Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




O dito e o não dito.

por António Canavarro, em 17.01.17

 

 

Roland Barthes, escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês, num texto intitulado “Da palavra à escrita” (PUF, 1974), argumentou que “a escrita não é forçosamente o modo de existência do que é escrito”. Até porque, como argumenta, perdemos “uma inocência”.Barthes tem razão:há sempre quem recorde, e sempre nas piores ocasiões, uma palavra dita. Ou seja, porque razão os sociais-democratas, e de um momento para o outro dão o dito pelo não dito, aliando-se à extrema-esquerda na redução da Taxa Social Única?

Porém, como admito que as palavras ditas possam ter uma “certa temporalidade”, e só os tolos é que não mudam de ideias, há alguém que seja capaz de me explicar este volte-face?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:03

Obrigado, Mário Soares!

por António Canavarro, em 10.01.17

 

 

Repito até à exaustão: não gostava do Mário Soares e seria hipócrita vir para aqui dizer que gostava dele pelo facto de ter morrido! No entanto, e como jovem num país democrático, numa democracia que se iniciou aqui, em Santarém, numa madrugada de Abril, estou-lhe grato.

Mário Soares poderia ter muitos defeitos, mas não era parvo. Ele sabia que nunca ficaria na história se fosse na lengalenga proletária, que os comunistas pretendiam para Portugal. O cenário, ele sabia-o na perfeição, seria demasiadamente dantesco e por isso decidiu-se por opor ao modelo comunista o ideal liberal, solicitando a adesão à Comunidade Económica Europeia, afastando Portugal do "terceiro-mundismo" a que estaria condenado.

Este foi, a par da sua “batalha” anti-comunista – que catapultou o Partido Socialista para a referência da esquerda em Portugal – o seu maior legado, e por isto merece o meu respeito e agradecimento.

No entanto, porque ele nunca se esqueceu das suas bases ideológicas, Mário Soares, em particular nos últimos anos da sua vida, sempre foi um lutador contra os perigos da globalização, cerrando o dentes, escrevendo amiúde contra os perigos neoliberais, onde tudo parece não ter rosto. E esta atitude, mesmo vista por alguém como eu, é digna de registo!

Obrigado, Mário Soares!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:05

Incoerência

por Maria Teixeira Alves, em 07.01.17

Incoerência é o primeiro-Ministro António Costa decretar luto nacional de três dias, mas continuar na sua viagem à Índia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:33

Não sei se é fixe, mas obrigado!

por António Canavarro, em 07.01.17

 

Como ainda tenho memória ficaria mal comigo mesmo se não lhe agradecesse o seu legado. Não todo, pois há desvios, mas a sua entrega a um valor, à liberdade. O que seria de nós se não fosse a sua forte luta contra a ameaça comunista.

É pois é!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:05
editado por Maria Teixeira Alves a 8/1/17 às 11:36

O Novo Banco e os erros dos banqueiros de bancada

por Maria Teixeira Alves, em 06.01.17

novo banco.jpg

O Novo Banco é o banco de transição fruto de uma medida europeia de Resolução que foi evoluindo. Hoje é diferente. Mas mais tarde irá dizer-se que esta nova versão também é péssima porque chama os depositantes e os obrigacionistas a pagar a factura da Resolução.

Existe alguma possibilidade de um banco que se defronta com défice de capital por excesso de maus activos de ser salvo? Essa é a questão.

O Novo Banco é o que sobra do BES. O BES foi o que se sabe. Não é culpa de Governo nenhum. É culpa de legislações frouxas ou instrumentos de controle ineficazes e da soberba de banqueiros que abusavam do poder que tinham.

A Resolução do BES correu mal? Sim, porque em bom rigor o Novo Banco devia ser do tamanho de um Banif e o BES mau devia ter muito mais créditos tóxicos e activos problemáticos, que, por boa vontade de Carlos Costa ficaram no banco bom.

Perante o que há pela frente o que pode o país fazer? Vender. Se for por zero é por zero. Vender a um fundo de private equity, porque não?

Mas alguém acredita que uma Nacionalização temporária é melhor que a detenção temporária por um private equity que tem a função de rentabilizar e vender? Mas é diferente o Lone Star rentabilizar e vender de uma nacionalização que tem precisamente a mesma função (rentabilizar e vender?) Não teria sido melhor o Banif ter sido comprado por um private equity que valoriza e vende? O Estado quis valorizar e vender. Conseguiu?

Mas Portugal alguma vez nacionalizou um banco com sucesso? O BPN foi um desastre resolvido e bem pelo governo anterior, com a venda ao BIC.

O Banif (que o Estado entrou no capital com o intuito de ser temporariamente) correu bem?

Esqueçam a nacionalização. O Novo Banco tem que ser detido por accionistas que têm o foco na rentabilidade.

