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Vítor Bento dixit

por Maria Teixeira Alves, em 20.02.15

Vítor Bento sobre a governação de Portugal em austeridade: 

“Tendo-se deparado com a ameaça de bancarrota, por se lhe terem fechado as normais fontes de financiamento proporcionadas pelo mercado, e continuando a acumular consideráveis défices – nas contas externas e nas contas públicas -, não tinha alternativa senão empreender um exigente programa de ajustamento da sua economia, negociado com as autoridades comunitárias, de cuja assistência financeira ficou dependente para não falhar pagamentos e poder distribuir os custos do ajustamento por vários anos.”

publicado às 16:07

BPI, BFA e Santoro que futuro?

por Maria Teixeira Alves, em 18.02.15

Vamos cá pensar na lógica desta OPA do Caixabank ao BPI e da relação que essa operação tem com o excesso de exposição do BPI a Angola desde que os investimentos naquele país passaram a ser ponderados pelo risco a 100 por cento e não a 20% como era antes da decisão do BCE. Esta decisão regulatória, que resulta do facto de o BCE ter retirado aos bancos angolanos o estatuto de equiparado a banco europeu, abriu no BPI uma fenda no capital de mais de três mil milhões de euros.  Isto porquê? Porque cada banco só pode ter 25% do capital em risco para cada devedor. Ora com o ponderador do risco em Angola a disparar o BPI terá de reforçar o capital ou reduzir a exposição a Angola. 

Quanto é que o BPI precisa de capital a mais para manter a maioria do BFA, e continuar a consolidar integralmente? Precisa de aproximadamente 12 mil milhões de euros. Ora a integração do Novo Banco dá-lhe o quê? Mais ou menos 5,5 mil milhões, porque são os 4,9 mil milhões, mais os impostos diferidos de cerca de 600 milhões. Mais coisa, menos coisa, pois que ainda poderão haver outras pequenas operações de libertação de capital no Novo Banco.

Ou seja, a compra do Novo Banco não chega per si para resolver o gap de capital provocado pelo excesso de riscos angolanos. O BPI terá de reduzir a participação no BFA para uma posição inferior a 50%, para deixar de consolidar integramente e passar a consolidar por equivalência patrimonial (linha a linha e não todos os activos e passivos). Em alternativa poderá vender dívida pública angolana (3,8 mil milhões é o que tem), mas nesta altura quem é que quer comprar essa dívida?

Serve isto para dizer que em troca de Isabel dos Santos (Santoro) votar a favor da desblindagem no BPI (e eventualmente vender acções na OPA) o banco de Fernando Ulrich "dá-lhe" uma fatia do BFA. É o que parece decorrer daqui.

Se o La Caixa tiver sucesso na OPA ao BPI, terá de haver dois aumentos de capital, um logo no La Caixa e outro no BPI para este comprar o Novo Banco. 

 

publicado às 14:34

Agora o Governo do Syriza diz que vai afinal pedir a extensão do empréstimo mas não do programa da troika. A Grécia "não se deixa chantagear com ultimatos”, dizia o primeiro ministro grego. Tsipras recusou um prolongamento do programa de assistência financeira à Grécia. Mas o  Schäuble foi contundente: “Enquanto o Governo grego não quiser nenhum programa, não preciso de pensar em opções”.

Isto quem manda é quem tem o dinheiro. 

Mais um bocado e o Syriza mantém a irreverência apenas para o uso da gravata.

publicado às 13:56

Os filhos da primavera árabe

por Maria Teixeira Alves, em 17.02.15

Nunca me canso de pensar que estes terroristas assassinos que por aí andam são os frutos da primavera árabe. O Egipto está pior, a Líbia está pior. Foi como saltar da frigideira para o lume. 

publicado às 22:14

A Teoria de Tudo

por Maria Teixeira Alves, em 17.02.15

 

A história fabulosa e bem realizada (por James Marsh) de Stephen Hawking talvez não chegue a ganhar a estatuteta de melhor filme, mas nunca nos sairá do coração.

