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Carlos Costa: a vida e as polémicas do governador do BdP – O ...

Atentem ao facto de a crise do coronavírus poder culminar numa crise de dívida soberana que pode quebrar a zona euro.

Vejamos. Os países têm carta branca para se endividarem para ajudar as empresas e a economia, mas nem todos os países da União Europeia têm um rácio de dívida pública sobre o PIB com folga. Itália, por exemplo, tem um rácio de dívida de 135%, Portugal tem um rácio de 118%. Se aumentarem a dívida (e vão ter de a aumentar porque as despesas que se preparam para assumir são muitas), quando descobrirem a vacina para a Covid-19, os países vão estar de tal modo endividados que as agências de rating não têm alternativa senão baixar o rating. Voltar a rating lixo é a mesma coisa que deixar de conseguir financiar-se a juros baixos. O défice vai ser ainda mais agravado. 

O risco de default tornar-se-ia elevado. O caso de Itália (um amigo meu da área dos mercados chamou-me a atenção para o risco de Itália se tornar numa segunda Grécia e não conseguir pagar a dívida) é paradigmático. Pode entrar em default, ou fazer haircut da dívida soberana, e com isso traumatizar os mercados e criar um clima de desconfiança em relação à União Europeia. No limite pode acabar com Itália a querer sair da zona euro, e estamos a falar de uma das maiores economias da zona. 

Portugal, por sua vez, não está preparado. Não foi feita a reestruturação que era precisa e a economia cresceu à conta dos serviços (turismo e restauração). Tudo coisas que demorarão algum tempo a voltar ao normal. A poupança dos portugueses continuou muito baixa e o crédito estava a ganhar um novo boom. 

Antevêem-se tempos negros para a economia europeia. Por isso o Governador do Banco de Portugal tem defendido em todos os jornais a emissão de dívida pela zona euro para ajudar a economia dos estados-membros vítima da pandemia.

O Governador do Banco de Portugal tem defendido a emissão de dívida mutualizada dentro da zona euro, as coronabonds. Sem as obrigações emitidas pela zona euro para financiar a resposta à crise, haverá uma crise sem precedentes na zona euro, a nível económico e político.

Esta dívida deveria ter maturidades longas, caso de 30 anos, de modo a “diluir o impacto nas contribuições anuais dos Estados-membros” para a amortizar, defendeu também o Governador.

Carlos Costa considera que a emissão de dívida é a única ferramenta financeira de que a comunidade europeia dispõe para responder aos efeitos da pandemia de Covid-19.  

 O Governador já disse que é bem-vinda a flexibilidade orçamental da Comissão Europeia (Bruxelas anunciou que libertava os países de cumprimento das metas do défice), mas que tal não é suficiente, uma vez que cada Estado-membro tem uma margem orçamental diferente (desde logo pela dívida pública), o que tornaria o combate ao impacto da epidemia dependente da situação orçamental de cada país.

“Para responder com êxito a esta emergência todos os Estados-membros, independentemente da sua situação orçamental e do nível de endividamento, devem manter-se financeiramente unidos e com idêntica capacidade de resposta”, defendeu o Governador do Banco de Portugal, avisando que falta de cooperação e de êxito no ataque a esta crise “pode pôr em causa o futuro do projeto europeu”, pelo que urge encontrar soluções que evitem uma “segunda crise da dívida soberana”.

Oiçam o Governador! 

publicado às 19:10

Lista de compras em tempo de confinamento

por Maria Teixeira Alves, em 27.03.20

Entretanto • Mulheres à beira de um ataque de nervos • Renato Zupo

Esta experiência do confinamento social leva-nos a refazer a lista de compras para o mês (hoje em dia ponto alto do dia é a ida ao supermercado, ansiamos por ficar numa fila de 20 pessoas). 


Cá vai:
Comprar vinho tinto

Comprar vinho branco

Comprar café (muito)

Comprar cervejas

Comprar mais vinho tinto 

Comprar mais vinho branco

Comprar um carregador para o telemóvel para cada divisão da casa

 Comprar máscaras para o cabelo, cremes para a cara, para o olhos, para não parecermos desgrenhadas e com cara deslavada nas reuniões de teletrabalho.

Comprar base e maquilhagem para o mesmo efeito.

Comprar cremes para o corpo (de preferência anti-celulite). 

Comprar bandas depilatórias.

Comprar um leitor de DVD (bem me parecia que devia ter comprado um).
😂

Comprar vitamina A, B, C, D, E .... Z

Produtos de limpeza (especial destaque para detergente para a máquina da loiça)

Pão, fruta, carne, legumes, peixe, etc...

publicado às 22:54

Portugal, no ranking da União Europeia, está em décimo no conjunto dos 27 países, no que toca ao número de infectados com a pandemia Covid-19. O que é uma boa notícia. É também uma boa notícia o facto de não haver uma explosão de casos de contaminação e sobretudo o de não haver um grande número de mortes e a maioria dos infectados detectados ter apenas sintomas ligeiros.

Mas a mesma sorte o país não vai ter na economia. A verdadeira mortandade vai-se dar nas empresas.

