institui-se o obrigatório pela via da censura moral e social. Não faltam policias morais de boas práticas nas redes sociais e meios de comunicação social. Isto não é só em Portugal, também nos EUA pululam os policias morais dos outros. Era mais honesto exigirem a vacinação obrigatória do que andarem em caça às bruxas às pessoas que não se vacinaram, quando a lei não o obriga.
Em Portugal censura-se nos bastidores, queimam-se os nomes de quem não pensa pela bitola da moda. Não é muito diferente dos que mandavam para a fogueira quem pensava de maneira diferente, com a acusação de "bruxa", ou dos que crucificaram Cristo porque quis difundir uma nova ordem. É até mais hipócrita porque a coberto de uma política de tolerância praticam-se as maiores intolerâncias.
 
 
3) Sobre as relações humanas e nesse roteiro de amigos perdidos que coleciono, cito a escritora que melhor retratou a alma humana, Agustina: "o mundo é sublime de tentação, de insignificâncias mercadejáveis, de silêncio ruidoso, atroador".
 
Um dia Agustina escreveu a Ferreira de Castro e disse-lhe "pense coisas belas dos Homens ainda que eles não as mereçam".
 
Depois dos factos os argumentos são necessários. "Não há factos. Só interpretações", dizia Nietzsche. 
 
 

publicado às 19:33



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