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No país das maravilhas

por António Canavarro, em 24.11.17

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Esta imagem merece muitos comentários mas como estou em vias de me deslocalizar para parte incerta não me apetece escrever mais nada!

 

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publicado às 14:28

Até quando irá durar esta primavera angolana?

por António Canavarro, em 21.11.17

 Quando da eleição de João Lourenço, como terceiro presidente da república angolano, pensei que seria mais do mesmo, mas devo reconhecer, pelo menos por agora, que estava enganado. Assim, e porque sou um verdadeiro democrata, só me resta saber até quando irá durar esta primavera angolana?

Pelo menos os seus primeiro actos tem sido uma golfada de ar fresco num país minado por uma oligarquia familiar. Em Angola, os presos políticos, e demais cidadãos já respiram, e a "Belinha" que se lixe!

 

 

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publicado às 10:49

Foto de Manuel Maria Barros.

O dia foi marcado por mais uma polémica mediática que mais uma vez desembocou numa medida drástica e imediata do Governo (ultimamente é assim que é governado o país). Na sexta-feira houve um jantar da Web Summit no Panteão Nacional, onde estão os túmulos de personalidades históricas de Portugal. O jantar com o CEO Paddy Cosgrave, com os fundadores de startups e outras empresas que participaram na Web Summit, chama-se Founders Summit e nele participaram cerca de 200 CEO (presidentes-executivos) fundadores de empresas e startups, investidores de alto nível, com o objectivo de estabelecer ligações entre eles (networking). 

Bastou ter-se levantado uma onda de indignação pública, com eco nas redes sociais, para o Governo mostrar mais uma vez como é eficaz. O Governo de António Costa reagiu. Culpou o Governo anterior (as usually). Mostrou-se muito indignado em solidariedade com a indignação geral, e zás, proibiu os jantares no Panteão. Tal como já tinha feito no Urban Beach (que se apressou a mandar fechar - by the way, pôs 200 pessoas no desemprego com essa precipitação. Podia ter multado, ter estabelecido regras duras, mas não, a solução foi: desemprego para toda aquela gente) - e tal como fez com os incêndios e armas de Tancos roubadas.Toma decisões muito radicais. Mas sempre, sempre à posteriori. 

Mas, mais uma vez, um paradoxo. É que o próprio Paddy admitiu ter falado com o "ministro". Paddy (que não deve estar a acreditar no que está a acontecer, conheceu finalmente o lado lunar de Portugal) viu-se obrigado a pedir desculpa mas deixou o recado que isto na Irlanda nunca se passaria (esta indignação). Não estranhem se o Web Summit rumar a outra capital.

O que veio dizer o primeiro-ministro António Costa (que se mostrou indignado, mais uma vez em coro com o Presidente da República)? Considerou este sábado, em comunicado, "absolutamente indigna" a utilização do Panteão Nacional para um jantar inserido na Web Summit.

"É absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos. Apesar de enquadrado legalmente, através de despacho proferido pelo anterior Governo, é ofensivo utilizar deste modo um monumento nacional com as características e particularidades do Panteão Nacional", declarou o chefe de Governo (e Marcelo disse o mesmo).

"Tal como já foi divulgado pelo Ministério da Cultura, o Governo procederá à alteração do referido despacho, para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória colectiva e os símbolos nacionais", prometeu o governante.

A prova que o Governo anda ao sabor da indignação mediática, é que afinal o jantar da Web Summit no Panteão Nacional, não foi caso único. Também uma empresa pública, a NAV Portugal, realizou um jantar, em outubro, e até publicou as fotografias no Facebook.  Para além do jantar de gala para homenagear trabalhadores, o evento do dia 16 de outubro teve direito a um welcome drink no terraço do Panteão.

Ora, para quem não sabe, a NAV Portugal tem como missão garantir a prestação de serviços de navegação aérea e é tutelada pelo ministério do Planeamento.

O mundo chama populista a quem governa contra a corrente mediática, mas populismo é precisamente o oposto. Populismo é isto de governar em função da indignação popular.

Esta dupla de populistas que representam e lideram o país, estão a transformar Portugal num cartoon.