Várias coisas surgem à ideia quando se conhece melhor Stephen Hawking, o brilhante fisico teórico e cosmólogo britânico, emblemático ateu que considerava que Deus não cabia nas explicações da origem do mundo. O pai da teoria do buraco negro, depois por si própria rebatida, e da teoria do Big Bang na criação do mundo.

O mais curioso do seu ateísmo é ter casado com uma mulher crente e religiosa, que cantava no coro da igreja, Jane Wilde casou com ele apesar da doença esclerose lateral amiotrófica que lhe foi detectada e que lhe dava dois anos de vida em condições trágicas. O amor e a vida que teve apesar dessas circunstâncias são só por si a prova evidente da existência de Deus. Stephen Hawking teve uma família fabulosa (três filhos) como muitos não têm e foi reconhecido pelo seu brilhantismo em toda a sua carreira como investigador. É, claro está, britânico. Tivesse ele tido o azar de ter vivido em Portugal e teria tido uma vida trágica. Nunca teria casado, seria abandonado e ninguém lhe daria créditos para as suas teorias e estudos.

publicado às 21:18

La Caixa com BPI para o xeque mate à compra do Novo Banco

por Maria Teixeira Alves, em 17.02.15

A chegar ao ponto de ter de apresentar ofertas para comprar o Novo Banco, e estando na corrida mais catorze concorrentes e entre eles estando o "abonado" Santander e o determinado grupo chinês Fosun, é chegada a hora da já esperada OPA do La Caixa ao BPI. Só com o La Caixa podia o BPI comprar o Novo Banco. E o Novo Banco, se por um lado permite ao BPI ter aquela posição de destaque que apenas ao de longe aspirou, por outro e desde que foram introduzidas alterações regulatórias ao sistema bancário angolano, permite resolver um problema urgente ao banco português: o BPI precisa de reduzir o peso relativo do BFA no seu balanço e uma forma de o fazer é aumentar o seu balanço. 

Vamos ver então se a OPA ao BPI tem condições de sucesso ou não. Os espanhóis do CaixaBank lançaram uma OPA sobre o BPI, propondo 1,329 euros por acção, e propõem-se a pagar pelas acções que ainda não têm 1,082 mil milhões de euros. 

A oferta, a pagar em numerário, está condicionada a que o CaixaBank supere os 50% do capital do BPI e à eliminação do limite de 20% dos direitos de voto no BPI. Para a supressão deste limite é necessário o voto favorável de 75% do capital representado na Assembleia Geral de Accionistas do BPI que se convocará para o efeito, no qual o CaixaBank apenas poderá votar por 20%. O histórico recente do BPI é de forte participação nas assembleias-gerais dos accionistas. Na última esteve presente 85% do capital (cerca de 64% do capital do banco teria de votar a favor da desblindagem). O catalão Caixabank é actualmente o maior accionista, com 44,1%, ou seja só precisa de comprar 5,9% para superar os 50% que exige na OPA. Mas ainda tem de fazer passar a desblindagem e o BPI tem ainda dois fortes accionistas, a Santoro de Isabel dos Santos com 18,6% do capital e os alemães da Allianz com 8,4%. No total estes três accionistas têm 71,1% do capital do Banco BPI.

A forma como esta OPA está construída sugere que o La Caixa deixa em aberto que a Santoro e a Allianz se mantenham no capital do BPI e participem na aventura da aquisição do Novo Banco. Mas para isso é preciso que seja o La Caixa a mandar. Estará Isabel dos Santos de acordo? Soube Isabel dos Santos desta intenção de OPA? Muito provavelmente sim. Seria difícil que Fernando Ulrich, que está obviamente de acordo com a OPA (daqui a 8 dias haverá o relatório do Conselho de Administração a pronunciar-se sobre a oferta), não avisasse uma das suas principais aliadas em Angola, onde o BPI tem a maioria do maior banco angolano. 

Já o grupo alemão aparece como um subtil aliado, pois no comunicado do banco espanhol é referida a intenção de manter  vigente a actual aliança de bancaseguros do BPI com a seguradora Allianz. 

