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Do gene canhoto às cambalhotas

por António Canavarro, em 28.06.17

Nem sempre estou a par das notícias, sejam elas importantes ou folclóricas. E folclore tem um leitura imediata, cultural, i.e., vinda das nossas raízes ou metafórica. E a notícia – lida na página de um amigo no Facebook, é disto que se trata: de folclore, já que na realidade não interessa - serve somente para um “momento jornalístico” e é sobretudo uma cambalhota, aliás mais uma no percurso político de quem afirmava ter um gene canhoto, bem patente quando militou no Bloco de Esquerda. Joana Amaral Dias parece um ginasta olímpica!

Fiquei espantado por ela, após uma aventura pela coligação Agir, nas legislativas de 2015, ser é a candidata do Nós, Cidadãos! à presidência da Câmara Municipal de Lisboa.

O filósofo francês Pascal dizia que “quem não mudou de ideias é porque provavelmente não teve nenhuma”, e com o qual estou de acordo. Percebo, por exemplo, que Zita Seabra tenha deixado a ortodoxia comunista, porque viu a realidade sob um outro olhar. Mostrou, a meu ver, inteligência e oportunidade. Optou pela social democracia. No entanto, com este ziguezaguear Amaral Dias, além de ser – e para mim é o que isto significa – puro folclore, e mais uns minutos de fama – tal como quando se despiu para uma revista – reflecte uma imagem de oportunismo que só serve para desgastar a imagem da classe política, e desde logo a sua: se fosse eleitor em Lisboa – e inclusive tinha em boa conta o Nós, Cidadãos! - não lhe daria o meu escrutínio: ela não transmite nenhuma coerência e tampouco credibilidade!

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publicado às 12:27

Da opinião e das ideias: um retrato.

por António Canavarro, em 27.06.17

A respeito do que tenho lido um pouco por todo o lado, faço esta reflexão, a que intitulei "Da opinião e das ideias: um retrato."

 

 

Roberto Calasso, ensaísta e ficcionista florentino, em “Os quarenta e nove degraus”, escreve: “A história da opinião é a história mais obscura. Não há nada mais óbvio do que a opinião”, acrescentando, no entanto, que “os vastos pastos da opinião são o orgulho da civilização” e que a “opinião é acima de tudo um poder formal, um virtuosismo que aumenta constantemente, que ataca todos os materiais” (Livros Cotovia, 1996).

Um dos grandes críticos da opinião foi Karl Kraus (1874-1936), para quem “a opinião pode falar de tudo, mas não pode dizer tudo”, acrescentando que – e desde sempre - o órgão oficial da opinião é a imprensa. Hoje, graças aos diversos desenvolvimentos tecnológicos, a opinião está disseminada na globalidade que as rede da comunicação, e em particular nas redes sociais, possibilitam. Opina-se em todo o lado!

 

A referência a este dramaturgo, jornalista, ensaísta, aforista e poeta austríaco, tem, neste contexto, importância, porque serviu-se da “Die Fackel”, revista por si fundada, “para criticar os compromissos, as injustiças e a corrupção, e muito em particular a corrupção da língua”. Para Kraus, “qualquer pequeno erro na escrita é responsável pelas grandes tragédias no mundo. Assim, via na falha de uma vírgula um sintoma de que o estado do mundo permitiria uma guerra mundial”.

Esta referência parece-me ter importância num contexto tecnológico onde a projecção da palavra é global. Provocando, por um lado, uma clara alteração no “ordenamento do espaço e do tempo” [Edmundo Cordeiro; 2000], espelhando o que Ernst Jünger (1895-1998) definia como “mobilização total”: “A mobilização total (…) é, em tempo de paz como em tempo de guerra, a expressão de uma exigência secreta e constrangedora à qual submete esta era das massas e das máquinas” [Ernst Jünger; 1990]. Um conceito que o pensador, arquitecto e urbanista francês, Paul Virilo, transformou em “velocidade”, ou seja, “uma concepção de um tempo de exposição (cronoscópio) da duração dos acontecimentos à velocidade da Luz” [Paul Virilo; 1995].

