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viver ultrapassa qualquer entendimento

por António Canavarro, em 10.12.18

Se fosse viva, Clarice Lispector, faria hoje 98 anos. Faço a referência à escritora brasileira de origrem ucraniana, porque, e não obstante as confusões que o mundo enfrenta, "viver ultrapassa qualquer entendimento"! 

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

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publicado às 16:17

A crónica de um suposto funeral

por António Canavarro, em 05.12.18

As pessoas, à boleia deste "youtuber", andam alarmadas. Dizem que se trata do fim da Internet e das redes sociais. São os efeitos dos artigos 11 e 13 , de uma directiva europeia "relativa aos direitos de autor no mercado único digital".

Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de Esquerda, disse mesmo que promove a censura: "a censura naquilo que consideramos ser um espaço de liberdade (...). Como as plataformas e as redes sociais não querem ser responsabilizadas por deixar passar conteúdos protegidos, o que fazem é apertar cada vez mais a circulação livre, ao ponto de não incluir conteúdo de terceiros. É um ataque aquilo que são os direitos dos utilizadores. Somos todos vítimas”.

Do meu ponto de vista, é uma evidência que a "propriedade intelectual" no " mercado único digital" não está   regulamentada. E todos nós, mesmo que inadvertidamente, ao partilharmos algo, estamos ferir os direitos de autor. É, mesmo, o que acabo de fazer postando este vídeo. Mas partindo deste pressuposto para o "enterro" da Internet e das redes sociais é pura ficção cientifica. É, por outro lado, não entender a história das tecnologias, ou seja: porque quando a tecnologia abre janelas –  e foi assim desde a criação da roda – ninguém as conseguirá fechar!

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publicado às 11:13

Lá & Cá

por António Canavarro, em 04.12.18

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Porque é que se fazem eleições, se referendam propostas etc., se tudo no final termina onde começou, na rua?

Isto vem a propósito da vitória dos Coletes Amarelos que após muita traulitada, e em França é sempre assim, o governo francês recuou na sua intenção de aumentar o preço dos combustíveis.

E nós, que temos combustíveis com elevada carga fiscal o que fazemos?

Nada! Passamos o tempo a assobiar para o lado. E os brandos costumes não fazem andar os carros.

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publicado às 12:44

The Good, the Bad & the Queen

por António Canavarro, em 19.11.18

Este é um dos temas do novo projecto musical de Damon Albarn.

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publicado às 17:45

A alma é um vício

por Maria Teixeira Alves, em 18.11.18

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Gosto de relações humanas que ficam sempre acima das intempéries, que sobrevivem às intempéries, por mais fortes que elas sejam. São raras, muito raras.

O amor é sempre uma luta contra milhares de forças escondidas que vêm dos outros, do mundo, da natureza, das circunstâncias e de nós próprios.

Já a amizade não vive no mesmo ringue de batalha do amor e por isso é mais fácil passar ao lado das adversidades. Excepto quando não é assim. Excepto quando se revela que afinal também não está acima das intempéries. Às vezes a amizade também sucumbe ao deslumbramento e à insegurança, aos interesses egoístas, à vaidade.

As pessoas que gostam de ser idolatradas e querem agradar carregam em si toda a violência do mundo.

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publicado às 15:13

O famoso "diabo" da economia começa a mostrar a cauda

por Maria Teixeira Alves, em 15.11.18

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Os dados económicos do INE não são animadores. A economia portuguesa cresceu 0,3% no terceiro trimestre, depois dos 0,6% do segundo trimestre. Em termos homólogos, a economia cresceu 2,1%, o ritmo mais lento desde a primeira metade de 2016. Antes (no segundo trimestre) estava a crescer 2,4%. 

Isto é, a economia portuguesa desacelerou para o ritmo mais lento dos últimos dois anos. As exportações e consumo privado, que têm sido o motor do crescimento, abrandaram. Só não foi pior porque houve mais investimento, mas ainda assim não serviu para compensar a queda do consumo das famílias.