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publicado às 00:33

Olha a robot...

por António Canavarro, em 08.11.17

Ser mulher hoje, e tendo conta os estereótipos que desde a queda do paraíso foi alvo, deve ser um alivio: foram e de forma merecida ganhando direitos, não havendo actualmente, no mundo ocidental, pelo menos no papel, diferenças perante a lei. Eles e elas são iguais para o estado de direito. E assim deveria ser.

 Acontece que o mundo ocidental é uma fracção do planeta. Há pois, povos, geografias, religiões, etc., em que elas ainda vivem na mais profunda das trevas, onde a sua diferenciação com os demais animais é estreita. Muito estreita.

 Assim é com grande estranheza, ou talvez não, que o Web Summit, a ter lugar em Lisboa, recebeu ontem Sophia. Uma mulher robot, nascida em Hong Kong, que no ano passado, em Riad, tornou-se numa cidadã saudita.

Então a robot, muito bem programada, disse estar “orgulhosa e honrada desta tão única distinção”. Disse e muitíssimo bem: “tão única distinção”! Só falta mesmo saber o que pensarão as demais femininas criaturas sauditas a tamanha honra!

 

P.S. - Sempre fui um apreciador das música dos Titãs, um marco do rock brasileiro. Não conhecia, ou pelo menos não me recordava deste tema e pelo visto tão actual. Sem o saber, Arnaldo Antunes  e seus pares estavam com os olhos no século XXI.

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publicado às 11:34

A queda

por António Canavarro, em 06.11.17

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publicado às 23:36

Uma bela capa

por António Canavarro, em 06.11.17

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Que bela capa:

a) O livro não foi escrito por ele, o que não deve ser novidade.

b) O governo não quer que Marcelo se torne num Cavaco. Não sei o que isso quer dizer.

c) A Rainha Isabel II foi apanhada em novo escândalo offshore. Mas será que a Betty não sabe se uma vez é mau duas é muito pior? e

d)  Dossier sobre a Revolução de Outubro... Tem três entrevistas. Sim três. Ora, como os obreiros desta revolução ao que parece já morreram todos, pergunto se entre os jornalistas deste jornal existem médiuns ... já que lendo a capa é o que parece, andaram a entrevistar fantasmas!

 

P.S. - Se o Tomaz estivesse entre nós, esta capa não escapava ao seu olhar crítico e divertido que sempre me habituou. 

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publicado às 21:54

O Tomaz parecia que era eterno e partiu

por Maria Teixeira Alves, em 03.11.17

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O Tomaz Bairros já não está cá para ler isto; já não está cá para vibrar com os jogos do Sporting; já não está cá para comentar a atualidade com os seus comentários contundentes, sem meias tintas, sem hesitações e inseguranças. Se há coisa que Tomaz amava era a praia. Penso mesmo que o Verão se demorou até ao fim de Outubro para que o Tomaz fosse à praia até ao último dia de vida.

Lembro-me que uma vez criou uma página nas redes sociais para que se pudesse ter acesso a informações sobre as praias do país todo. Aquilo foi um sucesso. Um dia o Tomaz ligou-me (eu ainda não tinha o número dele nessa altura) e apresentou-se assim: "Olá. É o Tomaz!", eu fiquei calada a pensar, "que Tomaz?" e ele apressou-se a situar-me: "É o rapaz do Faixa Costeira". Como é que se pode esquecer uma pessoa que se entregava aos outros nas pequenas coisas, mesmo mantendo aquela muralha da liberdade a separá-lo da demasiada exposição aos outros? O Tomaz entregava-se nas coisas que fazia, na forma como cozinhava para os amigos, na forma como nos levava a passear pelos bairros populares de Lisboa, na forma como nos fazia rir desconcertadamente.

O Tomaz passava pela vida das pessoas e demorava-se lá, mesmo quando parecia que passava de raspão. 

Tinha uma maneira única de ser, talvez por ter uma segurança que não está no ADN dos portugueses, o que se poderá explicar pelo seu lado norueguês. Não se detinha em aparências, nem hesitava em seguir o que sentia e pensava. Não tinha manhas inteletuais. Mesmo na doença nunca deu parte fraca, nunca mostrou qualquer insegurança, nunca demonstrou fraquejar. Quando descobriu que estava doente anunciou-o com uma naturalidade tal que eu, quando ele me disse, achei que não era verdade, que estava mais uma vez a brincar. Ninguém anuncia uma doença que pode ser mortal como quem diz que vai ao cinema. Ninguém, excepto o Tomaz.

