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BPI tem de se divorciar de Isabel dos Santos

por Maria Teixeira Alves, em 05.01.16

Se há alguma coisa que transparece da troca de cartas e recados entre a administração do BPI e o accionista angolano Santoro (de Isabel dos Santos que em Angola é accionista do BFA através da Unitel) é que o futuro passa por um divórcio. 

O BPI tem de deixar partir o BFA e em troca tem de convencer Isabel dos Santos a sair do capital do BPI: O Caixabank tem de ser o comprador desse capital, desbloquear os votos e fazer o banco liderado por Fernando Ulrich partir para outras aquisições. Em Portugal, através da compra pelo BPI do Novo Banco, por exemplo, ou aquisições fora de Portugal (evitem Brasil, Angola e Moçambique) de forma a voltarem a ser um grupo com lucros consolidados (o que deixa de acontecer sem o BFA). 

Este é o momento ideal para o fazer, se não o fizerem agora poderão não ter nova oportunidade e o BPI pode estar em risco. Ou poderá cair no colo de Isabel dos Santos. 

A carta de Fernando Ulrich à Unitel de Isabel dos Santos é o culminar de um casamento dificil que teve já fortes revés, como a oposição à OPA da Caixabank, que impediu que o BPI se mantivesse na corrida ao Novo Banco; uma proposta de fusão com o BCP, do accionista angolano, que ficou na gaveta por inacção; esta cisão simples com destaque dos activos angolanos que tem agora a oposição violenta do grupo de Isabel dos Santos e uma proposta alternativa para comprar 10% do BFA por 140 milhões de euros, sendo que apenas 50 milhões são pagos pela Unitel o resto é ao longo de três anos, provavelmente com os lucros do BFA. 

Será esta solução proposta suficiente para ultrapassar os grandes riscos a Angola? Vejamos o que diz a carta publicada hoje na CMVM, do BPI em resposta à carta da Unitel:

"Porém, perante o enquadramento e as circunstâncias que acima se descreveram, o Conselho de Administração do BPI concluiu que nenhuma delas se apresentavam como meio adequado para resolver a questão da ultrapassagem do limite dos grandes riscos para o qual o banco tem de apresentar uma solução dentro prazo que para o efeito se encontra definido por decisão do BCE.
(...) o BPI irá agora analisar as propostas apresentadas por V. Exas, e transmitir-lhes-á a sua posição sobre as mesmas logo que tal análise se encontre concluída".

É este o momento para negociarem um divórcio amigável. Parece-me.

P.S. Obviamente que um cenário de compra do Caixabank da posição da Santoro implicaria uma OPA.

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publicado às 18:05

Quem nos ama não menos nos limita

por Maria Teixeira Alves, em 05.01.16
Não só quem nos odeia ou nos inveja
 

Não só quem nos odeia ou nos inveja

Nos limita e oprime; quem nos ama

                Não menos nos limita.

Que os deuses me concedam que, despido

De afectos, tenha a fria liberdade

                Dos píncaros sem nada.

Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada

É livre; quem não tem, e não deseja,

                Homem, é igual aos deuses.

 

Odes de Ricardo Reis . Fernando Pessoa. 

 

 
 

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publicado às 02:22

Unitel dá raspanete à administração do BPI

por Maria Teixeira Alves, em 03.01.16

 

6.-Isabel-dos-Santos.jpg

"Foi sem surpresa da nossa parte que recebemos a notícia da não aceitação pela CMVM da solução de cisão simples com recomposição do capital social. Mas foi com inaudita surpresa que recebemos a informação que o Banco BPI, tendo já recebido duas informações da Unitel que não aceitava a cisão simples, entendeu aprovar essa mesma cisão no Conselho de Administração, apresentar o seu projecto a registo na Conservatória, encontrando-se prevista para proximamente a convocação de uma Assembleia Geral  para sujeitar à decisão dos seus accionistas".  É com esta frase que a empresa de Isabel dos Santos torna pública a guerra com a administração do BPI. Chega a usar o adjectivo "desrespeitoso" para se referir ao board do BPI, por este ter abandonado o processo negocial para aprovar uma solução que será rejeitada pela Unitel de modo "final e definitivo". Assim, sem papas na língua.