Mas António Costa preferiu destacar que Portugal voltou a crescer mais do que a média europeia e do que a zona euro. “Desde que aderimos ao euro, isto nunca tinha acontecido, a não ser o ano passado e está a acontecer este ano”, disse o nosso primeiro-ministro.

Faltou acrescentar que apesar de estar acima da média Portugal registou a quinta taxa de crescimento mais baixa da zona euro. 

A isto acresce outra má notícia para a economia. O PIB da Alemanha contraiu pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2015, segundo a estimativa do gabinete de estatística alemão divulgada esta quarta-feira, 14 de Novembro.

Faltou ao Governo falar do que ainda pode estar para vir ao nível da desaceleração da economia europeia.

Portugal arrisca a perder o impulso no turismo. A isto não será alheio o facto de a Câmara Municipal de Lisboa ter introduzido uma moratória que durante um ano vai limitar a abertura de novos estabelecimentos de alojamento local nas freguesias. Durante um ano vai ficar proibida a abertura de novos estabelecimentos de alojamento local nas zonas históricas, que são as zonas que os turistas preferem.

O imobiliário para investimento pode assim acabar por ficar mais condicionado. E as famílias que usavam as casas para rentabilizar com o Airbnb vão perder esse rendimento extra. Mas em troca não há sinais que o preço do arrendamento em Lisboa vá cair e ajustar-se aos salários baixos dos portugueses - temos um número de trabalhadores a receber salário mínimo como nunca aconteceu, são mais de 700 mil pessoas. Os números são de António Leitão Amaro.

Há casos dramáticos de pessoas de 60 anos que veem os senhorios não renovar os contratos de arrendamento e deixam de conseguir alugar casas em Lisboa e mesmo na área da Grande Lisboa.

 As universidades não têm residências universitárias o que torna infernal a vida a estudantes que veem de fora da capital.

Resultado. A economia vai perder a força sem que os salários dos portugueses tenham chegado sequer a recuperar da crise.

Portugal é um país condenado, inserido numa Europa que perde o comboio da evolução e crescimento (tudo o que é inovação vem dos EUA ou da China).

Portugal é ainda o país onde o problema demográfico tem maior expressão na Europa. Políticas para isso no OE2019? Não há.

É o país que tem o maior problema de dívida do Serviço Nacional de Saúde aos privados (os prazos de pagamento rondam os 270 dias enquanto em Espanha 70 dias é o prazo médio de pagamento das dividas dos hospitais públicos). E não é possível agilizar porque tudo exige a aprovação formal e burocrática do Ministério das Finanças. Tudo exige concursos públicos de seis meses. Há situações em que quando a única pessoa que introduz faturas no sistema, nos hospitais públicos, está de baixa, o serviço pára porque não é possível substituir pessoas sem toda uma complexa burocracia. "Somos todos Centeno", como disse o Ministro da Saúde que acabou substituído.

A descentralização devia começar no SNS (dar autonomia aos hospitais públicos para gerir). Mas o Governo prefere falar da descentralização que passa por promessas ideológicas de transferir o Infarmed para o Porto. 

António Costa é o campeão do "com a verdade me enganas", porque usa números bons para criar uma realidade doirada que na verdade não existe. Mas o que está a despontar é uma espécie de cauda do diabo de que a esquerda tanto fez troça.

(atualizada)

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publicado às 00:33

Finanças rules, quem manda é o Mário Centeno

por Maria Teixeira Alves, em 25.10.18

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A UTAO (Unidade Técnica de Apoio Orçamental) constatou que há 590 milhões nas despesas que constam nos mapas da Proposta de Lei do Orçamento de Estado para 2019, a menos do que aquilo que Governo diz no relatório do Orçamento e que por isso o défice deveria ser de 0,5%. Portanto se essas despesas lá estivessem como deviam o défice seria maior. O Governo veio dizer que é um "procedimento habitual".

