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As Comissões Parlamentares de Inquérito à celebração de contratos de gestão de risco financeiro por empresas do sector público são verdadeiras aulas de mercados financeiros. Ao ouvir o Paulo Gray descobri que o swap de grau 1 (plain vanilla) é um swap de cobertura de risco de taxa de juro, em que no máximo se paga a taxa de juro fixada (ex: 5%) e o que se perde é o custo de oportunidade de a taxa variável estar a um nível mais baixo do que a taxa fixa contratada.
Mas há os temíveis snowball. O cupão é sempre adicionado. Por exemplo: aposta-se que a Euribor nunca baixa abaixo dos 2%, e com isto paga-se um cupão mais baixo, mas se a Euribor cair abaixo dos 2% há um acrescento gradual e acumula a taxa. A taxa acumula e pode chegar aos 10% e quando a Euribor sobe acima dos 2% a taxa continua a ser de 10%.
O pior cenário de um plain vanilla é pagar por exemplo 5%. Num snowball, o pior cenário é um juro crescente cumulativo que no limite pode ser um múltiplo das taxas de juro. Snowball pode ter um cap, o que é menos mal, mas sem cap não há limite para a subida dos juros.
O Metro do Porto contratou snowballs de grau 5. Ora eu acho que os snowballs deviam ser proibidos. Sobretudo os sem cap. Who on heart authorize them?
Diz-se que o azar de uns é a sorte de outros. Se bem que, para o bem da colectividade, onde as maiorias possibilitam uma maior estabilidade política, o azar do PSD de Santarém, que ficou a 2 votos (!!!) de atingir a maioria absoluta, é o azar de todos! O sistema "the winner takes it all" seria bem mais eficaz, porém o nosso sistema eleitoral, bem confuso, não o permite. Porém, e num registo mais divertido, a piadola que circulava entre os scalabitanos utilizadores do Facebook, há que o reconhecer, e sem pinga de azia, que tem muita graça. Alguns socialistas gozaram com a situação dizendo ter sido um grande melão. Tem toda a razão, uma vez que o 5º vereador, o que daria a maioria, tem de apelido este delicioso fruto estival: o Melão!

Em entrevista à Antena 1, o coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, além de ter recusado a "a possibilidade de sair do partido", mesmo depois do desaire eleitoral , admitiu "que o Bloco tem “um mau trabalho local” e que não apresentou candidatos “credíveis”. Ora, se por um lado é verdade que o "bloquistas" tiveram um resultado miserável, com apenas 2,42 % dos sufrágios, por outro lado há que aplaudir a sua "consciência" porque o próprio, ao ter concorrido a Lisboa, reconheceu ser um candidato muito pouco "credível". Acresce ainda que este desaire era esperado: como é que eles queriam vencer onde quer que seja se a sua agenda política se traduziu em coisíssima nenhuma, como seja: impugnar listas autárquicas e a tentar criminalizar os piropos?