O CaixaBank acredita que a oferta sobre o BPI poderá estar concluída no segundo trimestre de 2015. As instituições pré-qualificadas para a compra do Novo Banco têm até 20 de Março para apresentarem as suas ofertas de compra não vinculativas. Vamos ver se desta vez o BPI se funde com o ex-BES.

A ver se acabamos esta história dizendo a célebre frase: Que estranho caminho teve o BES de percorrer para chegar até ao BPI.

publicado às 10:47

Masterchef Australia e as agruras das mulheres bonitas

por Maria Teixeira Alves, em 16.02.15

Masterchef Australia é, para além de um excelente curso e concurso de cozinheiros, e de um excelente programa de televisão, um retrato do ser humano, e do comportamento perante a competição. É um retrato universal do comportamento humano em sociedade. É um retrato das forças e fraquezas, da solidariedade pelos mais fracos, da inveja dos mais fortes, da natural simpatia pelo sexo oposto e rivalidade pelo mesmo sexo.

Reparem neste episódio

Os júris Gary Mehigan, George Calombaris e o crítico Matt Presto tinham escolhido a menina mais bonita do concurso, a modelo Sarah Todd, para regressar ao concurso depois de ter sido eliminada uns episódios atrás. Foi através de um concurso que recuperaram a concorrente, mas talvez as audiências tenham justificado o seu regresso. Sarah, é preciso que se diga, é uma das melhores cozinheiras a concurso. Sempre se notou uma simpatia especial do júri (e provavelmente da audiência) pela Sarah, que além de obviamente bonita (é modelo) era uma das cozinheiras mais profissionais com recurso a técnicas profissionais próprias da cozinha de autor. Talvez essa simpatia do júri fosse na verdade uma protecção face à hostilidade subtil de que era alvo de algumas das concorrentes. Ou talvez a simpatia do júri provocasse uma inveja nos demais. 

O impacto que a beleza provoca dá origem a uma série de reacções, que vão desde a simpatia à ostracização. Nota-se nos outros concorrentes, sobretudo nas mulheres, uma competição permanente e uma certa antipatia materializada em pouca tolerância pela Sarah. 

O concurso ia numa fase em que Tracy, uma excelente cozinheira, tinha ganho a vantagem de escolher os ingredientes e o tempo de preparação dos seus concorrentes (ao todo 11). A escolha dos tempos obedecia a três categorias: 60 minutos; 30 minutos; e 15 minutos. Estava eu a pensar que Tracy iria ser simpática com os homens, naturalmente, e dar-lhe mais tempo e os ingredientes mais fáceis, sobretudo àqueles que são mais próximos, ou que seria mais benevolente com aqueles que não constituem ameaças qualitativas, o que seria normal uma vez que quer ganhar a competição. Normalmente iria favorecer a sua melhor amiga, e iria de certeza escolher duas mulheres, as mais eficientes e bonitas, para lhes dar as piores circunstâncias: 15 minutos. E, pensei, aposto como vai escolher a Sarah para as piores condições de tempo e ingrediente. Iria ser especialmente castigada por ser bonita e melhor cozinheira que as outras. E assim foi, Tracy deu-lhe 15 minutos e escolheu como ingrediente a Dobrada. A Sarah riu-se com a tolerância de quem já esperava que isso lhe acontecesse, que fosse ela a escolhida para o pior tempo e pior ingrediente.

A outra escolhida para os 15 minutos foi Kira, e deu-lhe uma perna de peru, que a levou ao teste de pressão. 

Serve isto para dizer que não é incomum esta ostracização à beleza, sobretudo quando ela é associada à eficiência e à inteligência. As pessoas bonitas e com qualidades acima da média são geralmente muito admiradas e parecem ter o mundo aos pés, mas na verdade são também muito mal amadas pelos seus pares, e muito castigadas por eles. Fazem despertar a inveja e por algum sentimento de injustiça e de necessidade de compensação, as pessoas parecem achar que se deve corrigir o privilégio da natureza.

Este episódio vem confirmar o que há muito já sabia. 