Aquela frase da Unitel num comunicado em que relata o confronto de posições e propostas alternativas apresentadas é bem reveladora da guerra fria que se vive no BPI. Mas neste caso há um prazo para uma solução: Março de 2016. 

Dado esse prazo a Unitel, de Isabel dos Santos, nesta altura, já só deixa uma alternativa ao BPI: comprar a maioria do BFA. O negócio que está em cima da mesa é válido até ao fim deste mês de Janeiro. Ainda deixa ao BPI a porta a uma parceria com acordo parassocial (que será alterado face ao actual) que deixa, por exemplo, o pelouro do risco do BFA ao BPI, numa clara tentativa de agradar ao BCE que excluiu Angola de país equiparado à Europa em termos de regulação bancária.

A Unitel chumba assim peremptoriamente a cisão dos activos africanos e avança com uma proposta firme de compra 10% do BFA, oferecendo em troca 140 milhões de euros (dos quais 50 milhões são pagos imediatamente e o resto ao longo de três anos). A Unitel diz que será possível obter as autorizações regulatórias e fechar a compra até 10 de Abril, já depois de Março, que é o prazo dado pelo BCE para o BPI cumprir a obrigação de reduzir a sua exposição a Angola, que agora pesa a 100% no rácio de capital do BPI. Mas será que vender 10% do BFA é suficiente para que o BPI cumpra a regra europeia em termos de capital?

Em primeiro lugar é preciso perceber porque é que o BPI, pelo facto de ter 50,1% do BFA em Angola, passou a ultrapassar a exposição a grandes riscos com consequências violentas no rácio de capital do banco liderado por Fernando Ulrich? O Banco Central Europeu, liderado por Mario Draghi, introduziu no início de 2015 uma nova forma de contabilização da exposição indirecta dos bancos supervisionados pelo BCE a Angola, país que não adopta regras de supervisão e regulação idênticas às da Comissão Europeia. Esta situação alterou o cálculo dos activos ponderados pelo risco, ou seja, que são tidos em conta nos rácios de solidez de capital dos bancos exigidos pelos reguladores. Na prática os investimentos dos bancos portugueses naquele país passaram a ser ponderados pelo risco a 100% e não a 20% como era antes da decisão do BCE.

Tem, depois disto, o BPI condições de manter a parceria com Isabel dos Santos em Angola e cá? Parece-me pouco provável. O BPI vai perder esta guerra em Angola. Angola é deles. Acabará por ter de vender mesmo o BFA, se calhar mais do que os 10% que a empresária angolana se propõe comprar.

E cá? Poderá Isabel dos Santos manter-se accionista com 19% do BPI? Quererá Isabel dos Santos ficar na estrutura de capital do BPI à espera de ver cair a actual administração? À espera que o Caixabank desista de se manter accionista? Haverá no Caixabank interesse em ficar num BPI doméstico, sem qualquer participação num banco em Angola?

Acho que a situação de Fernando Ulrich é hoje muito complicada. Terá de aproveitar esta oportunidade para negociar a bem com Isabel dos Santos um divórcio completo e amigável. Saída completa do BPI em troca da venda da maioria ou tudo do BFA. Não há outro caminho. Doutra forma o BPI acabará no cair no colo de Isabel dos Santos.

 

 

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publicado às 22:17

As personalidades de 2015

por Maria Teixeira Alves, em 03.01.16

Figuras de 2015?

Diria Pedro Passos Coelho por ter Governado um país em plena troika e ter conseguido em 2015 deixar um país em crescimento, depois de uma saída limpa, com um saldo primário positivo nas contas públicas e de ter conseguido vender a TAP e concessionar as empresas de transportes tradicionalmente deficitárias, e finalmente por ter ganho as eleições legislativas em coligação com o CDS;

António Costa por ter tomado o poder através de um pacto de Varsóvia, que é como quem diz, um pacto com os partidos de esquerda (PCP e Bloco de Esquerda). Conseguiu chegar a primeiro ministro com menos votos do que o partido vencedor, e ser um governo ainda mais minoritário do que seria o governo da coligação vencedora. Instaurou uma nova ordem nacional a de que o Parlamento é que decide o Governo e abriu o caminho para o governo de partido único (o PS) para as próximas décadas.