Daí que sejamos - à boleia desta submissão das massas e das máquinas, com consequências evidentes na “mobilização do nosso campo de percepção” - confrontados com a “ilusão do mundo” e com as mais diversas virtualidades. Sendo o exercício da crítica e da suspeita, a “tábua” para a nossa salvação. Em suma, há que saber encontrar o real, neste “palheiro” a que a realidade parece ter sido confinada. Por outro lado, a crítica supõe um postulado ético já que nos convida a (procurar) ver melhor: “por vezes basta olhar de outra maneira para ver melhor”[Paul Virilo; 1995]!

 

Num dos números da Die Fackel, Kraus escreveu: “há muitos que partilham das minhas ideias. Eu é que não as partilho com eles. Se alguém perfilha todas as minhas ideias, isso não quer dizer necessariamente que a adição resulte num todo. Mesmo que eu próprio não tivesse nenhuma das minhas ideias, ainda seria mais do que um outro que perfilha todas as minhas ideias.” Ou seja: o ser humano é sempre “mais do que a soma das nossas ideias”. Com efeito, nós, tal como Janus, temos duas faces: ora somos emissores, ora somos receptores de ideias, pelo que, a questão traduz-se realmente na falta de espírito crítico e/ou na capacidade da suspeita; na necessidade de seremos capazes de desconfiar! Por outras palavras: como nem tudo o que luz não é de ouro é preciso estarmos atentos!

 

Não se trata, porém, de um problema novo. O que é novidade é a velocidade com que as ideias se espelham. Não foi por causa da transmissão de más ideias que foram cometidos os maiores crimes contra a humanidade, e que estão na base dos movimentos totalitários nascidos no século passado? Não é por ameaças análogas que os “verdadeiros” europeístas suspiram de alívio quando uma ameaça populista perde nas urnas? Com efeito, temos que ter “bons olhos”, e sobretudo a capacidade de adaptação e de resistência para não ceder à realidade. Não é porque uns, sempre em nome de visões circunscritas da realidade, se acham no direito de inverter o mundo que devemos ceder. É esta a pedagogia. É isto que devemos transmitir aos nossos filhos, como é esta a grande missão da educação. É preciso, e sem medo, transmitir os valores em que o Ocidente se baseia. Caso contrário regredimos no tempo!

 

Ninguém está impedido de partilhar as ideias dos outros. É um direito que nos assiste. O que acontece – e isto é grave – é que vivemos presos às ideias dos outros. As ideias dos outros tem o mesmo efeito perverso do eucalipto: secam tudo o que lhes rodeia, secando a autonomia das nossas ideias. Hoje, como disse recentemente António de Castro Caeiro numa entrevista à TSF, “as pessoas não pensam em voz alta”! Acrescento: nem em voz alta, nem em voz baixa: As pessoas simplesmente não pensam!

 

Acontece, todavia, que o fenómeno não é novo. Ou seja, esta imensa preguiça intelectual não é, de facto, recente. Aliás, como dizia Alexandre Herculano, “o homem é mais propenso a contentar-se com as ideias dos outros, do que a reflectir e a raciocinar”

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publicado às 12:36

Escrito na pedra

por António Canavarro, em 27.06.17

Em ano de eleições autárquicas recordo uma citação de Abraham Lincoln para quem “um boletim de voto tem mais força que um tiro de espingarda.”.

 

Ele tem razão, pois um voto faz a diferença. No entanto, tal afirmação não o livrou de sido assassinado. Efectivamente, e mesmo em democracia, há quem ache que com tiros, bombas, etc., podem reescrever a história!

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publicado às 11:36

A pressão jornalística portuguesa ao El Mundo

por Maria Teixeira Alves, em 26.06.17

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Os jornalistas portugueses não se conformam. O El Mundo atreveu-se, tamanho desplante, a pôr em causa o Governo das esquerdas unidas. Mas que sacrilégio.