"Um orçamento define tectos máximos de despesa. É porque se furam tectos máximos de despesa que há rectificativos", disse Mário Centeno, que assegura que  "em todos os anos, sempre houve um ajustamento face ao que são os mapas das contas sectoriais e os cálculos do total da despesa na administração central e na administração pública".

Pelas palavras do ministro, pode depreender-se que em todos os orçamentos há uma espécie de almofada financeira entre o défice estimado e as despesas constantes nos mapas por sectores.

Isto é, seguindo uma prática já usada em orçamentos anteriores, o Governo está, no cálculo da meta de défice para o próximo ano, a assumir logo à partida que não irá descongelar uma parte substancial das cativações que estão previstas na proposta de OE entregue no parlamento. Em causa estão 590 milhões de euros que, caso viessem a ser descongelados, poderiam, num cenário em que tudo o resto se mantivesse igual, conduzir a um défice de 0,5% em vez dos 0,2% que são apresentados como meta para o próximo ano

O que é que de facto se passa? António Lobo Xavier foi bastante elucidativo sobre este tema na Quadratura do Círculo.  Os técnicos da UTAO quando dizem que o saldo orçamental para 2019 é revisto em baixa no montante de 0,3 p.p. do PIB, passando da cifra -0,2% do PIB projetada na POE/2019 para -0,5% do PIB, têm razão.

Quando Mário Centeno diz que o PIB vai ser 0,2%, também tem razão, porque o défice está construido de modo a ser o que as Finanças decidem no fim do ano. Pois as despesas a mais que estão inscritas no OE, são limites, não vinculam a gastos obrigatórios. Portanto o truque de Mário Centeno é inscrever despesas a mais no OE. Despesas discricionárias, que pode não cumprir, e depois se as receitas previstas não se cumprirem Centeno não cumpre as despesas em nome do défice.

"A inscrição de uma despesa não significa a obrigação de gastar aquele montante, significa apenas um limite. Não posso ultrapassar aquele limite, mas não sou obrigado a chegar lá", é o lema de Centeno no que se refere ao OE.

Isto é, os partidos da geringonça estão todos contente com as suas medidas estarem no OE 2019, mas algumas são despesas que Mário Centeno inscreve como teto máximo, mas que se for necessário não concretiza essas despesas que não são obrigatórias. Portanto os ministérios têm verbas inscritas no OE que nada garante que possam usar.

A estatística da execução orçamental é que dita a verdade do OE.

Faltam também receitas nos documentos do OE, segundo Lobo Xavier, logo o Ministro joga com uma carga fiscal que será provavelmente maior, e a despesa inscrita só vai ser usada na medida em que o défice fique nos 0,2% ou menos.

Já agora acrescenta-se outra medida dada à esquerda, mas nem tanto:

Depois de várias declarações a anunciar, nomeadamente de um acordo entre o BE e o Governo, a descida do IVA na cultura de 13% (a taxa intermédia) para 6% (a taxa mínima), a proposta concreta do OE 2019 detalha que esta descida só se aplica ao que for "realizado em recintos fixos de espetáculo de natureza artística". Ou seja se o concerto acontecer num espaço público o IVA mantêm-se a 13%.

 

(atualizada)

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publicado às 23:44

Escrito na pedra

por António Canavarro, em 25.10.18

Liberdade não é poder escolher entre preto e branco mas sim abominar este tipo de propostas de escolha.”