Jorge Jesus por ter tido a coragem de bater com a porta de um Benfica ingrato e de ter aceite treinar o Sporting, e de o ter trazido às glórias de outrora. Jorge Jesus deu ao Sporting a dignidade que há muito tinha perdido; e tem a força de carácter de suportar os golpes baixos que parecem vir directamente do mundo subterrâneo, como os processos em Tribunal.

Vladimir Putin O presidente russo por ter despoletado a verdadeira caça ao Estado Islâmico. Por ser determinado e corajoso e foi o mais eficaz a bombardear, a destruir e a travar o grupo terrorista que julga que é um Estado.

Carlos Costa Depois de ter em 2014 destapado o véu sobre as contas do Grupo Espírito Santo, ter revelado a falência do grupo, ter corrido com Ricardo Salgado do BES, e ter aplicado uma medida de Resolução, decidida em Bruxelas, ao banco com quase 150 anos de História, que muitas vítimas provocou, conseguiu ser reconduzido no cargo de Governador do Banco de Portugal. Falhou na venda do Novo Banco, mas acaba a protagonizar mais uma solução de recapitalização do banco que passa por não pagar a dívida aos obrigacionistas seniores que sejam institucionais (voltam para o BES). Acaba o ano a cumprir a instrução do BCE de aplicar uma Resolução ao Banif e a vender o banco ao único candidato que se apresentou verdadeiramente a comprar os activos bons do Banif: o Santander Totta. Uma solução que provoca mais lesados. Carlos Costa ficará na História pelo Governador que mais bancos viu sucumbir. 

 

Eduardo Stock da Cunha é o presidente de um banco que tem de restituir ao Fundo de Resolução o maior encaixe possível para que as perdas para os bancos do sistema sejam as menores possiveis. Tem o desafio mais dificil de cumprir. Tornar rentável um banco de transicção que cada vez precisa mais de capital. Vender activos e melhorar a qualidade da carteira de créditos. 

 

Bruno de Carvalho  por presidir ao Sporting e o estar a pôr a caminho de ser campeão. Pode ser muito arruaceiro, inconveniente, muito provocador. Mas não está com meias tintas e não se detém no políticamente correcto.

Angela Merkel pelo seu difícil papel este ano a resolver o problema da Grécia que ficou à beira da bancarrota com o Tsipras no poder. E pelo seu tacto na resolução do problema dos refugiados da Síria.

Catarina Martins por ter levado o seu partido BE a ter a maior votação de sempre (não é um feito que me agrade, confesso. O BE é o meu partido desfavorito porque é um partido com uma filosofia de que não gosto, um partido sem grande ideologia política, foi criado para que a esquerda urbana se pudesse rever nalgum partido).

Maria Luís Albuquerque pela saída limpa; pela diplomacia com que lidou com a troika, e pelo bom senso com que representou Portugal junto das instâncias europeias conseguindo algumas vezes cedências que foram importantes no contexto. Pela coragem de avançar com a privatização da TAP mesmo sob uma chuva de críticas e ataques pessoais. Infelizmente não conseguiu resolver a venda do Novo Banco, nem resolver o Banif em tempo útil. São os seus dois calcanhares de Aquilles.

A banca foi o sector mais dificil de gerir. A CGD nunca conseguiu gerar capital suficiente para pagar os 900 milhões em Coco´s e agora é um banco com um problema de capital (determinado pelo BCE) por resolver. 

