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Dia de finados ou do elogio da vida

por António Canavarro, em 01.11.11

 

 

 


Entre hoje a amanhã, os cemitérios enchem-se: festeja-se a morte e a vida. A vida de quem parte e a morte de quem fica. Como sábias são as palavras que Marcel Duchamp (1887-1968), o inventor dos “Ready Made”  escolheu para o seu epitáfio, e com as quais concordo plenamente: Aliás, são sempre os outros que morrem!”

 

 

Não há nada mais natural do que nascer e morrer. Com a morte celebra-se a vida. Já escrevi aqui, num pensamento muito meu que "A história não está no inicio – como por exemplo de uma caminhada, de uma peregrinação – nem no fim. Está no meio, no trajecto!". Pois quando rumamos ao cemitério, e no nosso jazigo, repousa, entre ilustres anónimos, Manuel da Silva Passos (São Martinho de Guifões, Bouças, 5 de Janeiro de 1801 — Santarém, 16 de Janeiro de 1862), sentimos a história com “H” maiúsculo. Sentimos a sua biografia e o retrato de um certo Portugal, que ele queria maior. Um homem que, com as suas convicções inabaláveis, entre os feitos dignos de realce, lutou para que a educação fosse universal.

Na história de um país, quando os regimes mudam, escolhem os seu “heróis acidentais”. Com Passos Manuel foi diferente: desde a monarquia, a Primeira República, o Estado Novo e agora ele sempre foi referência incontestável!

A importância exemplar do seu legado, não obstante a existência de desertores, é indubitável:  tendo morrido em Santarém em Janeiro de 1862 foi dos políticos portugueses a quem lhe foi erigida uma estátua em tempo recorde: 2 anos. De facto, e por subscrição popular, existe na Cidade de Matosinhos, Concelho de onde era natural, um monumento que, por decisão dos seus conterrâneos, foi erigido. Um feito verdadeiramente singular!

 


São de exemplos assim – existiram seguramente outros no nosso devir colectivo – que o país precisa. Hoje, ao ir visitar os meus antepassados, sobretudo daqueles de quem sinto mesmo falta, com quem lidei diariamente , recordo o legado do meu tetravô Nota.

 

Estátua de Matosinhos

Nota : Para os interessados na forma com Passos Manuel foi recordado após a sua morte aconselho a leitura do trabalho de investigação do Dr. Yann Loïc Araújo “Passos Manuel Morte e Memória” uma publicação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e da Fundação Passos Canavarro, editado em 2004.

O trabalho só foi possível graças à assinatura, em 2001, de um protocolo entre as duas instituições. O Dr. Yann Araújo foi bolseiro desta fundação.

 

publicado às 16:14

Alma Perdida

por Maria Teixeira Alves, em 01.11.11

 

Interessante argumento deste filme (comédia) dirigido por Sophie Bartes: Cold Soul, em português Alma Perdida

 

Dr. Flinstein (David Strathairn), says that humans are like circus elephants trained to walk against a pole, Paul Giamatti, less interested in philosophy than results, responds with, “I don’t need to be happy. I just don’t want to suffer.” The doctor responds with "you thought you could live without suffering, everyone wants to be happy".

 

Uma comédia negra que tem o seu ponto cómico mais alto quando a alma, que é "extraída" de Giamatti, salta para o chão, e é na verdade... um grão de bico.

 

Paul Giamatti era infeliz e vai a uma centro dador de almas, para trocar a dele. Recebe um alma de um dador anónimo. Mas não corre bem, porque, diz Giamatti, ganha uma alma que ele sente que é para "uma vida muito maior". Fantástica esta revelação, a de há almas que parecem ser para uma vida maior do que a que se tem.

Já senti isso de ter uma alma que é para uma vida maior, assim como se a alma tivesse um número acima do corpo onde está inserida.

publicado às 01:32

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