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Saberá Rui Rio liderar um partido de direita?

por Maria Teixeira Alves, em 13.01.18

A questão que paira sobre os eleitores do PSD é se Rui Rio lhes serve como líder de direita. Sim de direita. Nunca mais o PSD irá para o poder se não for em aliança com o CDS. A PAF veio para ficar. Caso contrário o PSD corre o risco de ser eterna oposição e corre até o risco de perder eleitores para o CDS, sobretudo se começar a tentar formar blocos centrais com o PS.

O CDS de Cristas é, nesta altura, mais perto de Pedro Passos Coelho do que Rui Rio, veremos se essa percepção mudará com o tempo.

O centro acabou. Acabou não apenas no nosso sistema eleitoral, acabou um pouco por toda a Europa. O futuro do PS será um Pedro Nuno Santos, mais próximo do Bloco de Esquerda. Um PSD de esquerda não serve para nada. 

Olha-se  e vê-se que um pouco por toda a Europa o centro está a morrer. Os partidos ideológicos declaradamente de esquerda ou de direita estão a subir e a ganhar eleitores. Os grandes partidos de massas estão a ser derrotados por candidatos independentes e coligações ideológicas. Veja-se o que aconteceu, por exemplo, ao partido socialista francês.

Rui Rio tem assim dois caminhos: ou vai servir os seus apoiantes dentro do partido (Pachecos Pereira e companhia) e vê o partido perder dimensão, porque os eleitores de direita têm de se rever nalgum partido e tendo saído Pedro Passos Coelho o PSD fica indefinido e viram-se para o CDS. Ou Rui Rio faz um flik-flak e caminha em direção à recriação de uma segunda PAF com o CDS de Cristas, mesmo correndo o risco de deixar desiludidos os seus grandes e históricos apoiantes. Não há alternativa à "frente de esquerda" sem o CDS.

 

Ler aqui as declarações de Rui Rio

publicado às 23:27

Adeus geringonça

por António Canavarro, em 13.01.18

 

Este é o meu partido mas não tenho qualquer vinculação, nem a este, nem a nenhum partido!

A vitória de Rio, que me agrada - Santana era mais do mesmo - parece ser, por um lado, um grito de desespero dos sociais democratas perdidos na sua matriz ideológica (a social democracia era um cliché) e, por outro, e isso sim gosto muito, um ponto final na geringonça.  

publicado às 22:59

Françoise Sagan, Bonjour Tristesse

por Maria Teixeira Alves, em 13.01.18

"O que mais tememos e não revelamos acontece sempre. Viver sem amor. Ir ao encontro da morte sem uma mão que nos segure. Sem outro coração para bater em uníssono com o nosso. É isso o pior. Podemos morrer, mas devemos morrer no ombro de alguém. É por isso que amamos. Para escapar à solidão. Ter consciência disso é a verdadeira tristeza".

"De qualquer forma ficamos sempre sozinhos, ao amar ou ao não amar, ao ser festejados ou criticados".

 

começa assim a sua biografia, o filme Sagan.

publicado às 02:29

Lucidez prejudica o sentir

por Maria Teixeira Alves, em 08.01.18

«Ver muito lucidamente prejudica o sentir demasiado. E os gregos viam muito lucidamente, por isso pouco sentiam. Daí a sua perfeita execução da obra de arte.»

Fernando Pessoa

publicado às 19:40

Simplicity

por Maria Teixeira Alves, em 08.01.18

Simplicity is about subtracting the obvious, and adding the meaningful

publicado às 19:39

As armadilhas do capitalismo popular

por Maria Teixeira Alves, em 06.01.18

Resultado de imagem para CTT

Todos apontam o dedo à privatização dos CTT como a causa de todos os males. Mas o problema dos CTT não desapareceria com a presença do Estado, pelo contrário, era provável que se agravasse, pois haveria uma inércia para mudar o modelo de negócio, e mais uma vez seria o Orçamento de Estado a pagar os prejuízos crescentes de uma empresa pública. (Não vale a pena virem com o argumento que os CTT dão lucro desde antes da privatização. Pois essa coisa do lucro tende sempre a cair e a acabar com a quebra das receitas por se manter um modelo de negócio obsoleto. Era apenas uma questão de tempo).

Há agora uma onda de regresso às utopias da esquerda comunista que vê a salvação das empresas na nacionalização. Uma apologia a um PREC revivalista, mas agora mais perigoso porque vem disfarçado de salvação nacional e tem até apoiantes de direita. Quem defende a nacionalização dos CTT defende precisamente a manutenção do modelo de negócio obsoleto e respectiva infraestrutura, rumo à falência da empresa, mas sustentada pelo dinheiro dos contribuintes.

