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Alberto e Charlene

por Joana Mello, em 04.07.11

 

Todos os herdeiros das actuais monarquias reinantes europeias estão casados com plebeias ou plebeus, sem sangue real nem aristocrata, descendentes de taxistas, mineiros, piratas etc. E ainda bem, se os nobres continuassem sempre a casar entre si acabariam feios, gordos, estúpidos e com graves problemas de saúde, como era o caso antigamente (salvo raras excepções). O sangue deve ser renovado e Alberto do Mónaco também não quis fugir à regra. Já a noiva é que parece ter querido fugir-lhe a dias do casamento, segundo o L'Express, pelo menos.

Quem acompanhou a emissão televisiva há-de ter estranhado a falta do habitual carinho e sorrizinhos entre os noivos, as mãos dadas com demasiada força etc. Nada disso, Alberto mal olhou para a noiva, nunca sorriu e quando ela chorou não se mostrou afectado. As famosas irmãs idem, nem um sorriso para as câmaras, excepto quando posaram para as revistas. E por isto só quem viu a emissão televisiva (e está em casa desempregado) pôde aperceber-se desta frieza, o que as revistas mostram não é real (e também tenho visto muitas já que a minha mãe está no hospital).

Alberto do Mónaco precisa urgentemente de um filho, caso contrário o principado volta para o domínio francês, (segundo dizem na Visão). Para esse fim escolheu uma ariana de excelente forma física, mas de cabeça muito instável pois a rapariga não pensou duas vezes antes de pôr em perigo o nome, os negócios, a diplomacia e a própria existência do pequeno principado. Isto promete a boa trapalhada amorosa a que o Mónaco já nos habituou.

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publicado às 19:46
editado por Maria Teixeira Alves às 23:41

A Árvore da Vida

por Joana Mello, em 07.06.11

Fui ao cinema. Cheguei atrasada mas a tempo de apanhar o statement sobre o qual se constrói todo o filme: «Há a via da graça e a via da natureza». A partir daí foquei a minha atenção académica e emocional no modo como o relizador iria apresentar-me o que interpretei como as duas dimensões com que completamos o ser humano: a física e a metafísica. Malick misturou-as e fundiu-as, tanto na história (no pai e na mãe), como nas imagens da vida na Terra que nos chegavam com grandiosidade estética e melódica. A pessoa ao meu lado queixou-se de ter pago para ver o National Geographic mas não me deixei distrair por esse comentário óbvio porque estava a tentar apanhar a perspectiva e não o objecto em si e a gozar a capacidade única do cinema para construir tempo e espaço à velocidade da luz, ou à velocidade do pensamento (sou daqueles que ainda agradece aos Santos Lumière pela graça do cinema, bom e mau).

Entretanto informei-me e vim a saber que este filme é considerado pretensioso. De facto, a mensagem que veicula é extremamente simples e os suportes que a sustentam são extremamente rebuscados, o que, segundo Umberto Eco, é a definição de mau gosto. Todavia, assim sendo, a capela sistina é extremamente pretensiosa, a nona sinfonia é pretensiosa, os poemas de amor são pretensiosos, a maior parte das tragédias gregas (que tratam o mesmo problema exposto em Árvore da Vida) são pretensiosas etc. etc. - eu própria sou pretensiosa. Um dos problemas é que fazer um poema visual sobre a condição humana arrisca sempre alguma pretensão, algum tropismo, que, como sabem, se alimenta dos lugares-comuns da retórica, quer queiramos quer não. Outro problema é que o filme é belo, esteticamente aprazível, e suponho que os fãs de Malick, exijam arte e não design, isto é, exijam algo chocante e não algo «decorativo»; mas este é um problema que afecta toda a arte actual que vive em litígio com a beleza, os artistas fogem hoje do cânone do belo como como o diabo da cruz, com medo de não parecerem artistas, felizmente o realizador borrifou nesta fobia. Pessoalmente gostei muito. A princípio pensei estar apenas perante um remake do 2001 Odisseia no Espaço, mas no fim saí do cinema com a sensação de que 2001 foi um mau remake deste filme. Gostei da angustia entre repressão e expansão, gostei da cisão entre entrega e conquista. Gostei, é claro, porque sou pretensiosa, do grande paradoxo humano representado nos filhos, ou seja, na possibilidade de fim e de continuidade. Eu explico. Os filhos são passaporte da nossa felicidade (a felicidade é o futuro, a vida eterna, a dimensão para além de nós) mas são também o passaporte da mais atroz infelicidade: se os perdemos, se morrem, morre com eles não apenas a nossa pessoa mas a promessa da nossa pessoa, morre a nossa salvação, morre o eu e morre o eu depois de mim. No entanto esta tragédia só existe no pensamento físico e linear. No pensamento metafísco não há tragédia porque a linha da vida se apresenta ciclicamente e não linearmente, a esfera não tem fim nem princípio, qualquer ponto é o centro e a angústia desaparece ao aceitarmos que a árvore da vida é naturalmente a árvore da morte. Catitérrimo.

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publicado às 22:45

Espartaco

por Joana Mello, em 30.05.11

Ando a ver esta nova série da Fox, «Espartacus». Não é especialmente boa, nem especialmente má e é suficientemente fiel à documentação histórica sobre essa outra profissão mais antiga do mundo: o gladiador (que tanto origina em guerreiros mercenários como desemboca em jogadores de futebol).

A violência é estética qb (o sangue é jorrado num efeito propositadamente fictício) de modo a que não seja necessário que o telespectador feche os olhos durante os combates, e se o sexo é bastante realista será porque já ninguém se importa com a explicitude. De qualquer forma aconselha-se viewer discretion. Confesso que o que me levou a ver o primeiro episódio foi a perfeição simétrica da cara do actor que anda por aí nos placards de rua, com muito mais appeal que o gladiador original Kirk Douglas, no entanto, depois de filmado, vê-se que não tem a mesma potência esteroide de Douglas.

A receita de Hollywood para nos identificarmos com prostitutas ou gladiadores é sempre a mesma: são obrigados a aderir à velha profissão para alimentar os filhos ou salvar amados, de qualquer modo uma boa dose de violência estaminal faz-me sempre bem para sair da apatia de domingo à noite e enfrentar a arena da semana de trabalho. Por outro lado continua a ser simpático ver homens desviarem-se com destreza de uma matraca de ferro com picos só pelo amor de uma mulher, sobretudo porque hoje dificilmente nos emprestam um chapéu-de-chuva. E depois há todas as outras personagens e situações cujo protótipo ainda vigora, os que têm sede de poder, os manipuladores, os que promovem uma gestão danosa para viver na aparência de riqueza, etc.

 

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publicado às 14:33



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