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O passado nem sempre é um bom lugar para visitar.

Li num desses jogos de previsões do destino: "um amigo de alma afasta-se". Interessante designação.

Já tinha escrito aqui, que via no Presidente do BCE, Mário Draghi, alguém com ideias novas para a Europa. E a sucessão dos acontecimentos não me desiludiu. Draghi é hoje o responsável pelas taxas de juro implícitas às obrigações portuguesas estarem a cair na generalidade dos prazos com a maturidade a três anos a registar uma descida de 17,7 pontos base para 4,54% e nas obrigações do tesouro a cinco anos, a taxa estar a perder 1,6 pontos base para 6,38%.
Mario Draghi continua a conduzir as taxas de juro implícitas às dívidas de países como Portugal, Espanha e Itália a quedas significativas. Ainda que contra a vontade do Governador do banco central alemão que foi o único que votou contra a retoma do programa de compra de dívida pelo Banco Central Europeu por considerar que viola o Tratado. O que é mais ou menos a mesma coisa que impedir os bombeiros de apagar um fogo porque não chegou a autorização da Câmara.
O que é certo é que o anúncio do plano de compras de obrigações ilimitadas no mercado secundário está a fazer subir o preço das obrigações, o que leva a uma descida das taxas de juro a elas associadas. E hoje há uma luz ao fundo do túnel para sair da crise financeira, sobretudo para os países da zona euro em dificuldades financeiras.
Viva Draghi!
A soberba nunca desce de onde sobe, mas cai sempre de onde subiu

Recuando ao passado lembro-me que os "seres vivos são seres animais e vegetais que existem na Natureza". Assim, estranho o sectarismo que a associação Animal emprega na sua nova colecção de “crachás”, incentivando as pessoas serem "vegan", i.e., vegetarianos. Se uma galinha não quer ser comida porque raios o repolho quer ser? E, já agora, não me venham com a treta da capacidade cognitiva que é inexistente ou quase!
Há um Freitas do Amaral histórico que tinha um coração que batia à direita. Hoje há um Freitas do Amaral em que o coração bate à esquerda.
Este " eletrocardiograma político" é a (minha) interpretação óbvia da notícia segundo a qual ele sugere que haja "uma “tributação especialmente pesada para quem ganha mais de dez mil euros por mês, já que “todos têm de contribuir para pagar a crise, não podem ser só as pessoas da classe média”!
Se há questão filosófica que me intriga é a da liberdade. Seremos nós livres? O que é a liberdade? Ou a questão central está no livre-arbítrio, que é definido como a vontade livre de escolha, as decisões livres, o juízo livre, que é a capacidade de escolha pela vontade humana entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, conscientemente conhecidos?
A mim sempre me pareceu que o lívre-arbítrio, que atravessa a história da filosofia (lembram-se de Hume?), é o mais adequado para definir aquilo de que falamos quando falamos de liberdade. Mais do que propriamente o conceito de liberdade, que é definido como a ausência de submissão, servidão e de determinação.
A questão é que a liberdade é uma falácia porque é condicionada pelas circunstâncias. A liberdade sem o livre arbítrio, sem a possibilidade de exercer a vontade livre de escolha, não serve para nada e é um conceito vazio. Para ser livre é preciso poder haver condições para se poder exercer essa vontade. Todos podemos ser livres, mas nem todos podemos ter o livre-arbítrio, nem todos podemos exercer livremente a nossa vontade de escolha. Porque as circunstâncias podem ser prisões subtis e limitarem o nosso livre-arbítrio.
Estou muito mais inclinada a concordar com os filósofos Spinoza e Schopenhaeur:
Spinoza compara a crença humana no livre-arbítrio a uma pedra pensando que escolhe o caminho que percorre enquanto cruza o ar até o local onde cai. Ele diz: "as decisões da mente são apenas desejos, os quais variam de acordo com várias disposições"; "não há na mente vontade livre ou absoluta, mas a mente é determinada a querer isto ou aquilo por uma causa que é determinada por sua vez por outra causa, e essa por outra e assim ao infinito"; "os homens se consideram livres porque estão cônscios das suas volições e desejos, mas são ignorantes das causas pelas quais são conduzidos a querer e desejar" (respectivamente Spinoza, Ética, livro 3, escólio da proposição 2; livro 2, proposição 48; apêndice do livro 1).
Schopenhauer, concorrendo com o que Spinoza, escreve: "cada um acredita de si mesmo a priori que é perfeitamente livre, mesmo em suas acções individuais, e pensa que a cada momento pode começar outra maneira de viver [...]. Mas a posteriori, através da experiência, ele descobre, para seu espanto, que não é livre, mas sujeito à necessidade, que apesar de todas as suas resoluções e reflexões ele não muda sua conduta, e que do início ao fim da sua vida ele deve conduzir o mesmo carácter o qual ele mesmo condena."

Por vezes, com coisas simples assim, sem muitas palavras, enxergamos mais longe.