Ora o que aconteceu com os CTT? O que se passa com os CTT é que o volume do correio endereçado está em queda livre, e a quebra do envio de cartas é uma situação que já começou em 2001, sendo hoje cerca de 50% inferior a esse ano (hoje é de 0,7 mil milhões de correio endereçado). Assistiu-se a uma aceleração da queda nos últimos trimestres com uma queda de 6% nos primeiros nove meses de 2017, o que compara com quedas médias de 4% entre 2014 e 2016.

Nas cartas a empresa de correios é o líder e incumbente e detém a concessão do Estado, mas há cerca de um ano, o Governo  anunciou que ia deixar maioritariamente de enviar cartas aos cidadãos, passando o e-mail a ser o meio de comunicação utilizado.

Por causa disso, os lucros dos CTT caíram até setembro 57% para 19,5 milhões de euros. Mas acima de tudo, a empresa liderada por Francisco Lacerda anunciou um corte dos dividendos que serão distribuídos aos accionistas referente ao último exercício, passando de 48 para 38 cêntimos, que ainda assim representa um pay-out de 160% e como tal tem sido alvo de críticas por se tratar de distribuir reservas porque os dividendos aos accionistas superam os lucros da empresa.

Ora porque é que os CTT têm de distribuir dividendos desta magnitude? Por causa do perfil dos accionistas. Sendo maioritariamente fundos de investimento internacionais só estão interessados na rentabilidade financeira do seu investimento, e se ela não existe querem mudar a gestão. É a lógica do mercado. Isto é precisamente o efeito nefasto do capitalismo popular. A pulverização do capital que em tempos foi a realidade do BCP de Jardim Gonçalves já se revelou poder ser um enorme empecilho. A ideia de pulverizar o capital que numa primeira fase favorece a gestão, numa segunda fase é o seu maior inimigo. 

O que falta aos CTT é um accionista maioritário privado que tenha uma estratégia de negócio (com lucro), mas antecipando as mudanças de contexto, a evolução da actividade, que invista nessa mudança prescindindo de dividendos se for preciso, que reinvista na empresa e tenha uma lógica de investimento a longo prazo. 

O próprio BCP, em tempos o ícone do capitalismo popular, há muito que mudou essa realidade ao ter dois accionistas de referência com claro domínio do capital. 

A gestão dos CTT está precisamente a ser vítima das fraquezas da pulverização excessiva de capital. Reparem: O maior accionista é a Gestmin de Manuel Champalimaud tem 11,61% e é o único accionista que pode dizer-se que tem uma estratégia de longo prazo para o seu investimento. De resto os CTT pertencem à: Global Portfolio Investments (5,66%); ao Credit Suisse Group (3,31%); ao Norges Bank (3,15%); ao BNP Paribas Asset Management (3,10%); ao Wellington Management Group (2,07%); Kairos Partners (2,05%); Goldman Sachs (1,52%), e outros.

Isso explica que a gestão esteja a ser pressionada para cortar rapidamente custos e aumentar a rentabilidade e assim os lucros.

O que se passa na empresa (e em todo o sector a nível global) é uma redução forte no volume de correio e um aumento das encomendas e das encomendas ligadas ao comércio electrónico. Quando há uma redução do volume dos correios o preço sobe dentro de determinadas balizas (a maior parte delas regulatórias). Nesse contexto os custos têm de ser controlados e principalmente o que é preciso ver é se a infraestrutura principal dos CTT é a mais adequada ao novo modelo de negócio dos CTT, onde cada vez se distribuem mais encomendas e menos cartas.

O que o plano de reestruturação apresentado pelos CTT pretende fazer é desenhar uma infraestrutura diferente da actual adaptada à realidade de hoje e aquela que a empresa antecipa para os próximos dois anos, e isso implica menos 800 pessoas e menos balcões (vão fechar 22 balcões).

O plano prevê um programa de rescisões nos próximos 3 anos (até 2020) que deverá atingir 800 trabalhadores, o encerramento de lojas com pouca procura e o corte de salários na administração.

Além da redução de 800 colaboradores em três anos, os CTT pretendem ainda racionalizar activos não estratégicos (mais ou menos 30 propriedades) e ainda optimizar a cobertura da rede de lojas através da conversão de lojas em postos de correio ou fecho daquelas com pouca procura por parte dos clientes, de acordo com o plano divulgado em Dezembro.

