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Vergílio Ferreira: Na Tua Face

por Maria Teixeira Alves, em 22.02.21

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publicado às 17:55

As empresas de resíduos e os vírus alimentares

por Maria Teixeira Alves, em 21.02.21

Resultado de imagem para aquacultura china

No outro dia, numa conversa de circunstância sobre uma empresa portuguesa, foi-me revelada uma trama envolvendo algumas empresas (por esse mundo fora) de resíduos animais, e que me levou a associar a estes vírus perigosos de origem alimentar, que ameaçam o mundo atual.

Não é, claro, nenhuma teoria científica, e não passa de uma ideia intuitiva, mas que não é descabida de todo.

Dizia-me então um amigo meu que as empresas que em todo mundo atuam na gestão ambiental de produtos de origem animal, são facilmente focos de "corrupção", caso a gestão delas não seja séria.

O que fazem essas empresas? Têm duas atividades. Por um lado recolhem as carcaças de animais mortos e incineram-as (estamos a falar de todo o tipo de animais - vacas, vacas loucas, ovelhas, porcos, cavalos, baleias, etc). Essa atividade é um serviço público e como tal é pago pelos Estados. Essas empresas recolhem todos os animais mortos de grande porte, independente da causa de morte, e transformam as suas carcaças em pó. Esse resíduos são no entanto considerados de elevada perigosidade pelo que não podem ser comercializados, razão pela qual é o Estado que paga esse serviço.

Essas empresas têm ainda outra actividade, essa sim é um negócio lucrativo, que é a recolha de produtos de origem animal em vias de passar o prazo de validade, nas cadeias de retalho ou nos estabelecimentos grossistas. Esses produtos são incinerados e, dado que não são resíduos perigosos, dessa incineração resultam farinhas que depois são vendidas para rações alimentares (para animais e peixes).

Um dos principais objetivos das políticas de resíduos passa por garantir que os resíduos têm um fim adequado reduzindo assim os riscos para a saúde humana e para o ambiente. Assim, é fundamental que os resíduos sejam devidamente separados e classificados na origem, para que o seu destino final seja o mais adequado.

Mas o que se passa na sombra, segundo o meu amigo, é que há empresas que vendem as farinhas resultantes da primeira atividade, e assim recebem duas vezes pelo mesmo produto. Os Estados pagam para eliminarem os animais mortos e há empresas que exportam essas farinhas (resultantes de resíduos de nível de perigosidade elevado) por preços baixos, a produtores de gado, de aves, de peixes e mariscos de aquicultura. Alguns mercados asiáticos são, alegadamente, compradores dessas farinhas, que sendo proteína engordam os bichos, ao mesmo tempo que introduzem riscos na cadeia alimentar.

Isto não tem nada de científico, nem resulta de uma investigação jornalística, mas não posso deixar de associar esta conversa à notícia, que li recentemente, de uma equipa de peritos da Organização Mundial de Saúde (OMS) que esteve a investigar as origens da covid-19 e que para isso visitou o mercado de Huanan, o centro de venda de peixe e marisco a retalho, na cidade chinesa de Wuhan onde o novo coronavírus foi detectado inicialmente.

Parece que os peritos estão a chegar à conclusão que o vírus pode ter chegado à cidade através das instalações da rede de frio de um mercado de peixe e marisco da cidade, já que esse mesmo mercado, o de Huanan, foi um dos primeiros focos de transmissão.

Aquicultura contaminada com resíduos de nível de perigosidade 1? Não consigo deixar de pensar que as duas coisas estão ligadas.

 

publicado às 00:50



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