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As reformas da esquerda

por Maria Teixeira Alves, em 30.03.18

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 O Governo desta geringonça de esquerda não é tido como muito reformista. Os governos reformistas foram, quase sempre, de direita e foi durante os governos de direita que se fizeram a maior partes das grandes reformas (como por exemplo a reforma fiscal de Cadilhe com a criação do IRC e IRS). 

Mas ao atual Governo não faltam as chamadas reformas "gauche", como este disparate, que faz capa do Expresso desta semana.

publicado às 00:22

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Ainda me lembro do que os partidos de esquerda disseram quando as entidades estatísticas competentes vieram dizer que o défice das administrações públicas em 2015 foi de 4,4% (7.893 milhões de euros), por causa da operação de resolução do Banif que provocou um agravamento do défice de 1,4% do PIB em 2015, mais do que o inicialmente estimado que apontava para 1,2% a 1,25% do Produto Interno Bruto (PIB). E que por isso nesse ano Portugal terá fechado o ano nos 4,4%, um número pior do que inicialmente esperado. Isto com a resolução do Banif a contribuir para este desfecho.

"O anterior governo PSD/CDS “mais uma vez não cumpriu os objectivos do défice que se propunha atingir, apesar de todos os sacrifícios impostos aos portugueses”, algo que aconteceu “sem surpresa”, apregoaram.

Agora a recapitalização da CGD eleva défice de 2017 para 3% e a esquerda vira-se (e o Ministro das Finanças que é Presidente do Eurogrupo, pasme-se, veio dizer que o Eurostat estava errado) contra o gabinete de estatística. 

Os 3.944 milhões de euros que foram injectados no banco público serão totalmente reflectidos no défice do ano passado, elevando-o para 3% do PIB. É um erro, diz a esquerda.

A esquerda o que diz? Diz que se excluirmos esse efeito o défice foi de 0,9%, abaixo da meta do Governo revista em Outubro que apontava para 1,4% de défice. Agora já conta o argumento que antes não contava para o Governo de Pedro Passos Coelho. Os contributos one-off já não são importantes

publicado às 23:30

Ele merece o nome de uma rua...

por António Canavarro, em 26.03.18

 

Morreu o Manuel Reis, e com a sua morte morreu uma certa forma de se estar e de sentir a cidade de Lisboa. Foi graças à sua visão que ele tornou um bairro decrépito, o velho Bairro Alto, num dos locais “in” da Lisboa dos anos 80.

O Frágil por ele criado, era um marco desta cidade que, após a queda do velho império, abraçava o seu novo destino, a Europa.

Mais tarde, e como o “Bairro” havia cumprido a sua função, Manel Reis abraça um novo desafio, tornado uma zona de chegadas e de partidas, condenada ao esquecimento e à estiva, Santa Apolónia, num dos locais sagrados da noite alfacinha na viragem do século. O Lux Frágil e a Bica do Sapato são criações absolutamente únicas, e que ajudaram Lisboa a ganhar um “certo” cosmopolitismo, tornando-a numa cidade referência na velha Europa.

O Manel, como um universo perfeitamente único, e exclusivo, bem que merece o nome de uma rua.

Se fizerem uma petição eu serei um dos signatários.

publicado às 16:15

A caminho da prisão

por António Canavarro, em 25.03.18

 

Já sabem o que escrevi aqui sobre a independência da Catalunha, da reacção de Madrid e o que penso sobre tudo isto, sublinhando a ideia que o futuro da Europa tem que passar por um modelo federalista, baseado numa Europa de Nações. No entanto, e como devo ser realista, este cenário é na actual conjuntura inexequível. O modelo europeu é o inverso, é o modelo que agrada a Madrid como aos demais países compósitos que ganharam forma no século XIX.

Hoje, Carles Puigdemont, acusado de rebelião pela justiça espanhola e alvo de um mandado de captura europeu, foi preso na Alemanha. Se é certo que este foragido tem conseguido não ser entregue à justiça espanhola, estou convencido, e pelas razões supra referidas, que brevemente ele irá para o cárcere, como reclamam os madrilenos.  

publicado às 17:17

Do silêncio

por António Canavarro, em 21.03.18

Fruto dos tempos que se vivem, encontrei esta frase do irlandês George Bernard Shaw (1856-1950) que transpira actualidade: "Acredito na disciplina do silêncio... - E poderia falar durante horas sobre o assunto".

publicado às 10:25

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Os jornalistas só sabem dar exemplos de como o Facebook influenciou as eleições norte-americanas. Todos os exemplos que oiço são a justificar o uso do Facebook para a eleição de Trump. Como se sem Facebook tivesse ganho a Hillary Clinton. Acredito.