Primeiro porque as linhas de crédito com garantia do Estado tendem a ser destinadas a empresas com capitais próprios positivos e com resultados fechados. Ora há uma fatia de PME que não cumpre nenhum dos requisitos.

Os bancos estão a conceder esses créditos com garantia mútua a uns juros de 2% e 3%, muito acima do preço a que se financiam.

A ideia do Governo adiar o pagamento de impostos e contribuições sociais é muito positiva, mas se não se resolver o problema de liquidez das empresas a medida não tem grande eficácia.

Sobre o chamado lay-off simplificado, que é a capacidade das empresas suspenderem os contratos de trabalho por três meses porque a atividade está diminuída, pagando o Estado uma parte desse salário, é de lembrar que se aplica a empresas que têm 40% da redução do seu rendimento comparado com o ano anterior. Mas para beneficiar disso as empresas têm de provar que a quebra das receitas é reportada aos dois meses anteriores. Ora a crise começou em março pelo que as empresas só podem apresentar o pedido em maio (60 dias depois de março). Até lá quem vai pagar salários se a atividade parou? 

Quanto tempo aguentam as empresas sem atividade ou sem clientes?

Depois com isto virão os salários em atraso e os despedimentos, e dispara o malparado (aguardemos pelas moratórias), tudo porque a economia fechou.

A análise macroeconómica também não é mais animadora. A flexibilidade da Comissão Europeia aos auxílios do Estado não é suficiente, e no limite pode criar uma crise de dívida soberana. Ao flexibilizar as metas de défice e dívida para todos os países ignorando que cada país membro tem rácios de endividamento diferentes, pode ser o gatilho para uma subida dos juros da dívida soberana e no limite o fecho dos mercados (que trouxe no passado recente a troika).

O Governador do Banco de Portugal defendeu num artigo do Jornal Económico que “é necessária uma resposta conjunta a um desafio comum”.

Carlos Costa defende agora na Reuters que o Mecanismo Europeu de Estabilidade  (MEE) emita Corona bonds a 30 anos.“Tais ‘Corona bonds’ são não só um reforço mas também um complemento necessário ao recém-anunciado Pandemic Emergency Purchase Programme do Banco Central Europeu”, defendeu o Governador do Banco de Portugal no artigo da Reuters.

Carlos Costa lembra que “contrariamente às circunstâncias que conduziram à crise de 2008, a situação com que nos defrontamos agora reflete a propagação de uma crise sanitária para a economia real e desta para o sistema financeiro, com os seus efeitos a serem amplificados pelo sistema financeiro internacional e pelas cadeias de valor globais”.

 

publicado às 13:58

Corona map.pngA Rússia fecha fronteiras a partir das 00 horas de domingo.

O Reino Unido admite pedir a maiores de 70 anos que se auto-isolem durante quatro meses.

Trump proíbe voos da União Europeia para os EUA. A medida entrará em vigor à meia-noite de sexta-feira (13) e valerá por pelo menos 30 dias.  O Espaço Schengen inclui 22 países da União Europeia (as exceções são Bulgária, Chipre, Croácia, Irlanda e Roménia), além de Islândia, Liechtenstein, Suíça e Noruega. O Reino Unido não faz parte do grupo. 
A restrição valerá para todos os cidadãos estrangeiros que tenham estado em alguns desses países nos 14 dias anteriores à sua chegada aos EUA, com exceção de residentes permanentes ou familiares próximos de americanos.

Estados Unidos proíbem viagens do Reino Unido e Irlanda. As viagens para os Estados Unidos da América (EUA) a partir do Reino Unido e da Irlanda vão ser restritas a partir de terça-feira, à semelhança das medidas tomadas sobre o espaço Schengen, Irão e China.

República Checa encerra fronteiras a partir de segunda-feira. Também a Eslováquia fechou as fronteiras e declarou o estado de Emergência. As pessoas que regressem dos países afetados e não façam quarentena podem ter de pagar uma multa de 1.650 euros. 

Noruega anuncia encerramento de aeroportos, o último país a decretar controlo de fronteiras. Vários países europeus suspendem o acordo de Schengen, a primeira vez que tal acontece por razões de saúde. Países como Suíça, Eslováquia, República Checa, Polónia ou Dinamarca decidiram encerrar fronteiras total ou parcialmente.

Sete dos 26 países que constituem o Espaço Schengen já fecharam as suas fronteiras para conter o avanço do Covid-19 e testarem medidas de confinamento das populações de forma mais acentuada. Há outros dois países que, apesar de não fecharem portas, aplicam medidas de isolamento a quem entra.

António Costa e Pedro Sánchez preparam reunião sobre possível fecho de fronteiras entre Portugal e Espanha.

França encerra estabelecimentos “não essenciais à vida do país” a partir da meia-noite.

Espanha toma medidas drásticas e limita circulação de pessoas.

Governo determina encerramento de todos os bares às 21h00 até 9 de abril.

Marrocos suspende voos de e para Portugal.

França e Bélgica proíbem abertura de bares, cinemas e boîtes.

Vaticano fecha Praça de São Pedro aos fiéis na semana da Páscoa.

