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Homem

por Maria Teixeira Alves, em 05.07.15

"Não era um grosseiro especulador, mas sim um homem ardente e secreto, com todas as virtudes dos que professam uma forte paixão"

Agustina Bessa Luís, a Brusca

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publicado às 15:09

Interseccionismo

por Maria Teixeira Alves, em 05.07.15

"A superioridade não se mascara de palhaço; é de renúncia e de silêncio que se veste".

Fernando Pessoa

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publicado às 14:10

Grécia: Jogo de sombras

por Maria Teixeira Alves, em 02.07.15

Tudo o que se tem passado na Grécia tem qualquer coisa de teatral. Há um jogo de sombras.Terão as negociações entre os representantes do Governo Grego e os representantes dos credores, Comissão Europeia, BCE e FMI sido verdadeiras negociações? Não me parece. Houve troca do que cada lado pensa e as exigências dos credores para darem mais dinheiro à Grécia, com os gregos a tourear os credores, porque estão protegidos pela certeza que na Europa ninguém quer expulsar os gregos e aliás não há na legislação forma de o fazer contra a vontade do Governo grego. A saída da Grécia do euro teria de ser feita por iniciativa desta, passando a emitir dracmas e a transaccionar nesta moeda.

Para os líderes gregos, uns rapazes que estão inebriados com os holofotes do mundo, esta situação dá-lhes a força negocial que o dinheiro, que não têm, não lhes dá. Por isso desafiam permanentemente os líderes do Eurogrupo. Quando tudo está à beira do colapso, Tsipras ainda atiça mais os gregos contra as medidas de austeridade, e apela ao voto do Não no referendo de domingo. Para mostrar quem manda ali. Os gregos querem ficar no euro, mas se não lhes fazem a vontade votam em referendo contra a Europa. 

Pedro Passos Coelho confidenciou um dia que se fosse Alexis Tsipras estaria preocupadíssimo, porque não há dinheiro nos bancos, nem nos cofres do Estado grego para pagar salários da função pública, para pagar pensões, para já não falar em pagar aos credores. O problema é que com quase 200% da dívida publica sobre o PIB, a Grécia não consegue pagar, não consegue produzir (não exporta quase nada) e precisa de dinheiro. Portanto o que a Grécia quer é ser subsidiada pelos credores europeus, mas continuar com a sua irreverência, para não perder o charme.

Mas consta, que ao contrário dos credores ricos, e dos credores que têm cofres cheios, o primeiro-ministro grego não está preocupado. Todos estão preocupados com a Grécia menos Tsipras e Varoufakis. Quando hoje Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças da Alemanha, revelou que tinha pena do povo grego era disso que falava, dessa irreverência irresponsável dos seus governantes. Evidentemente que todos esperam um novo perdão de dívida à Grécia. Mas o problema é que a Grécia quer que lhe emprestem mais, mas para voltar a não pagar. De hair-cut em hair-cut até ao infinito. A Grécia nunca mais será autónoma financeiramente. Nunca mais voltará aos mercados, acreditem.

Mas o mais engraçado de tudo isto é ver que paradoxalmente a Grécia tem um dom raro: que é o de cativar a simpatia e a caridade. O mistério da emocionalidade. Não que a emocionalidade não seja provocada por interesses egoístas, que é, mas a Grécia tem o dom que algumas pessoas têm e outras não conseguem ter, que é o de inspirar a caridade, de inspirar a simpatia, de inspirar o amor. Não tem nada a ver com a razão. Muitas vezes quem tem razão não inspira o amor e não o consegue cativar. Mesmo que esteja certo e faça tudo bem.

As emoções (que nem sempre nascem de nobres actos) são um mistério insondável.

Todos querem ajudar a Grécia. Então assistimos a um fenómeno curioso: pessoas em todo o mundo estão a mandar dinheiro para a Grécia. Mesmo que nos seus próprios países se revoltem cada vez que os seus governos lhes peçam dinheiro (em impostos e taxas) para ajudar o país a pagar as suas próprias dívidas aos seus credores.  Mas a Grécia tem este dom, que não se explica. Qualquer líder se transforma num Che Guevara, e todos se apaixonam pela Grécia, que é um país pouco cumpridor e cheio de manhas. Até os credores cedem ao charme dos gregos. Não há país que tenha recebido tanta tolerância dos credores europeus como a Grécia, tanta benevolência. E perante tudo isto não pagam e querem mais dinheiro. Por seu turno os parceiros europeus, que é quem menos se devia preocupar, tentam a todo o custo manter a Grécia no euro. Vá lá a gente perceber isto.

Portugal não tem essa sorte. Ninguém se apaixona por Portugal e a caridade não nos bate à porta, A Irlanda não tem essa sorte. Não cativa o amor que os Gregos cativam. 

Noutros pontos do globo, a Islândia não cativou simpatias do mundo quando foi à falência. 

Mas os gregos sim, todos querem tirar os gregos do  sufoco que os próprios criaram, eles sabem disso e tiram disso vantagem.

Lucky Bastards!

 

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publicado às 01:02

"A Mais Bela Noite do Mundo"

por António Canavarro, em 01.07.15

800px-Casa_Museu_Fernando_Namora.JPG

Ontem, e à boleia dos 25 anos da abertura da sua Casa-Museu em Condeixa-a-Nova, ouvi declamarem alguns dos poemas de Fernando Namora e vi - desconhecia por completo esta vertente na sua obra - alguns dos seus trabalhos plásticos. Neste meu regresso ao Farpas, onde não escrevia há algum tempo, deixo-vos este "A Mais Bela Noite do Mundo".

 
Hoje,
será o fim!

Hoje
nem este falso silêncio
dos meus gestos malogrados
debruçando-se
sobre os meus ombros nus
e esmagados!

Nem o luar, pano baço de cenário velho,
escutando
a minha prisão de viver
a lição que me ditavam:
- Menino! acende uma vela na tua vida,
que o sol, a luz e o ar
são perfumes de pecado.
Tem braços longos e tentadores – o dia!

- Menino! recolhe-te na sombra do meu regaço
que teus pés
são feitos de barro e cansaço!

(Era esta a voz do papão
pintado de belo
na máscara de papelão).

Eram inúteis e magoadas as noites da minha rua...
Noites de lua
que lembravam as grilhetas
da minha vida parada.

- Amanhã,
terás os mestres, as aulas, os amigos e os livros
e o espectáculo da morgue
morando durante dias
nos teus sentidos gorados.

Amanhã,
será o ultrapassar outra curva
no teu caminho destinado.

(Era esta a voz do papão
que acendia a vela, tinha regaço de sombra
e velava
as noites da minha rua e a minha vida
e pintava-se de belo
na máscara de papelão).

Hoje,
será o fim!

Hoje,
nem a sombra do que há-de vir,
nem os mestres, nem os amigos, nem os livros,
nem a fragilidade dos meus pés
feitos de barro e cansaço!
Todas as minhas revoltas domadas,
todos os meus gestos em meio
e as minhas palavras sufocadas
terão a sua hora de viver e amar!

Hoje,
nem o cadáver a sorrir na morgue,
nem as mãos que ficaram angustiosas,
arrepiadas
no seu medo de findar!

Hoje,
será a mais bela noite do mundo!
 
in 'Mar de Sargaços'

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publicado às 16:39

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