O Tomaz estava nos antípodas do pretensioso, nos antípodas da vaidade, nos antípodas da basófia; no antípodas dos vigários deste mundo; nos antípodas da mentira. Fazia gala no contrário.

Mas desenganem-se aqueles que pensassem que por escolher, por exemplo, a tasca em vez do restaurante trendy o Tomaz não tinha um gosto de elite. Tinha um óptimo gosto em pessoas, um óptimo gosto em música, um óptimo gosto em arte. 

O Tomaz prezava a liberdade, dizia-o muitas vezes. Eu sempre pensei, que no fundo a liberdade era o que lhe restava (ele talvez não concordasse comigo). O sol, o mar, o Sporting, os amigos, os sobrinhos e a irmã eram tudo o que tinha. O que lhe sobrava era o sentido de humor. Dizia as coisas mais desconcertantes sem se rir. Um dia uma amiga minha estava a contar que assim que comprou uma casa com jardim lhe começou a aparecer um gato e que à força de lhe dar comida se afeiçoou à gata (era uma gata) e acabou por ficar com um animal de estimação (coisas que acontecem a quem tem a vicissitude de viver sozinho). O Tomaz ouviu muito atentamente e responde-lhe: "A mim também me aconteceu o mesmo, com duas traças. Vieram com o arroz. Mas eram muito meigas!". Disse isto sem se rir. Quem não conseguia parar de rir era eu e o resto da sala.

Se a morte apanhou tão cedo o Tomaz, com aquela segurança e um estilo de vida tão de costas voltadas ao stress, pode apanhar qualquer um.

 

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publicado às 13:48

Resultado de imagem para marcelo rebelo de sousa

Quanto mais vejo o Marcelo Rebelo de Sousa no seu estilo de Presidência da República aberta, mais me convenço que o Homem vai ficar lá para sempre. Descobriu o segredo da alquimia de agradar. 

Não há uma crítica que sequer raspe ao de leve aba do seu casaco. Aquilo é um talento. Vai ser um presidente eterno. Uma espécie de Rei "à la mode républicaine".

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publicado às 02:17

A fénix de Belém

por António Canavarro, em 18.10.17

 

No outro dia, no meu facebook, escrevi e cito: "Porque será que Portugal rima com fénix? Fónix... Para isto".  E não é que rima? 

Ontem, e de forma a meu ver brilhante, Marcelo Rebelo de Sousa, deu razão a esta criatura mítica. Porque, como o pássaro, que na mitologia, grega sempre morria renascia das próprias cinzas, ele também deu provas de estar bem vivo, e que assim se mantenha. É bom para Portugal e os portugueses!

 

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publicado às 10:35

O povo morre mas é sereno

por António Canavarro, em 17.10.17

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Eu era miúdo mas ficaram na memória as palavras do Almirante Pinheiro de Azevedo: "O povo é sereno, isto é só fumaça".

O povo português é demasiado sereno e não é só fumaça. Nos fogos de Pedrogão Grande morreram dezenas de portugueses e em condições horrendas. Este ano arderam milhares de hectares da floresta portuguesa, com prejuízos incalculáveis. Neste domingo o fogo, ou melhor os incendiários - onde se viu um incêndio que deflagrou às duas da manhã?- , matando compatriotas nossos, destruindo fábricas e com consequências sociais e humanas únicas!

A ministra queixa-se que não teve férias! Uma atitude que demonstra, como escreve hoje António Esteves, que ela não tem condições para se manter no cargo: demita-se e vá de férias para bem longe!

Mas o povo é sereno, mesmo quando o povo morre. Na Galiza morreram 4 pessoas e milhares foram para a rua, exigindo "uma mudança na política florestal do Governo Regional da Galiza e a demissão da do presidente regional, Alberto Núñez Feijóo, que acusaram de incompetência na defesa das populações." Por aqui não acontece nada: ou melhor: criam-se contas de solidariedade, fazem-se concertos para angariação de fundos, fundos que ao que parece nem se conhece o rasto.

O povo é sereno. Merda para tanta de serenidade!

 

P.S. - Este mapa, encontrado em https://fogos.pt, é esclarecedor do estado a que nosso país chegou!

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publicado às 11:39



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