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Corta!

por António Canavarro, em 09.01.15

 Acabo de ler que a Academia tem medo que os Óscares sejam aborrecidos, pelo que decidiram, e como para grandes males há grandes remédios, investir bastante dinheiro em publicidade para não deixar fugir as audiências. De facto, não há grande surpresa nesta decisão, há muito que o cinema para Hollywood deixou de ser uma arte!

 

publicado às 12:14

Sobre o meu regresso

por António Canavarro, em 08.01.15

Fazia tanto tempo que não cumpria a minha missão de escriba, e desta responder de forma continuada ao convite que a Maria me fez há alguns anos. Por um lado, acho que me faltavam motivos, e por outro, o meu tempo é muitas vezes escasso.

Porém, e graças a Deus, há os fundamentalistas, ou seja, há aqueles que na ambivalência que a moral justifica distinguem de forma obtusa o bem e o mal, pelo que, e à boleia deles, regressei. No entanto, espero bem que isto não signifique um regresso definitivo, porque se assim fosse era razão para termos medo, muito medo. De uma vez por todas tínhamos ficado reféns deles, e isso é verdadeiramente assustador!

publicado às 11:19

O Poema Pouco Original do Medo

por António Canavarro, em 08.01.15

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O medo vai ter tudo 
pernas 
ambulâncias 
e o luxo blindado 
de alguns automóveis 

Vai ter olhos onde ninguém os veja 
mãozinhas cautelosas 
enredos quase inocentes 
ouvidos não só nas paredes 
mas também no chão 
no tecto 
no murmúrio dos esgotos 
e talvez até (cautela!) 
ouvidos nos teus ouvidos 

O medo vai ter tudo 
fantasmas na ópera 
sessões contínuas de espiritismo 
milagres 
cortejos 
frases corajosas 
meninas exemplares 
seguras casas de penhor 
maliciosas casas de passe 
conferências várias 
congressos muitos 
óptimos empregos 
poemas originais 
e poemas como este 
projectos altamente porcos 
heróis 
(o medo vai ter heróis!) 
costureiras reais e irreais 
operários 
       (assim assim) 
escriturários 
       (muitos) 
intelectuais 
       (o que se sabe) 
a tua voz talvez 
talvez a minha 
com certeza a deles 

Vai ter capitais 
países 
suspeitas como toda a gente 
muitíssimos amigos 
beijos 
namorados esverdeados 
amantes silenciosos 
ardentes 
e angustiados 

Ah o medo vai ter tudo 
tudo 

(Penso no que o medo vai ter 
e tenho medo 
que é justamente 
o que o medo quer) 



O medo vai ter tudo 
quase tudo 
e cada um por seu caminho 
havemos todos de chegar 
quase todos 
a ratos 

Sim 
a ratos 

Alexandre O'Neill, in 'Abandono Viciado' 

publicado às 11:08

Grandiosidade e revelação

por Maria Teixeira Alves, em 07.01.15

Acabo de ver o trailer deste filme: SONO DE INVERNO. O novo filme de Nuri Bilge Ceylan que venceu a PALMA DE OURO do Festival de Cannes (vai estar em exibição no Nimas a 8 de Janeiro).

No meio dos diálogos (fantásticos) há um que dá respostas ao meu intimo.

Ela para ele: "És um homem culto, justo honesto e consciencioso. Mas às vezes usas essas virtudes para sufocar as pessoas. Para as esmagar e humilhar".

Ele para ela: "Idolatrares um homem como um Deus e depois revoltares-te contra ele por não ser um Deus. Achas isso justo?"

A ideia que ser virtuoso não chega para potenciar o amor dos outros. A ideia que a virtude pode esmagar e revoltar os outros, e que o virtuoso não percebe porque é que é vítima do mal dos outros quando tem tantas virtudes, é uma coisa tão grandiosa na revelação que até arrepia. Parece dar respostas a tantas perguntas e explicar tantos mártires.

A virtude esmaga os outros que não a conseguem ter e dá origem aos maiores males do mundo. É certo. 

Depois a virtude leva à idolatria e não ao amor. Amam-se as fraquezas não as virtudes.

 

 

publicado às 22:47

Je suis Charlie

por António Canavarro, em 07.01.15

Não sou, nunca fui um grande entusiasta dos jornais satíricos, embora aprecie um bom cartoon, pois chegam onde muitas vezes as palavras não conseguem. No entanto, enquanto ocidental, e na minha condição de Homem Livre, não posso ficar indiferente à barbárie, à incapacidade de mentes pequenas serem incapazes de filtrar, i.e., separando o acessório do essencial. Por isso, tanto aqui, tal como postei ali, eu hoje “Je suis Charlie”!  

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publicado às 16:36

Desejos sinceros e inconfessáveis

por Maria Teixeira Alves, em 06.01.15

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publicado às 14:48

O Valor do Silêncio

por António Canavarro, em 05.01.15

Hoje, porque me apetece elogiar o silêncio ou,  melhor dizendo, a capacidade de nos sabermos calar, de saber que existem momentos onde a palavra, mesmo que necessária, fere, encontrei este texto de  Clarice Lispector (1968) que me parece adequado, pelo que o partilho aqui:

 

O Valor do Silêncio

“Tantos querem a projeção. Sem saber como esta limita a vida. Minha pequena projeção fere o meu pudor. Inclusive o que eu queria dizer já não posso mais. O anonimato é suave como um sonho. Eu estou precisando desse sonho. Aliás eu não queria mais escrever. Escrevo agora porque estou precisando de dinheiro. Eu queria ficar calada. Há coisas que nunca escrevi, e morrerei sem tê-las escrito. Essas por dinheiro nenhum. Há um grande silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras. E do silêncio tem vindo o que é mais precioso que tudo: o próprio silêncio.” 

publicado às 15:35

O Homem do Hino

por António Canavarro, em 02.01.15

 

 

Ontem, primeiro dia do ano, o país político ouviu a tradicional Mensagem de Ano Novo do Presidente da República ao país. Eu ouvi-o como se fosse uma espécie de música de fundo: estava à lareira quando na sala ao lado quando Cavaco Silva discursava. 

Podia ter-me levantado, e ir ouvi-lo. Podia mas não o fiz, na realidade já esperava (como li hoje no Público) que ele dissesse o que disse. Só não esperava a reacção do meu filho de quase 6 anos, quando, no final tocou a Portuguesa, disse: "Ó pai anda cá, anda cá ver o homem do hino." 

publicado às 17:38

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