Como se os democratas não tivessem usado o Facebook para apoiar Hillary. Para os media o Facebook só foi usado pelos apoiantes de Trump e é responsável pela eleição (induzida?) do presidente dos EUA. 

É assim tão dificil de aceitar que Donald Trump foi eleito como qualquer presidente dos EUA o foi até hoje? Isto é, democraticamente.

Agora uma coisa é certa, a polémica que envolve a apropriação de dados de mais de 50 milhões de utilizadores do Facebook por parte da Cambridge Analytica vai despoletar os mais variados debates sobre o papel de rede social na gestão e proteção de dados privados e pode ser o principio do fim do Facebook. Se começamos a entrar no radicalismo de que não é possível usar o Facebook para "influenciar" opiniões, a rede social fica encurralada em apertadas leis que limitam a liberdade de expressão. Isto é sobretudo um risco para a Europa.

publicado às 22:20

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Ainda me lembro das vozes em uníssino que vaticinavam que Trump, ao desafiar o líder da Coreia do Norte, ia provocar a terceira guerra nuclear. Eu, mais uma vez em contramão com a maioria, defendia o oposto. Vai ser Trump que vai resolver o problema da ameaça nuclear da Coreia do Norte.

Kim Jong-Un convida Trump para encontro e presidente dos EUA aceita 

O conselheiro sul-coreano, Chung Eui-yong, anunciou o compromisso de Kim Jong-un de que o seu país estaria pronto a terminar com os testes nucleares e os disparos de mísseis balísticos. "Kim comprometeu-se a não realizar mais testes nucleares ou de mísseis", disse Chung Eui-yong aos jornalistas. "Está empenhado na desnuclearização" da península, assegurou Chung Eui-yong.

O convite é feito após uma série de avanços pacíficos por parte do ditador norte-coreano. Desde o começo de 2018, os líderes das duas Coreias encontraram-se na fronteira; as atletas da Coreia do Norte participaram no Jogos Olimpícos de Inverno em PyeongChang, condado sul-coreano que fica na província de Gangwon, no nordeste do país; e a irmã de Kim Jong-un encontrou-se com o presidente sul-coreano, Moon Jae.

Já Obama, o amado pelos europeus, conseguiu com a sua política externa que os inimigos dos EUA e do Ocidente se rearmassem.

publicado às 00:57

Um desabafo

por António Canavarro, em 07.03.18

Por birra com o meu avô paterno, que era um sportinguista ferrenho, decidi ser do reviralho, de marcar o meu terreno, e desde tenra idade – eu tinha 10 anos quando ele morreu – que sou benfiquista.

E ao longo da minha vida, acompanhei o clube. Hoje, já nem tanto. Faz anos que não vou ver in loco um jogo. Acho mesmo que só fui ao actual estádio ver a famigerada final do Europeu de 2004. Sou também do tempo em que ir ver um jogo de futebol não era um atentado à nossa integridade.

Hoje, sempre que posso vejo um jogo do meu clube mas sem entrar em loucuras.  Sou do tempo em que o futebol era visto em canais abertos. Do tempo que os jogos só duravam 90 minutos. Hoje o futebol dá pano para mangas. Dá para dramas e comédias. E dá para muitas tramóias.

Naturalmente que este desabafo vem a propósito das últimas notícias. Vem do facto de algumas pessoas – sublinhe-se pessoas – terem supostamente posto esta instituição centenária na lama. São só pessoas, e as pessoas passam pela vida como o vento!

O nome do Benfica é e será sempre intocável, mesmo que, graças às ambições desmedidas de alguns tenha que passar por um tempo de nojo, sendo por exemplo, como já aconteceu em outros países europeus, despromovido.