Theodor Adorno

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publicado às 14:52

Nós, europeus, hoje!

por António Canavarro, em 24.10.18

No ensaio a “Ideia de Europa”,George Steiner, escreveu ["A Ideia de Europa", Lisboa, Gradiva, 2005]: “A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados pelos gangsteres de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkgaard passava nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo. Não há cafés antigos ou definidores em Moscovo, que é já um subúrbio da Ásia. Poucos em Inglaterra, após um breve período em que estiveram na moda, no século XVIII. Nenhuns na América do Norte, para lá do posto avançado galicano de Nova Orleães. Desenhe-se o mapa das cafetarias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da ideia de Europa”(p.26). Adiante acrescenta: “Mas a Europa é também o espaço que se pode percorrer a pé, sem acidentes geográficos ou distâncias que nos derrotem, solidificando uma ‘uma relação essencial entre a humanidade europeia e a sua paisagem:

Metaforicamente, mas também materialmente, esta paisagem foi moldada, humanizada, por pés e mãos. Como em nenhuma outra parte do globo, as costas, os campos, as florestas e os montes da Europa, de La Coruña a S. Petersburgo, de Estocolmo a Messina, tomaram forma, não tanto devido ao tempo geológico como ao tempo histórico-humano’ (p.28)

No comentário que fez a esta obra, José Henrique Dias, do Instituto Superior Miguel Torga, conclui que este ensaio de Steiner é “ fundamentalmente um alerta para que a ideia de Europa não caia “naquele grande museu de sonhos passados a que chamamos História”.

O problema da Europa, ou se preferirem da crise da Europa – e note-se que faz parte da nossa genética, desde as calendas gregas, estar em crise: de estar e sair da crise, construindo o que fomos – é a incapacidade de nos adaptamos à actualidade, i.e., ao real, num tempo em que o virtual domina.

Aquilo que são as características marcantes do “ser europeu”, os cafés e a mobilidade foram sequestrados pela modernidade tecnológica, onde as pessoas não necessitam disto – ou seja, de estar num café ou caminhar para existir – porque tudo se dilui na virtualidade, na alteração profunda do conceito de contacto: na necessidade de estar num café para dialogar ou de ir, caminhando, para contactar a diferença e conhecer o outro.

Aquilo que marcou o lugar do europeu no mundo, e estou a falar da ideia/necessidade da descoberta, só foi e é possível num continente como um nosso, que geograficamente está mal definido: a Eurásia!

Hoje, e sobretudo pelas suas consequências político-económicas, procuramos medir as consequências do Brexit. Da saída da Grã-Bretanha do “sonho/projecto” europeu. Acontece que eles – que são ilhéus e onde “não há cafés” – na realidade não são “verdadeiramente” europeus, mesmo até quando se inventou uma prótese – o túnel da Mancha – para suprir essa falta de pertença!

Por outro lado, e fruto da globalidade vigente, onde vigora a lei da “fast food” e dos Starbucks, ou seja, a maior cadeia de cafeterias do mundo, que impede pela natureza destes estabelecimentos o contacto directo e a demora, fundamentais para conhecer e se fazer conhecer, perdemos o prazer da aventura que sempre foi razão intelectual da nossa existência: Se a Agora socrática se transformasse num balcão de um “fast food” ou  Starbucks, nunca seríamos o que ao longo de século fomos: sem conhecer, sem a troca de ideias, por mais adversas que tenham sido, mas que condimentaram o nosso devir, a Europa era algo de falhado, ou melhor nem existia…! Seríamos a continuidade do continente asiático. E mais: nem teríamos uma religião unificadora, o que não acontece na Ásia, como o cristianismo. O sucesso da nossa religião é também ela fruto da nossa particularidade geográfica e dialogante!

Hoje na Europa, porque nos esquecemos dos nossos contactos de proximidade, já que graças à tecnologia estamos a milhas daqui, estamos condicionados “à vida dos outros”. Ou seja, estamos mais preocupados com as eleições brasileiras, como o que pensa Trump ou como os efeitos da nova “maluquice” inventada pelo regime norte-coreano do que com os nossos problemas. Com os problemas que estão à nossa porta!

 

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publicado às 10:45

Sem duvida...

por António Canavarro, em 23.10.18

"O riso é a sabedoria, e filosofar é aprender
a rir.
Sem a liberdade de rir, de caçoar e fazer
humor, não há progresso da razão."


Georges Minois in "História do riso e do escárnio"

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publicado às 11:00



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