O objectivo deste plano é gerar poupanças de 45 milhões de euros por ano a partir de 2020.

Depois há a questão do serviço universal. Os CTT não recebem nada pelo contrato de concessão (que tem a duração até 2020). O que há é o custo líquido do Serviço Universal, que é pago pelos CTT. Lá fora o Estado paga à empresa pelo serviço universal. 

As bases da concessão do serviço postal universal estabelecem os serviços e actividades concessionados aos CTT e definem os direitos e obrigações da concessionária, nomeadamente ao nível dos serviços prestados e da rede postal.

O serviço postal universal consiste na oferta permanente de determinados serviços postais em todo o país, com uma qualidade determinada e a preços acessíveis, de forma a responder às necessidades de comunicação das pessoas e empresas.  O serviço universal abrange, dentro do país e relativamente a envios internacionais com origem ou destino em Portugal: os envios de correspondência, livros, catálogos, jornais e outras publicações periódicas até 2 kg de peso; os envios de encomendas postais até 10 kg de peso; a entrega no território nacional de encomendas postais com origem noutros Estados-Membros da União Europeia até 20 kg de peso; os envios registados; os envios com valor declarado.

Cabe também aos CTT, enquanto operador do serviço universal, assegurar em exclusivo os seguintes serviços e actividades: colocação de marcos e caixas de correio na via pública para o depósito de cartas e outros envios postais; emissão e venda de selos postais com a menção “Portugal”; serviço de correio registado utilizado em procedimentos judiciais ou administrativos; prestação do serviço de vales postais.

Não estão abrangidos pelo serviço universal os serviços de correio expresso nem a publicidade endereçada.

Enquanto operador do serviço postal universal, os CTT têm de cumprir determinados níveis de qualidade, nomeadamente respeitantes a: prazos de encaminhamento; regularidade e fiabilidade dos serviços (extravios ou demoras prolongadas); tempos de espera no atendimento nas lojas.

Os objectivos de desempenho do serviço universal que os CTT se encontram obrigados a assegurar, no período de 2015 a 2017, abrangem os seguintes serviços postais: envio de correspondência, nas modalidades de correio azul e correio normal; envio de jornais e outras publicações periódicas; encomendas postais na modalidade de encomenda normal; envio de correspondência registada, na modalidade de correio registado em mão. 

As condições de prestação do serviço universal devem ser reavaliadas a cada cinco anos pelo Governo. A ANACOM avalia todos os anos se os CTT cumprem os níveis de qualidade de serviço a que a empresa está obrigada e publica um relatório com os resultados. O que a ANACOM considera na sua avaliação é o nível médio de serviço ao longo do ano e não a qualidade do serviço prestado num caso concreto.
Se se verificar que os CTT não cumpriram os níveis de qualidade de serviço a que estão obrigados, a ANACOM pode aplicar uma sanção à empresa que limita os preços a praticar no ano seguinte. Desta forma, visa-se compensar a generalidade dos utilizadores afectados pela reduzida qualidade de serviço verificada.
Os CTT devem também publicar todos os anos um relatório com o resultado da medição dos níveis de qualidade do serviço verificado no ano anterior.

Os preços dos serviços incluídos no serviço postal universal são determinados por proposta dos CTT, validada pela ANACOM, e devem obedecer a regras específicas, nomeadamente: acessibilidade a todos os utilizadores; transparência; não discriminação entre utilizadores.

Além disso, os preços dos serviços que integram o serviço postal universal não podem exceder determinada variação máxima, em cada ano.

Os CTT devem divulgar informação sobre os preços que praticam, designadamente publicando-os na sua página na Internet.

No que respeita aos restantes serviços prestados pelos CTT ou por outros operadores (fora do serviço postal universal), os preços são livremente fixados.

Francisco Lacerda (CEO) já veio defender a manutenção do contrato de concessão, mas defende a evolução desse contrato de serviço público em função da “evolução dos tempos e da realidade”.

Falemos agora da gestão. Perante o acelerar da queda da actividade core dos CTT (envio de correio), a administração da empresa veio apresentar o plano de transformação operacional que pretende ser a reinvenção da actividade dos correios. Mas só o fez no fim do ano passado, quando o ritmo de quebra de receitas era já acelerado. Até Setembro o EBITDA recuou 25% para 68 milhões de euros, num período em que os gastos operacionais aumentaram 5,6% para 23,7 milhões de euros. Portanto o "pecado" da gestão foi ter reagido em vez de ter antecipado a quebra de receitas e mudado antecipadamente o modelo de negócio a um ritmo mais brando. 