Só lamento que este olhar, atento e vigilante da nossa justiça de agora tenha em outros tempos feito vista grossa a uma situação também ela confrangedora para a boa imagem do futebol em Portugal, o Apito Dourado.

Mas dessa tramóia já estão todos esquecidos. Eu não! Não tenho memória curta!

publicado às 17:23
editado por Maria Teixeira Alves a 10/3/18 às 12:01

"Esta é uma bancada de oposição"

por Maria Teixeira Alves, em 01.03.18

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Estive hoje a ouvir o debate quinzenal no Parlamento, foi o primeiro debate quinzenal de Costa com o novo líder da bancada do PS, Fernando Negrão, fiquei desconcertada com os elogios rasgados de António Costa a Fernando Negrão e vice-versa. A partir daí tudo me pareceu encenação.

"Queria começar por agradecer as palavras que dirigiu à nova banca do PSD na semana passada" apresentou-se assim Fernando Negrão.

António Costa, que fez os agradecimentos da praxe a Pedro Passos Coelho e a Hugo Soares, dirigiu-se então a Negrão: "Os últimos são os primeiros (...) queria saudar a forma como vê este debate, não como um duelo quinzenal, mas como fazendo parte do exercício democrático (...) e é com gosto que vejo estes debates retomarem a normalidade". Retomarem a normalidade?! Isso significa que se tinha perdido a normalidade? Quando?

Fernando Negrão teve depois um momento muitíssimo nobre quando deu um cumprimento especial a Pedro Passos Coelho e dizer-lhe que "a História saberá fazer-lhe justiça". Aplaudido pelos centristas e pelos social-democratas. 

Depois começou a sua intervenção a dizer "Senhor primeiro-ministro será possível nas grandes questões de interesse nacional nós dialogarmos e chegarmos a acordo" e mostrou a "disponibilidade da banca", o que é uma introdução, que diga-se de passagem, na augura grande oposição no debate, mesmo que depois tenha dito entre elogios ao primeiro-ministro socialista que ia "fazer oposição firme". Veja-se o que disse Fernando Negrão: "Senhor primeiro-ministro obviamente também quero cumprimentar todo o Governo, mas queria dizer-lhe que esta é uma bancada da oposição e sendo uma bancada de oposição irá exercer essa oposição com firmeza", soou a desculpe caro amigo, mas vou ter de o confrontar aqui em público.

As perguntas que o novo líder da bancada do PSD escolheu para se estrear no debate foram sobre a entrada da Santa Casa no capital do Montepio. O tema não é mau, mas as perguntas foram bastante fracas e facilmente rebatidas e de forma inteligente pelo "adversário político" formal, António Costa (mas que pelos elogios à entrada na prática mais parecia mais um aliado).  

"Contamos com um maior contributo do PSD para uma cultura democrática, que demonstre que a condição de se ser adversário em política não é idêntica à condição de se ser inimigo", disse também Carlos César.

Entre tanta troca de galhardetes faço minhas as palavras de Sebastião R. Bugalho no Twitter: @reis_bugalho

É bom que o PSD (ou este novo PSD) entenda que todos estes elogios do PS e do Governo têm visado uma coisa: diminuir quem estava antes.

 

P.S.Fernando Negrão disse a certa altura que "Espanta-me um governo de esquerda tomar esta decisão de entrada da Santa Casa no Montepio)". Eu, correndo o risco de estar posição divergente com a direita, digo que a mim espanta-me que a direita se oponha tanto a este negócio de compra de uma participação no Montepio. Pois se tiver racionais económicos porque não? Não vejo uma grande diferença moral entre ficar acionista da Caixa Económica Montepio Geral e ser monopolista nos jogos de sorte e azar, sinceramente. Nesse aspeto dou razão a António Costa.

A mim o que mais me preocupa na entrada da Santa Casa no banco Montepio é se os propósitos são políticos e se a estratégia está a ser desenhada num compadrio de "amiguismo" em vez dos racionais económicos. Se o negócio é combinado e se as avaliações servem apenas para justificar a operação desenhada nos corredores da política e da cumplicidade destes com alguns gestores. Isso já acho mais preocupante. Agora que a Caixa Económica precisa de acionistas que ponham dinheiro no banco em futuros reforços de capital lá isso precisa. 

publicado às 02:42



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