Tudo por causa do El Mundo ter noticiado na passada quarta-feira as críticas crescentes à "gestão desastrosa da tragédia" por parte do Governo do primeiro-ministro António Costa, prevendo até "o fim da carreira política" do governante português. No mesmo artigo, o jornal espanhol refere ainda que as principais reivindicações têm recaído "em particular" sobre a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.

O artigo desta quarta-feira, intitulado "Caos no maior incêndio da história de Portugal: 64 mortos, um avião fantasma e 27 aldeias evacuadas", pretende fazer um rescaldo da situação em Portugal ao quarto dia do incêndio em Pedrógão Grande. São ainda apontadas falhas "na coordenação das autoridades, tanto a nível dos trabalhos de extinção, como da comunicação com os media".

Eis que de repente há investigações e denúncias ao jornalista (imagine-se). Queriam identificá-lo para o ostracizar? Para o banir? Para descobrir algum podre que o desacreditasse? Descobrem que não o descobrem e com tamanha lata questionam o El Mundo, como se o jornal não tivesse competência para escolher jornalistas, ou para decidir a credibilidade das reportagens que publica.

Mas o conteúdo da notícia é falso? Isso nem é tema.

O importante é expô-lo na praça pública. Os portugueses queriam queimá-lo na fogueira do mediatismo. Mas lamentavelmente não têm uma cara para acusar, um cadastro, um currículo. Querem obrigar o jornal a revelar o culpado de ter criticado um governo de esquerda. O El Mundo não sabe que isso é imperdoável a um jornalista em Portugal.

Chega ao cúmulo de os jornalistas portugueses, representados pelo Sindicato, pedirem explicações a um jornal espanhol, fundado em 1989 e que vende mais do que o Correio da Manhã  (vou rever a minha condição de sindicalizada), e que não recebe lições dos jornalistas portugueses. Quem é o jornalista que assina como Sebastião Pereira e que escreveu o artigo? A Comissão da Carteira também questiona.

O El Mundo nem queria acreditar e a editora de internacional vê-se obrigada a desligar os meios de contacto.

Respondeu ao sindicato de jornalistas portugueses. "Nada fizémos de errado, recorremos a um jornalista que utiliza pseudónimo e que já conhecemos bem". Respondeu a editora da secção de Internacional do 'El Mundo' ao português Sindicato dos Jornalistas. "Párem de me atacar no Twitter! Párem de me enviar emails! Párem de tentar telefonar-me! Em 22 anos nesta secção nunca me aconteceu algo assim, nem nos casos da Venezuela ou da Turquia!" Nem mais.

Mas o importante agora é saber quem escreve? Ou o importante e refletir-se sobre o que está escrito? Algum leitor lê a assinatura dos artigos? O importante é confiar no jornal e na credibilidade editorial de um jornal. Se o jornalista assina com pseudónimo, ou se não assina sequer não é importante.

Cito um comentário que li no Facebook. "Não consigo perceber que no ano 2017 quando não estamos de acordo com o que se escreve se comece a chamar de facho".

Está ao nível de uma Venezuela, no doubt!

 

P.S. O artigo foi publicado pelo El Mundo, logo vincula ao El Mundo. Não é importante saber se foi o jornalista A ou o jornalista B, não vos parece?

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publicado às 01:05

Foto de Joaquim Casqueiro.

Até agora ainda não percebi porque é que a GNR não cortou o trânsito na estrada nacional 236, já chamada como a estrada da morte?

Será que ouvi bem alguém dizer que as pessoas foram encaminhadas pela GNR para aquela estrada?

Não deviamos já ter prática em incêndios ao ponto de haver especialistas a orientar as populações para as melhores práticas a adoptar?

 

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publicado às 23:35

Das opiniões a Murphy. Um retrato da calamidade

por António Canavarro, em 19.06.17

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Imagem encontrada aqui

A propósito do que se tem escrito sobre o incêndio de Pedrogão Grande, e sobretudo o número abismal de vitimas - se não fossem as mortes não seria "mais um outro incêndio" a lamentar - recordo a leitura de uma obra de Roberto Calasso, ensaísta e ficcionista florentino, que em “Os quarenta e nove degraus” (Livros Cotovia, 1996), escrevia sobre a opinião.