Mas descansem-se que nem assim derrotaram a Sarah. Sarah conseguiu a proeza de cozinhar dobrada frita em polme com molho de tomate em 15 minutos e ser um dos melhores pratos da competição, para desgosto, provavelmente, da Tracy.

Há ainda outro fenómeno interessante a constatar. As pessoas não simpatizam com os tatuados e freaks e assim a tatuada e de orelhas rasgadas, Renae, levou com a maldade de ter de cozinhar uma assustadora enguia. Mas também ela ultrapassou com distinção o desafio.

 

publicado às 23:46

Eurogroup to Greece: Your Move

por Maria Teixeira Alves, em 16.02.15

Finance Minister Jeroen Dijsselbloem

Eurogroup to Greece: Your Move

publicado às 20:39

Dúvidas para Vítor Bento

por Maria Teixeira Alves, em 14.02.15

Neste artigo e especialmente nestas suas duas sentenças Vítor Bento parece defender uma espécie de fundo comunitário para pagar subsídios de desemprego e defende politicas keynesianas para "salvar" a Europa dos desequilíbrios estruturais.

A insistência dos Excedentários – por razões inerentes às suas funções de preferência social – em não prescindir de excedentes externos, contornando o seu dever de ajustamento, tem duas possíveis consequências. Insistindo-se na eliminação unilateral dos défices dos Deficitários, toda a zona euro ficará excedentária e o excedente será reciclado para financiar a procura e o emprego no Resto do Mundo, com sacrifício do bem estar social na Eurozona. Mas se, por outro lado, este bem estar quiser ser salvaguardado, então terá que se aceitar que aqueles excedentes terão que ser espelhados em défices noutros países da união monetária e que deverão ser reciclados (de preferência através de investimento e transferências) para financiar esses défices e colmatar a falta de procura global na zona euro.

(...)
 
O que coloca um importante desafio, cuja resposta deve constituir a principal preocupação da política económica da zona euro: como conciliar a necessidade de ajustamento das finanças públicas de cada país com a necessidade de promover a procura interna no conjunto da zona euro? Um maior orçamento (redistributivo) federal, com capacidade de endividamento da própria União e a reconciliação de alguns excessos de endividamento público individuais com um endividamento globalmente sustentável de toda a zona euro (como é o caso), serão condições necessárias, embora não suficientes. Por sua vez, a federalização dos subsídios de desemprego poderá ser um bom começo para a primeira, e um programa de despesa pública (preferencialmente na forma de investimento) suportado no orçamento comunitário e financiado pelos Excedentários será uma boa forma de reciclar internamente os seus excedentes externos.

 

Defende Vítor Bento uma teoria puramente monetária do ciclo económico? Isso não cria a ilusão que a inflação permanente cria crescimento económico eterno?

Espera Vítor Bento pôr os Estados a financiar a economia com o investimento público? Mas a procura justifica esse investimento?
E como é que espera dinamizar o investimento público sem agravar o défice público? 
Em alternativa defende que os países excedentários devem financiar o consumo nos países deficitários, isto significa que acredita no consumo como motor do crescimento económico por excelência? Defende Vítor Bento a política do dinheiro fácil? Não foi o excesso de crédito? E o crédito barato que conduziu à crise de dívida soberana?
No dia em que a procura dentro da Europa parar de aumentar o que é que acontece? A oferta e a procura equilibram-se? E o que acontece à Economia nessa altura? Nova deflação?
Não há no aumento das exportações esse aumento da procura que Vítor Bento aponta como sendo o busílis da questão?
Defende Vítor Bento que pôr a Alemanha a pagar o subsidio de desemprego dos gregos vai criar crescimento económico na Grécia?
 
Vítor Bento não fala da medida de quantitative easing adoptada recentemente pelo BCE. Não há nesta medida uma resposta a parte dos problemas apontados por Vítor Bento?
 
Será mesmo a crise europeia uma conflito entre nações ou será entre sectores económicos? Ler Michael Pettis.
Poderá a política monetária transformar uma Argentina num Japão? Ler Michael Pettis 

publicado às 23:48

Humor cínico

por Maria Teixeira Alves, em 14.02.15

publicado às 14:40




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