Quando eu oiço vozes a dizer que o Novo Banco  tem de ser nacionalizado para salvar o papel de grande parceiro do crédito a empresas, vem me logo à visão as imparidades futuras que vêm para aí. 

Essa visão paternalista cultivada por alguns governos é a grande culpada de os bancos estarem hoje como estão, com muitos créditos em risco. 

Nacionalizar o Novo Banco é trazer para dentro de casa as perdas do side-bank (activos problemáticos do Novo Banco), isto é, para os contribuintes. Mas se o Lone Star quer desvalorizar o side-bank porque há-de o Estado ficar com ele ao valor de 9 biliões de euros?

O Estado com a nacionalização vai aumentar o défice com os aumentos de capital que vão ser precisos fazer para repor o capital do banco que pelos vistos é fictício porque se faltam registar imparidades, é provável que o rácio de capital que apresenta o NB esteja sobrestimado.

O Governo vai tentar nacionalizar o Novo Banco, se Bruxelas deixar, claro, depois vai culpar o Passos Coelho, e daqui a meia dúzia de anos vai tudo concluir que foi um erro, quando já for tarde. Porque ninguém vai comprar o Novo Banco depois de nacionalizado. Ninguém. Vai ser outro Banif.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:39

Este país é tão 'boring'

por Maria Teixeira Alves, em 05.01.17

O Sporting perde; o Novo Banco é quase vendido but not yet. A nacionalização começa a surgir no horizonte, pois a solução para o Banif foi o Estado, para a CGD é o Estado, para os lesados do BES é o Estado e para o Novo Banco, why not? O Estado mais uma vez, se Bruxelas deixar. Porque, por azar, é um banco de transição saído de uma resolução do BES.

Neste país os fracos são sempre fracos, os fortes são sempre fortes. O status quo rules. 

Não há reviravoltas, nem surpresas boas.

Portugal é boring!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 01:35

champalimaud.jpg

 

Quando em 1999 António Champalimaud, antevendo que o seu Grupo financeiro, um dos maiores à época, se desmantelaria após a sua morte, na guerrilha dos herdeiros e tendo viva a memória do que acontecera à herança Sommer, tenta um acordo com o Emílio Botín para uma parceria que mantivesse intacto o Grupo Champalimaud - BPSM, Totta, Mundial Confiança, CPP e Chemical - levantou-se uma indignação colectiva de que este país é mestre. 

Não faltou banqueiro, opinion maker, que não apelasse ao Ministério das Finanças, na altura era Sousa Franco, para impedir o negócio de venda de 40% do Grupo Champalimaud aos espanhóis. Era o interesse nacional que estava em jogo, a rentabilidade do sistema financeiro português. 

O Ministro das Finanças alegou falha na comunicação e na autorização do ISP, instituto de seguros, por a cúpula do grupo ser uma seguradora (a Mundial Confiança) para chumbar a operação.

Era preciso uma alternativa. A velhice não espera por decretos, e António Champalimaud sabia que teria de resolver a sucessão urgentemente.

O Governo de Guterres, ao bom estilo socialista, logo se assumiu como arquiteto do sistema financeiro (onde é que eu já vi isto? rings a bell? António Costa e a estabilização do sistema financeiro?) e pôs a CGD a fazer aquilo que sabia fazer melhor: comprar participações em empresas portuguesas para as manter em mãos nacionais.

Logo se pôs a CGD (inicialmente presidida por João Salgueiro, mas no ano seguinte, em 2000, por António de Sousa e como Joaquim Pina Moura já a ministro das Finanças) a comprar a Mundial Confiança, na altura por um balúrdio por acção, a qualquer coisa como 12 contos por acção, afinal era a dona de todo o grupo. Ah, mas desenganem-se a CGD compra a Mundial por um balúrdio a António Champalimaud e o BCP em OPA fica com o BPSM pagando com acções do BCP, pois a CGD não precisava do dinheiro, precisava era de ser a garantia da nacionalidade das empresas portuguesas. Podia ter vendido por dinheiro o BPSM na OPA, mas preferiu acções do BCP de Jardim Gonçalves, que tinha uma estrutura acionista muito dispersa e ainda podia aparecer um novo banco espanhol na esquina a lançar uma OPA ao BCP.

O BPSM por sua vez vendia o Totta ao Santander e o CPP idem, o Chemical já nem sei para quem ficou. 

Foi assim a história da CGD, dona parcial de todas as empresas portuguesas de grande dimensão (teve 10% da PT), a empresa que servia de Fundo soberano do Estado português.

Hoje fazem-se comissões de inquérito para tentar acusar o passado da CGD na esperança de se apanhar o adversário político na esquina.

Não mudou muito o papel que os governos (sobretudos os menos liberais e mais de esquerda) querem dar à CGD, o que mudou foi o preço em imparidades que essas estratégias custam).

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 01:29

Pág. 2/2




Bloggers convidados

António Canavarro

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D




Links

Blogs e Jornais que sigo

  •