Dizia ele:“a história da opinião é a história mais obscura. Não há nada mais óbvio do que a opinião”. “Os vastos pastos da opinião são o orgulho da civilização” e (sobretudo) “porque a opinião é acima de tudo um poder formal, um virtuosismo que aumenta constantemente, que ataca todos os materiais”.

O maior detractor da opinião foi o vianense Karl Kraus [1874-1936], para quem “a opinião pode falar de tudo, mas não pode dizer tudo.”

Num estado como o nosso, em que a liberdade de expressão passou, pelo menos legalmente, a estar garantida, as opiniões elas valem o que valem. Kraus dizia mesmo que “as boas opiniões não têm valor. Depende de quem as tem.” E, de facto, o elitismo opinador é uma realidade incontornável, uma profissão! E o pior é que eles, tal como os operários, tem que assinar o ponto, nem que seja para “encherem chouriços”!

A calamidade do passado fim-de-semana, que teve o condão de unir os portugueses - somo excelentes a celebrar e a chorar em uníssono - foi sobretudo um dia de muito azar. Um dia em que as circunstancias, ambientais e outras, fazem-me recordar a célebre Lei de Murphy: "qualquer coisa que possa ocorrer mal, ocorrerá mal, no pior momento possível”! E foi o que precisamente aconteceu!

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publicado às 22:40

Macronite

por António Canavarro, em 19.06.17

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Será que a "macronite" é para ficar? E já agora, quais serão os efeitos desta eleição em outros estados da União Europeia?

Por outro lado, ao darem esta maioria absoluta ao centro, os franceses terão passado um cheque em branco ao movimento de apoio ao Presidente Emmanuel Macron, La République en marche em coligação com os centrista (centro esquerda) do MoDem? Talvez sim, porém, e como os conheço bem - sou casado com uma francesa - a oposição será feita nas ruas, e muito provavelmente a ferro e fogo!

A elevada abstenção, 57,36 %, é também um bom indicador que os tempos futuros não serão fáceis para Macron e a maioria!

 

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publicado às 11:32

A Morte Chega Cedo.

por António Canavarro, em 19.06.17

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A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.

O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.

E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto.

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'
 
Como não sabia como expressar o meu sentimento por estes concidadãos que morreram ceifados pelo incêndio deste sábado, encontrei neste poema, de Fernando Pessoa, uma forma de o fazer. Outra, que já o fiz, é orar. Orar muito: pelos mortos e, principalmente, pelos vivos que tem que viver, dia após dia, com a ausência de quem partiu.

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publicado às 10:37

Nos dias que correm...

por Maria Teixeira Alves, em 12.06.17

Foto de António Pereira de Carvalho.

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publicado às 22:55

Um (bom) fenómeno

por António Canavarro, em 12.06.17

Tenho estado a ler um dos ensaios da Fundação Francisco Manuel dos Santos da autoria do politólogo Carlos Jalali sobre Partidos e sistemas partidários. É um ensaio, e nessa qualidade vale o que vale. E por ter sido publicado recentemente, em Abril, não dá o devido enfoque à eleição de Emmanuel Macron e, muito menos, ao sucesso do seu movimento político: La République en Marche (A República em Marcha).

Tal como na vitória nas presidenciais, parece que está a ocorrer em França uma revolução política, tendo castigado os partidos tradicionais, em particular os socialistas. Algo muito parecido com o que aconteceu em Portugal, nos idos anos 80, com o sucesso (temporário) do Partido Renovador Democrático.

Emmanuel Macroné é um fenómeno que seguramente irá dar campo, entre os cientistas políticos, a muitos estudos. É uma clara vitória do centro político em França e, para mim, um rasgo de esperança: sempre me considerei um centrista. Defendo que é no centro que está a virtude. Só o centro é o antídoto às ameaças populistas que assustam quem, como eu, acredita no projecto europeu!

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publicado às 15:06

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