Sergio Monteiro pelas suas qualidades como negociador. Enquanto vendedor, Sérgio Monteiro foi responsável por grandes operações, como a venda da ANA – Aeroportos de Portugal, no final de 2012, aos franceses da Vinci, e a alienação em bolsa dos CTT, um ano depois. Mas foi em 2015 que os processos de venda e concessão de serviços públicos a privados aceleraram com as privatizações da TAP, CP Carga, e Emef e os concursos e adjudicações da Metro e Carris, em Lisboa, e do Metro do Porto e STCP, no Porto. O Secretário de Estado dos Transportes foi um forte membro da equipe de Maria Luís Albuquerque.

Marine Le Pen  A presidente da Frente Nacional, a nova líder da direita radical, acabou a primeira volta das eleições regionais em primeiro lugar. Acabou por, na segunda volta, não ficar à frente em qualquer região, mas apenas porque os socialistas sacrificaram os seus votos e deram-nos aos seus rivais Republicanos para derrotar a FN. Mesmo assim, Marine Le Pen e o seu estratega e n.º 2 do partido, Florian Philippot, arrecadaram a maior votação de sempre na segunda volta. 

Dom Manuel Clemente Escolhido pelo Vaticano (foi anunciado pelo Papa Francisco) para Cardeal Patriarca de Lisboa em Janeiro do ano passado, o actualmente D. Manuel III é, há quem diga um forte candidato a Papa.

Em Abril o papa Francisco nomeou o cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, para a Congregação do Clero e como membro do Conselho para as Comunicações Sociais.

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publicado às 01:45

Sobre a Quadratura do último dia do ano

por Maria Teixeira Alves, em 02.01.16

No último programa do ano da Quadratura do Círculo o discurso que dominou os já habituais comentadores de esquerda Jorge Coelho e Pacheco Pereira (este de esquerda em nome da independência ideológica de que não prescinde) foi este: a direita teve o que merecia, estava a pedi-las e por isso foi violada pelo PS de António Costa. Mal comparando com a metáfora do Homem que quer violar e justifica o seu acto com a provocação da mulher.

Pacheco Pereira chegou a falar de uma coligação negativa contra o anterior Governo que "era também internacional". O PaF ganhou as eleições mas perdeu o Governo porque estava a pedi-las, é o que se retira do discurso do comentador. Pacheco Pereira demoniza a direita e diz que a radicalização da direita é que justifica a coligação negativa pós eleitoral para impedir que o Governo que ganhou as eleições chegasse ao poder.

Ora eu acho precisamente o oposto. Acho que a direita esteve onde sempre esteve, quem se radicalizou, quem se deslocou para a esquerda foi o PS, e dessa forma aumentou o fosso entre a ala esquerda e a ala direita. Esta nova ordem nacional que põe o governo a ser decidido pelo Parlamento leva a que a direita se tenha de unir para crescer e formar o bloco de oposição à esquerda que sempre se coligará para chumbar Governos de direita.

As políticas europeias são hoje vistas como radicais de direita por esta nova ordem e Jorge Coelho chegou mesmo a dizer que este modelo faliu. Como se a Europa se vergasse à posição de Portugal. A Europa é soberana para cada Estado-Membro, e ainda mais tratando-se Portugal de um país mais receptivo do que contributivo. Essas alternativas e esse poder de impor alternativas aos parceiros europeus são mitos que costumam atacar comentadores políticos.

Depois o tema passou para o Marcelo e os seus 52% de intenção de voto nas Presidenciais, segundo as sondagens. Diz então Jorge Coelho que Marcelo Rebelo de Sousa beneficia do tempo de antena na televisão, que teve enquanto comentador, nesta campanha eleitorial, e será isso que justifica a liderança nas sondagens e justificará a eventual vitória eleitoral à primeira volta.  Mas recordo que António Costa comentava semanalmente na Quadratura do Círculo e nem por isso ganhou as eleições legislativas. 

Jorge Coelho estava a tentar a todo o custo retirar a Marcelo o mérito da sua campanha. Eu penso que a esquerda anda baralhada com isto das eleições presidenciais, é que não dá margem para coligações negativas pós-eleitoriais. Quem ganhar as eleições vai mesmo para Presidente. Como Marcelo está à frente isso torna-se um grande problema para a esquerda.

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publicado às 00:15

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