O melhor que a gestão fez foi apresentar este plano de reestruturação (mais vale tarde que nunca). No entanto o timing pode virar o feitiço contra o feiticeiro. Porque surge numa altura de grande crispação política (a esquerda quer a renacionalização dos CTT, aliás querem renacionalizar tudo, e se possível nacionalizar tudo, o BCP, o Novo Banco, o BPI e que mais viesse) e a contestação dos sindicatos a da comissão de trabalhadores e depois de uma queda abrupta das acções dos CTT (que deixou descontentes os accionistas). É a chamada tempestade perfeita.

Os analistas apontaram no plano a falta de medidas para aumentar as receitas (o plano centra-se muito no corte de custos). "Salientamos também que este plano será difícil de executar e vai enfrentar pressões políticas severas e ainda contestação significativa dos sindicatos”, disseram os analistas do Caixa BI.O banco de investimento que fez uma análise ao plano de reestruturação apresentado e escreveu ainda que "tendo em conta a cotação actual, o elevado free float do título e o potencial desenvolvimento autónomo de alguns dos segmentos, nomeadamente do Banco CTT e do Expresso e Encomendas, é justo assumir (ou pelo menos não excluir a probabilidade acrescida de uma alteração significativa na estrutura accionista".

Na minha opinião os CTT devem continuar privados, e deve ser encontrado um accionista estratégico (com uma participação significativa) que apoie a gestão de forma a sustentar a implementação do plano, ainda que à custa da não distribuição de dividendos (ou pelo menos de menos dividendos). 

A serviço postal universal deve ser reajustado à realidade comercial dos CTT, e possivelmente devia ser pago, porque o Estado deve servir para isso, para pagar serviços que os privados não podem fazer, em nome de ajudar as populações carenciadas.

publicado às 19:31

É de mim ou vivemos num país raríssimo?

por António Canavarro, em 04.01.18

 

PJ faz buscas na Fundação “O Século”

Segundo a notícia a operação levada a cabo pela Polícia Judiciária estará relacionada com alegados crimes de peculato e abuso de poder!

Sei lá, tirem as vossas conclusões!

publicado às 16:33

Belém e o sistema

por António Canavarro, em 03.01.18

O problema do financiamento dos partidos políticos é dos partidos e não dos cidadãos. Por que razão teremos nós que, com os nossos impostos, sustentar os partidos políticos. Invista-se na educação, na cultura e na ciência!

Porque, se nada tenho contra os partidos políticos, sejam da esquerda ou da direita, já que são um pilar do regime democrático, porque razão teremos que os sustentar?

Lá fora, pelo que li, os partidos vivem dos seus meios. Há verdadeira militância. Aqui a situação é diversa e perigosa. Na realidade, o financiamento dos partidos foi uma imposição do Movimento das Forças Armadas que, assim, procurava condicionar o regime democrático no pós-PREC!

Marcelo Rebelo de Sousa fez bem em ter vetado a lei. Os partidos "derrotados" em Belém já reagiram, sublinhado a pérola comunista: É uma "insidiosa campanha anti-democrática".

publicado às 14:03

Duas formas de se ver o saboroso ano que acabou...

por António Canavarro, em 02.01.18

Esta é uma forma divertida, como é timbre do cartoonista, de se ver a realidade. Eu prefiro esta: um saboroso texto do Alberto Gonçalves!

publicado às 15:46

Porque são boas mesmo

por António Canavarro, em 02.01.18

A democracia é algo de fantástico, porém difícil de ser aplicada. Há diversas razões que nos levam a esta conclusão: geográficas, culturais, económicas, educacionais, etc. Há um vasto número de exemplos que provam que a democracia seja uma realidade no nosso continente mas que falhe noutros. Mesmo na Europa há países mais democráticos do que outros. Portugal, um recente regime democrático, está a “anos-luz” da Noruega, mas bem mais democrático do que a Polónia ou a Hungria, também estes países com um vasto historial antidemocrático.

Uma democracia verdadeira subentende que exista liberdade e igualdade. Porém, como todos sabemos isso é uma utopia. Há sempre pessoas “mais iguais” do que outras e fazer querer, mesmo que por decreto, que isso seja lei como acontece com a entrada em vigor da lei que prevê a paridade de género nas administrações do sector público empresarial, mesmo que a considere justa, é um erro. Não que as mulheres não mereçam reconhecimento, porque merecem. Porém tal deveria ser aferido das suas qualidades intelectuais e capacidades laborais, ou seja, o mérito, e nunca pelo facto de serem mulheres!

publicado às 12:22

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