Estónia à Austrália o mundo aciona planos de acção contra pandemia.

Austrália força auto-isolamento a quem chegue do exterior.

Viajantes que cheguem à China em quarentena a partir de 2.ª feira.

Igreja Católica suspende missas em Portugal.

Polícia alemã faz controle de coronavírus nas fronteiras com Luxemburgo.

Alemanha. Foi intensificado o controlo nas fronteiras desde terça-feira. Alemanha fecha fronteiras com França, Suíça e Áustria.

Itália: Há polícias nas ruas a controlar todos os movimentos.

Itália. O segundo país do mundo mais afetado pela doença, a seguir à China, tem todas as escolas, universidades, lojas e restaurantes encerrados até pelo menos 3 de abril, com exceção de supermercados e farmácias. E as pessoas só podem sair de casa por motivos considerados de primeira necessidade. 

China: Há agentes a medir a temperatura com termómetros à entrada dos supermercados, nas estações de metro. Nos condomínios residenciais  o porteiro do prédio mede temperatura.

Em Portugal Governo avisa que violação das ordens é crime de desobediência. O Governo português decidiu igualmente proibir o desembarque de passageiros de navios de cruzeiro, exceto dos residentes em Portugal, e limitar a frequência nos centros comerciais e supermercado.

Desobediência às restrições que continuam até 9 de abril são crime.

O Governo de Portugal decretou na quinta-feira o Estado de Alerta, colocando os meios de proteção civil e as forças e serviços de segurança em prontidão. Foram igualmente suspensas, a partir de segunda-feira, as atividades lectivas e restringido o funcionamento de discotecas e similares e suspensas as visitas a lares em todo o território nacional.

Governo português fecha escolas, discotecas e reduz lotação de restaurantes.

Jordânia proíbe entrada de turistas da Espanha, Alemanha e França.

Hungria. Há postos de controlo fronteiriço com a Áustria e a Eslovénia. Pessoas provenientes de Itália não entram no país.

Um vírus chegou para provar que a liberdade é um mito. Desde que nascemos que temos condicionantes à nossa liberdade. A liberdade é um ideal a perseguir, mas nunca foi um valor absoluto. A ideia de que somos completamente livres e que isso é uma conquista irreversível nunca passou de um mito. É o verdadeiro ópio do povo.

 

publicado às 11:18

Resultado de imagem para Novo banco

Fernando Alexandre, economista, disse hoje no programa da RTP, Tudo é Economia, a coisa mais acertada sobre que ilação tirar das perdas do Novo Banco: “O Banco Espírito Santo foi uma calamidade para o país do ponto de vista da atribuição de crédito e gestão bancária”. Não tem paralelo com nenhum outro banco, pela sua dimensão e responsabilidade.

Lembro que o Novo Banco foi o "banco melhor" de um BES que tinha 6 mil milhões de euros de dívida da falida Espírito Santo Internacional colocada nos seus clientes.

O Novo Banco, em 2017, tinha 14,7 mil milhões de euros de ativos herdados do BES (Legacy), destes 7,9  mil milhões era o valor líquido dos ativos que iam ficar protegidos por um mecanismo de capital contingente (CCA), A isto juntava-se uma carteira de imóveis recebidos por dação em cumprimento de crédito com um valor bruto de 3,5 mil milhões.

Dois anos depois, em 2019 o valor dos ativos problemáticos desce para 4,5  mil milhões; já o valor dos ativos incluídos no CCA reduziu-se para 3 mil milhões de euros. O stock de crédito malparado caiu 66% para 3,4 mil milhões de euros, desde 2017. A redução dos créditos não produtivos (malparado ou NPL) foi de -6.700 milhões comparativamente a dezembro de 2017 e representa um decréscimo de cerca de 58% no rácio de NPL sobre o total do crédito. O rácio de NPL era de 28,1% (em 2017) e em 2019 fixou-se em 11,8%. Os imóveis que restam em balanço têm um valor bruto de 2,2  mil milhões de euros (1,1 mil milhões líquidos de imparidades). 

Limpar todos estes ativos custou ao Fundo de Resolução 2,89 mil milhões de euros (valor da compensação pedida ao Fundo de Resolução, no âmbito do CCA, desde 2017). 

Sendo que o Novo Banco foi criado com um capital de 4,9 mil milhões de euros em 2014; recebeu da Lone Star (dona do banco com 75%), em outubro de 2017, 1.000 milhões de aumento de capital, a que se juntam os 500 milhões de euros obtidos no processo de troca de obrigações LME [‘Liability Management Excercise’].

Depois de todos os mil milhões, ainda restam no balanço do banco 4,5  mil milhões de ativos herdados do BES, dos quais 3 mil milhões estão protegidos pelo mecanismo do Fundo de Resolução. Portanto ao fim de todo o capital gasto na limpeza do banco que veio do BES, ainda estão 3 mil milhões por resolver e a proteção do rácio de capital disponível está agora resumida a 910 milhões de euros (de um mecanismo que tinha um tecto de 3,98 mil milhões).

Como foi possível um banco tão grande ter uma tão má gestão de risco? Não sabemos. Mas é um case study.

 

publicado às 00:20



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