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Nestes dias, correm pelas penas desta blogosfera acusações de falta de inteligência por tudo e por nada. Isto num país em há muita gente que nem o currículo universitário completo tem (não é condição de falta de inteligência, mas também não dá o direito a se insinuar que outros têm "capacidades cognitivas medianas" como já para aí vi escrito sobre um banqueiro).
Fica aqui um artigo de um dos homens verdadeiramente inteligentes que o jornalismo conheceu:
Miguel Esteves Cardoso: o elogio aos católicos portugueses
Como judeu que sou tenho orgulho em elogiar os católicos portugueses, que não só são como estão cada vez melhores.
Quando a Maria João e eu estávamos a atravessar os piores bocados foram muitos padres e bispos que nos escreveram, animando-nos e falando menos do Deus que nos une do que das orações e esperanças que juntam os seres humanos que estão bem aos que passam mal. Escreveram sem sugerir resposta. Até essa liberdade me deram.
Respondo-lhes hoje, obliquamente. Foi graças ao D. António Ribeiro [anterior cardeal-patriarca de Lisboa], por intercessão da minha mãe, que as minhas filhas, por vontades próprias, foram baptizadas com 12 anos.
Devemos-lhe também uma das poucas grandes traduções da Bíblia: uma das duas em língua portuguesa. A outra, posterior, foi de Joaquim Carreira das Neves, outro grande padre, teólogo e ser humano.
No “Público” de anteontem [sábado, 18.5.2013] a capa anunciava, com uma fotografia certa, que «D. Manuel Clemente, bispo do Porto, é hoje anunciado como o novo patriarca de Lisboa». Deixou-me uma impressão de felicidade, a aliança de coração e de inteligência que tem Manuel Clemente.
Mas o que mais me comoveu foi uma citação, na página 13, do bom do D. José Policarpo (o cardeal-patriarca de Lisboa até ontem), uma pessoa com sensibilidade, coragem, generosidade e clareza.
Disse ele, caracteristicamente: «[A] mudança da pessoa é um pormenor. Se vier outro, no dia seguinte [à minha saída] continua onde eu estava.» Sim. É mesmo assim: como deveria ser. Ainda bem.
Notas:
Título original do texto: "Lição de humildade".
O autor escreve segundo o anterior Acordo Ortográfico.
Miguel Esteves Cardoso
In Público, 20.5.2013
Foi descoberta uma opereta que Eça de Queirós escreveu com o crítico e diplomata Jaime Batalha Reis em 1869, e a ser publicada brevemente pela Caminho. É uma excelente descoberta. O "timing" é também o ideal! Nada melhor do que uma opereta para retratar Portugal na actualidade. Somos um país verdadeiramente "buffo", de gargalhada!
Publicado também aqui.


Sabem qual é a diferença de um buraco de um meio buraco?
Esta adivinha faz-me lembrar a esquerda para quem buraco é buraco e coitados daqueles que de lá querem sair, empreendendo, procurando soluções. Coitados. São vilmente atacados!

«As cartas, – escreve Pedro Gadanho na carta que me escreveu – são e devem ser os instrumentos da insurreição.» Como são os portugueses a insurgirem-se pela via epistolográfica? A julgar pelas cartas que gentilmente me escreveram, são bastante bons. Os portugueses são tão comedidos e cerimoniosos a falar como violentos e insubordinados a escrever»
Miguel Esteves Cardoso, "Cartas portuguesas" in "Os Meus Problemas".
Recordo este texto porque cada vez mais os blogs tornaram-se, porque já ninguém escreve cartas, em "instrumentos da insurreição"e no palco de excelência para a violência e insubordinação tuga!
Faz hoje 15 anos que inaugurou a Expo 98. Foram momentos marcantes para Lisboa e o país que dificilmente se repetirão. Pessoalmente, porque sobrevivi a estes memoráveis tempos, ganhei aí o meu futuro: uma mulher e dois filhos maravilhosos! Foi um pretérito (mais que) perfeito!
Este miúdo que com 16 anos que criou um negócio de desenhar roupa "surf style", foi alvo da troça da esquerdalha residente no Prós e Contras, e alvo de uma pergunta tendenciosa da Raquel Varela, que também é de esquerda. Claro que já andam a troçar do miúdo pelos blogs da esquerdalha. Mais uma vez pessoas que não criam emprego e que trabalham não se sabe em quê.
Raquel Varela é autora do livro "Quem paga o Estado Social", onde "prova que os trabalhadores pagam mais do que recebem do Estado" (espectáculo) e que diz esta pérola (e disto sei eu) que "outro número que está no livro é o cálculo do roubo e do colapso para a segurança social que significa a transferência do fundo de pensões da banca e da Portugal Telecom falidos e que foram transferidos para a Segurança Social".
Falidos?! Ó God! os fundos foram com os activos para fazer face às responsabilidades futuras. Os governos gastaram os activos, mas os fundos de pensões não têm culpa disso.
Bill Clinton disse hoje que
"Europa não vai recuperar mantendo a austeridade"
Ora o contrafactual também não é verdadeiro.

Estou em transe com o que tenho lido, seja a favor ou contra a co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo. A falta de nível que me tem sido dado a ler é demonstrativa do desnorte que tem destrambelhado a sociedade portuguesa, como é demonstrativa da incapacidade dos políticos portugueses para legislarem sobre questões fracturantes. Os políticos deveriam dedicar-se à política, aos assuntos de Estado. Só isso, o que é muito! As outras questões, como seja o aborto, o casamento e adopção por pessoas do mesmo sexo, em si mesmo fracturantes, deverão sempre ser optadas, em democracia directa.